Notas iniciais
N/A ATENÇÃO: É importante que todos leiam esta nota, pois este capítulo é um passo grande e importante para o início do romance. Primeiro gostaria de dizer que eu NÃO estou romantizando os TRANSTORNOS ou a DOENÇA dos personagens, o romance se reflete nos próprios personagens e quero enfatizar esse ponto. Poderá ocorrer no decorrer da história pensamentos, ideias ou ações que não condizem com a ética ou lógica humana, e deixando claro que tudo se passa no PONTO DE VISTA da personagem e isso não quer dizer que seja correto ou não, e é exatamente o ponto principal da fanfic, já que é uma exploração da mente e ação de um personagem FICTÍCIO. Portanto, cabe a vocês, amados leitores, a terem uma reflexão e conscientização da leitura desta história, avisando de antemão que abordarei SIM assuntos sensíveis e talvez, para alguns, perturbadores. Espero que você aprecie e deguste da história, se houver dúvidas estarei disponível para contato via mensagem privada no site, boa leitura!

Depois de deixar Alice em seu quarto, vago pelos corredores cinzentos, minha mão percorre as paredes e meus sapatos estalam suavemente no chão de ladrilho.

Por mais que eu tente esquecer, cada palavra daquele maldito papel percorre minha mente sem parar e eu me questiono brevemente sobre minha sanidade.

Teria minha mãe razão para me colocar aqui?

Não. Eu sei que não. Eu saberia se eu fosse louca. Minha mente reconheceria se estivesse algo anormal em mim, certo? Sacudo minha cabeça para interromper pensamentos indesejados e paro de andar quando entro em um corredor mal iluminado. Franzindo a testa, tento me lembrar como vim parar nesse caminho e se eu já tinha vindo para cá. Definitivamente não, dou mais alguns passos até o final do corredor, pressiono minha testa na parede fria e suspiro. Coloco ambas as mãos na parede, percorrendo suavemente com os dedos os grumos que a tinta faz e é quando eu sinto isso. Um vinco, quase imperceptível.

Curiosa, sigo o vinco em linha reta até o chão e depois subo novamente, concluindo que começa na altura da minha cintura e segue até o final dos meus pés. Agacho e bato suavemente nessa parte da parede, e fico surpresa quando o oco me saúda. Com adrenalina renovada, pressiono as mãos e empurro.

Nada.

Reunindo mais força, empurro novamente. Nada.

Frustração e raiva inundam meu corpo, mas eu tento me controlar, sabendo que não seria nada legal se alguém da equipe médica me encontrasse chutando uma parede. Pensando em uma nova tática, tateio todo o vinco novamente, sentindo as ondulações e aspereza, faço isso uma, duas, três vezes e então, minha unha prende em um mínimo buraco no meio do vinco. Sorrio esperançosamente e coloco toda a foça no dedo, puxando com a unha até a parede se desprender alguns centímetros, ou o que eu achava que era a parede.

Viro-me para o local em que vim no corredor e espero silenciosamente por sons de passos ou ruídos humanos, agradecendo mentalmente quando não ouço nada. Volto para minha missão e puxo totalmente o pequeno portal, minha respiração totalmente presa e coração acelerado.

Escuridão.

A entrada escura me cumprimenta com um leve ar de mofo, tusso sem conseguir controlar, a poeira agredindo meu nariz e olhos, mas sorrio mesmo assim, sabendo que eu encontrei algo totalmente secreto. Sem hesitar, entro no buraco e quando me viro para a pequena porta, vejo um curto fio preto preso e o puxo, fechando a entrada. Apreensão finalmente toma meu corpo quando o fio coça minha palma, me lembrando que esse lugar não é totalmente secreto. Rodo meu corpo no espaço escuro, meus pés testando o chão e perco uma batida no coração quando tropeço em um degrau. Uma escada, interessante.

Desço cada degrau com passos temerosos, uma pequena fresta de luz servindo como guia na escuridão sufocante. Devagar, tateio o local de onde surge a luz e encontro a maçaneta desgastada, girando-a suavemente.

Meus movimentos se extinguem com o que deparo.

