Meninas Más Não Têm Bons Sonhos
10 Last Night - Just stop toying with me! - +18/lemon
Notas iniciais

Administrar um colégio como o Seika tinha seus problemas. Haviam as garotas a gerar chiliques fúteis, os rapazes desordeiros e imaturos, aqueles que cabulavam as aulas, os casais assanhados pelos corredores. Mas nenhum deles conseguia tirá-lo do sério como a pior das complicações. Por que por que, perguntava-se repetidamente, era obrigado a lidar com alguém como Usui Takumi?
Mesmo em meio a uma montanha de aborrecimentos, aquele imbecil fazia questão de provocá-lo. Para qualquer um, o loiro era um aluno exemplar: sempre conquistava as primeiras colocações entre as notas gerais, era bom dos esportes, não matava aulas e geralmente respeitava o ambiente escolar. Geralmente. Por que, de alguma maneira, quando próximo do presidente, transformava-se imediatamente num pervertido insolente e obstinado.
Mas que droga!
― Aqui não é um parque de diversões para você se divertir ― repreendeu quando o viu sentado sobre a mesa do Conselho. Era só o que lhe faltava: um maldito folgado a atrapalhar seu serviço!
― Mas brincar com você é divertido ― defendeu-se o outro, ainda que tenha o obedecido ao deixar o “assento improvisado”.
De pé, ultrapassava o moreno em muitos centímetros (que secretamente detestava o fato de ser o mais baixo). Carregava nos lábios o sorriso cretino e atrevido que fazia com que o presidente sempre se aborrecesse. Contudo, também evocava nele a lembrança... A textura, o sabor, o desejo... E no que estava pensando?! Não podia deixar se afetar por aquele idiota!
― Por que acha que estou disponível para seus passatempos doentes? ― refutou, ultrapassando-o num andar apressado. Onde estava com a cabeça? Ao alcançar a papelada sobre a bancada de madeira, exigiu, com um gesto displicente: ― Saia daqui!
― O que foi, presidente? ― indagou Takumi, ao aproximar-se. Manteve-se às costas do menor, sussurrando em seu ouvido: ― Está zangado com o que aconteceu no Coffe au Lait?
E o bastardo conseguiu com que todas as memórias viessem, de súbito. Surgiam em recortes ― dos mais simples aos mais constrangedores. O primeiro deles era a visão de si mesmo, em um dos espelhos do estabelecimento, vestido como mordomo. Não era o melhor dos empregos, mas o salário era razoável, e o chefe muito atencioso. Embora, para ele, a ideia de se “fantasiar” conforme os moldes ingleses não fizesse o mínimo sentido. (Desconhecia o fetiche por trás do gesto).
Em seguida, veio-lhe o fragmento do gerente e dos funcionários pedindo-lhe gentilmente que cuidasse do fechamento da loja, pois era este o seu turno. Lembrou-se do mais desagradável cliente, que descobrira o emprego secreto de maneira estúpida; e do modo irritante com que insistiu para “ajudá-lo a trancar todas as portas”. A partir daí, as recordações eram pouco lineares e desconexas.
O corpo pressionado contra o vidro. As paredes. Uma mesa, aleatoriamente escolhida. Aos poucos despido da veste atirada ao chão. Mescladas às suas roupas, também as de Usui. Mãos a percorrê-lo ― acariciá-lo. Arranhá-lo. Lábios a sugar tudo pelo caminho. Conforme o prazer crescia, suas negações a morrer antes de transpassar-lhe a boca. Apenas gemidos, ofegos, algumas ofensas diante das provocações. Puxões de cabelo. Até que, ensandecido, passou a correspondê-lo.
Queria, ao máximo, esquecer-se do lapso que o levou a tornar recíprocas as investidas pervertidas do loiro imbecil. Afinal, deixara-se levar pelo momento e não era necessário reviver este tipo de lembrança, muito menos no colégio. Tentava, a todo custo, justificar-se, para impedir o próprio rosto de corar, mas tornou-se impossível: mesmo furioso, também estava embaraçado. Como aquele idiota era capaz de gerar nele aquelas reações ridículas? Não deixaria que agisse como bem entendesse!
