Notas iniciais
Essa fanfic foi escrita para o Concurso de One-Shots ItaSaku Explorando sua Imaginação, do meu amigo Leeo aqui do Nyah!Fanfiction.

Foi baseada no seguinte Tema:
- Me baseei em uma mentira para construir meus sonhos e acabei me afogando na verdade dos meus pesadelos. By: Xelly

Bom, essa OneShot foi escrita pra o concurso, me esforcei bastante e achei ótimo escreve-la.. Estou muito feliz com ela, e bom, espero que outras pessoas também gostem.
Beijos ^^

One-Shot — ItaSaku

~ Mentiras Doces e Verdades Amargas ~

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“- Me baseei em uma mentira para construir meus sonhos e acabei me afogando na verdade dos meus pesadelos.”

~ Sakura POV’S

Eu? Você se pergunta quem eu sou e eu lhe digo, eu sou mentira, desespero e muita, muita dor. Essa é a única forma de me apresentar, de me descrever. Essa é a única maneira que conheço de falar de mim mesma.

Era um dia patético como sempre fora em minha vida, mais eu vesti minha máscara de felicidade e meu manto de mentiras e sai para o trabalho. Lógico que você deve perceber que é uma figura de linguagens a forma como falo de minhas roupas. Na verdade eu usava uma blusa casual branca, uma calça de Oxford preta, sapatos de salto alto, meus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo, mais ficavam engraçado com meus cabelos curtos, e em meu rosto um óculos sem grau, essa era a forma habitual com a qual eu ia trabalhar.

Eu trabalhava em uma livraria no centro da cidade. Parece ridículo eu sei, mas essa é a verdade. Algo raro em mim, já que sofria de um distúrbio chamado de Mitomania, é o que chamam de distúrbio da mentira obsessivo-compulsiva. Eu não conseguia dizer a verdade, mesmo que fosse algo simples como:. Onde você está? Ou está no trabalho? – eu mentia até sobre essas coisas.

Era um vicio, um mal que do qual eu não possuía o controle.

Por causa dele eu descrevia sonhos irreais que faziam me parecer alguém feliz, bem sucedida, realizada, quanto na realidade, à verdade era outra.

O meu dia de trabalho foi como sempre. Até a hora do almoço eu não precisei usar minhas habilidades de atriz, por que pra trabalhar ali não precisava fazer muito.

Era horário de almoço e Hinata estava comigo novamente para o lance. Hinata me conhecia há muito tempo, ela e Naruto me viram crescer, eles sabiam e não por que eu queria mais por que até pra eles em mentia em coisas que eles já sabiam da verdade, eu negava que mentia, mas eles sabiam. Foi assim que descobrimos minha condição.

— Olá Sakura-san.. – disse Tenten sentando-se ao lado de Karin.

— Oi Tenten-san.. como vai? – perguntei pra ser educada, eu não queria realmente iniciar um diálogo. Tenten e Karin trabalhavam conosco. Tenten era uma jovem bem animada, tinha os cabelos cor de chocolate presos em dois coques, uma pele morena invejável de bela e um corpo bem trabalhado.

— Vou bem. Tive um ótimo fim de semana. – falou com um grande sorriso. Karin riu sarcástica.

— Sei.. sei.. com aquele imprestável do seu namorado? – perguntou destilando veneno. Como eu odiava aquela ruiva aguada. Karin era uma ruiva até bonita, mais o que tinha de bonita, tinha de desprezível. Cabelos vermelhos sangue repicados, olhos vermelhos e óculos de aro preto, essa era ela.

— Não fale assim do Neji. – disse fazendo bico.

— Hai.. hai.. – disse a outra desinteressada. Hinata riu baixinho.

— E você Hinata-san.. como passou o fim de semana? – disse Tenten. Hinata deu um pulinho de susto ao ouvir seu nome E sorriu sem graça, algo típico da Hyuuga.

Ela tinha peitos fartos, cabelos longos e azuis negros como a noite, olhos exóticos como duas pérolas e uma pele pálida e macia como a pétala de um jasmim. Uma beleza limpa, por isso Karin a detestava, e também por que Hinata era namorado do primo dela, o Uzumaki.

— Tive um fim de semana muito romântico, Naruto me levou para um passeio e me pediu em casamento. – disse fitando as próprias mãos eu sorri feliz enquanto Tenten deu um gritinho histérico e Karin fez “ECAAAA” em desgosto pela felicidade da outra.

