Mentiras de Maio
19 Surpresas
ROMANCES MENSAIS
LIVRO V – MENTIRAS DE MAIO
CAPÍTULO XVIII – SURPRESAS
Austin se posiciona de frente para o microfone, tendo a atenção de todos sobre si. O silêncio presente no salão de festas da pousada era angustiante. O loiro respira fundo e me encara, provavelmente buscando algum apoio emocional. Eu me sentia tão nervosa quanto ele, ciente de que já haviam descoberto a nossa identidade, mas mantenho meus olhos fixos nos de Austin, tentando transmitir todo o apoio que ele precisava naquele momento.
Sussurros se tornam cada vez mais altos e era evidente a hesitação de Austin para iniciar seu discurso. Todas as câmeras estavam voltadas para o loiro, que encarava o irmão com intensidade. Pelo telão atrás de Austin era possível ver Aaron ao lado de Brooke. O casal observava o Moon mais jovem com suas expressões magoadas. Era impressionante a maneira como eles conseguiam transmitir a imagem de vítimas.
Como Cait havia descrito no dia anterior, o rosto de Aaron estava bastante machucado e inchado. Os lábios ainda estavam inchados e ele havia levado pontos na sobrancelha direita. Mesmo com a barba escondendo boa parte das bochechas, era possível ver que estavam roxeadas e bastante machucadas. O mais impressionante é que mesmo com os diversos machucados, ele continuava bonito.
A imagem do telão se volta para os avós maternos de Austin, que o encaravam com suas expressões autoritárias. Os pais de Brooke também estavam presentes ao lado dos patriarcas da família Queen e não pareciam nada satisfeitos com a demora de Austin, que parecia um pouco nervoso. Mais uma vez, o loiro respira fundo e recebendo o apoio dos primos, que acenam e sorriem, ele finalmente parece pronto para falar.
— Boa noite. — Inicia o rapaz à contragosto. Austin suspira assim que todos respondem ao cumprimento. Ele encara as câmeras com pesar, até que seus olhos se encontram com os meus. Dou um sorriso nervoso e assinto, incentivando que ele continuasse o discurso. — Como todos devem saber, na manhã de ontem, eu cometi o erro de agredir fisicamente o meu irmão mais velho. Eu agi por impulso em um momento de fúria e lamento profundamente ter causados tantos problemas e ter machucado as pessoas que amo. Eu realmente sinto muito. Minha família me ensinou a jamais resolver os problemas de maneira violenta e dessa vez eu fui incapaz de controlar as minhas emoções. Aaron, eu sinto muito ter machucado seu rosto. E Brooke, lamento muito que por causa de minha ação descontrolada você tenha passado por um susto tão grande ao ponto de ter parado no hospital. Aos meus pais e a toda a família, peço perdão por ter causado tanta preocupação. Eu prometo que isso não irá se repetir. E a todos que se sentiram ofendidos de alguma forma, eu realmente lamento pelos problemas que eu causei.
Austin então faz uma reverência diante de todos. Durante alguns instantes, todos permanecem em silêncio. É então que Barry e Ben começam a bater palma. Não demoro a me juntar a eles junto com os membros da família Barton. Aos poucos, mais pessoas se junto a salva de pamas que davam ao loiro. Eu estava tão orgulhosa de Austin. Os pais e os avós do rapaz também pareciam ter aceitado o pedido de desculpas e aplaudiam Austin com sorrisos leves em seus rostos. Ao notar isso, suspiro aliviada por ver que finalmente conseguimos contornar a situação.
Aaron e Brooke também batiam palmas, mas eu conseguia ver pela forma tensa que agiam, que não estavam satisfeitos, principalmente o irmão mais velho de Austin. Ele provavelmente esperava ver o caçula se humilhando em seu pedido de desculpas, o que felizmente não aconteceu. Pelo o que Austin havia me contado, Clint havia o ajudado a escrever um pedido de desculpas sincero e que conseguisse tocar o coração das pessoas, sem que ele precisasse se ajoelhar diante do irmão mais velho.
Parando para pensar, ele realmente havia feito um bom trabalho. Ele conseguiu pedir desculpas, mas ao invés de focar todo o seu arrependimento por agredir Aaron, o loiro citou toda a família e o que realmente o causava remorso dessa situação. Ele não se arrependia de ter batido em Aaron, mas sim de ter feito isso em seu rosto. O loiro mesmo havia me dito que se pudesse voltar no tempo, teria descontado sua raiva toda em partes onde não fosse visível. Ele também se sentia mal por todo o problema que causou aos pais, primos, avós e as pessoas que ama, o que não incluía Aaron e Brooke.
