Memórias de Inverno
8 Não faça nada estúpido
Notas iniciais
— Ellie, sou eu, Maggie, mas não deixe ninguém saber disso — ouvi ela segurar a respiração do outro lado do telefone — preciso da sua ajuda.
— Oi mãe — Ellie estava com uma voz extremamente forçada, ela era péssima com mentiras — do que você precisa?
— Tenho um recado para o Capitão América.
— Você realmente acha que isso vai dar certo? — perguntou Bucky depois que desliguei o telefone.
— Sim, ele parece ser um cara legal.
Algumas horas atrás Bucky e eu estávamos juntando todas as coisas na cabana, tínhamos a suspeita que os russos queriam Bucky de volta, e isso estava certo. Quando chegamos ao cais fomos atacados. Para minha completa surpresa Dylan apareceu e nos ajudou sem fazer perguntas. Quando tudo acabou ele parecia verdadeiramente feliz, tanto que nos emprestou seu barco e um telefone, e foi assim que liguei para Ellie.
Chegaríamos na cidade ao amanhecer, o plano era que Steve ajudasse Bucky a fugir e se esconder e Ellie me levasse de volta para SHIELD. Eu estava ensaiando um depoimento do que aconteceu, onde eu contava tudo que a Hidra fez e tentava inocentar Bucky. Mas ele me pediu outra coisa, pediu que eu dissesse que ele me fez refém até conseguir todo o dinheiro que ele precisava para desaparecer.
Não consegui dormir naquele barco, a habilidade de dormir em qualquer lugar e situação era uma coisa que eu invejava em Bucky.
Quando vi o céu começar a clarear soube que estávamos chegando, e consequentemente esses eram meus últimos minutos com Bucky. Entrei na cabine do barco tentando fazer o minimo de barulho possível, o olhei com atenção, buscando memorizar cada detalhe que pudesse.
— Você sabe que não estou realmente dormindo, não é?
— Eu juro que ouvi você roncar — disse em um tom irônico — o dia está amanhecendo, está quase na hora — fui para o lado externo do barco e sentei no chão, minhas bochechas provavelmente estavam rosas.
Bucky logo apareceu, ele tinha um aparelho na mão.
— O que é isso?
— É um reprodutor de musica, um mp4. Será que ainda funciona? — Após algumas tentativas o aparelho ligou, a primeira musica que tocou foi Wonderwall do Oasis.
— No que está pensando? — perguntei ao vê-lo balançar de leve a cabeça em negação.
— No quanto uma pessoa pode gostar de outra pra escrever algo assim.
— Por amor, até parece que você não tem sentimentos — exclamei — Você ainda vai encontrar alguém que vai te deixar louco, que vai fazer todos os filmes clichês e musicas assim fazerem sentido.
— Você não é de fazer profecias.
— Você nem sabe meu nome — exclamei.
— Margaret Moore — ele riu da minha cara de chocada, passei esse tempo todo pensando que ele não sabia — também sei que você não gosta da casca do pão, que você é formada em medicina, fala enquanto dorme, que não consegue ver as almofadas do sofá bagunçadas.
— Se você sabia porque sempre as tirava do lugar?
— Queria ver até quando você arrumaria.
— Você é sádico — disse rindo — mas então lembrei de algo, que estava me deixando muito curiosa — Então, quem é Natasha? — ele estreitou os olhos para mim, se perguntando como eu sabia disso — Quando te acertei você acordou chamando por ela.
— É uma das garotas da sala vermelha, eu as treinei para serem assassinas. A Natasha foi importante, mas não deu certo devido a vida que levávamos.
— Então se fosse nos dias de hoje, você acha que daria certo?
— Talvez.
— Parece que estamos chegando — fiquei feliz por isso, não queria falar mais sobre isso.
Em vinte minutos chegamos ao cais onde combinei de encontrar Ellie. Assim que saí do barco ela correu em minha direção e me abraçou.
— Maggie, você está tão magra, e seu cabelo está horrível. Eu achei que você tinha morrido — o olhar dela vagou para o homem a alguns passos atrás de mim.
