Meninos sérios são mais disputados.
3 Meninos disputados não gostam de covardia.
Notas iniciais
Capítulo 3
Meninos disputados não gostam de covardia.
A partir daí, todos sabem o que aconteceria.
Levi me bate, me dando chutes ainda deitado no chão. O meu rosto e o meu estômago começa a ficar inchado de tanto pontapés. Fico inconsciente e tento inutilmente me defender. Devido o barulho e o seu grupinho lhe esperando lá fora, as pessoas começam a bater na porta, perguntando o que está havendo. A garota ruiva se dar conta é que o seu pequeno amigo trancado no banheiro, batendo no pobre garoto como eu. Então depois de muito apelo, as portas se abrem. Levi sai do banheiro, atravessando aquela multidão com aquela sua pose de superioridade. E eu deitado no chão, todo inchado de surra.
Depois daquilo de duas ou uma, ou eu odiaria ele pelo resto da vida, Ou eu iria amar-lo ainda mais, por achar que ele fez isso porque eu mexi com algum sentimento dele... Afinal, são muitos que tem esse espírito masoquista sentimental. De qualquer maneira, em qualquer seria a minha escolha, ele estaria cagando e andando para mim.
Eu sei de todo isso.
Porque não nasci ontem e não sou uma garotinha. Eu sou homem e estou muito puto, e também aliviado por jogar algumas verdades na cara dele.
É já que sei como irá ser o enredo nessa história, como apanharei muito, porque eu sou o elo mais fraco, prefiro ainda manter minha dignidade. Prefiro sair no banheiro com olho roxo e um sorriso de confiança no rosto.
Viro o meu corpo ao lado dele, ainda com a visão embaçada e com a cabeça latejando de dor. Tento pegar o impulso para levantar no chão, porém tarde demais. Ele pisa em meu peito, com a sola grossa do seu coturno, me imprensando mais ainda.
Com dificuldade, e por pura teimosia, eu sorrio para ele. Como tivesse confrontando. — Que foi? Só falei o que a maioria pensa. Não quer chamar o resto do seu grupinho que se acham superiores e me bater, não?
Quando retorno a minha visão, vejo ele me olhando de cima sem aquele olhar de psicopata de antes. A má sorte minha é que ele está de frente da luz, não tapando toda a claridade, o que fazia algumas frechas das lampadas fluorescentes entrar e incomodar os meus olhos.
– Ninguém dali se acha superior, moleque! Eles não estavam tirando sarro de você. Eles riram porque ninguém em sã e consciência pediria por isso. Estude um pouco mais, para não pedir algo que nem sabe o que é.- Parou de pisar em meu peito e saiu perto de mim, então finalmente sai naquele chão frio e duro. Dobrei as minhas pernas, tirei as minhas costas doloridas e sento no chão. Jogo o meu cabelo bagunçado da minha testa para trás e vejo Levi encostado na pia do banheiro me observando com braços cruzados.
– Eu sai de lá, porque você quer entrar naquele grupo só por minha causa. Suas chances de conseguir algo comigo, não aumentará por conta disso. — Disse Levi.
– Não quero entrar ali, por sua causa. — Menti. Depois continuei com verdade: — Eu admiro o trabalho de vocês com o governo e quero fazer parte. Respeito a sua opinião, mas eu acho que deveria ter um pouco de consideração. É bastante organizado o sistema deles.
Levi levanta um pouquinho a cabeça, com olhar de seriedade. Não estava aborrecido, parecia ter concordado comigo. — Essa foi a pior merda que eu já ouvi na vida. — É… Eu acho que não.
– Bom... — Levanto no chão. Era minha oportunidade de conhecer mais daquele grupo. Eu realmente admirava muito o que eles faziam, porém tinha pouco de informação. — É verdade, que vocês...
– Eren, você sofre bullying? — Perguntou Levi me interrompendo.
– Han? — Estranhando a pergunta. -Não, eu acho...
Cruzou os braços e apoiou mais o quadril na pia. — Têm muitas garotinhas vêm até a mim declarando o seu amor. Sendo que nunca conversei ou as nunca vi. Fico pensando se elas realmente sabem o que eu sou. Entretanto, já notei que todas elas têm o perfil igual. Um perfil que lembra você, moleque. De insegurança, de timidez e de inferioridade.
– Porra! Para de me chamar de garotinha! — Foda-se o que ele pensava de mim. Quais eram os seus pré conceitos. Mas sou homem, era a segunda vez que me chamava assim, ficava muito puto.
– Vai por mim, garoto. Era o que você iria se transformar se fosse na cama comigo.
– Ha...a...- Fiquei sem respostas. Minhas bochechas involuntariamente começaram a queimar. Sabia que ficava vermelho fácil e desviei o meu rosto para ele não perceber.
– Nada contra garotinhas.- Levi olhou para lado aborrecido, devido a minha inútil tentativa de esconder a minha reação. — O problema é o perfil descrito antes. Parece que elas veem em mim uma espécie de salvação de autoestima delas ou uma espécie de pai. Não sou babá de ninguém. Quando dispenso, parece que viro o vilão da história imaginária delas, ou começo fazer parte de algum romance babaca.
