Notas iniciais
Capítulo dedicado a Isamaralibra! Obrigada pela linda recomendação flor!

As vezes paramos para pensar no que fizemos da nossa vida até o momento presente. Tudo que fizemos, tudo que não fizemos, as pessoas que conhecemos durante essa jornada, aquelas na qual cultivamos a amizade até hoje e aquelas que simplesmente passaram deixando boas recordações ou não e que se perderam no caminho. Aquelas que se foram desse mundo deixando apenas saudades e boas lembranças, a primeira professora, por onde anda aquele amiguinho que se sentava do meu lado no jardim de infância ? Aquela sensação de nervosismo e frio na barriga que a ansiedade do primeiro beijo nos traz, a curiosidade por descobrir o prazer do sexo. As famosas borboletas no estômago, as mãos suando, as pernas bambas e as bochechas coradas quando aquele garoto ou garota que a gente gosta está por perto. O primeiro amor, aquele que será o primeiro de muitos para alguns mas pra mim, meu primeiro amor foi meu único e será pra sempre.

Edward respirou fundo tentando afogar a dor em seu peito, sentado em seu carro ele observava a avenida movimentada a sua frente, o ir e vir das pessoas.

O sol aparecia timidamente por entre as nuvens naquela manhã em Seattle, um jovem atravessou a faixa de pedestre em seu skate com um sorriso sonhado nos lábios, provavelmente estava pensando em sua namorada e Edward o invejou. Desejou fervorosamente poder volta no tempo e fazer tudo diferente mas ele sabia que isso era impossível, de todas as conquistas científicas já alcançada pelo homem, ninguém ainda conseguiu fazer uma máquina do tempo e provavelmente nunca vão conseguir. Talvez morrer e nascer de novo seja a solução mas...existe vida após a morte ? Existe reencarnação ? E se existir, ele se lembraria de suas vidas passadas ? Provavelmente não.

Ele suspirou pesadamente enquanto estacionava o carro, pegou sua carteira, ajeitou seus óculos escuros no rosto e desceu acionando o alarme. Ele olhou o imponente prédio a sua frente e se sentiu um tanto intimidado em entrar. Dois dias atrás depois de sua conversa com Alice, ele queria ter partido para Forks pra implorar, rastejar se fosse preciso por seu perdão, mas Alice o convencerá de que aquele não era o momento certo pois Bella estava passando por um momento difícil com o problema do pai, o encontro com a mãe e a irmã, era muita coisa pra ela. Ele concordou, ela estava certa e apesar de toda a sua ansiedade e desespero ele se conteve, sabia que agora tudo que ele não podia fazer era agir por impulso, agora tudo que ele precisa era agir com cautela. Não iria procurar Isabella por enquanto mas ele precisava saber o que tinha acontecido a ela, como ela foi parar no México. Isso era fodidamente masoquista mas ele tinha que saber e foi por isso que resolveu procurar a única pessoa além de Bella que poderia lhe contar, isso se ele o recebesse. Resoluto, ele adentrou o local.

X—X

Bella parou em frente a porta do quarto da filha um tanto apreensiva com a conversa que teria com ela. A dois dias eles tinham voltado de Forks e ela vinha protelando a conversa com a filha mas agora ela não ia se acovardar, estava esperando Edward a procurar a qualquer momento exigindo seus direitos de pai e tinha medo da reação da filha, então respirou fundo e bateu na porta.

— Entre. — Ela girou a maçaneta colocando apenas a cabeça pro lado de dentro, Tessane estava sentada em sua cama em posição borboleta e concentrada em seu notebook que estava sobre seu colo.

— Filha, será que podemos conversar ? — Bella pediu um tanto insegura chamando a atenção da filha.

— Claro mamy, entre e sente-se aqui. — Ela falou com seu sotaque quase imperceptível fechando o notebook e o colocando de lado sobre a cama. Bella andou a passos lentos até a cama e se sentou deixando as mãos cair em seu colo, olhou a sua volta vendo como o quarto lhe parecia organizando mesmo com algumas almofadas e bonecas de pano espalhadas pelo chão, sobre a escrivaninha livros e anotações, logo do lado no chão o violão e um pequeno caderno.

