Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! E adivinha quem entrou na reta final? Isso mesmo. MN entrou na contagem regressiva. Eu estou ansiosa para saber a reação de vocês com o próximo capítulo. Espero de verdade que gostem. E eu quero agradecer demais a AndreaNeves pelo comentário incrível no capítulo passado. Você é demais! Boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO XI – MEMÓRIAS DE NOVEMBRO

CAPÍTULO XXIII — RECORDAR

— Então, qual é a diferença entre a CIA e o FBI? – Pergunta Kayla com curiosidade, encarando Sara e Leonard.

— De uma forma bem resumida, a CIA é o serviço de inteligência estadunidense, cujo papel é coletar informações de fontes humanas, avaliar se essas informações ameaçam a segurança nacional, além de informar os responsáveis para que sejam tomadas medidas cabíveis. – Responde Sara, sorrindo pela forma como os olhos de Kayla brilhavam.

— O FBI é uma agência governamental que possui o papel de amparar a lei através da investigação de violações da lei penal federal. – Explica Leonard, depois de tomar um gole de seu café.

— O FBI também é considerado a maior agência policial do mundo e tem jurisdição investigativa sobre as violações de mais de duzentas categorias de crimes federais. Seu lema é Fidelidade, Bravura, Integridade. – Conta Peggy, dando mingau para Liz.

— O serviço de inteligência estadunidense foi criado para satisfazer uma necessidade estratégica em virtude da Guerra Fria e do avanço do comunismo. No entanto, depois que ela acabou, a CIA a trabalhar na investigação de informações de fontes humanas, a obtenção de informações obtidas de sinais de comunicação. Nós também criamos a S.H.I.E.L.D, a unidade de comando especial da CIA, que seu pai, Hillary, tia Tasha e eu trabalhamos, cuja a principal função é impedir a HYDRA de dominar o mundo. – Completa Sara, cortando as panquecas em seu prato. Ela então encara Kayla e sorri com doçura.

— O que eles querem dizer é que embora o compartilhamento de informações entre o FBI e a CIA possa ser algo comum, existem grandes diferenças entre os órgãos. A maior delas é que, enquanto o FBI possui uma atuação maior dentro dos Estados Unidos, já a Agência Central de Inteligência é um serviço de informação voltado para o exterior, sem nenhuma jurisdição sobre solo americano. Seu objetivo é identificar as ameaças à segurança e aos interesses americanos provenientes do exterior e barrar sua execução. – Resume Peter, fazendo os agentes assentirem, concordando.

— Então qual é a agência mais importante? CIA ou FBI? – Questiona Kayla, carregando aquele sorriso traquina, no qual compartilha com Peter, que também ri, provavelmente prevendo que Sara, Leonard e Peggy entrariam na disputa para argumentar qual agência é a mais importante para os Estados Unidos. – Porque particularmente, eu tenho a impressão de que é a CIA. Quer dizer, o trabalho dela parece ser mais imponente.

E como eles planejaram, a confusão não demorou a se iniciar. Sentados à mesa, tomando nosso café da manhã, observo a tudo, perdido em pensamentos. Até mesmo Alex e Liz pareciam se divertir com a presença dos agentes que, para a nossa surpresa, chegaram a Beaufort a um pouco mais de uma hora, prontos para procurar por Johann Schmidt.

Eu não sabia bem como reagir a presença dos agentes, principalmente na de Sara, que descobri ter convivido diariamente nos últimos dez anos. Era frustrante não saber como fazer para recuperar as minhas memórias. Por mais que eu a encarasse, nada vinha a minha mente. E quanto mais eu me forçava, mais a minha cabeça doía. Era como se eu estivesse lidando com um bloqueio que me impedia de me aproximar daquilo que eu mais desejava. Ao mesmo tempo, eu me questiono o que acontecerá quando as minhas memórias retornarem.

Eu continuarei sendo o Steve que é apaixonado por Peggy e que ama Kayla, Alex e Liz como seus próprios filhos? Continuarei a amar cozinhar para a minha família, a amar a neve e as estrelas? Ou eu voltarei a ser o Steve agente da CIA que se divide há vinte anos para manter a identidade de CEO da The Avangers e playboy boêmio, enquanto por detrás das cortinas salva o mundo e arrisca sua vida diariamente? Quem eu me tornarei de fato?

