Mensageira dos Ceifadores
1 Capítulo Único

Você não tem nenhum lugar para se esconder, e eu estou me sentindo como uma vilã, estou faminta por dentro, uma olhada em meus olhos, e você estará correndo porque você sabe que eu vou te comer vivo...
Provavelmente já estarei morta quando alguém finalmente ler essa carta, mas ainda assim não a deixei de escrevê-la. Por anos no mundo dos humanos todos viveram como quiseram e se acharam donos do seu próprio destino, uma piada se quer saber realmente, considerando a caçada. Eu esperei e observei vocês por anos, enquanto isso fui obrigada a viver e conviver com uma espécie tão terrível, não em um termo pejorativo, terrível no sentindo de ser uma espécie capaz de mudar tudo, vocês tem a coragem de serem quem são e demostram seus sentimentos, fazem o melhor que podem. A minha missão era apenas uma, matar todos vocês, destruir a raça humana, mas eu aprendi tanto que acabei deixando vocês viverem e tentarem cuidar do planeta que tinham, e isso custou a minha vida, eu sei que parece surreal, afinal, isso parece uma carta de como vocês mesmos dizem, de uma pessoa esquizofrênica, paranoica, e várias outras doenças mentais que inventam para se protegerem de tudo que não podem entender, coisas que estão além dos limites naturais, coisas que fazem o mundo destroçar e perder a noção de sanidade. Mas para dizer-lhes a verdade, essa é uma carta de uma mulher morta, mas não uma morte finita, e sim uma morte para além do véu.
Como toda história tem um início, também tem um fim, mas eu não lhe falarei do meu nascimento, falarei da minha morte, afinal, é por ela que começa a história real, a destruição de vocês.
...
Andei em direção a porta da minha casa, afinal, pretendia me parecer como um humano qualquer, um humano que vive, que respira, que ama, que sente, que come, que sabe ser humano. Enfim, assim que abri a porta, lá estava ele, o pior dos piores, o único que jamais seria capaz de compreender a imensidão que se tratava os humanos.
— Você sempre foi a mais desprezável Lia – ele sorri e senta-se na poltrona – a mais fraca de todos.
Engulo em seco e ponho minha bolsa no cabide perto da porta.
— Ainda não terminei aqui Pollux – falo firme, mas eu tinha certeza de que aquilo não era uma visita de relatório, era uma punição.
Ele ri novamente e passa a mão no rosto, analisando a situação, parecia calmo e ainda assim, muito mais perigoso.
— O relógio está batendo, e o seu tempo acabou.
— Pollux, espera...
Ele nega com a cabeça e vem até mim.
— Não fomos criados para sermos bondosos, não fomos criados para conhecer raças, não fomos criados para sermos amigos daqueles que devemos aniquilar.
Seu coração bate como um tambor, a perseguição apenas começou.
Sempre fora desse jeito que vivemos, dando um início e um fim para cada espécie, eu nunca questionei isso, até os humanos surgirem no universo.
— Pollux, os humanos não são como os outros.
Ele sorri, sempre esse sorriso sádico.
— São vulneráveis.
Ele segura minha garganta e aperta.
— Por favor – engasgo com minhas próprias palavras.
Ali seria o meu fim, eu sabia, e por isso estou lhes contando a minha história, a nossa história, a minha morte e o fim da raça humana.
Monstros presos na sua cabeça, nós somos, monstros debaixo da sua cama, nós somos, nós somos monstros.
Os destruidores de mundo, os ceifadores do universo, os monstros da escuridão, somos nós, uma raça criada para acabar com cada raça existente, dando seu início e seu fim, mantendo o equilíbrio e o controle sobre tudo e todos, fomos criados para eliminá-los.
Nós nunca atiramos para atordoar, nós somos reis da matança e estamos em busca de sangue, vamos levá-lo um por um, nós somos reis da morte e estamos em busca de sangue.
Não existe outros como eu, bondosos, dispostos a lutar para salvá-los, então eu sugiro que corram enquanto podem, lutem com tudo que lhes resta, pois, a caça apenas começou, somos monstros presos em sua cabeça.
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