Menina Veneno

9 A Little Girl Grew Up Too Fast - capítulo 9


Notas iniciais
Entãaao, eu não pretendia atualizar, but

"There's a part of me I can't get back
A little girl grew up too fast..."

– Warrior, Demi Lovato

Olivia segurava a arma tremendo. Não sabia o que Elliot pretendia aprontar, mas não queria estar envolvida.

Viu quando ele terminou de amarrar o...

Seu agressor.

Era difícil pensar assim, afinal, era uma policial treinada, deveria saber se proteger...

Elliot aproximou-se dela, retirando a arma de suas mãos trêmulas, abraçando-a depois. Olivia afundou o rosto em seu pescoço, e permitiu soluçar baixinho.

O homem ainda a fitava podia-se dizer, com desejo.

Ela fechou os olhos com força, querendo apagá-lo de sua mente. Sentiu a respiração morna em seu pescoço, e olhou para Elliot.

Ele sorriu, e a soltou rapidamente, pegando o celular em sequência.

– Capitão... – os olhos dela arregalaram-se – Preciso de auxílio médico, e de uma viatura... Isso.

Olivia gaguejou, apoiando-se na parede.

°°

Já se encontrava sentada na ambulância com um copo de café quente nas mãos. Curativos estavam presentes em seu rosto, braços e barriga.

Ela gemeu, quando o líquido escaldante invadiu suas papilas gustativas. Não havia ido a um encontro, mas sim, a uma carnificina contra ela mesma. E, esse era o pior: ela nem percebeu!

Com toda a preparação, todo o cuidado, não percebeu que ele era um psicopata. Não percebeu que ele queria machucá-la.

Agora, a grande pergunta era: o que ela fez?

Olhou pro outro lado, e viu-o aproximando-se de si. Ela deixou o copo de lado.

– Hei... – começou.

– Eu sei que fui fraca, não precisa me julgar. – disse ela, encabulada. Elliot riu.

– Não ia te julgar. – disse.

– Ia sim. Eu te conheço, Elliot. – respondeu, no mesmo tom.

– Ok.

– Eu sou uma policial treinada, como não pude perceber isso? Como não pude perceber no que estava me envolvendo? Como não... – disse, com a voz falhando. – Como pude ser tão fraca?

Elliot pigarreou, antes de respondê-la.

– Você não é fraca. Eu também já passei por isso, mas numa situação doméstica. Sou um detetive sênior, como não percebi que a minha mulher estava tendo um caso, Olivia? – admitiu.

Ela se contorceu, aproximando-se do canto do automóvel.

Algo sobre ele tê-la chamado de Olivia, não de Liv, como de costume. Algo sobre a voz dele, com um tom de... Nojo.

Ele estava com nojo dela.

– Elliot... – começou ela.

– Não precisa. – disse, saindo de perto.

Olivia suspirou, vendo como ele falava normalmente com os outros. Como falava nor-mal-men-te. O problema era com ela.

O problema era...

Ah, meu Deus!

O problema era ela tê-lo deixado sozinho, e depois...

Ah, meu Deus!

E depois ter ido encontrar com o outro.

Ah, meu Deus!

°°

De volta à delegacia, Olivia recebeu todos os olhares debochados para cima de si. Sentou em sua mesa, para terminar tais relatórios, mas a enxaqueca e a raiva que acumulava dentro de si eram muitas.

Não conseguiria ficar ali, com todos aqueles olhos em cima de si. Não mesmo.

Levantou-se num giro, pegando seus pertences debaixo da mesa, e seu casaco. Passou na sala do capitão, trocando algumas palavras com ele, para, então, sair.

Elliot observou tudo, ainda calmo.

Mas, menos de dois minutos depois, começou a escutar:

Ela não tem respeito nem por si própria...

Ela é uma vadia.

Olivia Benson? Há, não é de respeito, péssima policial.

O sangue subiu-lhe a cabeça, e ele correu para fora, esquecendo-se completamente de avisar a Cragen.

°°

Desceu as escadas correndo, numa necessidade monstruosa de encontrá-la ainda no estacionamento. Talvez ela já tivesse ido embora, talvez quisesse um tempo, de tudo e de todos.

Os pulmões queimavam quando chegou ao local.

Olhou em volta, mas não a encontrou. Rolou os olhos pelo local novamente, na esperança de encontrá-la ali.

Não a encontrou, mas encontrou o carro. Certamente, ela ainda estava na delegacia. Pegou seu celular e ligou para ela, na esperança de ouvi-lo tocar.

Bingo!

O celular tocou de detrás de alguns carros, e ele correu para vê-la.

– Olivia? – chamou.

– Ah, Elliot, me poupe... – disse, levantando-se e indo na direção de outro carro.

Essa mulher ainda me deixa louco, pensou. Andou atrás dela, vendo como ela o fitava pelo canto dos olhos.

Quase deu de frente com as costas dela quando ela parou de repente.

– Liv? – chamou.

Ela não respondeu, apenas virou-se para ele, com uma expressão atordoada.

– Kathy não te traiu. – disse. Ele suspirou. – Você só disse aquilo pra me fazer sentir melhor, não é?

Ele não respondeu, apenas pigarreou.

– Não é? – gritou. Lágrimas escorriam livremente pelo rosto dela.

Liv, eu...

– Não começa! Poupe-me dos seus joguinhos, e de suas mentiras! Estou farta! – gritou, batendo no peito dele.

Elliot arrastou-se para trás e apoiou-se num carro. Observou como ela andava de um lado para o outro, murmurando palavras desconexas.

– Acalme-se. – pediu.

– Não consigo. Deixe-me em paz. – disse ela. – O que disseram de mim lá dentro?

Ele hesitou, antes de respondê-la, mas o fez mesmo assim:

– “Ela não tem respeito nem por si própria...; Ela é uma vadia; Olivia Benson? Há, não é de respeito, péssima policial.” – respondeu hesitante. Ela gaguejou, e sentiu os olhos marejarem novamente.

– E você concorda com eles? – indagou, suspirando. Ele negou, e tentou abraçá-la. – Mas mentiu pra mim, dizendo que Kathy havia traído você. Evitou-me durante todo o tempo, depois de ter, ironicamente, me salvado. Não é?

Ele respirou fundo.

– Se é isso o que você quer ouvir, sim. – disse, levantando-se para ir embora. Ela o segurou pela manga da camisa.

Elliot virou-se para ela novamente, e a viu chorando.

Ah, como ele odiava vê-la daquela forma, chorando inconsolavelmente, sem nenhum amparo.

– Liv, por favor, não... – começou ele. Olivia choramingou.

Não posso, El. – ela disse. – Vai se tornar impossível para mim, eu só... – ela não completou.

Elliot a fitou desamparado, era óbvio que ela não podia sustentar o peso do mundo inteiro sobre suas costas. Afinal, ela era uma menininha. Uma menininha que cresceu rápido demais, que, teve as noções da vida sobre ela muito rápido.

Era a natureza dela, ele não podia negar uma coisa que sempre fora verdade. Ele não podia negar uma coisa que sempre a atormentou. Era uma coisa que só ela podia entender...

Notas finais
Achei que o trecho da música da Demi combinava tanto com o capítulo que *-* sorry e-e Reviews!