Bucky estava sério, olhando para um homem que eu ainda não tinha visto. Capitão América. Ele se aproximou de nós e parou diante de Bucky.
— Bucky.
— Steve.
Steve o abraçou e Bucky correspondeu.
— Vamos dar algum espaço a eles — sussurrou Ellie, assim que atingimos uma distancia segura ela começou a falar desenfreadamente — Sei que você tem muito o que falar mas tenho que te contar que foi incrível. Eu invadi o sistema pra encontrar o endereço do Steve, então bati na porta dele e ele estava lindo. Quando contei o que você me disse ele estranhou, não sabia se ele ia acreditar mas aqui está ele. Ah, ele fez café pra mim.
— Você não toma café.
— Eu sei, mas como eu poderia dizer não a ele.
Quando estávamos perto de sair do cais fomos abordadas por dois homens armados.
— Creio que a segurança daqui não seja tão rigorosa assim — tirei minhas mochilas das costas, não poderia deixar ela me atrapalhar.
Não foi difícil derrubar o primeiro homem, peguei a arma dele e de seu companheiro.
— Quem mandou vocês? — perguntei.
Ele respondeu algo em uma língua que não entendi, mas foi o suficiente para saber de onde ele era.
— Chame reforços — pedi a Ellie — e peça pra levar esse dois.
Não precisei chegar muito perto para ver que os garotos também estavam com problemas. Bucky estava lutando com cinco homens ao mesmo tempo, o que era difícil até para ele. Atirei em três deles, tiros em cheio que os fizeram cair. Ao que parece eu ainda era a melhor em tiros a distancia.
Assim que os garotos terminaram a luta saímos do cais, fomos direto para o carro. Um fusca azul.
— Esse é nosso carro de fuga? — perguntei.
— Eu gosto — disse Ellie.
— É discreto — completou Steve.
— Você dirige? — Steve perguntou a Ellie.
— Claro.
Olhei a cidade pelas janelas, senti falta dos prédios que pareciam tocar o céu. Mas também vi que estávamos sendo seguidos.
— A quanto tempo estamos sendo seguidos? — perguntei.
— Não estamos — respondeu Steve.
— Aquele carro preto, ele some e aparece de novo. Ele está nos rastreando.
— Como?
Pensei em todos os momentos em que alguém poderia ter colocado um rastreador em algum de nós, mas a resposta estava mais clara.
— O mp4 — disse para Bucky — ainda está com você?
— Sim — ele tirou do bolso e me entregou.
— Vamos trocar de carro no estacionamento do shopping — disse Ellie — vamos conseguir despistar eles dessa maneira.
Deixamos o fusca e subimos para um andar acima, onde um carro bem melhor nos esperava.
Eles foram em direção ao carro, fiquei parada alguns passos atrás.
— Não se atreva — disse Ellie olhando pra mim.
— Eu te amo — sorri para ela, me virei para Steve e fiz minha melhor cara de séria — Leve ele pra um lugar seguro, e não deixe que ele saia de lá até provar sua inocência — disse para Steve.
— O que você está fazendo? — perguntou Bucky vindo até mim.
— Vocês tem que ir, eles vão chegar logo.
— Nós temos que ir, Margaret, todos nós.
— Alguém tem que ficar.
— Não vou deixar você se sacrificar por mim.
— Eu não pretendo morrer, e essa também não é uma escolha sua — talvez não tivesse outra chance de fazer isso, então dei um passo a frente e o beijei — Não faça nada estupido.
Olhei para o carro uma ultima vez e vi Ellie com o queixo caído, eu adoraria conversar com ela sobre isso.
Entrei no shopping com o mp4 no bolso, andei pelos lugares onde tinha mais gente, consegui fazer isso por uns quinze minutos antes de voltar para o estacionamento. Quando vi todos aquelas pessoas minha frente não senti medo, nem me arrependi daquela decisão.
No minuto em que minha arma para Bucky e não consegui atirar, soube que faria qualquer coisa por ele.
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