Mental Disorder
2 Capítulo 1
Notas iniciais
A Clínica Psiquiátrica Volturi é como uma mansão sombria de três andares ou mais, as colunas do portão de ferro são ornamentadas com duas grandes estátuas de águias, a neblina é intensa e a vibração do lugar fez meus pelos do braço se arrepiarem. Renée estaciona ao lado de dois carros caros, e me pergunto a quem pertence.
O ar é frio e úmido, aperto o casaco em torno de mim com força e suspiro lentamente. Nós caminhamos até a entrada principal e sinto meu coração acelerado, a pulsação bate em meus ouvidos e minhas mãos suam, a ansiedade aumenta quando a porta é aberta.
— Bem-vindas à Clínica Volturi. Por favor, entrem. – uma mulher alta, com cabelos longos e negros com pele azeitonada nos atende. – Sou Gianna, sentem-se, Sr. Volturi já irá atendê-las. – a seguimos e sentamos em um pequeno sofá confortável. Ao menos a sala principal era aconchegante, decorada com móveis em madeira e um marrom quente.
Olhei de relance para Renée, que estava sorrindo gentilmente para a tal Gianna e com aparência calma, mas eu sabia que ela estava com os nervos à flor da pele. Talvez ela estivesse nervosa com os gastos que teria aqui, não importa quanto custasse, eu sei que ela pagaria qualquer coisa para me manter longe e se livrar dos meus problemas. Ao longe ouvi o som de uma porta e me virei, onde um homem de cabelo preto na altura dos ombros e estatura mediana vinha andando graciosamente com uma pele quase translúcida e sorriso predatório.
— Senhora e Senhorita Swan, é um prazer recebê-las. Sou Aro Volturi. – Renée se levantou e o cumprimentou.
— Muito obrigada por poder atender meu pedido, Aro. Sei como é difícil conseguir uma vaga.
— Para você, minha cara, eu abro exceções. Vamos para minha sala conversar. – eu os segui e franzi a testa com o quão íntimos eles pareciam ser. Entramos em outra sala no mesmo padrão que a anterior, com a diferença de esse ser um escritório. Renée sentou em uma das poltronas e eu deixei cair meu corpo pesadamente em outra.
— Sra. Swan, já discutimos os detalhes técnicos, porém, eu gostaria de saber o há levou a nos procurar, já que você é uma palestrante de psiquiatria do Arizona e deve saber que nossos métodos são, hã, tradicionais. – Sr. Volturi disse e esperou a resposta de Renée, eu me perguntei quais métodos tradicionais eram esses.
— Isabella quase matou uma garota. – ela respondeu em um tom frio e eu bufei exasperadamente.
— Ela se jogou, eu não fiz absolutamente nada. – rebati com calma e de repente me senti desconfortável naquele lugar, eu não deveria estar aqui.
— E ela parece ter uma compulsão por mentiras.
— Omitir não é exatamente mentir, Renée. – revirei os olhos e fingi estar muito interessada nas minhas unhas. Eu não ia deixar Renée me difamar sem interceder.
— Tenho certeza que Isabella aprenderá alguma coisa ou outra se mentir por aqui. – por um momento me esqueci do Sr. Volturi e pulei com o som da sua voz sombria. Sorri com deboche para ele e ligeiramente cocei meu queixo com o dedo do meio. – Para finalizar você apenas precisa assinar nessa linha, Sra. Swan. – ele deslizou o papel para Renée e respirei pesadamente, de alguma forma sentindo que esse lugar seria meu fim. A caneta no papel fez um som áspero e mesmo que ela estivesse escrevendo de forma suave, a assinatura fez meu estômago revirar.
— Ótimo! Chamarei nossa enfermeira Stanley para acompanhar Isabella para o seu quarto. – o Sr. Volturi a chamou pelo telefone e analisou os papéis. – Espero que passe um bom momento conosco, Isabella. – ele sorriu e se levantou, nos deixando a sós.
— Esse cara é estranho. – murmurei distraidamente.
— Aro Volturi é um ótimo diretor e comanda essa clínica com punhos de ferro. – Renée o defendeu e a olhei, por um momento eu quis saber se essa mulher iria merecer ser chamada de mãe um dia. – Querida, não me olhe assim, você ficará bem, os profissionais que trabalham aqui são os melhores. – desviei o olhar e mordi o lábio, desejando ter um chiclete para mastigar.
— Por que Charlie não veio também? – essa questão estava atormentando meus pensamentos.
— Seu pai é um detetive muito ocupado, você sabe que ele não teria tempo.
— Claro, ele não pode arrumar tempo para sua filha que vai ser internada. – ironizei.
— Charlie já esteve bastante ocupado limpando sua ficha no antigo colégio, os pais daquela garota queriam pôr você em um lugar muito pior, então não me venha fazendo cobranças Isabella. – seu tom e suas palavras rígidas fizeram lágrimas picarem nos meus olhos, mas me controlei, afinal, ela estava finalmente sem sua máscara de mãe dedicada.
— Tudo bem, sou muito grata por vocês. É isso que você queria ouvir? – falei, e quando ela abriu a boca para rebater, a porta foi aberta revelando uma mulher baixa, cabelo castanho encaracolado volumoso e olhos azuis.
— Sou a enfermeira Jessica Stanley, vim acompanhar Isabella Swan até seu quarto. – ela disse me olhando de cima a baixo.
— Tenho que pegar minhas malas no carro. – falei e a vi segurando o riso.
— Não será necessário, os pacientes usam uniformes. – ótimo, não terei nem minhas roupas. – Celular e aparelhos eletrônicos também são proibidos.
— Como?! Você deve estar brincando comigo, e o que vou fazer? – gritei com raiva e indignada, isso era um absurdo!
— É melhor você se acalmar, Srta. Swan, ou serei obrigada a chamar alguém para seda-la. E tenho certeza que você poderá encontrar algo para se ocupar, ou nem vai perceber o tempo passar. – senti minha raiva borbulhando para a superfície com suas palavras e soltei um grunhido frustrado.
— É sério isso, Renée?! Sem comunicação com o mundo exterior, sem minhas roupas, vão tirar mais o que de mim? Minha dignidade? – gritei e fechei minhas mãos em punhos, encarei Renée que estava balançando a cabeça negativamente.
— Querida, fique calma. Nós poderemos nos falar toda semana. – ela tentou me abraçar e ri para sua atitude de boa mãe.
— E quem disse que eu quero falar com você? Você nunca se importou comigo, nunca foi uma mãe de verdade! – não consegui conter os gritos, mesmo que o alerta estivesse soando em minha mente. Chutei a poltrona com força, tentando extravasar minha raiva de algum modo.
Foi quando senti braços me segurando firmemente e me debati tentando me soltar, olhei assustada para Renée e tentei dizer algo, mas a picada no braço esquerdo me fez parar e tudo ficou preto.
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