Por isso, ainda que as pessoas não tenham notado, seu pedido público de desculpas não foi ao irmão e a futura cunhada. E foi exatamente por isso que ele conseguiu ser tão sincero e convincente. A cada dia que se passa, mais eu me surpreendo com as habilidades de Clint. Mesmo que geralmente ele aparenta ser apenas um rico excêntrico com hábitos peculiares, o homem sabe como lidar com problemas com muita criatividade e resiliência.
Austin levanta a cabeça e sorri de forma aliviada, enquanto me encara. Correspondo ao sorriso, aproximando-me. Ele desce do palco e eu o abraço, sem esconder todo o meu orgulho. E quando eu achei que finalmente havíamos resolvido todos os problemas, um novo murmurinho se inicia. Austin e eu nos afastamos, tentando entender o que estava acontecendo. Nós nos encaramos confusos e não demoro a perceber que eu aparecia no telão do palco, enquanto várias pessoas me encaravam furiosas.
— Ei, ela é a garota que empurrou a Brooke! — Grita uma pessoa no meio da multidão.
— Como ela tem coragem de aparecer aqui depois do que fez? — Grita outra pessoa completamente furiosa.
Austin aperta a minha mão e me puxa para trás dele, tentando me proteger de alguma forma. Os primos de Austin tentam se aproximar, mas logo estamos sendo cercados por uma multidão furiosa, impedindo que eles conseguissem fazer alguma coisa. De longe, consigo ver um sorriso satisfeito nos lábios de Brooke, que abraçava Aaron em uma falsa expressão de sofrimento. É claro que ela usaria suas artimanhas para despertar a fúria das pessoas.
— Parem com isso! Ela não fez nada! — Ouço Elena gritar, mas sua voz se perdia em meio a várias outras que gritavam ofensas e palavras de ódio contra mim.
— Afastem-se! — Pede Austin, abraçando-me para impedir que eu me tornasse vítima dos empurrões e gritos das pessoas.
— Dissimulada!
— Você é uma pessoa horrível!
— Vai embora!
— Você não é bem-vinda aqui!
— Veio tentar machucar a Brooke de novo?
— Não vamos permitir que se aproxime de Brooke novamente!
— Vai embora, vadia!
— Aproveitadora!
— Sua cara de coitada não engana ninguém!
— Você deveria ser presa!
As pessoas continuavam a gritar e eu estava começando a ficar sem ar com todas aquelas pessoas em cima de mim e Austin me apertando cada vez mais contra si, exigindo que as pessoas parassem. Um forte desespero toma conta de mim. O ódio das pessoas era assustador. Era como se elas estivessem prontas para me matar. Eu não sabia o que fazer. Um enorme nó se forma em minha garganta. Eu preciso fazer um enorme esforço para não chorar.
— Boa noite, seres furiosos. — Um som agudo ecoa pelo salão e as luzes do salão se apaga de repente, ficando apenas o telão do palco ligado. Todos se calam e passam a olhar em volta, buscando por Clint. De repente, o a tela gigante começa uma contagem regressiva de cinco segundos, até que a tela fica preta com um ponto de interrogação branco no centro. É então que uma série de imagens estranhas aparecem na tela. — Caso vocês não me conheçam, essa voz que lhes fala pertence a Clint Barton. E se ainda assim vocês estiverem confusos sobre a minha identidade, não se preocupem. Eu sou muitas coisas e nada ao mesmo tempo, assim como todos vocês. Todos somos pertencemos ao reino animalia, do filo chordata e subfilo vertebrata. Somos da classe mammalia, de ordem primata e subordem antropoidea. Nossa superfamília é a hominoidea e nossa família hominidea, sendo do gênero homo. Teoricamente indivíduos dotados de inteligência e linguagem articulada. Mas, essa noite, vocês podem me descrever como aquele que trouxe a magia da verdade. Sim, meus caros homo sapiens sapiens, hoje eu irei apresentar um show de mágica surpreendente.
— O que o tio Clint está fazendo? — Sussurra Austin, soltando-me. Todos observavam as fotos que pareciam ter sido tiradas de um livro de biologia. Eu não esperaria nada menos da excentricidade de Clint.
— Eu não sei. — Respondo tão confusa quanto Austin. — Mas tenho a impressão que não demoraremos para descobrir.
