Memórias de Novembro
1 Prólogo
Notas iniciais
ROMANCES MENSAIS
LIVRO XI – MEMÓRIAS DE NOVEMBRO
PRÓLOGO
Era um dia frio de um rigoroso inverno que estava para vir em novembro. Sentada em sua mesa na entrada do último andar do grandioso prédio da The Avangers. Peggy estava a ponto de enlouquecer, enquanto batucava as unhas sobre a mesa. Dessa vez, Steve havia passado todos os limites. Não bastava estar três horas atrasado, homem nem mesmo atendia ao celular.
Ela não sabia fazer. Não era novidade que Steve estava atrasado. Peggy já estava acostumada com a falta de compromisso de seu amigo de infância e chefe, mas ele sempre atendia suas ligações. Mesmo que fosse para dizer que estava transando com alguma garota que ele nem mesmo lembrava o nome. Então, a raiva que ela sentia por ele não ter aparecido para a reunião com mais novo e importante cliente não era nada comparada a preocupação que sentia.
Peggy disca o número do chefe mais uma vez e novamente o número cai na caixa de mensagens. A mulher de cabelos castanhos ondulados que iam até um pouco abaixo do ombro bufa e se levanta, impaciente. Ela encara o relógio pelo que deveria ser a milésima vez. Estava começando a se sentir culpada por ter permitido que ele fosse almoçar com a super modelo, Hillary Leblanc. Deveria saber que ele não cumpriria sua palavra. Que não voltaria a tempo para a reunião.
Já estava começando a discar o número do melhor amigo de Steve, Tony Stark, quando as portas do elevador se abrem, exibindo um homem loiro com os cabelos bagunçados, roupas sociais amassadas e um sorriso sem graça em seus lábios, que mostravam que ele sabia que estava encrencado.
— Você tem dez segundos para me dar uma boa explicação por ter desaparecido por oito horas sem me dar qualquer sinal de vida. Porque eu juro, Steve, que se não for boa, eu vou ter o prazer de te esganar até a morte. – Peggy se aproxima de Steve a passos apressados com uma expressão assassina. Por instinto, ele se encolhe, temendo pela fúria da mulher que conhecia desde o jardim de infância.
— Peggy, eu...
— Dez, nove... – A mulher o interrompe, iniciando a contagem para mostrar que estava falando sério.
— Eu sinto muito, mesmo! Hillary e eu acabamos perdendo a noção do tempo e eu não consegui voltar mais cedo. Mas eu prometo que essa é a última vez que eu...
— Eu já ouvi muito essa história antes, Steve. E eu já estou cansada disso. – Responde Peggy, afastando-se do amigo de infância com a voz carregada de mágoa.
— Eu sei que às vezes eu te sobrecarrego, mas eu juro, Peggy, que eu vou melhorar. – Garante Steve e Peggy ri com escárnio.
— Você ao menos tem noção do quão preocupada eu fiquei? Você nem mesmo atendia as minhas ligações. Nem a droga de uma mísera mensagem você teve a consideração de me enviar. – Acusa Peggy, encarando o amigo com decepção. – O que custava me avisar que estava vivo, Steve? Será que pelo menos uma vez na vida você não poderia agir com um pouco mais de responsabilidade? Por que você é sempre tão egoísta, Steve?
— Peggy... – A voz do alto e musculoso rapaz sai baixa e entristecida. Eles eram amigos há anos. Desde que se lembrava, Steve e Peggy estavam juntos. E era por isso que ele odiava decepcioná-la.
Ele respira fundo, buscando uma forma de se desculpar com a morena, que no momento havia se virado de costas para ele, furiosa e decepcionada. Peggy estava aliviada por saber que nada de sério havia acontecido, mas estava tão cansada das mancadas de Steve e de todo o estresse que passava por culpa da irresponsabilidade do amigo, que se perguntava se valia a pena aguentar tudo o que aguentava pelo bom salário e amizade.
A conversa dos amigos é interrompida pelo som agudo anunciando a chegada do elevador mais uma vez. Peggy e Steve encaram as portas de metal se abrindo, questionando quem teria chegado quando a empresa já havia encerrado as atividades do dia há duas horas. E não demora muito para que o visitante entrasse em seus campos de visão.