— Está compondo ? — Tessane San Romão sempre foi uma criança precoce pra sua idade, andou cedo, falou cedo, aprendeu a ler sozinha com apenas 4 anos e aos cinco já tocava piano melhor do que alguns adultos. Seu gosto por músicas foi se tornando cada vez maior ao passo que ela ia crescendo, aprendeu a tocar violão também, canta e compunha muito bem, e é claro que esse lado musical ela puxou do pai que é um exímio pianista.

— Sim! Estou compondo uma música pro papai, o aniversário dele está chegando e quero lhe dar essa música de presente. — Ela falou sorridente e Bella sentiu seu estômago se apertar.

— Sabe, seu pai é um pianista maravilhoso. — Ela começou tentando dar uma leveza ao assunto, Tessane a olhou com o cenho franzido, a confusão clara em seu rosto. Então Bella continuou — Se ele não tivesse escolhido a arquitetura, teria se dado muito bem na música.

— Ela sentiu o corpo da filha enrijecer ao seu lado.

— Papai é administrador. — Ela rosnou e Bella respirou fundo.

—Tess, eu sei o quanto você ama o Alec e você sabe que ele te ama demais, você é a princesinha dele e sempre vai ser, e sim ele é seu pai, aquele que te criou e que te deu amor mas você sabe que o Edward é seu pai biológico. Filha, eu sei que é difícil pra você entender mas o Edward é seu pai e têm direitos...

—Não mamy, ele não têm. Ele nos deixou! — A menina gritou se pondo de pé. -Ele abandonou você, ele não acreditou em você mamy, ele me renegou como filha então ele não é meu pai. — Ela afirmou, seu rosto corado pela raiva que ela expressava e Bella se assustou. — Meu pai se chama Alec San Romão!

— Filha por favor fique calma. — Bella pediu segurando a mão da filha e a puxando para se sentar na cama novamente, passou a mão no rosto pequeno e redondo tirando os fios de cabelo acobreado que lhe impediam de olhar o rosto infantil. – Filha você está certa, o Alec é seu pai e sempre vai ser, mas o Edward também é. — Ela falou e a menina tentou se desvencilhar de seu toque, mas Bella a manteve firme ali, pegou o rosto da filha entre suas mãos fazendo assim com que ela a olhasse. — O Edward errou muito Tess mas foi comigo que ele errou, se eu tivesse continuado aqui ele saberia que você é filha dele e eu sei que ele teria amado você mais que tudo, assim como ele ama a Quiberlly. A minha história com ele foi conturbada demais, seu pai – Tess fez uma careta com a menção de Edward como pai e Bella preferiu não forçar. — O Edward era muito ciumento e isso o deixou cego pro óbvio e isso não diminui ou tira a culpa dele, assim como não muda o fato de que ele é sim seu pai meu amor e ele têm direitos em relação a você. Ele têm direito de dar o nome dele a você e de conviver com você e nada pode ser feito em relação a isso, você entende my vida ? – Tessane balançou a cabeça de um lado pro outro, as lágrimas já rolavam pela face infantil e Bella sentiu seu coração pequenininho com o sofrimento da filha. — Escuta minha pequena, você não pode deixar que os meus problemas com ele interfira no seu julgamento, o Edward é um bom homem Tess, se dê uma chance de conhece-lo.

— Não quero mamy, não quero conhece-lo. – Tess falava soluçando. — Não quero o nome dele, não quero ser uma Cullen, não quero nada dele mamy. Eu já tenho um pai, não preciso de outro. — Ela falou e se agarrou a mãe, Bella envolveu seus braços em volta da filha tentando conter as próprias lágrimas.

— Amor, o Alec sempre será seu pai, nada vai mudar isso. Mas filha, dê uma chance ao Edward, você não é obrigada a gostar dele, apenas tente filha, tenho certeza que vocês se darão bem. -Tess nada disse apenas se apertou mais a mãe. Bella puxou a filha mais pro meio da cama, a ajeitou e se deitou do lado dela e começou a acariciar seus cabelos enquanto cantarolava uma cantiga de ninar.

X--X

Alec olhava para o homem a sua frente visivelmente irritado. — Como assim não conseguiu nada Felix ?

— Sinto muito Alec, mas parece que a mulher foi engolida pela terra. — Alec incumbiu seu amigo e segurança a encontrar Victoria, já havia dias e nada, nenhuma pista da ruiva.