INVEJOSA – vociferei em pensamento.

— E você Sakura, tão calada. Como foi o seu fim de semana? – perguntou a vaca.

É por isso que eu evitava diálogos, por que era só começar que eu me danava a mentir. Hinata me olhou com um sorriso, ela sabia que o que quer que eu diga faria a outra se calar mesmo que fosse mentira. Eu ri internamente e coloquei minha mente diabólica em ação.

— Meu final de semana deve ter sido muito melhor que o seu que não suporta a felicidade alheia, pois fique sabendo que eu estive com um homem lindo e que faria você babar e lamber o chão que ele pisa. – comecei. — Ele faz bem o seu tipo, mais pena que ele é meu. E se eu posso dizer.. ele tem uma bunda deliciosamente firme. – falei com um sorriso de que faz sexo todo dia sem parar. Mas a verdade é que eu não saio com alguém desde que terminei o ensino superior.

— E como ele é? – perguntou cinicamente.

Eu podia estar mentindo, eu sei, o que eu disse não era verdade, mais pra mim era como um bálsamo.

— Cabelos negros, olhos ônix, pele pálida, lábios perfeitos, músculos definidos. E ele fica um arraso de terno. – falei, lembrando-me de Sasuke Uchiha, meu amor de colegial e melhor amigo de Naruto. Quanto tempo não o via, quanto tempo o próprio Naruto não o via. — pensei. Ele era especial, pra mim ele foi o primeiro e o único, perto dele era difícil mentir, mesmo assim ainda mentia. Naquela época, eu já tinha essa “mania”.

— Você só pode estar mentindo. – falou indignada.

— Como se eu ligasse pro que você acha. – respondi.

Hinata me olhou surpresa pela forma que falei, ou talvez fosse pelo homem que descrevia, ela conhecia muito bem Sasuke, eram muito próximos assim como Naruto, que era um irmão pra o mesmo.

Sai dali e logo depois Hinata veio me encontrar. Estávamos no corredor de uma das sessões da livraria e ela se continha pra não rir.

— Ela esta soltando fogo pelo nariz. – disse com risinhos.

— Lógico, aquele DRAGÃO não faria nada de diferente. – falei dando ênfase na descrição da pessoa.

— Você não tem jeito Sakura. Já imaginou se ela pede pra apresentar esse homem.. O que você iria fazer? – disse.

— Como se eu fosse dar moral, né. – disse rindo.

— Ok. Mas devia para com isso, você sabe, eu e Naruto nos preocupamos com você. – falou e me tocou o ombro consoladora. Eu lhe sorri. —Vamos trabalhar então. – falou. não tocou no nome do Uchiha, ela sabia, eu não podia suportar o que houve. Não seria sincera com ela e nem comigo se falássemos disso. Eu nunca era.

O resto do dia foi calmo, na hora da saída foi como sempre, Naruto veio buscar Hinata, Karin ficou implicando com o casal. Tenten saiu para encontrar o namorado e eu e Nanahi fechamos a livraria. Ah, Nanahi é a chefe e dona do lugar.

Estava chovendo e algo novo aconteceria naquele dia.

~ Itachi POV’S

Eu andava, lembrando-me dos últimos três dias, eu estava um caco. A morte de Sasuke não havia mexido só comigo, mas com todos na família. Mamãe e papai mal conseguiam se olhar ou trocar duas palavras. As empresas estavam um caos e eu não podia deixar tudo pra “curtir” meu luto em paz.

Sasuke, no período que ficou doente escreveu algumas cartas, além de fazer um testamento, algo deprimente se considerar que era muito jovem ainda, ele mesmo não acreditava que iria sobreviver, a final estava com câncer em fase terminal.

Era doloroso pensar nisso.

Caminhado calmamente fui pego pela chuva perto do centro da cidade, corri para debaixo de um prédio e fiquei ali olhando a chuva. Minutos depois uma mulher quase completamente ensopada se juntou a mim. No começo eu não dei muita atenção até que ela guardou o guarda-chuva e eu notei seus exóticos cabelos rosa.

Dentro de mim um lampejo atravessou meu corpo, como um aviso. Como se estivesse esquecendo-me de algo. Fitei-a por minutos até que seus olhos verdes, como duas esmeraldas recaíssem sobre mim. Ela me sorriu sem graça, mas tinha algo, além disso, em seu olhar.