De dentro do elevador sai um homem trajando um terno elegante, gravata preta, luvas brancas e um quepe de motorista. Steve e Peggy não demoram a reconhecer Bernard Hanks, um funcionário e amigo de longa data de Clint Barton, um dos homens mais poderosos do país e amigo de infância de Peggy e Steve.
Desde que conheceu o excêntrico Clint através de sua melhor amiga, Peggy não se lembrava de nenhuma vez que não tenha visto o senhor de sorriso contido, olhos analíticos e postura aristocrática ao seu lado. Ela sorri ao ver que mesmo depois de tantos anos, Bernard continuava a mesma pessoa educada e gentil. Ainda que não tivesse tanto contato com ele ou tivessem trocado muitas palavras ao longo dos anos em que se conhece, Peggy gostava do senhor educado.
— Bernard! — Exclama Peggy, surpresa pela aparição repentina do homem. — Quanto tempo! Como você está?
O motorista sorri e retira o quepe de sua cabeça para cumprimentar os amigos de seu chefe. Ele o coloca de volta a sua cabeça e assim que se aproxima do casal, o homem os observa com atenção, analisando suas feições com o rosto imparcial. Bernard exibe uma aura misteriosa, quase como se soubesse o que se passava em suas mentes.
— Boa noite, sr. Rogers e srta. Carter. Lamento estar os incomodando tão tarde e ainda em seu ambiente de trabalho. – Bernard nos dá um pequeno sorriso e leva o quepe que segurava de encontro ao peito.
— Não se preocupe, Bernard. Está tudo bem. Mas eu confesso que não esperava a sua visita e menos ainda sem estar acompanhado de seu excêntrico senhor. Aconteceu alguma coisa com Clint? – Questiona Steve com preocupação. Clint era como um irmão mais velho para ele. Esteve ao seu lado nos momentos em que mais precisou e o ajudou a superar todos os problemas que enfrentou com a morte precoce de seus pais.
— Não aconteceu nada ao sr. Barton. Ele está muito bem. — Afirma o motorista, sorrindo gentilmente. Ele retira um envelope preto de dentro de seu terno e o estende a Peggy, que o pega com curiosidade. — Ele apenas pediu que eu entregasse o convite de seu quadragésimo aniversário aos senhores. Sr. Barton está ansioso para a presença de seus estimados amigos para a comemoração de mais um ano de vida.
— Uau! Quase um ano se passou desde o inesquecível musical da Broadway de o Mágico de Oz? – Comenta Steve, surpresa. Ele se vira para Peggy, sorrindo animado como uma criança. – Você se lembra o quão incrível foi a comemoração? Os mágicos entretendo a todos. Leões de verdade rugindo a nossa frente. Diversos cenários do filme que pareciam ser reais.
— Foi realmente incrível. – Concorda Peggy, dando um pequeno sorriso ao se lembrar da festa do ano anterior de Clint. Ela sempre amava as festas dada pelo amigo e estava ansiosa para a desse ano.
— E qual será o tema desse ano, Bernard? – Pergunta Steve, encarando o homem com curiosidade.
— Eu recomendo que leiam o convite para descobrir qual será o tema desse ano, sr. Rogers. — Responde o motorista, sorrindo educado.
— Tudo bem. – Murmura Steve, aproximando-se de Peggy.
— Obrigada por nos trazer o convite, Bernard. — Agradece Peggy, abrindo o envelope com o convite em formato de lupa era preto e possuí as bordas e as letras em caligrafia elegante em prata.
— Agora que o convite foi entregue, eu terei que partir. Boa noite mais uma vez, sr. Rogers e srta. Carter. — Despede-se Bernard, dando uma pequena reverência, antes de colocar o quepe de volta a cabeça e seguir para o elevador, que continuava parado em seu andar.
Peggy e Steve se despedem de Bernard com acenos e voltam a atenção ao convite nas mãos da mulher, ansiosos para descobrir qual seria o tema da festa de aniversário de Clint desse ano.
Olá, Caros Detetives.
