Notas iniciais
Heey, povo lindo, capítulo novinho! Espero que gostem e boa leitura!

Tédio. Essa era a definição dos últimos quatro dias em que estive aqui. Nada de novo ou interessante acontece, a única coisa favorável que descobri foi como esconder os remédios que obrigavam a tomar, felizmente não verificavam de baixo da língua. Embora um certo garoto de olhos verdes sempre me encare com um olhar indecifrável toda noite quando vamos nos recolher, tento varrer isso para fora da minha mente, já que talvez ele esteja tentando me intimidar...

Com toda certeza a parte mais tediosa do dia é depois do café da manhã, pois ou você tem consulta ou você fica vagando entre quarto/refeitório/banheiro. Ironicamente a porta que está escrito ‘Lazer’ é fechada e só abrem no final de semana, onde a família pode visitar e assim passar uma imagem em que somos tratados com comodidades. Fui informada gentilmente desse fato por Emmett, que me pegou tentando abrir a porta e depois riu descaradamente de mim.

Apoiei meus pés na mesa imaculada de madeira com papéis organizados precisamente e olhei em volta da sala de consulta, me perguntando o que aconteceria hoje. Meu olhar pousou na ficha alinhada no meio da mesa e meus olhos arregalaram com o nome na capa ‘Isabella Swan’.

Automaticamente me incline, parando quando ouvi o som da maçaneta.

— Srta. Swan, sou a Dra. Jane. Tire os pés da mesa, senhorita. – a mulher loura de olhos azuis frios falou, seu ar de apatia preenchendo o cômodo enquanto meus pés voltavam para o chão. – Sou psicanalista e teremos sessões de psicoterapia sempre que necessário. – ela sentou e devo ter feito uma cara de confusão. – Irei avaliar seus comportamentos. – disse e não elaborou mais nada.

— Certo. – falei, meus pensamentos agora fixos na ficha e o quanto de informação eu conseguiria obter sobre mim naquelas simples folhas.

— Gostaria de começar com um teste simples, se chama teste de Rorschach. – disse ela, tirando da gaveta uma prancheta. — Você só precisa me dizer o que vê quando olha para essas imagens. – a primeira imagem foi deslizada para mim.

Parecia uma mancha de tinta, como um borrão negro com lados simétricos. A imagem para mim estava clara, mas me questionei se o que eu imaginava estava correto.

— Bem... – comecei, olhando da imagem para a Dra. Jane. – Isso pra mim são duas pessoas brigando, e esses pingos em baixo são sangue. – a encarei em busca de confirmação e como ela não disse nada, fiquei apreensiva. – Ou eles estão apenas discutindo porque alguém derramou esse líquido. Acertei? – dei uma curta risada e devolvi o papel.

— Não tem um certo ou errado, Srta. Swan. – sua voz aguda e fina me fez ter arrepio, e não do tipo bom. Outro foi deslizado para mim e bufei, sabendo que isso seria cansativo.

— Vejamos, um urso com dentes de javali.

— Uma criança com garras segurando um cérebro.

— Um elefante com olhos demoníacos.

— Oh, será que posso falar isso? São três pessoas fazendo sexo e... espere, isso no meio é um pole dance?

— É o suficiente, Srta. Swan. – Dra. Jane arrancou o último papel das minhas mãos e anotou algo na minha maldita ficha. – Por hoje é isso, chamarei novamente quando for necessário.

— Tanto faz. – dei de ombros e me levantei, finalmente me livrando da presença da Dra. Jane e suas imagens desconexas.

No corredor estava Sam, com seu habitual olhos nervosos indo de um lado a outro e Alice, com seu corpo magro, quase esquelético, curvada com sua cabeça entre os joelhos no assento de plástico. Segui para o refeitório deserto e senti um sorriso malicioso se formando quando vi a enfermeira Stanley -visivelmente apressada- limpando uma sujeira de gelatina no chão. Sua bolsa estava na mesa de trás e dentro havia um pacote prateado que me chamou a atenção.

— Viciada idiota. – a ouvi murmurar. Dando passos silenciosos, recostei na superfície e serpentei com o braço até sua bolsa, capturando dois retângulos quando os senti e enfiei rapidamente nos bolsos, saindo do refeitório em passos largos.