Alec se sentia vulnerável e exposto, sua família estava em perigo e ele não fazia ideia de quem era essa pessoa que representava esse perigo, mantinha sobre vigília constante todos aqueles lhe fizeram mal no passado, no entanto eles seguiam com suas vidas e rotinas normalmente. Precisava encontra Victória pois só ela poderia lhe dar a certeza sobre contra quem deveria agir pra manter sua mulher segura. Deixou o corpo cair na cadeira derrotado.

— Continue procurando Felix, não posso continuar no escuro. — Foi interrompido pelo telefone que tocou. — Sim!

— Senhor San Romão, o senhor Cullen deseja vê-lo. — A secretária informou e Alec bufou.

— Mande-o entrar, Kate. — Ele respondeu e desligou.

— Acho melhor eu me retirar, nos falamos depois. – Felix disse e Alec assentiu, ele se dirigiu a porta quando escutou alguém bater, abriu e encarou Edward que não tinha uma aparência nada boa, apenas balançou a cabeça como cumprimento recebendo o mesmo gesto de volta e se retirou.

— Cullen, eu poderia dizer que é uma surpresa te ver mas não é. Na verdade, acho que você até demorou a aparecer. — Alec falou e apontou a cadeira a sua frente — Sente-se por favor!

— Então você sabe o que me trouxe aqui. — Edward falou se sentando, não houve comprimento entre eles, foram direto ao ponto e ambos preferiram assim.

—O que você quer saber ? — Alec perguntou se recostando na cadeira e colocando as mãos sobre a mesa.

Edward desviou o olhar do homem a sua frente e olhou a espaçosa sala elegantemente decorada a sua volta, seu olhar recaiu sobre um dos portos retratos que havia sobre a mesa. Eram quatro mas só um estava posto de uma forma que ele podia ver, era uma foto de Alec e Bella, ele estava atrás dela sem camisa com uma calça branca, a abraçava e tinha a cabeça apoiada entre seu pescoço e o ombro dela, que tinha uma coroa de flores na cabeça e os longos cabelos mogno desciam até sua cintura. Ela usava apenas um top tomara que caía branco e uma longa saia também branca deixando exposta sua grande e arredondada barriga onde Alec descansava suas mãos e as delas estavam por cima das dele, os dois olhavam pra barriga dela com um sorriso orgulhoso nos lábios. Edward engoliu o nó que se formou em sua garganta, seus olhos arderam e ele sabia que era por causa das lágrimas não derramadas que se acumularam ali, mas ele se recusou a deixá-la cair na frente do seu rival. Respirou fundo e levantou o olhar pro homem a sua frente que continuava a encara-lo impassível.

—Tudo, eu quero saber tudo! — Alec arqueou uma sobrancelha pro seu tom firme.

— Eu poderia simplesmente mandar que saia da minha sala, não tenho obrigação de te dizer nada. — Alec falou sem desviar os olhos de Edward que também o encarava. — No entanto, acho que você precisa saber porém não te direi tudo, têm coisas que apenas a Bella pode te contar se assim ela quiser. — Edward concordou.

— Tudo bem.

Alec o olhou pro um momento, apesar de estar impecavelmente vestido em seu terno armani, as manchas roxas embaixo de seus olhos lhe davam um ar de cansado quase doente e a falta de vida em seus olhos denunciavam seu verdadeiro estado e Alec sabia que depois de ouvir tudo que ele tinha pra contar, ele só se sentiria pior. Com um suspiro de consternação, deixou que as lembranças daquela noite invadissem sua mente.

FLASHBACK ON

— Hey cara vamos lá, a vida não é só trabalho, tem que ter um tempo pra diversão também. — Felix tentava convencer seu chefe e amigo a acompanha-lo a um pouco de diversão noturna.

Estavam em Port Angeles a alguns dias, Alec tinha interesses pessoais a serem resolvidos ali. Ele suspirou com um ar de tristeza e nostalgia ao se lembrar que estava ali pra realizar um sonho de sua tão amada mãe, não tinha tido muito tempo com ela já que a mesma morreu quando ele tinha apenas 7 anos e Rose 4, mas o pouco que lembrava aquecia seu coração ao mesmo tempo que também o fazia doer.

Queria ter tido mais tempo com ela, lembrava de como era linda e a amorosa, de como lhe acariciava os cabelos e enchia seu rosto de beijos, sabia o quanto a mãe fez falta na vida dele e principalmente na vida de sua amada irmã, mesmo que sua tão amada babá Maria os tivessem enchido de amor e carinho e tentado de todas as formas possíveis suprir a falta da mãe, não era a mesma coisa. A única forma que tinham de matar as saudades e conhecer mais da mulher que deu a vida a ele e a irmã, era através de fotos e das histórias que seu pai lhe contava.

