Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! E aqui estou eu com um novo capítulo. Eu quero agradecer demais pelo comentário no capítulo passado que eu recebi da AndreaNeves. Você é maravilhosa demais. Espero de verdade que goste do capítulo. Boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO XI – MEMÓRIAS DE NOVEMBRO

CAPÍTULO VIII — TRABALHO

Assim como no dia anterior, acordo cedo com o choro desesperado de Liz por comida. No entanto, ao contrário do que aconteceu pela manhã de ontem, minha esposa de mentirinha não estava ao meu lado. Encaro o celular que estava ao lado da cama e vejo que já estava na hora de levantar. Jarvis passaria às seis e meia para me buscar e eu precisava preparar o café da manhã e o almoço de minha família.

Procuro por Peggy no banheiro do quarto, mas não a encontro. Sigo para o quarto de Liz e a garotinha já estava de pé, chorando alto, em um pedido claro de comida. Sorrio e a pego no colo quando ela me oferece os braços, manhosa e ainda sonolenta pelo horário.

— Onde será que está a sua mamãe, hein? – Questiono a menina, dando um beijo estralado em sua bochecha. Ela resmunga, mas ao menos para de chorar. – Será que ela já está na cozinha preparando a sua mamadeira?

Liz faz alguns sons incompreensíveis e leva a mão na boca, ainda resmungando de fome. Acaricio seus cabelos ondulados e saio do quarto. A casa estava silenciosa pelo horário, mas me surpreendo ao ver a porta do quarto de Kayla aberta. Aproximo-me com curiosidade e meu coração se aquece com a cena que vejo na entrada do quarto.

Peggy dormia abraçada a Kayla, acomodadas de uma forma bastante desconfortável na cama de solteiro. A menina tinha o rosto pressionado contra o peito de Peggy e pelas manchas em seu rosto e o nariz vermelho, ela havia chorado com intensidade.

— Lala! Lala! Lala! – Liz começa a chamar pela irmã, estendendo os braços.

No mesmo instante, Peggy acorda assustada e me encara confusa. Ao sentir o peso em seu peito, ela encara Kayla e parece se lembrar do que aconteceu, dando um sorriso fraco. Com cuidado, a mulher tira os braços da adolescente de cima dela e quando finalmente escapa do abraço – com Kayla se movendo ao procurar uma posição mais confortável -, ela se levanta de uma vez. Posso ver que ela perde um pouco do equilíbrio, mas quando o recupera, cobre a garota com o coberto e vem em minha direção.

— Lala! Lala! – Liz continua a chamar, mas é Peggy quem a pega no colo.

— Bom dia, princesinha. – Sussurra Peggy, dando um beijo estalado na bochecha de Liz. — Lala está dormindo, então vamos lá para baixo preparar uma grande mamadeira para você, que eu tenho certeza de que está com muita fome. – Ela então se vira para mim e sorri com doçura. – Bom dia.

— Bom dia. Está tudo bem? – Pergunto e ela assente, concordando.

— Sim. Vamos conversar na cozinha. Lá eu explico para você o que aconteceu enquanto você roncava madrugada adentro. – Responde Peggy com a voz carregada de humor.

— Eu vou apenas lavar o rosto. Você se incomoda? – Indago, um pouco envergonhado. Ela ri e nega, enquanto deixamos o quarto de Kayla. Fecho a porta com cuidado e me viro para ela. – Será rápido. Eu prometo.

— Pode ir. Enquanto isso, eu vou adiantando a mamadeira da bebê. Pelo menos alguma coisa na cozinha eu sei fazer. – Responde a mulher com um sorriso bem-humorado. Ela então faz cócegas na barriga de Liz, que gargalha e joga o corpo contra o de Peggy. A garotinha realmente estava se apegando a mulher.

Observo Peggy descer as escadas conversando em um quase monólogo com Liz até que as duas desapareçam do meu campo de vista. Rio e decido me apressar. A hora estava passando e eu não tinha muito tempo até conseguir me arrumar, fazer a comida e ir para o trabalho.

Depois de lavar o rosto e tomar um rápido banho, vou para a cozinha e encontro Peggy dando a mamadeira para Liz, enquanto murmurava uma canção de ninar para a menina com uma expressão um pouco distante. Ainda assim, ela tinha um sorriso adorável no rosto e parecia ter hipnotizado Liz por completo, que ouvia a tudo com atenção.

Infelizmente, os reflexos de Peggy são excelentes e não demora muito para que ela note a minha presença, parando de cantarolar no mesmo instante. Sorrio e me aproximo da cafeteira. Pego uma xícara de café e coloco um pouco do líquido preto.