— Você parece pensativo. Está tudo bem? – Sussurra Sara próxima a mim e eu a encaro surpreso por ela ter me notado. Leonard e Peggy continuavam a explicar para Kayla o motivo do FBI ser muito mais importante para o país do que os Estados Unidos, enquanto os adolescentes permaneciam provocando, trazendo argumentos do porquê eles acharem que a CIA era bem melhor.

Suspiro e dou de ombros. Vendo que nenhum dos presentes prestavam atenção em nós, Sara faz sinal para que eu a seguisse e eu assinto, concordando. Deixamos a mesa e seguimos para a cozinha, carregando nossas louças do café da manhã.

— Qual é o problema, Steve? – Pergunta Sara, colocando as louças na máquina de lavar. – Sentindo-se frustrado por não se lembrar de nós e por isso não sabe como agir ou o que pensar?

— Como você...? – Balbucio, surpreso por ela ter acertado o motivo de eu estar tão quieto e pensativo.

— Você foi o meu mentor por três anos e depois se tornou um irmão mais velho para mim. Eu o conheço melhor do que qualquer pessoa do mundo, ainda que a Peggy não possa ouvir isso. – Brinca Sara, sorrindo com doçura. Suspiro, frustrado. – Acho que é normal você se sentir assim. Perdido e sem saber o que fazer. Você possui menos de um mês de memórias. Não sabe em quem confiar ou o que fazer, já que tudo o que você sabe até o momento de sua vida passada são informações que outras pessoas transmitiram a você.

— Por mais que eu tente, eu não consigo me lembrar. Eu me sinto um inválido, um completo inútil, sem ter certeza sobre como eu deveria agir, quando todos me dizem que eu sou um espião incrível, mas não consigo nem mesmo me lembrar do que eu posso...

Antes que eu terminasse de dizer qualquer coisa, Sara leva seu punho direito em direção ao meu rosto, enquanto eu colocava os restos de comida na lixeira da cozinha. Por reflexo, jogo meu corpo para trás e uso o meu prato para me defender do segundo ataque de Sara. Ela continuava a me golpear e meu corpo surpreendentemente sabia exatamente o que fazer para evitar ser atingido.

— O que você está fazendo? – Questiono, irritado com os ataques cada vez mais velozes de Sara. Estranhamente, eu não me sentia ameaçado por ela estar tentando quebrar o meu pescoço, mas ainda era frustrante estar sendo agredido sem ter feito nada.

— Eu estou lembrando seu corpo de quem você realmente é e testando a teoria que eu tinha. – Responde, finalmente afastando-se de mim. Nesse momento, percebo que Peggy, Leonard, Kayla, Peter, Liz e Alex assistiam a cena com fascínio. – Você pode ter perdido as suas memórias, Steve, mas seu corpo ainda se lembra com clareza sobre quem é você. Os seus sentimentos continuam os mesmos. As suas habilidades ainda são as mesmas. Você ainda é o agente Steve Rogers e o CEO mulherengo que fugia de suas responsabilidades na empresa para salvar a vida das pessoas.

— Como você pode ter tanta certeza... Espera. Por que nós estamos falando em russo? – Pergunto, surpreso por entender o que Sara falava e mais ainda por conseguir respondê-la sem dificuldades.

Sinto minha cabeça doer intensamente. Deixo o prato cair de minhas mãos e as levo a lateral da minha cabeça, pressionando na tentativa de diminuir aquela dor descomunal que fazia minha cabeça latejar como uma bomba relógio. Ouço Peggy e as crianças me chamarem, mas o mundo parecia girar ao meu redor. Por alguns instantes, minhas vistas ficam escurecidas.

A dor se intensifica. Não tenho mais certeza do que é ilusão ou realidade. Os gritos de minha família cada vez mais se tornam um eco em minha mente e se distanciam de mim. E então algo vem a minha mente.

Não tenho certeza de onde estou, mas o lugar me parece familiar. Eu estava cansado. Respirava com dificuldade e sentia que poderia desmaiar a qualquer momento. Ainda assim, eu me sentia eufórico. Uma felicidade absurda tomava conta do meu corpo. Ao meu lado, uma garota de cabelos cor de chocolate ondulados sorria largamente e apoiava as mãos sobre os joelhos, tentando recuperar o fôlego.