— Oi. – falei. Não sei bem por que disse, mais senti necessidade de dizer. Minha voz soou rouca, eu estava em um estado de reclusão desde que perdi meu irmão e não andava falando muito.

— Ah, oi. – disse ela também. Sorriu singelamente.

Fitamos as ruas, a chuva ficava cada vez mais forte e a presença dela começava a me incomodar, por algum motivo àquela sensação de estar esquecendo algo continuava a pairar sobre mim.

— AS CARTAS. – disse alto e me arrependi. Ela me olhou pensando que eu fosse algum louco e me vendo mexer de forma desesperada em minha bolsa ela riu.

Eu a fitei meio irritado e ela se recompôs.

— Desculpe-me. – falou e voltou sua atenção para a rua, mesmo assim ainda me fitava com o canto dos olhos.

Procurei e achei duas delas que ele disse serem as mais importantes. Uma com o nome de uma garota de quem ele sempre falava e outro do Uzumaki. Quanto tempo eu não via esse rapaz, ele nem devia saber o que tinha acontecido.

Suspirei frustrado e ela me encarrou.

— Você conhece alguém com esse nome? – perguntei para a moça ao meu lado mostrando a carta.

— Ah.. – disse surpresa. Se aproximando para fitar a carta.

— Conhece? – disse reforçando a pergunta.

Ela me olhou, seus olhos se arregalaram e a garganta pareceu travar, por que mesmo que parecesse que ela iria falar, não saiu uma só silaba de seus lábios tentadores.

Olhando-a melhor, não era de se jogar fora, pelo contrario, seria um desperdício terrível. Os cabelos eram curtos e rebeldes, parecia que acabara de solta-los. Os olhos verdes eram sensuais e bem marcados por uma leve maquiagem, apesar se ser escondidos atrás de óculos grandes e feios. Sua blusa branca estava transparente me dando a visão de sua peça intima, um sutiã de renda preto e vermelho. As curvas de seu corpo eram pouco discretas, na medida certa eu diria.

— Essa letra.. não pode ser. – ela disse finalmente, me tirando de devaneios desnecessários.

— É do meu irmão. Você o conheceu? – perguntei.

Ela maneou a cabeça de forma afirmativa. Parecia em choque, perturbada. Seus olhos brilhantes perderam o foco e num momento ela estava em pé e no outro seu corpo pendia para o lado.

A envolvi em meus braços. Que momento pra algo assim. – pensei. — Parece uma daquelas cenas clichês de novela. – conclui em pensamento.

Comecei a fita-la, seu rosto pareceu rubro e corado, seus lábios sensuais estavam um pouco separados, era desejoso, uma cena muito atrativa. O decote de sua blusa me dava algo para apreciar, seu colo e o vale dos seios, sua pela alva e macia parecia implorar para ser tocada.

E Kuso, no que eu estava pensando? – recriminei-me.

Ainda estava chovendo, mais conforme o tempo passou a intensidade começava a diminuir e ela não despertava. Quando um taxi passou eu chamei e para minha sorte, estava vazio.

Como eu não tinha onde deixar a garota a levei comigo para meu apartamento.

~ Sakura POV’S

Meu corpo pesava, minha cabeça doía, eu sentia algo macio em minhas costas e um cheiro forte, cítrico e amadeirado invadir minhas narinas. Eu me levantei rápido e minha cabeça girou. Levei as mãos a ela em busca de apoio. Abri meus olhos devagar, estava tudo escuro.

Com mais calma eu tentei me levantar da cama e buscando qualquer forma de me locomover sem cair de bunda no chão fui me apoiando nas paredes. A porta estrava meio aberta, passei pela mesma e vi um hall. Segui pelo longo corredor e dei de cara com o moreno lindo que eu havia descrito em meu devaneio para Karin enquanto mentia para ela. Ele estava nu do abdômen pra cima, usava uma calça moletom preta e nos ombros tinha uma toalha branca.

Quando eu iria imaginar que um homem assim existia, um além de Sasuke. – pensei.

Então a memoria me atingiu como uma facada cravada em meu peito e eu caí no chão de joelhos sem poder conter as grossas lágrimas que insistiam em escorrer pelo meu rosto.

O homem veio em meu auxilio me levando nos braços para o quarto onde há minutos antes em me encontrava.

Eu estava perdida, louca talvez. Sasuke não me mandaria uma carta depois de tudo que fiz, eu menti tanto, eu o enganei tanto. Mas eu não tinha controle sobre mim mesma. Eu não vivia uma mentira eu fazia da mentira minha vida.