— Você quer? – Pergunto, encarando a mulher.

— Por favor. – Responde, ainda dando a mamadeira para Liz. Assinto e encho mais uma xícara de café antes de me aproximar da mulher. – Obrigada.

— De nada. – Digo, sentando-me ao seu lado. – E então? Poderia me contar como foi que você foi parar no quarto de Kayla, dormindo abraçada com ela? O que foi que eu perdi de ontem para hoje?

— Ela teve um pesadelo. – Conta Peggy, pegando a xícara de café. Ela tome um gole e suspira. – Todas as vezes que ela dorme, sonha com a morte de Joe, que como eu suspeitava, era o pai biológico dela. Ela... ela acha que a culpa dele ter morrido é dela. Eu realmente não sei o que fazer. Kayla precisa de um psicólogo, mas na atual situação, não sei se isso seria seguro para nós no momento. Quer dizer, apesar de estarmos no programa de proteção a testemunhas, a HYDRA ainda é capaz de nos encontrar.

— Não acha que está exagerando um pouco? – Questiono e ela ergue a sobrancelha, deixando claro que não achava. Bebo meu café e suspiro, levantando-me para começar a preparar as refeições. – A HYDRA pode ser mesmo bastante influente e perigosa, mas não acho que eles vão ter paciência e tempo para buscar todos os lugares do mundo onde nós poderíamos ter ido. Nós saímos três dias depois do incidente e viemos para uma cidade quase desconhecida. Não acho que Kayla ir ao psicólogo fará com que a gente seja encontrado. Eles não teriam tempo para rastrear todos os psicólogos do mundo. Na verdade, duvido muito que eles ao menos esperem que a gente procure um psicólogo para ela nessa situação. E a gente tem a lei de sigilo médico a nosso favor.

— Pelo pouco que eu conheço da HYDRA, não podemos subestimá-la. Essa organização é maluca e é capaz de tudo para conseguir o que quer. O FBI tem lutado há anos para contê-la. A CIA também. Até mesmo criaram o seu setor com supersoldados para garantir que teríamos alguma chance de lutar contra eles. Mas o mundo é repleto de pessoas malvadas e eles continuam a ganhar força. – Responde Peggy, suspirando frustrada. Ela coloca a mamadeira de Liz sobre a mesa e passa a embalar a bebê. – Eu não posso deixar que mais ninguém machuque essas crianças. Então prefiro exagerar na proteção do que permitir que eles tenham mais traumas.

— Ainda assim, não podemos ignorar a situação. Kayla é apenas uma criança. É claro que estaria traumatizada. Não sabemos nem metade do que ela já viu e viveu morando nas ruas. – Relembro e ela suspira, fechando os olhos, cansada.

— Eu sei. – Ela responde, passando a encarar Liz. Vejo a incerteza em seus olhos. – Alex também precisa. Apesar de estar sempre alegre e sorridente, ele também já deve ter passado por situações complicadas.

— Podemos ver para ele também, é claro. – Garanto, pegando os ingredientes para preparar o café da manhã e o almoço na geladeira. – Só precisamos procurar com cuidado alguém de confiança para atendê-los.

— Nós também vamos ter que colocar isso na ponta do lápis, porque não vai ser barato. – Comenta Peggy e eu a encaro. – Nós temos uma adolescente, uma criança e um bebê para sustentar agora. Vamos ter que cortar alguns gastos para conseguir acrescentar o acompanhamento com o psicólogo para Alex e Kayla.

— Vamos dar um jeito nisso. Jarvis vai me pagar semanalmente. Eu posso pedir para ele me dar trabalhos extras para ganhar mais. A saúde das crianças deve ser a nossa prioridade. – Digo, pegando uma panela para fritar os ovos e bacon.

— O seu trabalho já é muito pesado. Se trabalhar demais vai acabar se sobrecarregando. Ao invés disso, eu posso arranjar algum emprego para complementar na renda. Eu sempre trabalhei mesmo. – Afirma a mulher e eu a encaro com preocupação.

— Mas e quanto a Liz? – Questiono e ela dá de ombros.

— Podemos encontrar alguma creche para ela. Há várias mulheres que têm filhos e trabalham. Podemos dar um jeito. – Responde Peggy com os olhos brilhando em determinação. Suspiro e assinto. – Eu só quero ver os três saudáveis, seguros e felizes, assim como eu prometi. Quero que Kayla exiba a mesma felicidade que ela exalou indo para a escola pela primeira vez. Você precisava ver o sorriso dela quando voltou para casa. Melhor ainda foi a alegria nos olhos dela por fazer o dever de casa de matemática e ser capaz de responder todas as questões.