― Cale a boca, seu estúpido! ― ordenou, severo, enquanto cobria com uma das mãos a boca que expusera o maior segredo no ambiente escolar. ― Se alguém ouve e descobre-
Impetuosamente, Takumi apanhou-o aprisionando os pulsos entre os dedos. Também aproveitou-se do posicionamento favorável: quando o outro rapaz virou-se para calá-lo, acabou preso entre a mesa e o corpo do mais alto. Tornou o desconforto dele maior quando roçou os dentes sobre a orelha do moreno trêmulo, segredando-lhe divertido:
― Descobrir que na verdade você é um mordomo muito solícito em atender as vontades de seu mestre?
Era um exagero manter a voz tão baixa quando eram provavelmente os únicos naquele andar no momento, já que o horário de aulas e extra-curricular há muito terminara. Através das vidraças da sala do Conselho, no terceiro e último pavimento, os raios alaranjados que anunciavam o fim do dia aqueciam o piso em manchas poligonais. Tornavam a atmosfera convidativa, como se prometessem guardar qualquer segredo obsceno da luz tênue que antecipava a escuridão.
― Eu não estou na porcaria da cafeteria agora, e você não é meu mestre ― reclamou o menor, entre dentes, enquanto esforçava-se para ser solto. Droga...!
― Não foi isso que você disse quando estávamos-
Arregalou os olhos enquanto Usui o dizia. Que jogo sujo! Estava recorrendo ao que ele mesmo dissera em meio a um orgasmo ― e isto não era justo, mal estava consciente no momento. Como esperar, contudo, ações corretas de um safado incurável e insaciável? Não deveria era ceder espaço para que ele se infiltrasse em sua mente. Principalmente quando antes mesmo arrepiara-se somente ao ouvi-lo sussurrar, rouco.
― Não! ― interrompeu-o, ao enfim livrar-se do que o prendia. Ao afastar-se, conseguiu manter a mínima calma enquanto recomendava: ― Esqueça de tudo o que aconteceu, tudo bem? ― Suspirou pesadamente. ― Ter feito... aquilo com você não quer dizer que vou repetir.
― Mikai¹, destruidor de corações ― lamentou-se o loiro, num triste timbre fingido. ― E meus sentimentos?
― Vá enganar outro! E não fique me chamando pelo nome porque não somos íntimos.
― Oh, não? Eu discordo. ― Aquele sorriso abusado e irritante! Tratou de deixar claro:
― Não quero saber do que acha.
Ah, logo arrependeu-se do que dissera, quando Takumi arqueou as sobrancelhas e sorriu perigosamente, como se falasse: “Se é isto o que diz, também não quero saber do que você acha.” Subitamente (de tal maneira a espantar o moreno), sentiu-se pressionado contra a mesa mais uma vez, enquanto a boca foi invadida e os quadris foram profanados por mãos sedentas.
Com o contato, foi compelido a sentar-se sobre a mobília, erguido pelo aperto férreo dos dedos de Usui. Agarrava da carne coberta pelo tecido xadrez como se dela necessitasse para sobreviver, e provavelmente já havia marcado a pele das coxas de Mikai. Violava-lhe os lábios, percorrendo a cavidade bucal com a língua insinuante e sôfrega.
Perplexo com a investida súbita, após manter-se passivo à voracidade do outro, o moreno passou a relutar, remexendo-se em contrariedade. Estavam na maldita escola! Com a raiva, puxou os fios dourados com ambas as mãos, enquanto mordia o lábio atrevido que antes o devorava furiosamente. Ainda que não tenha arrancado sangue do idiota como pretendia, inchou-lhe a boca numa denúncia do que havia feito.
Longe de irritar-se como o parceiro menor, Takumi excitou-se ainda mais com a resistência: o desafio tornava a conquista mais deliciosa. Tratou de acariciá-lo na parte interna da coxa, rumo à virilha, enquanto a outra mão dirigiu-se aos cabelos enegrecidos para imitar-lhe o puxão violento. Deixou exposto, então, a garganta do presidente, e antes de atacá-la provocou sobre seu ouvido:
― Então você queria algo mais selvagem? ― Mordeu então sua mandíbula, em resposta ao ferimento nos lábios. ― Por que não avisou antes?