Ela parecia ter no máximo uns sete anos. Era mais baixa que eu e tinha o cheiro de morango. Ela me encara. Seus olhos brilhavam lindamente. Eram cor de chocolate e pareciam ver através da minha alma. Seus cabelos estavam desgrenhados e suas roupas incrivelmente sujas. Eu sentia que eu não estava em uma situação muito diferente. A garota começa a gargalhar e eu não demoro a acompanhá-la. Peggy. Esse era o nome que ecoava em minha mente. E parece que eu o profiro em voz alta, pois ela ri e me encara como se esperasse que eu dissesse alguma coisa.

— O que foi, Steve? Nós temos que voltar logo para casa, antes que a bruxa encontre o tio Joseph e a tia Sarah e conte para eles que nós quebramos a janela dela enquanto jogávamos baseball. – Alerta Peggy com a sua voz infantil, ainda tentando se controlar da crise de risos.

— Peggy, quando a gente crescer, nós vamos nos casar? – Pergunto de repente e Peggy parece confusa com o meu pedido.

— O que é casar, Steve? – Questiona Peggy, pensando sobre o assunto.

— Mamãe disse que casar é quando uma pessoa ama a outra e quer ficar para sempre juntos. Ela disse que só adultos fazem isso e que eu provavelmente irei casar com você no futuro, Peggy. – Conto e a garotinha me encara com curiosidade e animação. – Eu amo você e quero que você seja minha amiga para sempre, Peggy!

— Eu também amo você, Steve! Vamos nos casar e ficar juntos para sempre! – Grita Peggy, puxando a minha mão. Sem motivo algum a gente volta a correr e a gargalhar, sem ter nem mesmo fazer ideia de que aquelas palavras não poderiam estar mais certas.

— Steve? Você está bem? O que está acontecendo? – Pergunta Peggy, pegando em meu rosto enquanto me encara com preocupação.

— Papai! Papai! O que foi, papai? – Alex parecia a ponto de chorar, completamente assustado.

Todos passam a falar ao mesmo tempo e minha mente continuava se perder entre o que acontecia ao meu redor e o que era apenas fruto da minha cabeça. Eu não conseguia dizer nada. A dor aguda e minha cabeça retorna com ainda mais força. Novas imagens surgem em minha mente. Era como se tudo estivesse voltando de uma vez, minha mente exibe imagens que eu não consigo compreender de onde vinham e o que significava.

Empurro a porta pesada, que não deveria ser utilizada há muito tempo. Como a noite já havia caído, o nevoeiro denso feito de uma cortina fantasmagórica mal permitia que eu enxergasse a poucos metros de distância. Continuo a explorar o lugar que percebi ser uma floresta. Ouço o som de pessoas conversando. Percebo que são inimigos. Escondo-me sobre atrás de um troco de árvore e tento ver alguma coisa, mas a névoa noturna não possibilitava que eu visse muito além de algumas árvores adiante.

Seguro minha respiração, tentando ao máximo não fazer barulho. Procuro meu revólver, mas logo me lembro que durante a minha última luta, eu o havia perdido. Os espiões russos estavam a poucos metros de distância, planejando o próximo ataque deles a uma base americana no meio da Reserva Natural de Baikal-Lena, localizada na costa noroeste do Lago Baikal, no sul da Rússia. Aquela era a chance perfeita para matá-los.

Olho em volta, procurando algo que pudesse servir de arma, mas a única coisa que encontro são folhas e pedras. Reconheço o homem que a CIA havia me enviado para dar um fim, o terrorista Nicolai Kirengsky. Cogito a ideia de atacá-lo naquele instante, mas logo percebo que isso seria suicídio. Nicolai estava cercado de homens e ainda possuía muito mais armas que eu, além de seu físico estar bem melhor que o meu, que havia acabado de sair de inúmeras brigas.

De repente, sinto algo gélido sobre minhas pernas. Desvio minha atenção para a cena que ocorria entre os homens de Nicolai e cautelosamente passo a encarar minha perna. Meu corpo endurece e o ar me falta ao perceber a enorme serpente sobre mim.

