Notas iniciais
Capítulo novinho e quentinho, saído direto do forno, haha. Queria agradecer pelos comentários, vocês não sabem como isso me inspira! Boa leitura!

A manhã seguinte era ainda mais deprimente que a noite anterior. O café da manhã era sem gosto, os rostos mais abatidos que antes e quando Alice correu para o banheiro assim que terminamos a refeição, tive uma ideia do porque ela estava aqui.

O corredor dos consultórios é coberto com alguns cartazes de estímulo e incentivo, como uma piada bizarra. A loira de luvas me encara com seu típico olhar assassino, e eu me pergunto como ela conseguiu ficar aqui com a bolsa de grife famosa em seu ombro, que ela abre muitas vezes para pegar seu gel antisséptico.

A porta ao lado dela abre, e o que eu presumo ser o médico, com estatura mediana, louro, olhos azuis e beleza de astro de cinema aparece, e o garoto bonito de cabelo bronze sai da sala em disparada. O médico solta um suspiro audível e se vira para mim.

— Isabella Swan, vamos? – ele diz e eu entro no seu consultório, a decoração é acolhedora, ouço a porta ser fechada e ele aponta para uma poltrona bege em frente a sua mesa. – Por favor, sente-se. – faço o que ele diz e é inevitável controlar o nervosismo que surge na ponta do meu estômago.

— Sou o Dr. Carlisle Cullen, de agora em diante vou ser seu psicólogo pessoal e também coordeno as sessões em grupo, gostaria de fazer alguma pergunta antes de começarmos? – assenti e me inclinei, colocando as duas mãos juntas em sua mesa.

— Por quanto tempo vou ter que aguentar isso? – perguntei e ele franziu os lábios.

— Isabella-

— Bella – o interrompi.

— Bom, Bella, tudo depende do seu avanço. Sei que não deve ser fácil tudo isso, mas vamos começar com calma, eu preciso que você confie em mim para eu confiar em você, tudo bem?

— Sim, claro, confiança. – falei com desdém. – Tanto faz, vamos lá. – dei de ombros e ele sorriu.

— O que acha daqui? Está se adaptando? – Dr. Cullen perguntou e eu bufei.

— Sério? Primeiro fui sedada, depois me jogaram em um quarto sem minhas roupas e ainda tive o desagradável encontro com a enfermeira Stanley. – falei e senti a raiva fluindo, quando o vi anotando algo no papel, respirei fundo e me reclinei no assento, eu só precisava me acalmar. – Olha, Dr. Cullen, eu ainda estou tentando entender por que meus pais me colocaram aqui e adaptar a tudo isso é bem difícil.

— Você não sabe o motivo de estar aqui? – neguei e ele franziu a testa, revirando os papéis e escrevendo em outro. – Aqui diz que você obrigou uma colega de classe a pular do segundo andar da sua escola, além de um histórico de mentiras e hostilidade. O que você tem a dizer sobre isso, Bella? – reviver esse assunto me fez ter a sensação de aborrecimento, suspirei resignada.

— O que eu fiz foi justiça, simples. – falei entediada.

— Justiça? Pode me explicar? – eu sabia o que o Dr. Cullen queria, apenas mais motivos para me deixar aqui mais tempo, mas não teria como eu fugir disso, uma hora ou outra teria que dizer.

— Lauren Mallory era a maior puta do colégio, fazia bullying com todos que não fossem seus fiéis seguidores, desde violência verbal até física, você como psicólogo deve saber como isso afeta as pessoas, Dr. Cullen, principalmente adolescentes. Então, ela atacou minha amiga Angela e pra mim aquilo foi o suficiente, Lauren precisava ser parada. – falei com a voz calma, esperando que isso fosse o suficiente.

— Bella, isso não é motivo para jogar alguém da janela, isso é homicídio. – ele disse inflexível. Homicídio, a palavra ecoou pela minha cabeça repetidas vezes, E se ela morresse?, me perguntei pela primeira vez desde o ocorrido, eu estaria em um lugar pior que esse? A palma da minha mão ficou suada e minha mente recriou diversos cenários, onde minha liberdade estaria totalmente privada. A Clínica Volturi foi realmente a melhor opção que tive?— Ei, Bella, você está bem? Respire fundo.