Quando os dedos longos e audaciosos que antes roçavam por suas pernas atingiram-lhe a ereção, envolvendo-a num aperto delirante, Mikai liberou o primeiro de muitos gemidos. Este, contudo, foi frustrado. Deveria impedi-lo, e não deixar que o irresponsável deslizasse a língua pelo pomo-de-adão. Passou a arranhá-lo onde as unhas veementes encontravam carne à disposição, e isto resumia-se no pescoço do rapaz.
Encolerizado, deixou na nuca ferimentos grosseiros enquanto o loiro abocanhava-lhe a pele e maculava-a com umidade e calidez. Até mesmo tentara chutá-lo, mas os membros inferiores tornaram-se inutilizáveis quando passou a ser estimulado com fricções e apertos alternados. E o bastardo não parecia incomodado com o ataque: na verdade, por vezes grunhia e tornava mais intensos os chupões, as carícias, os puxões. Já deveria ter-lhe arroxeado a garganta e as coxas, de tanto sugá-las e apertá-las.
O que mais teria de fazer para afastá-lo, perguntava-se, ainda que as questões se embaralhassem na mente cada vez mais entorpecida. Ao sentir a unha a romper a epiderme, demorou uns segundos mais para perceber que sangrara-o próximo dos ombros largos; estava momentaneamente entretido no gesto do outro de abrir-lhe o zíper e tocá-lo sobre a boxer. Todavia, ao notá-lo, afastou ambas as mãos de Usui para fitá-las e enxergar em uma delas vestígios de um líquido avermelhado e espesso.
― E-Eu não- ― Droga, o que diria a ele? Mal sabia articular uma justificativa diante daqueles olhos verdes. ― A culpa foi sua!
Apesar de inicialmente surpreso, Takumi não deu a mínima importância ao ferimento. Porém poderia aproveitar-se da ocasião oportuna para os próprios propósitos. Enquanto afrouxava a gravata avermelhada para dela livrar-se, esboçou o sorriso perigoso que o mordomo tão bem conhecia. Ah, só lhe faltava essa, lamentou quando o maior espalmou ambas as mãos nas laterais de seu quadril, mantendo-o ali.
― Como você é injusto, Mikai ― simulou decepção, enquanto apanhava-o pelos pulsos. O quê?!
― O que pensa que está fazendo?!
― Não quero pagar na mesma moeda. ― Usou da gravata para atá-lo em um nó cego, aproveitando-se do lapso de culpa para conter sua rebeldia. Com a proximidade, pôde sussurrar sobre a sua clavícula, mordendo-a sem restrições. ― Mas alguém precisa ser punido, não é?
Hipocrisia era aquele babaca acusá-lo de injustiça. Estava invariavelmente amarrado, aquela mordida doera quase a ponto de arrancá-lo uma lamúria e tanto a gravata (retirada de maneira displicente) quando a blusa do uniforme desfaziam-se sob o toque rude do loiro ao despi-lo. Não podia desabotoá-lo decentemente, como alguém normal, em vez de puxar o tecido até de destruir os botões e as costuras? Apesar da postura humilhante, da roupa parcialmente aberta, manteve o mesmo timbre vigoroso com que lidava com um deliquente qualquer:
― Se não me soltar neste instante e-
Ah, era óbvio. Tudo fazia parte da humilhação: interromper a si mesmo com um maldito som erótico a escapar dos lábios porque Usui esfregou a língua pelo mamilo enquanto apertou a extensão de todo o membro por sobre o pano umedecido com os próprios fluidos. Com saliva, traçou o caminho por entre o tórax do menor, também roçando os dentes na pele sensível ― deixou-lhe marcas rosadas que permaneceriam tanto quanto o arranhão profundo em sua nuca. Já os dedos ágeis trataram de livrá-lo das calças e boxers, pois o loiro bem sabia que a provocação surtiria um efeito maior quando em contato direto do órgão já rijo do outro.
Ainda que também se esforçasse para soltar-se das amarras, Mikai não poderia negar que a causa de seus espasmos era o estímulo simultâneo ao falo e à superfície restante. Não satisfeito apenas com o peito, o maior voltava à garganta, roçava os dentes nos ombros, seguia com sucções, alcançava os mamilos novamente para contorná-los com a língua. Enquanto isso, masturbava-o alternando movimentos velozes, subindo e descendo continuamente, com outros, deliberadamente lentos e torturantes.