Viro tudo na mente delas, menos em concordar que não sou obrigado em corresponder sentimento de ninguém. Tenho uma teoria que elas ficam assim por causa dos livros que elas leem, que criam essa estúpida ilusão.- Então ele para de falar e me depara com a cabeça um pouco para baixo e calado.
– O que foi, moleque?- Essa pergunta desfez dos meus pensamentos.
Queria discordar de todo que ele disse. Falou tanto mal dessas garotinhas, mas já tinha visto, ele ter ficado várias vezes com eles e também elas. Só uma coisa eu tinha concordado com aquilo todo: Que não era obrigado em corresponder sentimento de ninguém.
Infelizmente.
Apesar de toda aquela ladainha, sabia qual era o real motivo: Se achava superior demais para querer algo. Não é questão de personalidades opostas não puder se apaixonar. É porque tem certas pessoas que se colocam no pedestal e permite que alguns se aproximem. Ou não...Sei lá. Esse assunto de amor é complicado.
– Nada. — Respondi só isso. Levantei no chão e fui até a porta.
– Não sou narcisista. — Ele falou isso tão aleatoriamente, que me surpreendeu um pouco. É como tivesse lido os meus pensamentos e tivesse me respondendo. E o mais incrível, pela primeira tinha falado sem o tom de aborrecimento. Foi normal.
– Estou um pouco surpreso contigo, Eren. Achava que iria correr do banheiro, chorando por ter levado um fora. Mas me afrontou e parece, que não iria fugir se acaso se houvesse uma luta séria.- Deu um pequeno sorriso. — Gosto disso. Não respeito covardes.
Irei ser sincero. Fiquei sem graça. Meu orgulho pedia para não ligar para esse elogio. Mas fiquei feliz, foi involuntário.
– Apesar de achar ainda que é um lesado. — Completou Levi.
Tsc. Tava demorando.
Segurei a maçaneta da porta do banheiro para ir embora e lembrei de um coringa que tinha na manga. Não um coringa, um par de ases.
– Só por curiosidade...Como você conseguiu o número do meu celular para mandar aquelas mensagens? — Meus olhos brilhavam de ansiedade. Estava me vingando dele.
– Que mensagens?
Fiquei confuso com a pergunta. Não sabia se era ironia. — As que me mandou ontem...
Ele fica parado me observando um pouco confuso.
– Que você me pede para mostrar o meu físico...
Vejo uma sobrancelha dele levantar em câmera lenta, tão abismado quanto eu. Não é possível. Só pode está fingindo. Pego o meu celular no bolso da minha calça e começo a mexer na caixa de entrada querendo procurar as mensagens.
Nada.
– É... — Olho para o celular e depois olho para ele, esperando algo de mim. — Você mandou! Tenho certeza.
– Tsc. — Levi sai de perto da pia e vai até porta. Eu era um maluco. Não. Eu não era.
– As suas fantasias estão tão fortes assim? Acho melhor controlar mais os seus hormônios.- Destrancou a trava da porta e depois empurrou a saída com única mão.
– Ei!- Corri atrás dele. Assim que eu sai, o grupinho inteiro estava esperando por ele, e um pequeno amontado ao redor da porta do banheiro, esperando ver a nossa briga. Diria um total de quinze pessoas e mais a confusão dos corredores por causa do final da hora do intervalo, da movimentação do vai e vem de universitários em suas salas.
Ele volta para a sua turma e então caio na real. E eu fico quieto, olhando, ele sendo coberto por aqueles veteranos. Vejo ao redor, pessoas curiosas e querendo saber o que houve dentro do banheiro. Daí, dou conta de algo. Todos ali sabem que Levi é gay. E se eu não briguei com ele, o que estava fazendo o tempo todo naquele banheiro? As mulheres começam achar fofo a situação, mas os homens começam a questionar aquilo. Levi pode ser gay, porque ele é respeitado em todo quanto é lugar, tem culhão para isso, tem o seu grupinho. Mas é eu? Os meus amigos? Nenhum deles sabem que estou sendo atraído por um garoto. Então ao auge na minha adrenalina, eu fui até ele. Não correndo, mas com passos apressados.
Puxei o seu ombro e gritei ameaçando:
– Para de me seguir! Eu não sou gay! Se vier atrás de mim de novo, te encho de porrada.
Achei que depois nessa cena, aconteceria como tivesse em um filme: Todos ali pararia e formaria uma rondinha em volta da gente. Mas aqui não era ensino médio. Só alguns que pararam, mas depois voltaram para o seu caminho, omitindo aquele fato, mas que depois fofocaria. A rondinha de pessoas se dispensaram, para as suas salas, só alguns que acompanharam para saber o que aconteceria. Os homens perto dali, seguravam o riso com a palma da mão e fiquei sem reação da merda que tinha feito. O namorado dele estava ali. Ficou quieto, em silêncio, pronto para dar uma surra. Levi ficou calado com a sua inexpressividade no rosto, apenas virou as costas e seguiu o seu caminho sem o grupinho. O Grandão loiro quase me fuzila com os olhos, mas resolve seguir o seu namorado, em seguida o resto do grupo vai andando, cercando o baixinho.
Estou com raiva. Muita raiva. Aqueles olhares ao redor me aborrecem. Decido ir para a sala, mas estou atrasado, e o professor tranca a porta para evitar tipos de alunos com eu. Tiro a minha única nota de cinco e vou para máquina de refrigerantes.
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