É então que tudo escurece novamente. O silêncio deixa o clima ainda mais intenso e misterioso. Todos pareciam assustados e, ao mesmo tempo, curiosos para saber o que o dono da ilha Thunderbolts estava aprontando. Uma luz se acende no meio do salão e logo um alto estouro com fumaça chama a atenção de todos. As pessoas se afastam assustadas, tentando entender o robô que havia aparecido no lugar sem qualquer explicação.
O robô caminha em direção ao palco com a luz o acompanhando, enquanto as pessoas vão dando passagem para ele, esboçando curiosidade, medo e confusão. Ao fundo, uma daquelas músicas de suspense presentes em filmes de terror começa a tocar. Alterno o olhar entre Austin e seus primos, mas ninguém parecia fazer ideia do que estava acontecendo. O robô sobe no palco e em seu peito aparece uma espécie de lente de câmera. A música para e o silêncio toma conta do salão. A luz continuava a destacar o robô.
— Buh! Um robô! Mas não qualquer robô! Um robô mágico. Robô, coloque a sua cartola e pegue a sua varinha! Como as pessoas vão acreditar que você é um robô mágico? — Exige Clint e uma pessoa usando uma touca preta para cobrir o rosto e roupa da mesma cor aparece no palco para colocar a cartola na cabeça do robô e entregar a varinha de mágica. — Agora sim! Como eu estava dizendo, esse robô não é um robô qualquer. Ele é Magnus, O Mágico! Com todo o seu poder, Magnus, O Mágico irá fazer todos vocês se sentirem culpados. Isso mesmo que vocês ouviram! Magnus, O Mágico fará vocês se desculparem com a linda Afrodite, a acompanhante de Tuxedo Mask. Rendam-se ao poder de Magnus, O Mágico!
E de maneira surpreendente, a luz que estava sobre o robô se apaga e ele liga a câmera em seu peito. No mesmo instante, vemos um holograma de Brooke em frente a loja de fantasias. A música de suspense volta a tocar e no mesmo instante, nós vemos Brooke se apoiar na vitrine da loja, deixando as coisas que carregava irem ao chão. Ela leva uma mão a barriga, enquanto a outra vai a boca. A garota se encolhe de dor e não demora muito para que eu aparecesse.
O holograma mostra eu me aproximando de Brooke, preocupada. E no momento em que toco nela, a garota estapeia a minha mão e me encara com raiva. A música se torna mais alta e intensa, quase como se estivesse penetrando minha alma, envolvendo-me naquele cenário misterioso. Não era possível identificar o que Brooke e eu conversávamos, mas era nítida a raiva que Brooke sentia de mim.
A cena seguinte me mostra suspirando e abrindo minha bolsa para pegar a garrafa de água que eu havia levado. Estendo a garrafa para a garota que apenas me ignora e respira fundo várias vezes, deixando evidente que ela não estava nada bem. Olho em volta e depois volto a encarar Brooke mais uma vez, dizendo alguma coisa para ela enquanto tento me aproximar. Novamente, eu sou repelida pela atriz.
Brooke finalmente fica de pé. Ela fecha os olhos e respira fundo antes de me encarar com uma superioridade impressionante. Eu a encarava confusa, mostrando que eu me sentia completamente perdida durante toda a nossa conversa. E então Brooke se aproxima de mim de maneira ameaçadora. Eu me encolho um pouco e nesse instante, o holograma mostra apenas as minhas mãos levantadas em defensiva — uma delas inclusive segurando a garrafa de água -, mas distante o suficiente para provar que eu jamais poderia ter empurrado Brooke.
Em câmera lenta, Brooke se joga para trás, simulando a sua queda. Ela se encolhe no chão e começa a gritar. Eu permanecia em estado de choque, confusa de mais para ter qualquer reação. A cena continuava em câmera lenta, mas não demora muito para a mulher que afirmou ter me visto empurrar a garota aparecesse. Brooke chorava, apertando a barriga, e a mulher que a ajudava me encarava furiosa. Eu ainda parecia uma idiota, encarando a tudo com os olhos arregalados e a boca aberta.
Como se o robô tivesse rebobinado uma fita, as cenas voltam de forma rápida até chegar ao momento em que Brooke se aproxima de mim. Depois de mostrar o que ocorreu entre Brooke e eu em frente a loja de fantasias mais três vezes, o robô desliga o holograma. A música para mais uma vez. Ninguém diz nada. O clima estava pesado. As luzes do salão se acendem de novo e a tela do palco exibe a mesma cena que havia sido mostrada no holograma.