Arquejos e gemidos mal contidos recortavam o silêncio numa sinfonia indecente que muito agradava aos ouvidos de Takumi. Ofegante e ansioso, o rapaz mais novo apenas almejava pelo fim do castigo ― que certamente viria com um orgasmo poderoso. Nem ao menos questionava mais o fato de que era ele o castigado quando o insolente e indisciplinado era aquele pervertido que o enlouquecia como ninguém. Queria o contato, o prazer, e nem a maior das responsabilidades o faria voltar atrás naquele momento. Mas, como sempre...
― Não estou te ouvindo reclamar, Mikai. ― Ele tinha de parar justo quando estava tão próximo...? Com o grunhido suplicante do menor, encontrou uma satisfação até um pouco cruel. Murmurou, divertido: ― Já é demais para resistir? Da última vez foi mais divertido.
O que ele queria? Um tapa na cara? Entretanto, por mais excitado que estivesse, o moreno era teimoso e até mesmo (dentro dos limites) presunçoso quando se tratava da própria dignidade. Estava prestes a exigir que o bastardo se calasse, mas não permitiria a ele o sabor de sua raiva. Preferiu outra alternativa, usando das mesmas palavras com que ele se dirigira a si mesmo:
― Você só vai ficar falando? Da última vez agiu.
― Não gosta de ouvir minha voz, presidente? ― Usui arqueou as sobrancelhas, antes de sorrir com toda a lascívia que podia demonstrar. ― Eu adoro ouvir a sua.
E como comprovação de sua sentença, acariciou a glande do aprisionado, arrancando-lhe o ruído obsceno que tanto quisera ouvir. Com o indicador e o polegar, espalhou a lubrificação por toda a ponta do pênis, proporcionando à Mikai tanto o deleite quanto a agonia. Este remexia-se inquieto e arquejante, enquanto pulsava loucamente à procura de alívio. Por quê, por que ele não lhe dava o que tanto queria.
― Imbecil, pare de me provocar. ― Dificultosa, a respiração entrecortou os vocábulos.
― Não é assim que se pede ao seu mestre.
Que ele fosse para o inferno!
― Você não é a merda do meu mestre ― proferiu, extremamente furioso. Lembrou-lhe também do fundamental: ― Eu, ao contrário, sou seu presidente. ― Ora, por que deveria te pedir qualquer coisa? Era ele quem deveria mandar!
Como se para mostrá-lo do estado vunerável no qual se encontrava, Usui retirou da ereção os dedos lambuzados para enfiá-los na boca do menor, que teve de aceitá-los sem escolha. Exibia nos olhos a convição cretina de que era ele o detentor do controle, assim como a inutilidade do poder escolar quando o embate era sexual.
― Você não sabe? ― Usou da mão livre para voltar a estocá-lo. ― Te desobedecer me excita.
Tanto a voz rouca quanto ao olhar quente, somados aos fatos de que sentia o próprio gosto a expandir-se na língua enquanto era estimulado daquele modo delicioso faziam do moreno uma presa rendida e delirante. Quando os dedos molhados de saliva voltaram à glande para castigá-lo mais e mais, preocupações como o fato de que gemia sem restrições em uma sala aberta a qualquer um sumiram por completo.
Contudo, até mesmo Takumi não poderia deixá-lo levar-se tanto assim: se apanhados, certamente o menor seria deposto do cargo, e nada de mal queria que ocorresse com seu presidente. Tomou-lhe os lábios com avidez e ímpeto, abafando quaisquer decibéis extras que o outro não conseguira conter. E o volume entre as próprias calças só crescia, desconfortável, principalmente quando o rapaz correspondeu-lhe com tamanha fome a ponto de desejá-lo naquele mesmo minuto.
Seria um crime deixar de beijá-lo enquanto consumia-lhe a boca por inteiro, num embate desesperado de línguas, sucções e mordidas. Entre os dedos, sentia latejar o membro de Mikai, perigosamente próximo do clímax. Foi ele a romper o beijo, num ofego esperançoso, quando percebeu-se tão perto. Com as íris esmeraldas obscurecidas pelo desejo, desceu novamente a língua até a cintura do rapaz, avançando por entre a barriga até estar onde ambos queriam: ajoelhado entre as pernas do menor, prestes a envolvê-lo com algo muito mais prazeroso do que as próprias mãos.
