Mente tortuosa
14 Gosto de pesadelo
Notas iniciais
POV Emily Monroe
Acordo sentindo o agradável calor perto do meu rosto, ao abrir os olhos vejo que um feixe de luz está passando pela cortina. Quando tento me levantar, vejo que tem alguém me impedindo de realizar a ação, quando olho para o lado vejo Thomas com o braço ao meu redor, volto a me deitar ao seu lado para evitar que ele acorde.
Levo minha mão até seu cabelo e o acaricio, Thomas se aconchega no meu colo e não demora muito até ele abrir seus lindos olhos caramelo. Ele leva sua mão até meu rosto e diz.
– Pensei que nunca chegaria o dia em que eu iria acordar e te veria ao meu lado — Diz ele e eu sorrio.
– Pois acredite, esse dia chegou e haverá outros como este — Digo e o beijo, ele coloca seus braços ao meu redor e ficamos nos beijamos por um longo tempo. Até que entre os beijos eu digo.
– Thomas, nós precisamos levantar se não nós vamos levantar nunca — Digo rindo.
– É você tem razão, vamos levantar — Diz ele sorrindo e se levantando também.
A primeira coisa que faço é tomar meus remédios, depois que os tomo percebo que tem uma bandeja tampada com um bilhete, quando o abro percebo que é de Susanne, lá estava escrito: '' Deixei o café da manhã aqui pois não queria acorda-los, espero que a noite tenha sido boa ''. Não posso deixar de sorrir com o bilhete de Susanne e de como ela sempre pensa em tudo.
– Olha só, Susanne deixou o café da manhã pra gente, vamos ver o que é — Levanto a tampa e vejo — Olha só panquecas, tem calda e suco de laranja. Você gosta de panqueca?
– Se eu gosto? Apenas digo que se o paraíso fosse uma comida, ele seria uma panqueca- Diz Thomas e eu rio.
– Já que é assim, então vamos comer- Sirvo Thomas e comemos as panquecas enquanto conversamos. Assim que terminamos, ele me ajuda a recolher os pratos e vai para o banheiro tomar banho e se trocar e eu nem vou falar das coisas que imaginei quando ouvi o barulho da água.
Aproveito para arrumar a cama e não resisto em cheirar o travesseiro aquele dormiu sentir aquele perfume maravilhoso que eu sei que vai ficar pra sempre nessa almofada. Ouço a porta se abrir, ao me virar vejo que seus cabelos estão molhados e o seu cheiro me deixa boba, Thomas vai até mim, me pega no colo e me beija.
– Eu preciso ir agora — Diz ele cochichando — Mas eu volto as sete para nós sairmos.
– Estarei aqui te esperando — Digo também cochichando, ele me coloca no chão, damos mais um beijo de despedida e em seguida ele sai. Assim que fico sozinha em meu quarto, separo umas roupas e vou tomar banho, durante o banho não posso deixar de pensar o quanto eu evolui, estou mais independente e quem sabe esse não é o início para que eu saia da clínica.
Quando saio do banheiro, percebo que Susanne está sentada em minha cama com um enorme sorriso, sento ao seu lado, ela pega as minhas mãos e diz.
– E então como foi a noite? — Pergunta ela radiante.
– Acho que eu não sei descrever em palavras para dizer o quanto foi perfeita — Susanne sorri mais ainda e em seguida me abraça.
– Emily, você não sabe o quanto eu esperei pelo dia em que eu te veria feliz por completa com alguém que te ame e que você o ame também, estou feliz por esse dia ter chegado — Ficamos abraçado por algum tempo, até finalmente nos separarmos.
– Bom, vamos para as suas atividades de hoje, você tem bastante coisa pra fazer antes de sair — Diz ela e eu confirmo com a cabeça.
Passo a maior parte do dia fazendo as minhas atividades, fisioterapia, xadres , passo um tempo na sala de música e por fim tenho uma consulta com o neurologista. Quando termino de fazer tudo já são quase as seis hora, ou seja é hora de me arrumar.
Vou para meu quarto e tomo meu banho, quando saio passo o creme de amêndoas que Susanne me deu, visto a minha roupa. http://weheartit.com/entry/64343003. Quando estou pronta me volto para Susanne.
– Susanne, você poderia ir até a sala de música e pegar o meu violino?
– Claro minha querida, tome o seu remédio.
– Pode deixar — Tomo meu remédio e pouco tempo depois ela volta e nós duas saímos. Do lado de fora da clínica, encontro Thomas.
– Nossa Emily, você está maravilhosa — Diz ele vindo até mim e me beijando.
– Obrigada, onde nós vamos? — Ele segura a minha mão e diz.
– Nós vamos caminhar até uma praça. Por que está com o violino — Pergunta ele enquanto caminhamos.
– Eu diria que irei fazer uma coisa louca hoje?
– Você sabe que eu adoro loucura- Diz ele sorrindo, quando chegamos lá, a praça está bem movimentada e isso é perfeito para o que eu quero fazer. Na praça há uma escultura linda onde na base há um banco.
Caminhamos um pouco e então eu digo.