— Ela gosta tanto assim de matemática? – Pergunto surpreso, enquanto estremeço só em pensar na matéria. Apesar de não me lembrar da minha vida, eu tenho certeza de que matemática estava longe de ser a minha matéria preferida.

— Ama. Ela obviamente tem bom gosto. – Afirma Peggy, rindo. – Ah, mas acho que pode ter outro motivo também para ela ter se divertido na escola.

— E qual motivo seria? – Questiono, concentrado em cozinhar.

— Peter Parker. – Responde a mulher e eu paro de mexer na panela com os ovos para encarar Peggy. Eu não havia entendido. – O sobrinho de Jarvis e May. Ele é um garoto tão adorável e educado. Me lembra um pouco você quando tinha a idade deles. Peter ficou todo encantado com a Kayla quando a viu pela primeira vez. E ele até mesmo veio deixá-la em casa depois da escola.

— Você fala como se ele fosse namorar com ela. – Comento, voltando a prestar atenção no que eu preparava.

— E talvez ele namore. No início eu achei que ela pudesse não ter interesse nele, mas então eu parei para pensar que ela teve a mesma reação que eu tinha na idade dela quando... bem, quando eu tive a minha primeira paixão. – Peggy parecia envergonhada por lembrar do fato. Por algum motivo, eu não estava feliz com sua fala. Eu apenas não sabia dizer se o que me incomodava mais era o fato de Peggy estar lembrando de sua primeira paixão ou dela estar querendo empurrar um garoto para Kayla.

— Ela é apenas uma criança. Não precisa pensar em namorar agora. – Resmungo e Peggy ri, ajeitando Liz que dormia tranquilamente em seu colo. – E ela conheceu esse garoto ontem. Não apresse as coisas.

— Criança? Steve, ela tem quinze anos! Já está na idade de se interessar por rapazes. E seria ótimo um garoto educado e doce como Peter. Muito melhor do que babacas como os garotos com quem namorei na idade dela. Todos uns grandes idiotas que me fizeram perder meu tempo e ainda terminavam comigo com desculpas esfarrapadas. Peter é um excelente partido. Eu acharia ótimo se Kayla namorasse com ele. – Afirma a mulher e eu bufo. Isso a faz rir ainda mais.

— Você também conheceu esse menino ontem. Como pode ter certeza de que ele é uma boa pessoa? – Questiono, colocando os pães na torradeira.

— Intuição. – Garante e eu dou uma risada anasalada, mostrando que não achava que intuição fosse prova o suficiente. – Eu estou falando sério. Minha intuição nunca erra. Eu sinto que ele é um bom garoto e que Kayla vai acabar se apaixonando por ele.

Coloco os ovos mexidos e as fatias de bacon no prato sobre a mesa. Peggy me encara com um sorriso divertido no rosto. Ela estava adorando me ver incomodado com essa conversa. Bufo e volto a me concentrar em preparar o almoço. Eu realmente não estava a fim de prolongar essa conversa ridícula de Peggy. Kayla ainda é muito jovem para namorar.

[...]

— Ei, O’Brien, está na hora do almoço. Pode deixar que terminamos essa parede à tarde. – Avisa Alfred, entrando no quarto, onde eu estava preparando para colocar o isolamento térmico com espuma.

— Oh, é mesmo? – Encaro meu relógio, surpreso pelo tempo ter passado tão rápido. Ele sorri e assente. – Certo. Eu só vou lavar as minhas mãos e já estou indo. – Respondo, passando o braço pela testa para limpar o suor.

Deixo os meus materiais no canto da sala e vou até a pia que estávamos usando para pegar água. Lavo minhas mãos e vou atrás da marmita que eu havia trago. Depois de esquentar no micro-ondas, sento-me com meus colegas de trabalho para comer.

— Cara, o tempo está ficando cada vez mais frio. Espero que a gente consiga terminar a obra a tempo. – Comenta Tom, encarando a janela da sala onde nós comíamos.

— Vamos terminar. Nós já começamos a parte de decoração. Em no máximo duas semanas, nós terminamos. – Garante Vincent, um dos mais velhos da obra. Todos assentem, ainda que incertos se realmente terminaríamos a tempo. Quanto mais trabalhávamos, mais eu sentia que ainda havia muito a ser feito. – Mas, e então, O’Brien, já pegou o ritmo das coisas? Soube que você nunca tinha trabalhado em uma obra antes.

— Sim. Apesar de ser puxado, eu estou tendo bons professores. – Respondo, encarando Alfred e Dominic com um sorriso agradecido. Eles riem e negam os agradecimentos, afirmando que eu era um bom aluno. – Ainda tenho muito o que aprender, mas estou feliz por estar trabalhando.