— E esse foi Magnus, O Mágico! Uma salva de palmas para esse robô talentoso que superou o seu medo de palco e timidez para realizar esse magnífico truque. Quer dizer, isso não foi um truque. Magnus, O Mágico fez uma autêntica mágica de alto nível. Ele mostrou a verdade e deixou todos arrependidos por terem acusado a bela Afrodite! Batam palmas para ele, pessoal! — Fala Clint em um tom animado. O robô se coloca de frente para nós, segurando sua varinha. A cartola ainda estava em sua cabeça e ele realmente era fofo. Me lembrava um pouco do robô Baymax de Operação Big Hero. A diferença é que ele era magro e mais baixo do que Baymax. Clint suspira, como se estivesse decepcionado. — Ah, vamos lá, pessoal. Magnus, O Mágico se esforçou para se apresentar para vocês e tudo que fazer é ficar parados, olhando para ele? — A tela do palco exibe então mãos batendo palmas e o som de ovação ecoa pelo salão. — Parabéns, Magnus, O Mágico! Espero que tenham aproveitado o show. Agora, ajoelhem-se diante da linda Afrodite e implorem o seu perdão. Vocês sabem, eu tenho imagens de todos que a atacaram e a difamaram. Eu deveria mostrar essas imagens para a polícia? Segundo o código penal da minha ilha, os crimes de calúnia, difamação e injúria recebe como pena a detenção, de oito meses a dois anos, sem possibilidade de fiança. Além disso, será necessário pagar uma indenização a vítima. Como o crime foi cometido aqui na ilha Thunderbolts e temos todas as imagens de todos que cometeram esses crimes contra nossa doce Afrodite, não será difícil que todos sejam presos. A decisão está na mão de cada um que cometeu o crime. Agora, tenham uma boa noite!
As luzes do salão se apagam, assim como o som é encerrado, quando tudo volta a clarear, o robô não está mais no palco e me surpreendo ao ver uma grande quantidade de pessoas de joelhos diante de mim. Encaro a todos em choque. Os primos e a família de Austin me encaravam divididos entre felicidade e surpresa. Brooke estava pálida e parecia que choraria a qualquer momento. Aaron permanece quieto ao lado dela, sem esboçar qualquer emoção. Os repórteres e toda a mídia que cobria a festa tiravam fotos, animados com o furo que haviam conseguido aquela noite.
Aqueles que pareciam ainda incrédulas quanto as ameaças de Clint, não demoram a se ajoelhar quando passam a ver suas fotos e vídeos que mostravam o momento em que elas me atacavam serem exibidas na tela do palco. As pessoas começam a implorar perdão, completamente desesperadas. Clint havia pego no ponto fraco delas. Eu não sabia como reagir com todos os pedidos de desculpas e a ansiedade de todos para terem o meu perdão.
— Levantem-se, por favor. — Grito, mas minha voz se perdia em meio a todas as outras. Austin toca no meu ombro e me entrega um microfone. Ele sorria, parecendo me incentivar a falar. — Pessoal, por favor! Levantem-se!
Quando consigo finalmente chamar a atenção das pessoas, todos se calam e eu suspiro aliviada. Meus olhos se encontram com os de Brooke. Todas aquelas pessoas eram seus fãs e eu já tinha visto como a mídia pode ser cruel com as pessoas. Naquele momento, eu sentia pena dela. Ela era só mais um peão de Aaron. Não era justo ela ser a única a cair. Fecho meus olhos, sem acreditar no que eu estava prestes a fazer. Como eu odeio ter o coração mole!
— Pessoal, tudo não passou de um mal entendido. — Começo, vendo as pessoas se levantarem. — Brooke não estava se sentindo bem e acabou confusa. Nós realmente discutimos. Ela estava com muita dor e não estava consciente de suas ações, então quando ela perdeu o equilíbrio, acabou achando que eu tivesse a empurrado. De qualquer forma, Brooke reconheceu o erro dela e humildemente me pediu desculpas. Felizmente, resolvemos todas as nossas diferenças. Lembrem-se como os hormônios mexem com a mente das grávidas. Eu estou feliz por termos nos entendido. Eu a perdoei e vocês deveriam levar essa situação como aprendizagem. Antes de agirem, procurem descobrir o que de fato aconteceu. Dessa vez, eu vou perdoar todas as acusações e ataques contra mim e seguirei em frente. Então não se preocupem. Eu conversarei com o Sr. Barton e pedirei que não registre ocorrência contra vocês.