A claridade é tão intensa que cerro meus olhos, as enormes estantes são cobertas por plástico, assim como o restante dos poucos móveis, o lugar é espaçoso com janelas amplas e uma longa porta dupla de madeira do lado oposto com formas intricadas, é como um oásis para todo o cinza e melancolia.

Fechando a porta, entro mais no lugar e enrugo o nariz para o leve cheiro de queimado.

— Que diabos você está fazendo aqui?!

Pulo com a voz grave, meu coração acelera tanto que gela todo o meu corpo e meus olhos se fecham. Um dia desses eu definitivamente terei um ataque cardíaco.

Normalizando a respiração, abro meus olhos para encarar o desconhecido.

Verdes.

Intenso verde claro, a luz natural batendo diretamente em seus olhos, como grama fresca em cimento cinzento. Surpresa estampa seu rosto bonito e de algum jeito minha mente consegue adequar sua presença nesse lugar excêntrico.

Edward Masen.

Ele arqueia uma sobrancelha cheia enquanto tento recuperar minha voz.

— E-eu achei. – minha voz é pequena e sussurrada, minhas emoções em conflito com o encontro repentino.

— Você achou esse lugar? Simplesmente achou? – ele pergunta, sua voz perfurando com desconfiança. Meus olhos o percorrem, desde seu cabelo rebelde acobreado até as pernas longas esticadas no chão, onde ele está sentado relaxado, ou pelo menos estava até eu chegar.

— Foi imprevisível. – suas sobrancelhas franzem e eu completo. – Digo, foi inesperado achar este lugar. Imprevisível. – olho novamente em volta e dou um giro, tendo uma visão completa. — Incrível. – murmuro. Edward pigarreia e foco a atenção nele, minha mente rodopia, sua aura parecendo preencher o ambiente e uma tração invisível me faz querer chegar até ele.

— Acho que você deve voltar.

— Posso me sentar? – ignoro sua fala, apontando para o espaço livre ao seu lado, debaixo de uma das janelas. Ele dá de ombros e parece tenso quando vou chegando perto.

Sento-me suavemente, deixando um espaço livre de dois palmos entre nós. Inclino minha cabeça na claridade e meus olhos se fecham, a luz aquece alguns pontos na minha pele e eu finjo que é o calor de Phoenix, me abraçando calorosamente e dando boas-vindas para uma tarde tranquila. Um novo calor faz minhas bochechas aquecerem e suspiro, sabendo que estou sendo observada.

— Por que você está aqui? – sua pergunta me pega de surpresa, e eu finjo não entender olhando para minhas unhas.

— Eu já disse que achar esse lugar foi um acidente. – desvio.

— Não isso, por que você está na Clínica Volturi? – ele específica e eu o encaro, me perdendo na suavidade do seu olhar por um instante. Fico intrigada com minhas reações em relação a ele e decido pensar nisso mais tarde.

— Você é bem sutil em iniciar uma conversa. – zombo, sabendo que meu sarcasmo é minha única defesa.

— Desculpe. – olho de relance para ele e me surpreendo com a sinceridade. – Faz um tempo desde que eu tentei iniciar alguma coisa, quanto mais uma conversa. Veja, as opções não são muito amplas aqui. – uma risada escapa de mim e ele dá um sorriso de lado. Um silêncio paira entre nós e é estranho o quão confortável eu me sinto ao seu lado.

— Então, o que era aqui? – quebro o silêncio e torço para que ele não insista na pergunta anterior, a última coisa que quero lembrar são dos motivos que me levaram até esse lugar, principalmente lembrar de Renée.

— A biblioteca. – seu olhar é revestido de pesar e saudade e fico intrigada com o que levou a esses sentimentos.

— O que aconteceu? Parecia ser uma sala incrível.

— Um incêndio, destruiu todos os livros. – sua voz e expressão ficam sombrias por um momento, mas muda tão rápido que eu me pergunto se imaginei. – E sim, era um dos lugares mais incríveis desse lugar.

— Um dos? – questiono, duvidando do que essa clínica tem para oferecer de bom.

— Veja por si mesma. – diz ele, arrastando um sorriso que esconde segredos e indica a janela acima de nós. Levanto, e assim que meus olhos seguem para baixo sou puxada de joelhos. – Cuidado, você não vai querer ser vista. Olhe.