— O que você é para Sasuke? – perguntei ainda chorosa.

— Irmão mais velho. Uchiha Itachi. – respondeu.

Isso explicava a presença marcante. Os traços belos e firmes, o charme irresistível e aquele ar misterioso que só podia vir de um Uchiha.

Quando senti que ele me colocou na cama e foi se afastando eu o impedi segurando seu braço. Ele me fitou, seus olhos ônix tão intensos como os do Uchiha mais novo, e mesmo assim tão únicos, como se pudessem ver através de minha alma.

— Você é Haruno Sakura? – ele perguntou apenas para ter certeza. Acho que ele realmente o fez só por formalidade. Fiz que sim com a cabeça e fitei minhas mãos no colo.

— Por que ele me mandaria uma carta? – perguntei incrédula.

— Você devia saber. – falou e saiu.

Olhei em volta e me deparei com a carta em cima da cômoda. Eu não sabia se queria ler. Eu não sabia se teria coragem. Eu fui a pior, eu o larguei por que ele quis me curar. Me ajudar.

Tirei do envelope, minhas mãos estavam tremulas.

Querida Cerejeira.

Se você esta lendo isso agora é por que provavelmente a doença me venceu e eu não pude e nem tive a oportunidade de lhe dizer pessoalmente todas estas palavras.

Eu a amei tanto, hoje eu sei que foi real mesmo que pra você tudo não tenha passado de uma mentira, foram lindos sonhos que tivemos juntos.. mesmo que eu só tenha-me engando.

Perdoe-me se a machuquei com palavras.. eu só queria o seu bem, que eu meu lado você pudesse se reerguer e viver feliz, mais eu não fui capaz de me curar por mim, como poderia ajuda-la. Eu fui fraco.

Espero que hoje você seja a mulher que sempre acreditei que fosse e que viva em paz e feliz.

Que seus sonhos ilusórios tenha saído da ilusão, que suas mentiras tenham se tornado verdades e que seu caminho já não sejam as sombras da desilusão.

Você me teve mais que qualquer uma.. ou mais que qualquer pessoa.

Você ainda deve ter o Dobe e a Hina-hime.. cuide deles, ame-os de verdade.

Cuide-se Cerejeira.

Com amor, Sasuke.

Eu caí em lágrimas. Mesmo depois de todos esses anos ele ainda pode se lembrar. E eu o perdi, perdi pra sempre. Era uma despedida, mais bem, eu não pude me despedir.

~ Itachi POV’S

Eu estava na sala novamente, devia ter percebido desde que a vi que era ela só pela aparecia única que Sasuke me dizia que ela tinha. Eu ouvi os gritos o choro excessivo. Fui até o quarto mais não entrei, da porta eu vi Sakura com a quarta na mão.

Eu havia pesquisado um pouco, eu sabia que ela e Sasuke tiveram algo que foi importante pra ele, e pelo que eu podia ver também fora pra ela.

— Você esta bem? – perguntei da porta.

Ela fez que não com a cabeça.

— Você precisa de algo? – perguntei.

— E-eu preciso dele, de Sas-sasuk-e. – falou entrecortado.

— Eu sinto muito Haruno. Sinto muito mesmo. – falei.

— Você deve sentir mais que eu, não é. – falou em meio a um soluço enxugando as lágrimas.

Eu me aproximei e sentei na ponta da cama, ela veio pra mim como uma gatinha manhosa e se aconchegou em meu peito, assim, sem qualquer reverencia.

— Sim, acho que muito mais. – disse em resposta.

— Eu podia ter feito diferente. – resmungou contendo as novas lágrimas. Eu não sei por que, só a abracei e deixei que chorasse molhando meu peito.

Estávamos dividindo a nossa dor, a perda e a culpa. Eu também achava que podia ter feito mais, que podia ter sido diferente.

Mais eu estava vivendo de mentiras. Ninguém podia mudar o fato que ele se foi.

Dizíamos e repetíamos para todos que era só uma doença qualquer, que logo ele estaria melhor, dizíamos até pra ele, mais Sasuke era o único que sabia que conhecia seus limites e a profundidade dessas mentiras.

— Durma. – pedi.

— Iie.. eu não quero, se eu dormi você também vai sumir. – falou.

— Eu vou estar aqui, pelo menos quando você acordar. – respondi.