Enquanto todos comemoram e suspiram aliviados, Brooke me encara com os olhos quase em chamas. Ela estava furiosa, mas precisava manter a pose de boa moça. Aquela era a minha pequena vingança. Encaro-a com intensidade, com a cabeça erguida. Aquela era a minha forma de dizer que eu não permitiria que ela me atacasse novamente. Eu já havia aprendido a minha lição. Brooke pode jogar sujo, mas não importa o que ela faça, uma hora a máscara dela vai cair e a verdade virá a tona.
O DJ da festa volta a assumir sua posição, as luzes são desligadas, ficando apenas as coloridas de balada acesas. Com uma música agitada passando, não demora muito para que todos voltem a dançar animados e aliviados por não correrem mais o risco de serem presos por Clint.
— Você está bem? — Sussurra Austin, abraçando-me.
— Sim. — Respondo, sorrindo aliviada. Ele ri e me beija rapidamente. — Acho que nunca me senti tão bem antes.
— Ally! — Elena grita, correndo em minha direção com a sua fantasia de vampira. Ela realmente ama usar esse tipo de roupa. Cait vinha logo ao seu lado, vestida de pirata.
— Elena! Cait! — Respondo, abraçando as garotas com intensidade.
— Eu fiquei tão preocupada! — Choraminga Cait, apertando-me ainda mais. Sorrio e me afasto das garotas para encarar o grupo que nos cercavam.
— Obrigada, pessoal. Eu estou bem. — Afirmo, respirando aliviada.
— Quem diria que tio Clint iria aparecer para salvar o dia? — Comenta Damon ironicamente fantasiado de vampiro. Eu definitivamente não perderia a chance de provocar Elena depois por eles estarem vestidos como um casal.
— É oficial, gente. Eu amo o tio Clint. Não existe homem mais perfeito nesse mundo que ele. — Declara Thea, rindo. — Vocês precisavam ver a cara da Brooke quando começou a mostrar o vídeo do que realmente aconteceu Foi hilário!
— Eu só não entendi o motivo de você ter coberto a Brooke. Essa era a sua chance de esmagá-la como um inseto! — Comenta Sam, sorrindo de maneira perigosa.
— Brooke ama e está grávida de um babaca que só está usando ela. Quando ela não for mais útil para Aaron, ele irá descartá-la como se ela não fosse nada. — Respondo, observando o irmão mais velho de Austin, olhando em nossa direção com a expressão neutra. Ele nem mesmo havia se abalado pelo que tinha acabado de acontecer. — O castigo dela virá de maneira muito mais cruel. Eu não quero ter que lidar com a responsabilidade de ter contribuído para o fim da carreira profissional dela.
— É, Austin. Você tem razão. Ela é mesmo um anjo. — Comenta Beth, vestida como freira. Ela sorri, levantando o copo de drink que segurava. — Bem-vinda a nossa família, protegida de tio Clint. Ele realmente deve gostar de você para armar todo esse showzinho só para expor Brooke e provar a sua inocência. Isso é um bom sinal para mim. Você deve ser mesmo uma boa pessoa. Espero que você e nosso Austinzinho sejam muito felizes.
— Obrigada. — Respondo, rindo envergonhada.
— Nós definitivamente precisamos comemorar essa noite. — Aponta Barry, animado.
— Vamos beber! — Festeja Sam, animada.
— Você só pensa em beber. — Reclama Nancy, repreendendo a prima. — Thea ainda é menor de idade. Não dê maus exemplos para ela.
— O irmão dela é Oliver Queen. Quer exemplo pior que esse? — Pergunta Damon, recebendo um tapa na nuca de Oliver. — Ai, babaca!
— Eu sou um ótimo exemplo. — Retruca Oliver, bebendo um pouco de sua cerveja em seguida.
— Só se for um ótimo exemplo do que não fazer. — Responde Ben, rindo. Ele recebe um dedo do meio como resposta de Oliver.
— Vocês são tão idiotas. — Comenta Austin, rindo dos primos, enquanto me abraça com carinho. — Não corrompam a minha pura Ally com suas idiotices.