É com um imenso prazer que eu os convido para celebrar meu tão aguardado quadragésimo aniversário. Como um amante de mistérios, aproveitaremos a ocasião para desvendar um caso sem respostas até então. Estejam preparados para embarcar nessa perigosa e excitante aventura na primeira noite de dezembro, em uma sombria noite de Lua Nova. E lembrem-se: nunca confie em ninguém.
Atenciosamente,
Clint Barton.
— Ao que parece, Clint está planejando um jogo de detetives. Isso é bem a cara dele. – Comenta Peggy, entregando o convite a Steve.
— Parece bem divertido. Com certeza não podemos perder. Já será bastante difícil competir com os sobrinhos dele. Então estou contando com a sua inteligência para nos levar ao pódio. – Brinca Steve, observando Peggy voltar para a sua mesa. Ele observa a mulher arrumar suas coisas, parecendo ignorar sua existência. Isso o faz lembrar que Peggy continuava furiosa com o seu desaparecimento do dia. – À propósito, Peggy, como foi a reunião com os diretores da King Company?
— A reunião em que você deixou toda em minhas mãos para ir transar com a sua namorada supermodelo? – Ironiza Peggy, colocando a bolsa em seu ombro. Ela sorri irritada e passa por Steve, fazendo questão de esbarrar nele antes de chegar ao elevador. Ela aperta o botão para chamá-lo e se vira para o seu chefe. – Fechamos o contrato, mas não graças a você, obviamente. Eu inventei uma mentira ridícula de que você estava doente e não conseguiu comparecer, mas por sorte tinha deixado todo o material comigo. Eu apresentei a proposta e eles gostaram.
— Hillary não é a minha namorada. Nós somos apenas amigos. – Corrige Steve, assim que o elevador chega ao andar. Peggy bufa e entra, apertando o botão para fechar as portas, mas Steve é mais rápido e consegue entrar antes que elas se fechassem. – Peggy...
— Quer saber, Steve? Tanto faz para mim. Não é da minha conta sua relação com Hillary. Com quem você transa ou deixa de transar. Mas não é justo eu ficar me matando de trabalhar para manter a droga da empresa quando você fica por aí saindo em horário de trabalho para passar o tempo com uma de suas amiguinhas. – Responde Peggy, pressionando o dedo indicador contra o peito de Steve. Ela então se afasta e aperta o botão do térreo. – Eu já me cansei de fazer horas extras e de ser a única a levar a sério o patrimônio que a sua família construiu. Estou exausta de dedicar toda a minha vida para que a sua permaneça perfeita. Enquanto você fica por aí, virando noite em festas e se divertindo como o playboy boêmio que você é, eu nunca saio de casa e tudo o que eu faço é trabalhar.
— Peggy, eu sinto muito. Eu prometo que vou...
— Eu já estou cansada das suas promessas, Steve. Toda vez é a mesma coisa. Você pisa na bola, promete mudar e na semana seguinte está faltando alguma reunião ou desaparecendo por aí sem qualquer explicação, deixando toda a função de administrar a empresa em minhas costas. Eu sou sua amiga e secretária, não babá em tempo integral. Você precisa crescer. Eu já estou farta de toda a preocupação que você tem me dado! Tem noção do quanto de cabelos brancos que criei desde que comecei a trabalhar para você? Eu estou desenvolvendo gastrite nervosa! Nem mesmo consigo um relacionamento decente, porque estou sempre tão sobrecarregada resolvendo os seus problemas que nem mesmo sou capaz de me dedicar a um namorado. Eu já nem lembro a última vez que transei! Essa não foi a vida que você me prometeu quando eu aceitei sair do FBI para trabalhar para você!
— Eu sei e sinto muito por isso. Mas eu prometo que dessa vez será diferente, Peggy. Na próxima vez, eu...
— Não, Steve! Não terá uma próxima vez. Para mim já deu! Eu desisto! – Esbraveja Peggy, encarando Steve com fúria.
— O que quer dizer com isso? – Pergunta Steve, cauteloso.
— O que eu estou dizendo é que eu me demito. – Responde Peggy, deixando o elevador, assim que chegou ao térreo do prédio.