Meu fôlego é imediatamente suspenso e depois solto lentamente o ar, tentando capturar todos os detalhes. A primeira coisa que vejo é um labirinto de arbustos com uma pequena fonte seca no meio, o modesto anjo enfeitado na fonte tem aparência suja e infelizmente não consigo ver muito dele, há bancos na frente do labirinto e vasos com flores murchas, e a cena fica ainda mais irreal e espetacular com o sol começando a se pôr vagarosamente, cobrindo o céu com tons claros. Como perdi isso?

— É lindo... – consigo sussurrar.

— Sim. – sinto sua respiração quente no meu rosto, como carícias timidamente calorosas, viro em sua direção e sou engolfada por seus olhos suaves e sentimentos desconhecidos emergem de dentro de mim, e é tão desigual de tudo que já senti, diferente da raiva, irritação ou ansiedade. Nos sentamos e desvio do seu olhar penetrante, não confiante dos meus próprios sentimentos conflituosos.

Meus olhos são atraídos para sua mão esquerda, a pele do dedo médio, anelar e mindinho é avermelhada e lisa e segue até o pulso, a manga comprida esconde o restante e, inconscientemente, meus dedos traçam a pele cicatriza com delicadeza, admirada com a sensação da minha pele na sua, como se fosse tão... certo. A tensão palpável que Edward parecia sentir ao tocá-lo é dissipada quando seguro sua mão maior na minha, seu polegar hesitante faz pequenos círculos no meu e sorrio, penso o quão clichê seria definir seu toque como pequenas faíscas deliciosas que cobrem meu ser e minhas bochechas coram.

O tempo parecia indefinido ali com Edward, trocando olhares e toques gentis na mão, era como um Universo paralelo em que loucura, solidão e problemas não existiam. Seu suspiro chamou minha atenção e o encarei em dúvida.

— Devemos ir, irão suspeitar se não aparecermos no lanche. – concordei com Edward mas não fiz nenhum movimento para sair, e ele sorriu tão lindamente que me perguntei se isso era real. – Vá primeiro, vou logo depois de você.

— Não, — discordei – quero dar uma última olhada na vista e tentar me preparar para... tudo aquilo. Aliás, é você quem deve estar mais tempo fora das garras deles. – ele pareceu pensar um pouco mas assentiu, dando um último aperto na minha mão e levantando. Edward sorriu torto pra mim antes de abrir a porta e coloquei a mão no peito, meu coração acelerado ao recordar dos instantes anteriores.

Surreal. Era a única palavra para definir o dia e, agora sozinha, me perguntei se o que aconteceu comigo e Edward foi carência ou falta de contato humano real, a incerteza corroeu minha mente como uma praga devastando uma plantação. Finalmente me pus de pé, limpando a poeira remanescente das minhas mãos na calça e olhando para o labirinto, sombriamente me dei conta de onde estava, sem saída.

Assim que toquei na maçaneta escutei passos e parei, ansiedade tomou conta de mim e brevemente perguntei-me se era Edward voltando, os passos acabaram e furtivamente saí da biblioteca, andando na ponta dos pés e respirando o mais silenciosamente possível. Quem estaria por aqui?

Agradeci pelas escadas não rangerem e quando fui normalizar a respiração, algo se chocou contra mim. Instantaneamente minha boca se abriu em um grito que foi impedido por uma mão suada, minha cintura e braços acorrentados por um braço como aço, cruelmente me apertando. Adrenalina correu como água pelas veias, lutei com as pernas, tentando chutar quem quer estivesse me segurando, minha boca abriu novamente e mordi a mão que me sufocava. Um grito abafado e maldições foram soados.

— Merda. Laurent, preciso de uma ajuda aqui! – a voz do homem soou fria, seu hálito enjoativo respirando ao lado do meu rosto, tentei virar inutilmente. – Parece que eu encontrei uma ratinha se esgueirando.

Notas finais
Ixi, que dia louco Bella teve! E o que será que vai acontecer?? Comentem o que acharam, a opinião de vocês MOTIVA muuuito e me deixa super feliz. Beijos e até o próximo capítulo!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.