— Soube que perdeu o emprego em Atlanta. Você trabalhava com o quê? – Pergunta Tom com curiosidade.

— Eu era vendedor. Trabalhava em uma loja de roupas esportivas, mas a empresa decidiu fazer um corte na sua equipe de vendedores e eu acabei sendo um dos sorteados. – Respondo, assim como havia combinado com Jarvis sobre o que eu diria aos meus colegas de trabalho.

— Nossa, que merda, cara. Deve ter sido desesperador. O sr. Jarvis nos disse que você tem três filhos. – Comenta Nathan, enquanto comia seus sanduíches.

— Mesmo sendo tão novo você já tem três filhos? Você não perdeu tempo, hein, O’Brien?! – Provoca Bob, rindo. Os outros o acompanham nas risadas. Acabo rindo também.

— Sim. Eu tenho três anjinhos em casa. Hailey, Tommy e Emma. – Respondo, sorrindo orgulhoso ao lembrar das crianças. Eles me encaram com curiosidade. – Hailey é a mais velha. Tem quinze anos e é uma garota incrível. Corajosa, educada, determinada, responsável, inteligente e observadora, ela pode não falar muito, mas é muito centrada. Ama estudar e é quase como uma mãe para os irmãos mais novos. Tommy é o do meio. Tagarela, agitado e alegre, ele ama falar sobre baseball. É muito amoroso e companheiro. É impossível não se dar bem com ele e não nos deixarmos levar pela imaginação única dele. Emma tem dez meses, mas é a bebê mais adorável que eu já vi na vida. Ela é risonha e mesmo incomodada com os dentinhos nascendo, raramente chora. A risada dela é tão contagiante, que você acaba querendo fazer de tudo só para ouvir ela rir. E as bochechas? São tão rosadas e gordinhas que me faz querer apertar toda hora. Definitivamente, meus filhos são as crianças mais doces e lindas que existem.

— E o título de pai babão vai para Connor O’Brien. Uma salva de palmas, senhores. – Brinca Tom, rindo.

E não demora muito para que começasse uma grande algazarra entre meus colegas, que me fazem ficar vermelho de vergonha. E é claro que isso só dar ainda mais motivos para ele pegarem no meu pé. Mas no fundo, eu sabia que estava apenas me gabando das três crianças, que apesar de não serem meus filhos, eu tinha me apegado muito mais do que deveria em um período muito curto.

— E a sua esposa, O’Brien? Estão casados há quanto tempo? – Pergunta Vincent com interesse.

— Ashley e eu estamos casados há quinze anos. Namoramos por um ano, ela engravidou e pouco tempo depois que tivemos Hailey, nós nos casamos. – Respondo, sorrindo ao falar de Peggy. De certa forma, eu também me sentia orgulhoso de poder me gabar da mulher incrível que tem se passado por minha esposa.

— Então você está me dizendo que você só teve um ano para aproveitar sua vida sem filhos ao lado de sua esposa? – Questiona Alfred, surpreso. Rio e assinto. – Uau! Sinto muito por você. Não que crianças não sejam legais e tudo mais, mas pelos meus cálculos, você foi pai aos vinte anos. Não conseguiu nem aproveitar a liberdade da maioridade. A fase de fazer merda e aproveitar a vida como se não houvesse amanhã.

— E nem pode aproveitar tanto agora. Com três crianças, não deve ser nada fácil. – Comenta Nathan, pensativo.

— Você ao menos se lembra a última vez que teve um encontro com sua esposa? Um encontro onde vocês apenas namoravam e aproveitavam a companhia um do outro? – Questiona Vincent e eu o encaro, fingindo pensar no assunto.

— Sendo sincero, eu não me lembro. – Respondo, rindo. Todos riem juntos, sem imaginar o quanto aquela fala era verdadeira. Eu não lembrava de nada do que aconteceu em minha vida da semana passada para trás.

— Ah, isso não dá, Connor! Você ainda é um cara novo. Devia tirar um tempo e aproveitar um pouco mais a vida com a sua esposa. – Afirma Dominic, colocando a mão em meu ombro. – Escute o conselho de alguém que já está casado há quase trinta anos. Assim como você, eu me casei jovem e posso dizer com certeza de que a vida de casado não é fácil, mas é ainda pior quando se entra na rotina. Filhos são importantes, é claro, só que a gente tem que aprender a tirar um tempo para se dedicar ao casamento também. Sua esposa precisa saber que você ainda a ama e que é importante para você.