Para a infelicidade da garota, justamente hoje o carro dela estava no mecânico e ela planejava voltar para casa com Steve. No entanto, ela estava tão furiosa e fadigada, que preferia ir a pé do que ter que ficar mais um minuto perto de Steve. Ela sentia que falta muito pouco para cometer o assassinato do rapaz, então era melhor evitar contato no momento.
— O quê? Peggy! Você não pode fazer isso. – Steve estava desesperado. Ele corre até a amiga que continuava a andar apressada em direção a saída do prédio. – Peggy! Espera, por favor! Onde você está indo? Vamos conversar.
— Eu irei para casa, Steve. Não me segue! – Grita Peggy, atraindo a atenção dos dois seguranças que cuidavam da portaria do prédio, mas naquele momento, ela nem mesmo se importava com isso.
— Ah, vamos lá, Peggy. Não seja assim. Eu te levo. Seu carro está no mecânico e eu já planejava levar você para casa. Está frio aí fora. Por favor, vamos conversar. Eu sei que você está com a cabeça quente e por isso está falando tantas coisas sem pensar.
O rapaz tenta chamar a atenção de Peggy, mas ela estava determinada a não dar ouvidos a Steve. Ela sabia que se virasse para trás e aceitasse o convite dele de a levar para casa, acabaria cedendo as chantagens emocionais de Steve e nunca conseguiria sair, voltando ao ciclo destrutivo dele sendo um playboy babaca e ela aquela que conserta seus erros e acaba se sobrecarregando de trabalho para que a empresa não saia prejudicada pela irresponsabilidade de seu CEO.
Peggy deixa o prédio, ainda ouvindo os gritos de Steve. A noite estava fria e provavelmente demoraria até que ela conseguisse pegar um táxi para ir para casa, mas ela estava tão irritada que isso não a importava. Preferia caminhar quinze minutos para chegar à parada de ônibus do que dar o braço a torcer e aceitar a carona de Steve.
Ela apressa os passos. Conhecia Steve o suficiente para saber que ele não desistiria e ficaria em seu pé até que ela voltasse atrás de sua decisão. Também sabia que ele faria aquela expressão de desespero, diria palavras bonitas sobre os momentos que compartilharam juntos desde que eram crianças, de como ele é grato por tudo o que ela faz e como ele precisa dela para viver, assim como ele fez em todas as outras vezes. Peggy conhecia Steve como ninguém e se conhecia bem para saber que não seria capaz de negar um pedido dele. E é por isso que ela precisava ir embora.
— Peggy, você quer deixar de ser teimosa? – Steve puxa o braço de Peggy, impedindo que ela continuasse seu caminho. – Por favor, me deixa explicar o que está acontecendo.
— Eu não quero ouvir, Steve. Eu já te disse. Acabou. Cansei dessa situação! Eu me demito. Chega! Eu não aguento mais! Já suportei o suficiente nesses últimos seis anos em que eu estou trabalhando para você. Então para não acabar te matando ou me matando de trabalhar, eu me demito! — Peggy não permite que Steve continuasse. Precisava ser firme em sua decisão.
— Peggy, por favor. – Implora Steve, desesperado. Ele aperta os ombros de Peggy e a encara com os olhos pidões que ela conhecia há anos e que nunca conseguia resistir. – Não há nenhuma maneira que eu consiga fazer isso sem você. Eu preciso de você, Peggy. Você é a única pessoa em quem eu confio para cuidar da empresa. Eu... eu não sou bom nisso. Você sabe que eu vou acabar estragando tudo. Por favor, eu...
— Não, Steve. Chega! – Peggy o interrompe. Mais algumas palavras e ela acabaria se rendendo a Steve. Ela afasta as mãos do rapaz de seus ombros e respira fundo para controlar suas emoções. – Vamos parar com isso, por favor. Nós chegamos em uma situação em que não tem feito bem para nenhum de nós dois. Você já tem trinta e cinco anos. Precisa crescer e aprender a assumir responsabilidades. Não pode depender de mim para sempre. Uma hora eu irei encontrar o amor, me casarei e criarei minha família. Então...