Haviam poucas coisas que me causavam medo nesse mundo e para o meu azar, cobras e serpentes eram uma dessas. Eu conseguia enfrentar sem problemas inúmeros terroristas de frente, poderia pular de um avião sem paraquedas, podia até mesmo me jogar contra de um trem em alta velocidade para cair em um rio sem qualquer certeza de que iria sobreviver. Mas nunca pude lidar bem com animais que silvam e possuem veneno.

Eu queria gritar e correr para o mais longe do animal peçonhento, mas eu sabia que isso irritaria e aguçaria ainda mais o instinto traiçoeiro da víbora. E conforme ela subia sobre meu corpo, mais o medo aumentava. Qualquer movimento brusco que eu fizesse poderia me levar à morte. Eu precisava fazer alguma coisa, mas meu corpo parecia não obedecer aos meus comandos. A pele escamosa e de cor forte deslizava sobre a minha, causando a pior sensação do mundo.

Mexo minha mão lentamente e sinto o metal frio da adaga que sempre carrego comigo. Começo a mover a mão até encontrar o punho da arma. Olho para o réptil, controlando ao máximo a minha respiração, e noto que sua cabeça estava do lado contrário ao meu rosto.

Volto a encarar Nicolai. O homem dava ordens aos seus subordinados para que se preparassem para atacar. Ao seu lado, agora continha apenas três homens, somente com suas armas, ao seu lado. Contando mentalmente, preparo-me para matar o animal que estava sobre mim e para a batalha que se iniciaria assim que minha localização fosse descoberta.

Segurando firmemente a minha adaga, jogo minha perna para longe da serpente e, no momento em que ela me daria o bote, consigo atravessar seu corpo com a lâmina afiada em minhas mãos. Sentindo o coração acelerado, levanto-me no mesmo instante e logo ouço os gritos de Nicolai, ordenando que seus homens me capturassem.

Eu ainda estava me recuperando da sensação de ter aquela serpente tão próxima de mim, quando percebo que preciso correr o mais rápido possível para longe dos homens que passavam a atirar contra mim. Ergo minha cabeça e, desviando de seus ataques, viro meu corpo e acerto minha adaga na garganta do primeiro homem que tenta me alcançar.

Escondo-me entre as árvores e espero o momento certo de para atacar os outros dois soldados que continuavam a correr atrás de mim. E então, quando eles estão distraídos, avanço contra eles com a minha adaga em mãos. Um dos homens também puxa uma faca de sua cintura. O primeiro contato com o homem foi o choque das adagas. O segundo espião passa a me atacar com agilidade, interceptando meus golpes rapidamente.

Chuto o abdome de um dos homens e cuspo nos olhos do outro. Eles se afastam, irritados pela minha atitude e enquanto se recuperavam, eu atinjo o rosto do primeiro e acerto o segundo na coxa esquerda. Aproveitando os segundos de vantagem que eu possuía, eu me afasto e enquanto estavam distraídos com os ferimentos, utilizo de toda a minha habilidade e agilidade para perfurar o olho de um e cortar a cabeça do outro.

A adrenalina continuava intensa em meu corpo. Minha respiração descompassada e o perigoso olhar que lanço a Nicolai foram o bastante para assustá-lo. O terrorista parece surpreso com a minha reação. Não era preciso muito para descobrir que em sua mente, ele procurava encontrar formas de fugir de mim, mas era tarde demais. Eu já havia o encontrado.

— Steve? Steve? Você está bem? – Peggy insiste e eu finalmente consigo a encarar. Minha mente ainda estava bastante confusa e eu sentia que iria vomitar a qualquer momento com tanta informação entrando em minha mente na velocidade da luz. – Steve?

— Eu me lembrei. – Sussurro com a voz rouca, quase inaudível.

— O que você disse? – Questiona Peggy, parecendo não acreditar em minhas palavras, ou talvez ela realmente tenha ouvido.

— Eu me lembrei, Peggy. – Anuncio e ela arregala os olhos. — Tudo retornou para a minha mente. Eu me lembrei de tudo. Eu me lembrei quem eu sou.

Notas finais
Família Cupcake 2.0: https://chat.whatsapp.com/BbOG6KJnuHy2dQIs1sC9Ss Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646 Instagram: @_cupcakesdalara Espionagem de Outubro: https://www.spiritfanfiction.com/historia/espionagem-de-outubro-20637582