Adorava quando pai se sentava com eles no carpete da sala rodeados de fotos e pequenas lembranças e lhes contava com um tom saudoso e um olhar apaixonado de como a conhecerá em uma viagem de negócio, naquela mesma cidade em que agora se encontravam, a única mulher que amou em sua vida.

“Quando entrei naquele bar e me sentei em frente aquele balcão, a única coisa que eu queria era uma cerveja gelada e relaxar do dia exaustivo que tive, no entanto, ao erguer meus olhos pra fazer o meu pedido, meu mundo parou ao encontrar aquela imensidão azul me encarando de volta, seus olhos eram tão doces, gentis e quentes ao mesmo tempo e foi olhando para aqueles olhos azuis que eu soube que estava perdido, que eu não era mais dono de mim, eu pertencia a ela.” Era como seu pai descrevia. Ele voltou ao presente quando viu uma grande mão acenando a sua frente.

— Ei cara, em que mundo você está ? – Félix perguntou o olhando interrogativo. — Não está pensando em Ximena outra vez né ?! Esquece essa mulher, ela não merece seu sofrimento e depois desses meses todos pensei que já a tivesse esquecido. — Ele completou e Alec bufou irritado.

— Ximena pra mim já é passado, um passado morto e enterrado. — Respondeu convicto. — Estava pensando em minha mãe.

— Desculpe cara, sei que deve te trazer muitas lembranças estar na mesma cidade onde ela nasceu e viveu por um tempo.

— Sim, eu só queria ter tido mais tempo com ela. — Ele murmurou com um olhar distante perdido em sua saudade.

— Chega de tristeza Alec, você precisa de um pouco de diversão. Nada como um corpo quente e uma boca molhada pra ti tirar dessa monotonia. — O amigo falou com um sorrisinho malicioso, se aproximou dele e o balançou pelos ombros. — Vamos lá hermano, fiquei sabendo que a casa da Madame Carmem têm as garotas mais quentes que essa cidade pode oferecer, não que isso seja grande coisa, mas é melhor que nada. — Ele falou e Alec teve que rir.

— Tudo bem, você me convenceu. Eu vou só vou para te fazer companhia e me distrair um pouco, deixo as garotas todas pra você. — Ele falou fazendo o amigo rolar os olhos.

Sairam do hotel onde estavam hospedados entre brincadeiras e risos, Felix estava genuinamente feliz por ter conseguido tirar o amigo daquele quarto, as coisas não estavam nada fáceis pra ele nos últimos meses e vê-lo sorrindo e leve assim o deixava realmente feliz. Alec era muito mais que um patrão pra ele, era seu amigo, seu irmão.

Dentro do carro Felix estava ansioso por uma noite de prazer, já tinha dois meses que ele não sabia o que era uma mulher e tudo que ele queria era se perder dentro de um corpo quente e macio, só de imaginar uma excitação já crescia dentro dele. Estava tão animado com a ideia que nem percebeu que seu companheiro tinha parado com a conversa e olhava com uma expressão de pavor a cena que se desenrolava do lado de fora do carro, que já se encontrava parado em frente a tão famosa casa da Madame Carmem.

Ele acompanhou o olhar do amigo e arregalou os olhos, na calçada a poucos metros de distância do carro onde estavam, dois homens seguravam uma jovem que tinha seu vestido branco sujo de sangue e estava obviamente ferida, eles tentavam arrasta-la até uma van preta estacionada ali. A jovem esperneava e lutava com toda força que tinha, era visível que estava assustada, desesperada e quando um dos homens que tentavam arrasta-la perdeu a paciência e desferiu um forte tapa contra o rosto, ele ouviu Alec rosnar e seu olhar se tornar negro e feroz.

Alec abriu a porta do carro e se lançou furioso pra fora, Félix seguiu o amigo sacando sua arma e sentindo grato por nunca andar sem ela, a engatilhou em direção dos agressores e com uma mão segurou Alec pelo braço o impedindo de seguir em frente. Não podia permitir que ele fosse até lá, aqueles homens poderiam estar armados e era sua obrigação protege-lo .