— Socorro! – O grito desesperado feminino e juvenil interrompe Peggy e Steve, que se viram para o outro lado da rua, vendo uma menina correndo com um bebê em seu colo, que estava aos prantos, e puxava um menino pela mão. – Por favor, alguém me ajude!
— Voltem já aqui, pirralhos! – Esbraveja um homem com um forte sotaque, correndo atrás das crianças com uma arma apontada para frente. Ele atira três vezes contra as crianças, mas a garota era ágil e corria em zigue-zague, carregando as outras duas crianças.
Peggy observa a cena, assustada. O desespero daquela garota para fugir e salvar a vida das outras duas crianças faz um forte desejo de ajudá-la crescer em seu peito. Ela sabia que precisava fugir. Um homem perigoso armado estava correndo atrás daquelas crianças. Não deveria se envolver, ainda assim, sua avó sempre dizia que Peggy deveria confiar em seus instintos. Então, sem pensar duas vezes, ela corre em direção das três crianças, quase sendo atropelada no processo, para tentar socorrer aquela garotinha corajosa e esperta.
— Ei! – Grita Peggy, chamando a atenção das crianças. – Por aqui!
— O que você está fazendo? – Questiona Steve, que surpreendentemente tinha ido atrás dela. Eles se encolhem quando mais três tiros são dados em direção as crianças, que novamente conseguem escapar por muito pouco.
— Indo salvar aquelas crianças. – Responde Peggy, parando de correr, enquanto procura por alguma coisa que possa servir como arma para atrasar aquele homem que continuava a perseguir a garotinha e as outras crianças que Peggy supôs serem irmãos dela.
— Aquele cara está armado! Saia daqui! Você vai acabar levando um tiro! – Exige Steve e no mesmo instante as crianças os alcança.
— Por favor, nos ajude! – Implora a garota, apertando mais o bebê que chorava desesperado contra si e usava o próprio corpo como escudo para proteger o menino mais novo a sua frente. Ele também chorava assustado e se agarrava a mais velha, como se sua vida dependesse disso.
— Fiquem atrás de nós. – Orienta Peggy, pegando uma pedra pesada que parecia ser um pedaço do meio fio. Quando as crianças se escondem atrás dela e de Steve, Peggy usa toda a sua força para jogar contra o homem, que por muito pouco consegue desviar, mas acaba batendo o ombro contra o poste no movimento.
— Desgraçada! – O homem tenta atirar, mas felizmente a arma parece ficar sem munição. Ele retira o estojo de sua pistola e recarrega a munição.
— O que você está fazendo? – Questiona Steve, furioso. – Fuja daqui com as crianças! Eu vou atrasá-lo.
— E como você vai fazer isso? – Pergunta Peggy, puxando as crianças para perto de si.
— Assim. – Steve puxa uma arma de sua cintura e, com uma agilidade surpreendente, atira contra o homem que perseguia as crianças. Ele consegue atingir o ombro do perseguidor, que rapidamente se esconde atrás do poste para se proteger. Steve atira mais algumas vezes, empurrando Peggy e as crianças para detrás do carro estacionado próximo a eles. – Corra, Peggy!
— Mas... por que você tem essa arma? – Questiona a mulher, confusa.
— Eu sou um agente da CIA. – Responde Steve, empurrando todos para se abaixar. No mesmo instante, o homem de forte sotaque volta a atirar contra eles. – Merda! Essa arma não é uma qualquer. Esse maldito deve ser um membro da HYDRA.
— O quê? – Sussurra Peggy, completamente incrédula. – O que você...?
— Quando eu der o sinal, você e as crianças corram o mais rápido que puderem para dentro do prédio da empresa. Ligue para Tony e diga que temos um código sete. Ele vai saber o que fazer. – Orienta Steve, assumindo uma postura séria que Peggy nunca tinha visto antes. — Cinco... quatro... três... dois... um... Vai, Peggy!
E antes que ela pudesse ter qualquer reação, Peggy observa seu amigo de infância se levantar e correr em direção ao membro da HYDRA, como Steve havia comentado. Peggy se levanta o suficiente para assistir Steve atirar com maestria e até alcançar o homem que atirava anteriormente contra eles, mas também não demora muito para que a sua munição acabasse. Steve então avança contra o homem e uma luta corporal se inicia.