― Então, presidente? ― Voltou ao ritmo lento, fazendo com que o parceiro resmungasse, impaciente:
― O que quer que eu diga, idiota?
― Tão orgulhoso ― zombou, ainda que a resistência do moreno fosse louvável. ― Você sabe o que quero que diga.
― Vai continuar a querer.
Ah, como era deliciosa aquela teimosia, ainda que o rapaz mal contivesse o arfar sôfrego. Veria até onde ele aguentaria, e para isso teria de ser injusto. Sem nunca deixar a ereção, apesar de ignorá-la com os lábios, avançou os dentes até as coxas macias e firmes. Abocanhou-as com vontade, fazendo com que o presidente se retorcesse sobre a mesa até desabar, sobre as costas e as mãos amarradas.
Com a reação exagerada, passou a alternar lambidas insinuantes e mordidas vorazes por sobre a região tão próxima da virilha, extraindo de Mikai a pouca sanidade restante. Era somente expectativa, a implorar por alívio. O loiro deixou de mover a mão sobre o pênis para pressionar o topo com o dedo médio. Num tom cuja excitação e ansiedade eram explícitos, o mais baixo vociferou:
― Droga! Eu estou pedindo. Ande logo com essa-
Não eram necessárias mais palavras. Também estava ávido para sugá-lo e arrancar-lhe o tão almejado orgasmo. Tão logo o envolveu com a boca, sentiu-o arquear as costas, num gesto brusco e involuntário que evidenciava toda a tensão acumulada. Percorreu o comprimento com os lábios, para deixá-lo e lamber desde a base até a glande.
Após cerrar as pálpebras para aproveitar da sensação, acabou por fitá-lo ao abri-las ligeiramente, e ao descobri-lo encarando a si mesmo enquanto deslizava a língua por todo o sexo. Como podia ser tão sedutor? Um formigamento tomou-lhe de súbito, assim como um rubor involuntário, com o desejo que cresceu apenas com a troca de olhares.
Não apenas queria alcançar o êxtase ― necessitava desesperadamente, como um náufrago em meio a um turbilhão de sensações. Atingiu o limite da dureza quando Usui tornou a chupá-lo, combinando agora o movimento dos lábios, mais rápidos, com o intenso e frenético atrito da língua. Não durou muito mais: o calor e o prazer expandiram-se dali, para alojar-se em cada pequenino pedaço do ser de Ayuzawa Mikai, enquanto este jorrava o sêmen na boca do parceiro e gritava incoerente em meio à plenitude.
Restava inspirar e expirar como louco, imobilizado e tragado pela sensação furiosa. Além disso, haviam as amarras, e quando Takumi levantou-se rumo à porta, quase pensou que seria largado daquela maneira na sala como a punição final. No entanto, em vez de partir, ele apenas trancou-a, atirando para um canto qualquer a chave que utilizara.
A superfície fechada somente fez com que o presidente pensasse sobre quanto o vão antes aberto deixou passar de todos os sons que inundaram aquela sala. Que o anseio de que ninguém tenha ouvido algo tão constrangedor fosse realizado. Assim como não descobrissem que os papéis antes organizados sobre a bancada tenham tido como destino o piso cru. Tentando disfarçar o embaraço causado pela sua... indiscrição anterior, pigarreou e mudou de assunto:
― Está com medo que eu fuja de você? ― Acenou para a porta trancada, embora soubesse que o pervertido fizera aquilo apenas para que não fossem ouvidos.
― Não, porque depois que eu começar você vai implorar por mais ― desafiou Usui, divertido. Rosnou em resposta:
― Apenas tente.
Irritou-se com o riso leve e atrevido do maior, que voltara a incitá-lo ao esfregar os lábios contra o pescoço, bem próximo da orelha, enquanto dedilhava-lhe o torso ansioso por mais. Mikai surpreendeu-se ao descobrir que mesmo depois de gozar, ainda continuava a desejá-lo, com a denúncia de um ronronar satisfeito que deixou os lábios enquanto o outro saboreava de seu corpo.
