Mensagem mogadoriana

2 Sobre cupins, suprimentos e aviões


Nunca tinha visto Bernie Kosar com tanta fome. Ele havia latido pelos últimos 20 minutos de viagem.

Logo que chegamos na cidade, encontramos uma pousada. A casa tinha dois andares e era revestida por madeira antiga. Estava literalmente caindo aos pedaços. Sua lateral apresentava sinais de que uma grande família de cupins se alimentava ali.

- Precisamos de um quarto. – disse Sam. A recepcionista tinha olhos azuis e um longo cabelo castanho, e desconfio que ele passou um bom tempo encarando-os enquanto Seis e eu buscávamos as malas no carro.

A garota nos acompanhou até o segundo andar, onde ficaríamos hospedados. As paredes eram brancas e o cheiro de tinta ainda permanecia no ar. Havia uma cama de solteiro e uma de casal.

- Opa. Acho que precisamos de três camas de solteiro.

- Os quartos estão todos ocupados. Lamento.

- Não tem problema, obrigado. – disse e abri a porta para que Becky saísse. Seu crachá indicava que seu sobrenome, Turner, também era o nome do hotel. Conclui que era um negócio de família.

- Precisamos de suprimentos. Não sabemos quanto tempo poderemos ficar. – Seis estava esvaziando nossas mochilas conferindo o que era necessário. – Vocês podem ir? Mal consigo parar em pé, e temos que retomar o treinamento amanhã.

Assenti com a cabeça e tive que fazer um grande esforço para me içar da cama.

- Eu vou sozinho. Não pude dirigir nos últimos dias, tenho que ajudar em alguma coisa. – Sam pegou a carteira e assoviou para Bernie Kosar. – Vamos amigão?

***

- A cada dia que passa, o medo me ocupa mais. – a expressão da loriena era triste e sombria. – John, eles são muitos. Não sei se teremos chance.

- Estamos juntos nessa. – sentei-me junto com Seis na cama de solteiro. A televisão estava ligada e imaginei que enquanto tomava banho, ela procurava noticias sobre nós. – Vamos achar os outros, prometo.

Olhando para ela, lembrei de nosso beijo. Eu amo Sarah, pensei. Mas não conseguia parar de evitar o pensamento em seus cabelos negros. Henri estava equivocado sobre o amor em Lorien? Afastei isso da minha mente.

O noticiário falava novamente sobre o garoto que pulou de um avião. Pelas imagens borradas, consegui distinguir sua forma. Parecia ter 18 anos e muitos, muitos músculos.

Olhei para Seis. Ela estava me encarando e sei o que pensava. É ele. O cinco.

Permaneci admirando seus olhos cinzentos, e fui me aproximando. John, o que está fazendo? E Sarah? Ignorei todos os pensamentos. Só conseguia pensar em uma pessoa, em uma única coisa. E então me entreguei. A sensação de tocar seus lábios novamente.. eu não tinha palavras. Não queria largá-la. Não queria deixá-la sozinha. Queria ficar ate o fim do mundo agarrado a Seis, e a proteger de tudo. Seríamos nós contra os mogadorianos.

- Você é louco. – ela disse depois de perdermos o fôlego.

- Eu sei.

- E eu sou louco por ser amigos de vocês dois. – disse uma terceira voz.

Sam. Parado na porta com Bernie Kosar, soltou as sacolas no chão e saiu correndo.

Notas finais
Pobre Sam ):