— Soltem a garota agora. — Felix gritou surpreendendo os homens que olharam assustados em direção a eles.

— Não se meta nisso! — O louro grunhiu. — Temos assuntos a tratar com essa mocinha aqui. — Ele falou apertando mais o braço da moça que gemeu de dor, fazendo Alec rosnar e trincar os dentes.

— Solta ela seu desgraçado. — Alec rosnou dando um passo a frente sendo contido por Felix.

Alec não sabia porquê, mas sentia que precisava proteger aquela pequena mulher que lhe parecia tão frágil, seu pequeno corpo tremia, seu vestido estava rasgado e sujo de sangue e mesmo de longe ele podia ver que seus braços e pernas estavam feridos. Ela chorava, uma força invisível o puxava pra ela, ele tentou se livrar de Felix que aumentou o aperto em seu braço.

— Me parece que a moça não quer conversar senhores, solte-a agora- Felix rugiu.

— Nos só queremos ajudá-la, como pode ver ela está machucada. — O loiro falou apontando pra moça. — Nós a conhecemos, vamos levá-la pra casa. — Felix sabia que era mentira mas o grito da moça confirmou.

— Mentira! — Ela gritou com a voz rouca pelo choro desesperado. Felix sentiu Alec tremer do seu lado e sabendo que não o seguraria mais, ele atirou em direção a eles. A bala passou direto acertando a parede, o som do tiro foi abafado pelo som alto que vinha do bordel, a rua deserta não deixava testemunhas do infortúnio

— A próxima será na sua cabeça. — Ele falou aos homens que estavam de olhos arregalados, e sem alternativas soltaram a moça que foi ao chão devido às pernas bambas e a falta de forças pra sustentar seu corpo. Estava assustada demais, os homens correram em direção a van sendo seguidos por Felix.

Alec correu até ela e se abaixou, passou seus braços pelo corpo trêmulo e a abraçou protetoramente, ela chorava e soluçava, se agarrou a ele segurando forte em sua camisa como se tivesse medo que ele fosse embora e a deixasse ali.

— Acabou pequena, vai ficar tudo bem. — Ele tentava acalma-la, mas ela apenas chorava e murmurava “não sou eu, não sou eu” insistentemente, parecia em choque, sua voz e seu choro eram sofridos.

Ele se afastou um pouco e tirou os cabelos dela do rosto e ofegou quando teve a visão completa de sua face, ela era linda, a mulher mais linda que ele já virá! Seu pequeno rosto em formato de coração mesmo machucado não deixava dúvidas, seus olhos eram de um castanho lindo que ele nunca virá antes, porém tinha tanta dor neles que o deixou sem ar, ela parecia um anjo, mas aquele anjo estava completamente quebrado.

— O que aconteceu com você anjo ? – Ele perguntou mais pra si mesmo do que pra ela, mesmo que no fundo esperava que ela o respondesse, mas tudo que recebeu foi um olhar vazio e as mesmas palavras que ela não parava de pronunciar “ Não sou eu, não sou eu”. Era como se quisesse convencer alguém de algo, ele a apertou mais de encontro ao seu peito, seu coração doeu com o sofrimento daquele ser tão frágil e ferido que ele tinha em seus braços.

— Eles conseguiram fugir. — Felix falou ofegante vendo o amigo sentado no chão com a jovem aninhada em seu peito, mas se assustou quando Alec o olhou e ele pode ver lágrimas caindo de seus olhos.

— O que vamos fazer com ela ?- Ele perguntou. — Por enquanto vamos leva-la ao hospital, ela está machucada e parece que está em choque. — Ele falou se levantando com seu anjo quebrado nos braços. — Vamos esperar que ela se recupere e nos diga quem ela é, até lá quero que contrate seguranças pra ela, não vou permitir que aqueles cretinos se aproximem dela de novo. – Alec continuou e Felix apenas assentiu.

Alec entrou na parte de trás do carro e manteve seu anjo em seu colo a abraçado com carinho, olhou naqueles olhos tão triste e sofridos sentindo seu peito se aquecer e seu coração bater forte em seu peito, uma onda de ternura e proteção o invadiu. Ele não sabia quem ela era ou o que tinha acontecido com ela, não imaginava o que tinha quebrado aquele anjo tão lindo mas ele estava disposto a descobrir, ele sentia em seu coração e em sua alma que ela agora seria seu mundo, sua vida! Naquele momento ele entendeu exatamente o que seu pai dizia sobre quando conhecerá sua mãe " eu não era mais dono de mim! Eu pertencia a ela"

— Eu vou cuidar de você anjo. — Ele declarou e selou seu pacto lhe beijando a testa.