— Eu sei, mas estamos em um momento complicado. Emma ainda é muito pequena e com toda essa confusão de mudança de cidade, início do novo trabalho, contas para pagar, não sobra muito tempo. – Respondo e logo sou bombardeado de olhares de repreensão.

— Isso não é desculpa, Connor! Você mesmo disse que a sua mais velha tem quinze anos e que é como a mãe dos seus mais novos de tão responsável que é. Tenho certeza de que ela pode ficar uma noite sozinha com os irmãos, enquanto vocês saem para jantar ou pelo menos fazer uma piquenique no parque sob a luz das estrelas, se não tiver com muito dinheiro. – Afirma Dominic e eu o encaro surpreso.

— Uau. Não pensei que você fosse tão romântico, Dom. – Comento e ele ri, dando de ombros.

— Eu sou um cara romântico. Um homem da velha guarda! E digo por experiência própria que vale muito a pena. Toda vez que levo minha Rosa para passear, eu sou muito bem recompensado. Aposto que você não vai se arrepender. – Garante Dominic, sorrindo confiante.

— Bom, eu prometo pensar no assunto. – Respondo e ele suspira, inconformado. Acabo rindo e volto a comer o meu frango frito e alguns legumes que eu havia preparado mais cedo.

— Por que não leva a sua garota ao baile de casais do Dia dos Veteranos que acontece na cidade para arrecadar dinheiros para ajudar o asilo dos veteranos de guerra? – Sugere Vincent e eu o encaro, curioso sobre o baile. – Eu vou todo ano com a minha esposa. É muito divertido e termina antes da meia-noite, então não precisamos pagar hora extra para a babá que fica com os meus filhos. Tem muita comida, bebida e música boa. Tenho certeza de que você e sua esposa iriam gostar.

— É verdade. O baile vai acontecer no próximo sábado. Você deveria mesmo ir com a sua esposa, O’Brien. – Afirma Bob, dando um sorriso animado. – Todos nós sempre levamos nossas esposas e elas adoram.

— Eu não sei, pessoal. Nunca deixamos as crianças sozinhas. E mesmo que Hailey seja responsável, nós estamos em uma cidade nova. E se acontecer alguma coisa enquanto estivermos fora? – Argumento, mas isso não parece ser o suficiente para convencê-los.

— Beaufort é uma das cidades mais seguras do país, O’Brien. Nada vai acontecer a eles. E você mora perto da minha casa. Se estiver tão preocupado assim que eles fiquem sozinhos, posso pedir para minha sogra ir ficar com eles até vocês chegarem. Ela adora criança e desde que minha Jessy foi para a faculdade, ela tem reclamado de que tem se sentindo inútil por não ter mais nada para fazer além de tricotar e assistir televisão. Eu tenho certeza de que ela vai amar ficar com seus filhos. – Oferece Alfred e eu o encaro com um sorriso forçado.

— Eu não quero atrapalhar. – Respondo e ele nega.

— Não estaria atrapalhando. Pelo contrário. Faria uma senhora de sessenta e cinco anos muito feliz. – Afirma o homem com confiança. – E se está preocupado com o dinheiro, não precisa se preocupar, que eu tenho certeza de que a Debbie fará isso sem cobrar nada. Apenas pelo prazer de se sentir útil.

— Mas eu ainda tenho que comprar os ingressos e as roupas do baile. Eu gastei até o dinheiro que eu não tinha com essa mudança de cidade repentina. – Retruco e eles parecem insatisfeitos com a minha resposta.

— Se esse é o problema, então não precisa se preocupar. Minha esposa está trabalhando na organização do evento. Tenho certeza de que eu consigo ingressos de graça para você. – Afirma Nathan e eu o encaro surpreso.

— Quanto as roupas, eu não vi a sua esposa ainda, mas tenho certeza de que nossas esposas podem ter alguma roupa que sirva em sua Ashley. E o terno, nós temos cerca de quinze homens trabalhando nessa obra, que não se importariam em emprestar para você. Tenho certeza de que pelo menos um de nós deve ter um terno que sirva em você. – Afirma Dominic e todos os homens que estavam no lugar concordam, garantindo que não seria incomodo algum emprestar uma roupa para mim.

— Tudo bem. Ashley e eu iremos ao baile de casais do Dia dos Veteranos. – Digo, dando-me por vencido.

Meus colegas de trabalho comemoram, animados por eu finalmente ter concordado. Não havia o que eu pudesse fazer. Eles estavam mesmo determinados a me fazer ir ao baile com Peggy. Eu esperava que ela não ficasse chateada por eu ter decidido algo assim sem a consultar. Mas a verdade é que no fundo eu estava ansioso pela ideia de ter um encontro com Peggy.

Notas finais
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