Peggy ouve os choros desesperados das crianças. Ela vê a garota implorando para os irmãos ficarem em silêncio, mas tanto a garotinha em seus braços quanto o menino ao seu lado estavam assustados demais com os tiros e os sons das trocas de socos dos homens para conseguir se controlar.
— Quem é aquele homem? Por que ele está tentando matar vocês? – Pergunta Peggy, voltando a se abaixas atrás do carro para ficar à altura da menina que aparentava ter uns treze para catorze anos com seus cabelos cortados um pouco acima do ombro e franjinha. Mesmo estando frio, nenhum dos três estavam agasalhados e pelo odor forte e a sujeira presente nos farrapos que usavam, ela tinha certeza de que eles eram moradores de rua. – O que fizeram com ele?
— Nós não fizemos nada. – Responde a garota, irritada. – Ele tem perseguido a gente há dias, querendo nos silenciar por termos testemunhado um assassinato. Ele provavelmente é capanga do assassino e quer garantir que não vamos abrir a boca para a polícia.
— Merda! – Exclama Peggy, entendendo que a situação era muito mais perigosa do que ela imaginava. – Eu não faço ideia do que está acontecendo, mas precisamos tirar vocês daqui.
Peggy puxa o celular de sua bolsa e procura pelo o número do melhor amigo de Steve. Ela não sabia o motivo de precisar ligar para ele, mas dada as circunstâncias, ela decide fazer o que Steve havia dito. Enquanto celular chama, ela se levanta mais uma vez para ver o que estava acontecendo. A briga entre Steve e o desconhecido se desenrola de forma intensa e perigosa. Eles se aproximavam cada vez mais do lugar onde Peggy e as crianças estavam.
— Alô. Peggy? — Tony atende à ligação.
— Tony! Eu não sei o que está acontecendo, mas Steve disse que é um agente da CIA, está brigando com um cara que estava perseguindo três crianças que testemunharam um assassinato e disse que era para te dizer que temos um código sete. O que isso significa? – Pergunta Peggy, voltando a se abaixar para ficar na altura das crianças. – Quando eu disser três, nós vamos correr o mais rápido que conseguirmos para aquele prédio espelhado, está bem?
— Sim. – Concorda a criança mais velha, apertando a mão do menino.
— Código sete? Merda! Onde vocês estão, Peggy? – Questiona Tony, alarmado.
— A uns cem metros da empresa. – Responde Peggy, indicando para as crianças que ela faria uma contagem regressiva com as mãos. Ela se levanta um pouco e inicia a contagem.
— Eu chego em dois minutos. — Tony desliga a ligação e Peggy volta a guardar o celular em sua bolsa. Ela encara as crianças com seriedade e eles se colocam em posição para fugir.
— Vamos lá, pessoal. Um... dois... – Antes que ela terminasse a contagem, Peggy percebe que o homem que lutava contra Steve estava atrás de si com uma barra de ferro.
— Peggy! Cuidado!
E então tudo acontece muito mais rápido do que ela consegue acompanhar. Instintivamente, ela usa seu corpo para proteger as crianças, enquanto Steve corre em sua direção. Ele empurra Peggy e é atingindo com a barra de ferro no lugar da mulher. O agente da CIA cai inconsciente no chão e se não fosse pelo som da viatura da polícia, Peggy teria sido a próxima a ser nocauteada pelo assassino.
O homem pragueja em alemão e joga a barra de ferro no chão. Ele encara Peggy e as crianças por alguns segundos e não demora a correr para longe, provavelmente temendo ser pego pela polícia. O choro alto da bebê desperta Peggy de seu estado de choque.
— Steve! – Peggy vai de encontro a Steve e verifica sua pulsação. Felizmente, ele estava respirando, mas o ferimento em sua cabeça era preocupante. Quatro viaturas param próximas a eles. Peggy continua a encarar o amigo de infância em desespero. Porque mesmo sem ser médica, ela sabia que aquele impacto da barra de ferro em sua cabeça definitivamente deixaria sequelas em Steve.
Notas finais
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