FLASHBACK OFF

Edward tinha a face molhada, foi impossível conter as lágrimas a medida em que Alec lhe contava tudo que Bella tinha passado. Ele apertava suas unhas nas palmas de suas mãos que lhe feriram a carne, mas a dor em seu peito era maior pra que ele sentisse qualquer outra coisa.

— Ela ficou três dias naquele hospital, ela só falava quando lhe era perguntado alguma coisa, menos sobre o que tinha acontecido, falava apenas que era inocente. Como eu tinha que voltar pro México e não podia e nem queria deixá-la, eu a convenci a ir comigo, o que não foi difícil pois ela agia mecanicamente, era apenas uma casca oca. Tudo que eu sabia sobre ela era apenas seu nome que com muito custo consegui tirar dela. Minha família a recebeu de braços abertos, é muito fácil se apaixonar por ela. — Alec disse e Edward teve que concordar, ele sabia que Bella é apaixonante. — Apenas depois de um mês que ela estava em minha casa foi que ela me contou sua história. Foi uma época difícil, ela tinha pesadelos e todas as noites eu acordava com seus gritos, era difícil fazê-la comer, ela só o fazia quando falávamos que ela precisava se alimentar pelo bebê e foi por ele que ela começou a reagir, aos poucos ela foi saindo daquele estado depressivo, nós a levamos a um psicólogo e isso ajudou muito.

Cada palavra pronunciada era uma facada no peito de Edward, quanto sofrimento ele tinha causado a sua menina com sua falta de confiança, seu ciúme desenfreado. Será que ele merecia perdão ? Não, ele não merecia e sabia disso, mas rezava a Deus pra que o tivesse. Ele limpou as lágrimas de seu rosto, ódio se sobressaindo a dor, se ele tinha alguma dúvida sobre sua vingança, agora essas não existiam mais.

— Quem eram os homens que tentaram levar Bella e porquê ? — Ele perguntou sentindo um gelo lhe passar pela espinha e mesmo sabendo que o homem a sua frente era seu rival e que teria que lutar com ele pelo amor da mulher de sua vida, se sentiu imensamente grato por tudo que ele fez por ela.

— Eu não sei, não consegui saber nada sobre eles e Bella também não sabia, não os conhecia. — Alec preferiu não passar nenhuma informação a mais, ele já tinha contado tudo que podia, o resto só Bella podia contar.

Edward o olhou, sabia que tinha muito mais a ser dito, mas sabia que não tiraria mais nada de Alec, respirou fundo e se levantou.

— Eu lhe sou muito grato por tudo que fez por Bella e por minha filha. Provavelmente eu nunca poderei agradecer o bastante, mas quero que saiba que o fato de lhe ser grato não vai me impedir de fazer tudo que estiver ao meu alcance pra tê-las de volta. Eu amo aquela mulher, sempre amei e vou lutar por ela. — Ele falou olhando seu rival nos olhos, Alec apenas ergueu o queixo e o fuzilou com os olhos.

— Eu já esperava por isso Cullen, não posso impedi-lo. Porém saiba que eu não ficarei de braços cruzados, não vou perder a minha mulher e nem a minha filha, e se é guerra que você quer, é guerra que você terá. E já que sou casado com ela e temos uma família juntos, eu tenho uma grande vantagem a sua frente, sem contar que é a mim que ela ama. — Alec respondeu vitorioso mas Edward não se deixou abalar, mesmo que as palavras de Alec o tivessem atingido como um soco em seu estômago. — Veremos. — Ele rosnou e saiu.

Raiva, dor e ódio borbulhavam dentro dele quando entrou em seu carro e bateu a porta com força em seguida socando o volante. Ele precisava falar com Bella, precisava do seu perdão e principalmente precisava desesperadamente do seu amor. Odiava aqueles malditos que lhe tiraram o amor de Bella, olhou o envelope que parecia queimar no banco do carona e sorriu, eles pagariam por tudo e ele começaria por sua tão odiosa esposa.

— Você não sabe o que lhe aguarda, querida esposa!

Continua...

Notas finais
Até a próxima meninas! Bjs.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.