Estava de novo metido entre as pernas do moreno, e a posição era vantajosa para o que pretendia: livrá-lo da gravata que já lhe cansara. Afinal, queria saber o que ele faria com as mãos, agora libertas. Desatou o nó com pouca dificuldade, mordiscando-lhe o lóbulo enquanto o menor acostumava-se à liberdade recuperada dos pulsos.
― Não consegui uma vez? ― citou a recaída que ocorrera poucos minutos atrás. Jogando sujo, como sempre.
― Apenas continue, estúpido ― inflamou-se o mais novo. ― Você não quer me ver zangado.
― Ora, já não está zangado?
Aquilo fora a gota d’água. Aproveitou-se da situação para emaranhar os dedos entre os fios loiros e puxar o rapaz contra si, invadindo-o num beijo repentino. O quê? Ficaria ali, aguentando a provocação como uma maldita menininha? É claro que não. Tomou a iniciativa ao também devorá-lo com a boca, apreciando seu gosto; enlaçou-o com as pernas, fazendo com que as ereções de ambos roçassem uma à outra e levando a pulsação do membro de Takumi gerasse nele o próprio latejar.
Gemeram os dois com o contato; os corpos embaraçados; as mãos a agarrar e arranhar tudo pelo caminho. Assim como Usui arrancou-o da roupa, abriu também sua camisa apressadamente (assim como dela livrou-se como um empecilho), descendo com a língua cálida por todo o peito e abdômen esculpidos indecentemente, rumo às calças de um matiz berrante do amarelo. Não era adepto das enrolações do outro (ainda que com elas sucumbisse), e seguiu direto ao objetivo, confiante de que o faria bem melhor que ele!
Contudo, não compartilhava da sem-vergonhice do loiro o suficiente para encará-lo enquanto o estimulava oralmente, e pouco antes de abocanhá-lo fechou os olhos para privar a vergonha de afetá-lo num momento como aquele ― desajeitadamente ajoelhado, enquanto o parceiro permanecia de pé.
Chupou inicialmente a glande, acariciando-a com a língua no interior de sua boca e sentindo a lubrificação a se esparramar com a fricção. Logo passou a lamber todo o comprimento, agarrando-lhe os testículos quando aproximou-se da base; o gemido rouco do rapaz pareceu satisfazer o ego. Prosseguiu ao sugar não só do topo, mas toda a extensão que a boca pôde conter. Sorvia com rapidez, apertando-lhe entre os lábios enquanto uma das mãos ocupava-se de estocá-lo onde estes não o alcançavam.
Excitava-se enquanto o fazia, e reprimia os dedos de moverem-se para saciar a própria ereção. Como podia se manter tão afoito se havia acabado de...! Foi particularmente difícil manter-se no controle quando sentiu o membro a latejar entre as mucosas, e um gemido escapou enquanto o chupava. Guiado pelos grunhidos de Takumi, ditou o ritmo que fez com que ele encontrasse a própria liberação, e desta vez foi ele a derramar-se.
Após engolir a substância viscosa de sabor pouco apreciável, quando julgara que tudo já havia terminado por ali, apesar da ainda constante pulsação do próprio pênis, foi impulsivamente levantado numa puxada grosseira, e posto contra a mesa, de costas para Usui mais uma vez. Onde aquele cara encontrava tanta disposição?
― Fez muito bem, Mikai ― sussurrou em seu ouvido, e apenas o som o fez delirar. Estava sensível ao mínimo toque. ― Acho que quer ser recompensado, não?
Respondeu-o com um resmungo qualquer, concentrado no corpo aquecido rente ao seu e na firmeza do apoio das mãos. Quando ele penetrou-lhe a boca com os dedos novamente, sabia onde iriam chegar, e arrepiou-se em expectativa. Lambeu-os com vontade, umedecendo-os até encharcá-los de saliva, e deixou que o loiro fizesse o resto ao encaminhar-se para a fenda entre as nádegas.
Estremeceu brevemente com o choque que a umidade lhe causou, ainda que nenhum dos dedos tenha sido inserido. Contornavam-lhe a entrada, como se o preparassem para o que estava por vir, e isto apenas o exasperava. Quando na extremidade da sofreguidão, o rapaz enfiou-lhe o primeiro e logo o segundo dedo, enquanto lambia-lhe o dorso e masturbava-o simultaneamente para distraí-lo de qualquer desconforto.