— Ah, cala a boca, Austin! Você é o mais idiota de todos aqui! — Exclama Thea, revirando os olhos com um sorriso irônico. Logo os primos começam a discutir quem era o mais idiota da família Barton. Cait e eu encarávamos a tudo, rindo da infantilidade daquele grupo.
— Pessoal! — Elena chama a atenção de todos com o celular em mãos. — Tio Clint acabou de me mandar mensagem falando que Ally e Austin deveriam fazer um dueto para comemorar.
E quando eu menos percebi, os primos de Austin estavam nos empurrando para o palco da festa e conversando com o DJ sobre uma música que nós cantaríamos. Minutos depois, estávamos no palco, sendo anunciados como a atração da noite. Austin com seu inseparável violão e eu com um microfone em mãos. As pessoas nos encaravam com curiosidade e eu sentia que meu coração poderia sair pela minha boca a qualquer momento.
Austin e eu nos encaramos por alguns instantes. Ele dá aquele lindo sorriso encorajador e assente, iniciando a música que eu havia composto e mostrado para ele dias depois de ter aceitado me tornar sua namorada de mentira. Respiro fundo e encaro meus amigos na plateia, sorrindo animados. E superando todo o meu nervosismo, começo a cantar.
When you're on your own (Quando você está por conta própria)
Drowning alone (Se afogando sozinho)
And you need a rope that (E você precisa de uma corda que)
Can pull you in (Possa puxá-lo)
Someone will throw it (Alguém vai jogá-la)
Viro-me para Austin, que sorri e não demora muito a cantar. Era impressionante como mesmo depois de ouvir a música no máximo umas três vezes, ele já tinha decorado a melodia e a letra. Encaro a plateia, animada com a surpresa e o encanto presente em suas faces.
And when you afraid (E quando você está com medo de)
That you're gonna break (Que você vai quebrar)
And you need a way (E precisa encontrar uma maneira)
To feel strong again (De se sentir forte novamente)
Someone will know it (Alguém saberá)
Começamos a cantar juntos. Ouço os gritos animados e agudos de Elena superando quaisquer outros, anunciando para todos que nós éramos seu casal favorito. Meus olhos se encontram com os de Austin e sinto toda a adrenalina correndo em minhas veias. Meu coração batia forte e parecia cada vez mais atraído pelo loiro.
And even when it hurts the most (E mesmo quando doer demais)
Try to have a little hope (Tente ter um pouco de esperança)
That someone's gonna be (Que alguém vai estar lá)
There when you don't (Quando você não estiver)
When you don't (Quando você não estiver)
O refrão se inicia junto aos aplausos animados da plateia, incentivando-nos. Eu já avia estado no palco diversas vezes, mas cantar ao lado de Austin era uma emoção única. Eu me sentia em paz, conectada ao loiro. A música e o amor nos unia e causava uma sensação gostosa de frio na barriga e de plenitude. O meu amor por ele naquele momento parece se tornar ainda mais intenso e grandioso.
If you wanna cry (Se você quiser chorar)
I'll be your shoulder (Eu serei seu ombro)
If you wanna laugh (Se você quer rir)
I'll be your smile (Eu serei o seu sorriso)
If you wanna fly I'll be your sky (Se você quer voar, eu serei seu céu)
Anything you need (Tudo o que você precisar)
That's what I'll be (Isso é o que eu vou ser)
If you wanna climb (Se você quer subir)
I'll be you ladder (Eu vou ser você escada)
If you wanna run (Se você quer correr)
I'll be your road (Eu vou ser o seu caminho)
If you want a friend (Se você quiser um amigo)
Doesn't matter When (Não importa quando)
Anything you need (Qualquer coisa que você precisa)
Aproximo-me de Austin. Nossos olhos estavam presos, completamente hipnotizados. Nós sorríamos, declarando com aquela música todos os nossos sentimentos. Muito além de namorados ou melhores amigos, nós éramos alma gêmeas, ligadas por um amor único e mais forte do que qualquer outro sentimento que já havíamos sentido antes.
That's what I'll be (É o que eu vou ser)
You can come to me (Você pode vir a mim)
You can come to me (Você pode vir a mim)
Ao fim da música, Austin e eu nos beijamos, enquanto todos aplaudem e gritam eufóricos. Sorrimos e nos abraçamos, desfrutando daquele momento.
— Eu te amo. — Sussurro contra seu ouvido. Mesmo com o rosto escondido em seu peito, eu quase conseguia ver o grandioso sorriso que ele abre.
— Eu te amo, Ally. — Responde, voltando a me beijar.
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