— Menti pra mim.. diz que não é verdade.. – pediu desolada, arrasada.

Eu conhecia essa dor, essa vontade de se enganar. Se pudesse eu também fugiria dessa realidade, eu me absteria de tudo isso que mutilava meu peito.

— Vai ficar tudo bem. – disse.

Eu sabia que não, mais eu só podia lhe dizer isso naquele momento. Fiquei ali até que ela caísse num sono profundo. Parecia loucura que eu a conheci naquele dia e lá estava ela deitada em minha cama, e o mais surpreendente, eu não havia me deitado com ela. Eu não a possui e podia sentir meu sangue ferver por isso. A maldita rosada era linda, mais era de Sasuke, ou fora. Eu estava em conflito com a minha consciência.

Cuide dela.. ame-a por mim, por nós dois.. proteja-a de si mesma.. – eu me lembrei dessas palavras de Sasuke.

Sasuke sempre falava muito dessa menina, mas nunca pensei que pudesse ser tão linda como ele descrevia, eu julgava ser palavras de um homem apaixonada, mais não. Sakura conseguia ser mais do que as palavras eram capazes de mostrar.

Lembro-me bem, que me fez prometer cuidar dela. Como eu negaria isso a ele? – mesmo que ela fosse sinônimo de problema como ele mesmo alegara.

Era tarde, bem tarde, eu sabia que havia se passado um bom tempo, e como tinha dito não sai de perto dela. Sakura se mexia constantemente, me abraçava e resmungava coisas incompreensíveis.

— Linda.. – sussurrei vendo-a se mover novamente. Os cabelos grudavam no rosto e na boca.

Eu sorri fraco diante dessa visão. Levei minha mão com cuidado pra não acorda-la, retirando os fios de cabelo rebelde. Ela se moveu e vi que chorava, isso me preocupou.

O que sonhava? – pensei.

Seu rosto se contorceu em desagrado, sua expressão antes suave agora era de agonia, como se sentisse dor. Ela suava e gemia de dor, começou a se debater na cama se arranhado, se machucando.

— Kuso, o que houve. – disse preocupado.

Tentei segurar seus braços, mais ela parecia ter uma força muito maior que a minha naquele momento, ela arrancava pedaços de pele de seus braços que estavam vermelhos e tinham filetes de sangue escorrendo de cantos aleatórios.

— Acorde Sakura, vamos, acorda. – eu dizia balançando-a inutilmente.

As lágrimas se tornaram mais grossas e o rosto era vermelho, a respiração acelerada pareceu diminuir e soluços altos escapavam de seus lábios. Ela abriu os olhos verdes esmeraldinos e me fitou, seu olhar era morto e sua expressão sem vida, seu peito sobressaltava pelos soluços e seu corpo tremia.

— Está tudo em. – falei e alisei os cabelos da mesma.

— Iie.. – balançou a cabeça em negativa. Sua voz era falha e morna. — N-não.. nun-nun-ca.. nunca vai está n-na-nada bem.. nunca mais. – falou, tive que me esforçar pra compreender, falava entre lágrimas e soluços.

Sakura se abraçou em mim, ela era muito espontânea nesse sentindo.

— Você estava sonhando, foi só um sonho. – falei tentado conforta-la.

— Pesadelo. – falou em um murmúrio baixo.

— Não passa da sua imaginação, não é real Sakura. – falei.

Ela se desfez do abraço e me encarou nos olhos, os seus flamejavam um sentimento que eu não era capaz de decifrar. Aquilo me causou um arrepio.

— Você não entende. São reais Uchiha, são reais. – falou e baixou a fronte.

Ela voltou a chorar e a tremer em meus braços, eu não sabia o que fazer. Eu estava malditamente ferrado. Eu não sabia como fazer aquilo, como lidar com uma mulher, eu não tinha relacionamentos, eu tinha aventuras.

Toquei lhe o queixo fazendo seu rosto se ergue e seus olhos me fitarem. Ela sorriu fraco, amedrontada, frágil. Passei minhas mãos pelas laterais de seu rosto, com o polegar direito deslizei por sua bochecha, fazendo o caminho até a ponta do queixo e subindo, desenhando seus lábios e sentindo meu corpo quente pelo olhar que me era dirigido.

— Sakura.. – chamei de forma lenta e terna, acariciando seu nome e vendo seu olhar não vacilar com a minha aproximação.