Não teve de fazê-lo por muito mais tempo, porque a dor logo foi substituída pela ânsia desvairada. Simulava com as mãos o que pretendia depois repetir com o próprio falo, impulsionando os dedos contra o orifício. Num movimento contínuo a adentrar e sair, não demorou a encontrarem a próstata e chocarem-se contra ela muitas e intensas vezes. Continuou a estimulá-lo com força e velocidade, embora os gemidos de Mikai denunciassem que queria bem mais do que apenas o indicador e o médio.
― O quê? ― Retirou aquilo que proporcionava ao moreno um desorientamento lascivo, e ouvir com um prazer quase perverso seu gemido arrastado. ― Você quer mais?
― Usui, seu desgraçado, bastardo maldit-
Apertando os punhos, reclinado sobre a mesa, o menor iria xingá-lo de todas as maneiras possíveis se não fosse repentinamente preenchido. Numa única e enlouquecedora investida, que por pouco não lhe fez dar um grito de denúncia. Ah, aquele estúpido era esperto. Usou da distração proporcionada pela provocação para encobrir-se com a camisinha, e a lubrificação do preservativo facilitou o processo de entrada imprevisto e eficaz.
Não haviam quaisquer fios que conectassem o presidente à realidade ou qualquer porção desta; estava, sim, perdido, envolto num arrebatamento insano que consumia-lhe as forças, o fôlego e o que mais pudesse dele extrair. Porque nada importava além das arremetidas velozes e vigorosas; da intensidade com que o loiro forçava o próprio membro, cada vez mais profundo; nos dedos famintos a agarrar-lhe pelo quadril e fincá-lo em talhes longos; na urgência e rudeza com que abusava do parceiro ao investir contra ele, desenfreado.
Ao golpeá-lo repetidamente com a pelve, atingia também por vezes aquele ponto tão sensível que fazia dos gemidos de Mikai mais altos e eróticos. Sentia crescer as exigências do próprio pênis, negligenciado, ainda que as mãos se ocupassem de firmá-lo contra a mobília disponível, até mesmo doloridas diante da força com que o mais alto lhe violava ― protestando contra os próprios limites, arfava de cansaço e deleite.
E logo viu-se a ser girado como um boneco, para que estivesse frente àquele que o devorava sem escrúpulos. Erguendo uma de suas pernas, Takumi invadiu-lhe tão lentamente quanto permitia uma tortura, enfiando-se até o final para retirar-se quase por inteiro a ponto de gerar no menor lamúrias e arquejos. Como era sensual o rosto corado, o olhar ávido, os lábios inchados e trêmulos. Num gesto involuntário, apanhou-os num beijo libidinoso, devasso, imoral. Roçava sua língua à dele, com aspereza e voracidade, enquanto continuava a atormentá-lo com estocadas tão vagarosas e ao mesmo tempo tão selvagens. Insuportável, a sensação levou o presidente e deixá-lo e gemer angustiado.
― Seria um desperdício não poder olhar para você enquanto goza ― murmurou ao pé do ouvido, o timbre grave e arrastado.
Mesmo de olhos fechados, o rapaz corara absurdamente com a sentença. Maldito provocador irritante! Nem pôde impedir a si mesmo de reagir, estremecendo com a excitação e sentindo os músculos a tencionar com o deleite. Não sabia como rebatê-lo ― só estava ciente de que tornara-se demais para suportar. E não esperaria ou imploraria para que ele fosse mais forte ou mais rápido. Faria ele mesmo.
Surpreendendo ao mais alto, apartou-o de si e empurrou-o para o chão. Porcaria, era um exímio praticante do aikidô, nem ao menos foi difícil. Quando o perplexo Usui fitou-o em confusão(a melhor parte!), envolveu-o de joelhos sobre aquele sentado no pavimento frio. Acomodou-se em suas coxas, ajeitando o volume enrijecido contra a entrada ao separar os glúteos com uma das mãos, enquanto a outra ocupou-se de agarrá-lo e beijá-lo.
