Memórias de uma vida
29 Primeiros passos para a felicidade
Havia passado semanas desde o aniversário de Pietra, e ela estava recuperando suas aulas perdidas, já que o ano foi atribulado. Bem, e eu estava fazendo participações, show e pequenas aparições em seriado, à vida artista estava se estabilizando. Mesmo com minha agenda lotada, Sophia e eu sempre dávamos um jeito de passar um tempo juntos e isso era muito bom, principalmente pela parte de falarmos de nós dois.
Na ultima vez que nos vimos, foi quando a convidei para conhecer o London Eye como eu havia prometido, ela ria tanto e estava tão cheia de vida, e naquele dia eu percebi o quanto eu a amava, as minhas mãos não soltavam as dela e meus olhos não procuravam outros além dos dela. Quando ela foi para casa no fim do encontro, eu pedi para que ela viesse a Londres no fim de semana, para um novo encontro, ela aceitou mesmo não sabendo qual era a minha intenção, e nos dias antes de vê-la eu estava incomodado, ansioso para o grande dia, talvez o melhor acontecimento recente em minha vida.
Então aqui estou eu, esperando ela chegar neste enorme aeroporto, pensando se deveria ter feito uma placa, mas talvez não precisasse já que ela me conhecia muito bem, até disfarçado. Fui desperto de meus devaneios ao perceber que Sophia vinha em minha direção com um sorriso enorme, largou suas malas e enlaçou seus braços em meu pescoço me beijando, e eu a abracei forte pela cintura.
— Que saudade. – disse ela.
— Nem me diga, uma semana longe é muita coisa. – eu soltei uma risada e ela me acompanhou.
— Você esta bem?
— Sim, e você? – perguntei pegando sua mala e a segurando pela cintura indo em direção a saída.
— Bem, e então o que teremos nesse fim de semana?
— Esta curiosa?
— Claro você me diz para reservar as melhores roupas, e depois fala que passarei a noite em Londres, reservou um motel? – ela soltou uma risadinha maliciosa.
— Não, pode tirar esse sorriso sua tarada. – ela me socou o ombro e entramos no carro que era minha nova aquisição.
No caminho da minha casa ela falava dos alunos, e de como a cidade estava falando de mim, e que ela estava pensando em sair de lá. E minha cabeça estava tão longe de todo esse papo que não havia percebido o quão serio ela estava falando sobre se mudar.
Na mesma noite, Pietra estava com os avós Flanagan e isso queria dizer que Sophia e eu poderíamos ter privacidade para conversas mais serias. Eu me arrumei estilo esporte chique e ela estava tão linda com aquele vestido simples, porém maravilhoso em suas curvas. Saímos às 20h de acordo com o figurino, e fomos em direção ao restaurante, pedi a mesa da reserva e jantamos a luz de velas, havia uma melodia de violino ao fundo de um jovem e promissor músico, pedimos vinho e nossos pratos chegaram rápido. Nossas conversas se limitavam ao restaurante, nem ela e nem eu falamos do mundo ou de como seria daqui para frente. Quando terminamos, andamos pela avenida em frente ao restaurante, estava uma noite de lua cheia, e havia muitas estrelas no céu, e então parei em frente a um teatro e ela me encarou, e parando na minha frente perguntou.
— Por que parou de andar?
— Vem aqui. – pedi para que se aproximasse de mim.
— O que vamos fazer?
— Relaxa, me de sua mão. – pedi e ela segurou firme a minha mão. – Fecha os olhos. – ela fechou e eu tapei sua visão com a gravata.
— O que isso?
— Já disse relaxa garota, vem segura minha mão.
Ela continuou segurando firme, entramos no teatro, e em uma das grandes salas que havia por ali, estava tudo escuro a não ser pelo palco e então eu soltei sua mão e me afastei. Eu a ouvi me chamar.
— Ed? Cadê você? Isso não tem graça. Eu vou embora viu.
— Vai nada. – falei ao longe e assim que ela ouviu minha voz ela tirou a gravata de seus olhos.
Eu estava em cima do palco sentado a um piano, havia somente nós dois ali. Eu sorri para ela e comecei a tocar as primeiras notas de “Kiss Me” no grande e majestoso instrumento, e logo comecei a cantar, ela me olhava com a mão nos lábios e eu não pude evitar o enorme sorriso que abria em meu rosto. Ela não se sentou e nem ao mesmo saiu do lugar em que a deixei.
No final da música, eu me levantei e fui até a beirada do palco, me ajoelhei e abri uma pequena caixa com um anel dentro.
— Sophia, acredito que não precisamos namorar três ou quatro anos para saber que nos damos bem, os últimos meses e os anos que nos conhecemos só confirmam por si só tudo isso e também estou chegando aos trinta anos, e tenho uma filha. A pressão é grande eu sei, mas quer me dar à honra e o orgulho de te chamar de minha esposa?
Eu estava nervoso, ela me olhava demais e não falava nada, e eu estava de joelhos em um palco iluminado, eu sou pálido então já sabe como eu me destacava lá em cima. E depois de longos minutos ela corre e sobe no palco, se ajoelhando em minha frente, e me abraçando forte disse em meu ouvido.
— Sim, eu aceito me casar com você. – ela levou seu rosto até ficar de frente com o meu e beijou o que senti foi o mais próximo do nosso primeiro beijo. Coloquei o anel em seu dedo e ela me beijava mais ainda, e entre o encontro de nossos lábios eu podia sentir e ver o sorriso em seu rosto.
Depois saímos dali e fomos para a minha casa, nossos corpos, o tempo, o amor. Tudo isso eu sentia ali, naquele pequeno momento, enquanto a tinha por inteiro, de alma e mente de amor a desejo.
E em minha cabeça eu agradecia mentalmente por ela ter aceitado, por que Sophia sempre foi especial para mim, e acho que por medo de estragar isso, nunca tentamos algo como agora.
Estava sentindo felicidade, e sentia que esse sentimento permaneceria por um bom tempo ao lado de Sophia.
Fale com o autor