Encostando-me na parede, puxei um dos pacotes e quase vibrei de prazer ao saber que eram chocolates, e uma ideia acendeu em minha cabeça. Voltei em direção ao consultório da Dra. Jane e sorri ainda mais quando vi Alice ainda ali.

— Ei. – falei quando sentei ao seu lado, cutucando com um dedo em sua costela quando ela não respondeu. Sua pequena forma pulou assustada, mas deu um leve sorriso quando me reconheceu.

— O que está fazendo aqui, Bella? Tenho certeza que você não quer outra sessão com Jane Esquisita. – disse ela e eu ri, negando com a cabeça e aproximando-me mais.

— Gosta de chocolate? – perguntei, mostrando uma parte do doce escondido no meu bolso. Seus olhos brilharam e seus dedos magrelos tentaram pegar de mim, bati de brincadeira em sua mão e neguei novamente. – Vamos fazer um acordo, e quem sabe você ganha essa iguaria.

— Que tipo de acordo? – seus olhos se estreitaram e ela cruzou os braços, seu rosto deixando claro a insatisfação disso.

— Você pega minha ficha na sala da Jane Esquisita e eu te recompenso com isso. – sorri ao terminar de falar, sabendo que era a primeira ideia boa desde que estive aqui.

— E qual é a garantia que você vai me dar mesmo? Eu vou arriscar meu pescoço por nada, não é por mal Bella, mas eu não quero sentir as consequências se der errado. – sua pele ficou pálida e os olhos vagos, suas mãos subitamente subindo para cobrir os lados de sua cabeça.

— Alice. – toquei seu braço direito e o abaixei, pedindo silenciosamente que ela me encarasse. – Confie em mim, não vai dar errado. Além disso, eu tenho dois chocolates, eu te dou um agora e se você conseguir, te entrego o outro. – meus olhos não vacilaram um instante do seu, sabendo que essa é a forma mais fácil de fazer alguém confiar em você. O sorriso que eu dei quando ela concordou suavemente foi o mais confiante que consegui. Puxei do bolso um dos chocolates e ela imediatamente tentou pegar, mas continuei o aperto firma no doce, fazendo ela olhar novamente para mim. – Quando você entrar, eu vou distrair a Dra. Jane, darei o máximo de tempo possível e avisarei batendo na porta quando ela for entrar, OK? – murmurei baixinho.

— OK. – seus olhos ainda estavam fixos no meu e soltei o chocolate, mostrando o outro bolso com a promessa de um segundo chocolate se ela conseguisse. Assim que ela escondeu o doce no próprio bolso, a porta do consultório abriu e um Sam desnorteado saiu seguido pela Dra. Jane. Seus olhos focaram em mim e depois em Alice, mandando-a entrar e arqueando uma sobrancelha em minha direção.

— Vamos, Sr. Uley, vou chamar alguém para te medicar. – Dra. Jane conduziu Sam até o final do corredor, chamando um dos enfermeiros e quando ela se virou para voltar, me preparei para minha parte do trato.

— Dra. Jane, preciso falar com a senhora. – a parei no meio caminho até sua sala. Sua pose ficou empertigada e os traços finos do seu rosto se contorceram estranhamente com a perspectiva de falar comigo.

— Srta. Swan, guarde suas perguntas para a próxima consulta, com licença. – ela tentou passar por mim, mas fechei seu caminho.

— Por favor, eu preciso saber se minhas respostas foram corretas. Aquelas imagens eram tão confusas e... e eu também quero saber o que significavam. – falei ansiosamente, atropelando nas palavras.

— Já lhe disse que não existe resposta correta, cada um tem um ponto de vista diferente das imagens. Agora, se me der licença. – Dra. Jane apontou para sua sala e me driblou, passando por mim e a um passo da sala. Sem pensar, me joguei na porta, a cabeça batendo ruidosamente na madeira, e seu olhar me lançando punhais.

— Mas-

— Será que terei que chamar alguém para te conter, Srta. Swan? – senti o sangue gelando no meu rosto com sua insinuação, lentamente saí da porta e torci para que o tempo tivesse sido suficiente para Alice. Jane Esquisita entrou com um rosto questionador ainda em mim e, resignada, fui esperar por Alice no corredor.

Notas finais
Opa, o que acharam? Será que Alice conseguiu pegar? E a reação dela, em? Hmm... Comentem e deixem a opinião de vocês, além de ser importante para a história me ajuda muito a continuar! Beijos e até o próximo capítulo!