Não um beijo qualquer: o encontro feroz de línguas se dava enquanto acostumava-se à invasão do interior no qual Takumi se afundara e deixava claro que a partir daquele momento, era ele a tomar as rédeas. Ao senti-lo por completo, ofegou languidamente, satisfeito por perceber que o loiro também respirava com dificuldade. Enlaçou a cintura com as pernas, agarrando-lhe os ombros num abraço indecente, e iniciou seus movimentos.
O cadenciar devastador e prazeroso dominou-o como antes, ainda que desta vez o sentisse com mais nitidez e veemência. Movia-se, quase inconsciente, entorpecido pela torrente ávida que o consumia. Já o outro arranhava-lhe as costas, pressionando a carne como se desejasse unir-se à ela indefinidamente; lambeu a pele úmida de suor, raspando os dentes por entre os mamilos.
Num arrepio violento, Mikai ouviu a si mesmo grunhir quando o parceiro meteu as mãos grosseiras entre os corpos, agarrando-lhe, grosseiro, o órgão entre os dedos para incitá-lo em uma loucura prazerosa. Em meio ao odor inebriante de sexo, um deles desfazia-se em murmúrios desconexos, enquanto o outro dizia-lhe incentivos obscenos enquanto os corpos chocavam-se e o pênis era friccionado sem dó.
― Ah, Usui...!
Foi impiedoso o fluxo canalizado até atingir o ápice, desmanchando-se tanto sobre o tronco de ambos quanto pela garganta, quase rouca de tanto gemer. Enquanto apanhava em golfadas o ar faltante, sentiu-o tomar o controle dos movimentos, pois ainda não se recuperara do cansaço. Num aperto firme, o loiro apanhou-lhe o quadril para impulsioná-lo contra a ereção pulsante algumas vezes mais antes de ejacular, contraindo-se por inteiro.
Mantiveram-se unidos, agarrados um ao outro num beijo cálido; as línguas chocavam-se travessas; os cabelos a pingar de suor eram afagados com displicência e distração. Mesmo quando apartaram os lábios, mantiveram-se tão juntos quanto possível: as testas coladas, os olhos fechados. A romper a calmaria, Usui divagou:
― Humm... apenas teria sido melhor te ouvir gemer meu nome.
― Continue sonhando, pervertido ― rechaçou o moreno, desviando o olhar do dele. Um leve enrubescimento denunciava seu embaraço.
― Ah, não se preocupe, Mika-chan ― garantiu, divertido. ― Um dia será tão pervertido quanto eu. ― Acrescentou, malicioso: ― Está aprendendo direitinho.
Num bufar incrédulo, expeliu entre dentes:
― Quem iria querer você como professor?
****
Mesmo após acordar, permaneceu estática por longos, longos minutos. Mas que merda...? Não, a mente esvaziou-se novamente, como se para afastá-la do que a afligia. Todavia, não existiam fugas: havia tido o pesadelo mais bizarro e impossivelmente longo e detalhado de sua vida. Não era como das últimas vezes, em que estava envergonhada. Estava furiosa. E a fúria amorteceu-lhe as reações.
Demorou uma boa meia-hora para levantar-se ― afinal, era um feriado e não tinha quaisquer obrigações para o dia. No entanto, duvidava que agiria mais rapidamente se pressionada com responsabilidades. Ainda em choque, vestiu-se automaticamente, cumprimentou a mãe e a irmã sem realmente notar que o fizera. E saiu, rumo a onde as pernas a levariam.
Embora soubesse o destino, não conseguia encontrar os motivos que a levavam até lá. Adentrou no edifício de luxo; alguns poucos passos e ocupava o elevador. Apesar da confusão, também havia a determinação. Não sabia bem o que fazer, mas sabia que algo deveria ser feito. Tão maquinal quanto o restante dos gestos, tocou a companhia e aguardou.
― Misa-chan? ― indagou o loiro, confuso, ao encontrá-la ali.
Ainda que a mente ainda suplicasse por respostas, os instintos deram conta do recado: num instante, fechou os punhos e atingiu-o com um soco que jogou o rapaz contra a porta recém-aberta. Nem demorou-se o suficiente para assistir a reação: satisfizera-se com o golpe que liberara todas as suas frustrações. Não havia deslocado nada, nem arrancado sangue, mas doera: disto tinha certeza. Sim, sentia-se bem melhor, pensou ao deixá-lo para trás. Tão bem quanto possível.
Fale com o autor