– Está na hora de eu voar — Subo no banco da escultura e tiro o violino da capa. Me posiciono, respiro fundo, se acalme Emily, não tema as pessoas. Me acalmo e começo a tocar a música do Rei Leão chamada, O Círculo da Vida. Assim que começo a tocar as pessoas vão se aproximando e eu deixo a melodia me dominar por completo. Quando termino, as pessoas aplaudem e eu respiro aliviada, depois de tantos anos eu consegui me libertar...
Desço do banco e Susanne vai até meu encontro com lágrimas nos olhos.
– Ai Emily, isso foi maravilhoso. Você conseguiu — Diz ela me abraçando e não consigo segurar as lágrimas.
– Queria que meu pai tivesse aqui — Digo com sinceridade, como queria meu pai aqui nesse momento.
– Acho que ele já está aqui minha querida — Diz ela apontando para o homem que rapidamente eu reconheço ser meu pai, saio correndo e vou ao encontro dele e o abraço com força.
– Você foi perfeita minha corujinha — Perfeição. Palavra que de uns tempos para cá venho percebendo que só leva as pessoas a loucura, perfeição não existe somos apenas nós sendo perfeitos com os nossos erros. Somos perfeitamente imperfeitos.
– Não pai, eu não fui perfeita. Eu fui mais forte que os meus medos. Eu percebi que estava na hora de voar e me libertar desses fantasmas.
– Você está certíssima, eu vou comprar alguma coisa com Susanne para vocês comerem, é do outro lado da rua. Vou te deixar com Thomas, qualquer coisa já sabe onde nos encontrar.
– Pode deixar — Digo indo até Thomas. Ele me aconchega em seus braços e diz.
– Isso foi incrível Emily e você é incrível e muito corajosa — Diz ele.
– Você me deu a coragem que eu precisava — Digo olhando em seus olhos e nos beijamos. Aqueles dois meses foram perfeitos mas naquele momento me pareceu que eram feitos de vidro, pois bastou uma voz para despedaça-los.
– Então é você como eu já desconfiava — Ouvi a voz de uma mulher, quando me viro percebo que já vi essa mulher, mas é como se na minha mente ela estivesse embaçada.
– Mãe — Diz Thomas meio em choque. É então que eu me lembro, essa era mulher que estava com Thomas e aquele homem no dia da minha crise. Então ela é a mãe do Thomas.
– O que está fazendo aqui? — Pergunta Thomas preocupado.
– Eu é que pergunto Thomas, o que faz aqui com essa doente mental? Então é por ela que você está apaixonado? Por favor Thomas, pensei que seria mais esperto do que isso, não está vendo que isso é um jogo dela?
– Não fale assim dela- Diz Thomas aos berros,. Um jogo? Como ela pode abrir a boca para dizer algo assim, minhas mãos começam a suar, estou ficando tonta... meus joelhos falham e eu caio no chão.
– Tudo bem, vamos supor que ela o ame Thomas, mas você não a ama. Você só sente pena dela, por que é isso que as pessoas sentem ao ver pessoas como ela, querem ajudar, dar um carinho, mas no fundo, deve ser um fardo ficar com ela. Essa menina não pode te satisfazer, ela não pode te dar uma vida tranquila a qualquer momento ela pode surtar e machucar alguém.
– Thomas... se afaste de mim.... agora- Digo com firmeza — Saia — Grito, ele se afasta um pouco mas não o suficiente.
– Não duvido nada que ela queira dar o golpe do baú, alguém da família ou uma enfermeira deve estar manipulando ela e do jeito que ela é louca não percebe isso — Já chega, não vou deixar que ela diga isso da minha família, a crise é muito forte mas não vou deixar ela falar isso.
– Cale a boca sua vagabunda- Me levanto e a empurro com força- Nunca fale da minha família, você não presta — Ela está caída no chão a minha visão está embaçada, o coração acelerado, a cabeça latejando... Mas eu vou defender a minha família.
– Está vendo Thomas, ela é uma descontrolada. Vai machucar você a qualquer momento, entre no carro agora — Já não ouço mais o que ela diz, olho para a praça, as pessoas estão em choques, mas uma pessoa me chama a atenção. Será que é ela? Não pode ser...
– Mãe — Digo com a voz fraca, mas não consegui andar. Alguém me deu um chute e eu caio. Minhas costas doem, meu pulso está contorcido... olho para trás e a mãe de Thomas está de pé atrás de mim.
– Não vou deixar que toque no meu filho — Ela se agacha e me segura pelo pescoço, Thomas sai correndo e a tira de perto de mim, ponho a mão em meu pescoço e tusso. A mulher que se parece a minha mãe começa a cantar... essa música... Há lobos e humanos no mundo ... era o verso que ela cantava.
– Você pensa que vive uma vida perfeita não é? Mas não passa de uma ilusão, você é nojenta, fazem seu filho sofrer e ainda dizem ser invejados. Eu é que tenho pena de você sua vadia — Ela sai correndo e me bate, não deixo cuspo em seu rosto. Ela me levanta e me joga no chão, sinto minha cabeça bater na quina de um banco.
É questão de tempo até eu sentir algo viscoso escorrer pela minha testa, minhas costas. Tudo dói, o cheiro de sangue me deixa enjoada. Minha visão está embaçada, minhas últimas lembranças são meu pai e Susanne correndo até mim, meu pai está desesperado. Thomas se ajoelha perto de mim, mas a única coisa que eu consigo sentir é o gosto de sangue na minha boca. Definitivamente é o gosto do pesadelo.
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