— Ela não morreu. – falei em uma lufada de ar. O nervosismo estava me comendo viva e eu tive vontade de gritar com alguém, felizmente o olhar afetuoso do Dr. Cullen me impediu de fazer isso. – Ela está viva, Dr. Cullen.

— Sim, mas ela fraturou as duas pernas e teve uma concussão grave. – desde que ela tenha aprendido as consequências, tanto faz, pensei. Externamente apenas dei de ombros e sequei minha mão na calça, esperando que ele não tenha percebido o que a sua fala anterior causou no meu interior.

O resto da consulta passei a maior parte entediada, assentindo para frases que não dei atenção ou respondendo com monossílabas.

— Vejo você mais tarde na sessão em grupo. Até mais, Bella. – Dr. Cullen sorriu e retribui, desfazendo o sorriso assim que sai da sua sala. A loira ergueu uma sobrancelha bem feita quando passei e eu fingi um espirro, mirando nela. Ri quando ela gritou e abriu sua bolsa imediatamente, enquanto o Dr. Cullen a acalmava.

A próxima consulta com o Dr. Caius foi fria e impessoal, a quantidade de remédios que ele receitou foi considerável, três de manhã e dois a noite. O almoço aconteceu sem grandes emoções, Alice estava abatida e reparei no refeitório que alguns estavam esmorecidos, talvez fosse efeito colateral dos medicamentos, espero não ficar assim.

A enfermeira Stanley estava acompanhada de um homem, alto, cabelo louro-claro, olhos azul- claros e rosto infantil, mesmo Alice estando no estado de estupor, me informou que ele era o enfermeiro Mike Newton. Após a refeição, eles nos levaram a uma sala com cadeiras formando um círculo no meio, todos pareciam estar se arrastando até os assentos.

— Olá, é bom ver que todos parecem relaxados. – Dr. Cullen apareceu com uma prancheta na mão e caneta em outra, sentando-se em uma das cadeiras do círculo. – Já que temos uma nova adição ao grupo, que tal nos apresentarmos para ela? Tanya, que tal você começar? – ele apontou para a garota de cabelos louro-avermelhados, que estava se contorcendo de uma maneira incomum na cadeira.

— Tanya Denali, vinte anos. – ela grunhiu e cruzou as pernas, Dr. Cullen a olhou preocupado.

— Tanya, lembra dos exercícios de pensamentos que praticamos? Que tal você pôr em prática, sim? – ela assentiu e fechou os olhos, eu estava intrigada com o que estava acontecendo a ela. – Vamos continuar. – ele sorriu paternalmente e apontou para a garota com cabelo castanho-escuro que tinha um dedo na boca.

— Bree Tanner, dezesseis anos. – Bree voltou a roer sua unha compulsivamente, pela inquietação, os tremores constantes e o suor dela, eu diria que ela está sofrendo de abstinência, em um nível severo.

— Sam Uley, vinte anos. – Sam era o garoto de pele morena e corte de cabelo irregular, ele parecia mais calmo que na noite anterior, certeza que era efeito dos remédios.

— Jasper Whitlock, dezoito anos. – a voz de Jasper não passava de um murmúrio, sua cabeça estava baixa e ele não olhou para alguém nenhuma vez.

— Edward Masen, dezoito anos. – seu timbre era tão suave que eu tive que olhar para ele, seus olhos verdes me prendendo e um vinco entre as sobrancelhas aparecendo, eu queria ser capaz de passar o dedo suavemente e desfazer isso.

— Emmett McCarty, dezenove anos de pura masculinidade. Bem-vinda. – ele piscou e eu tive que sorrir, a loira ao lado dele parecia não compartilhar do mesmo humor.

— Rosalie Hale, dezenove anos. – sua cadeira estava quase colada ao de Emmett, e imaginei que eles realmente eram um casal.

— Alice Brandon, dezoito anos, mas Bella já me conhece, nós somos amigas. – ela sorriu e eu também.

— Bella Swan, dezessete anos. – falei, obtendo nenhuma reação, revirei os olhos entediada, bela apresentação.

A reunião em grupo era uma grande besteira de falar sobre sentimentos e o que esperávamos quando saíssemos daqui, nem acredito que teria que aguentar isso por um tempo indeterminado.

Notas finais
Entãooo, o que acharam? Digam-me, comentem! É ótimo ter um incentivo para continuar a história. O que acharam da história da Bella com a Lauren? Vixii. Até o próximo capítulo, beijooos!