Meus lábios tocaram os seus, sua boca recebia a minha com medo e inexperiência. Suas mãos tremiam a segurar meus ombros enquanto as minhas eram firmes em sua cintura. A respiração descontrolada de antes dava lugar a suspiros baixos entre nossos lábios.

As línguas começaram a dançar dentre nossas bocas, era macio e delicioso. Sakura aprecia entregue e ainda sim eu sentia que ela não estava ali, tinha algo de diferente.. algo de único.

Até que faltou o ar e nos separamos, eu a mantive perto, um medo de que ela simplesmente sumisse tomou meu ser e encostei nossas testas.

— Sakura.. – chamei como um apelo.

— Não faça isso.. você também vai sofrer comigo. – disse, era um aviso real, eu sabia.

— É loucura, mais é um pouco tarde. – falei. Dentro de mim era como se um sentimento crescesse e florescesse do nada e brotasse em meu coração sem a minha permissão.

Logo comigo isso acontecia. Eu que não acreditava nessa história de amor, sinta os primeiros indícios de uma paixão me dominar.

Ela sorriu fraco e fez menção de se levantar, eu a segurei forte e não deixei.

Nós encarramos.

~ Sakura POV’S

Eu não podia me deixar levar de novo, mais o corpo dele tão perto do meu trazia de volta tudo de que eu fugia nos últimos anos, era quase uma traição e mesmo assim meu corpo não respondia a minha mente.

— Eu não posso.. você precisa entender. – falei quando ele não me deixou levantar.

— Eu não preciso entender. – respondeu determinado.

— Itachi.. você não me conhece. – falei apelando para o seu bom senso. Todo Uchiha tinha um, certo?

ERRADO!!

— Eu vou conhecer. – falou.

Pensei bem, o que eu podia falar que o fizesse se afastar, que o colocasse pra correr da minha vida? Pensei e pensei, até que eu tive uma ideia, eu iria mentir, era o que eu fazia de melhor.

— Eu estou doente. – até ai não era mentira. — Eu posso morrer a qualquer momento. Eu não posso te oferecer nada. – disse com lágrimas nos olhos. Mais um teatro. — Você devia se manter longe de mim, é melhor.. não quero que acontece o mesmo que com Sasuke, não quero que você também me odeie. – disse e se por um lado era mentira, dentro de mim era a mais pura verdade.

— Bem que ele disse.. – falou e sorriu. — Você mente bem. – ele falou e eu arregalei meus olhos.

— C-co-mo.. vo-cê.. v-você.. a. – eu não sabia o que falar.

— Não precisa tentar me afastar. Eu não quero nada disso.. uma vida estável, verdades.. amor. Eu quero apenas mais uma aventura.. e que dure o tempo que durar. Não tenta me afastar quando eu mal entrei na tu vida. Deixa rolar. – falou brincalhão.

— Você é louco. – disse lhe.

— Sou realista. Não custa muito, ou custa? – ele perguntou me olhando intensamente, como eu podia não ceder.

Fiz que sim e ele me sorriu beijando meus lábios de novo.

Deus, era tão bom. Quanto tempo eu fiquei sem saber o que era isso? – pensei.

— Eu te amo.. – disse sem pensar.

Ele me fitou e sorriu de novo, mas não como se acreditasse.

— São mentiras doces Sakura, mais eu prefiro verdades amargas. – falou a me beijou de modo carinhoso. — Não precisa mentir pra mim e nem dizer a verdade. Eu não vou sumir. Eu prometo. – tomou minhas mãos beijando a ambas.

— Eu só sei mentir. – falei.

— Eu sei.. – disse firme. — Está tudo bem. – acrescentou.

Me deitou na cama e começou com seus carinhos levando meu corpo a altas temperaturas. Eu ardi em chamas e desejos com seus toques e beijos.

Mesmo que ele dissesse não é amor, nós fazíamos amor.. ele me amava naquela cama e eu me entregava como nunca.

Deixando todos os sonhos de lado, esquecendo todos os pesadelos. Dando-me a oportunidade de começar algo novo. Talvez, uma nova chance.

Sem mentiras, sem dor, pela primeira fez sem verdades sentidas apenas por mim mesma.

E Pela primeira vez eu quis me curar disso.

Notas finais
É isso ai..
Beijos Minna-san.. até a próxima, nós vemos por ai em outras fics minhas ^^

Se Kami-sama permitir..

Ja ne
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!