Memórias de Aurea
1 ❀ Prólogo!
Ano 2096.
Ás vezes há estórias que gostaríamos de partilhar. Mas nesse caso não é bem assim comigo. Em minhas vidas passadas criei fantasias em que um dia foi esquecido. Tentei entende-las de uma forma que nunca procurei estar tomada nessa realidade.
Tentem entender que tudo o que for dito, não passam de crônicas, poesias ou simples memórias. Eu procurei simplificar da melhor forma possível para ser contada e entendida. Não passam de momentos esquecidos por muitos que já ouviram falar, ou talvez, quase ninguém ouviu sequer a primeira frase, porém, dita. Um dia tomei a decisão de contar essas memórias. E deixar por escrito em pequenos trechos. Por acaso, você se lembra daquele pedacinho de música que tanto amas?
Você vai ficar ao meu lado?
Vai me prometer?
Se eu soltar sua mão, você vai voar para longe?
Vai desaparecer, tenho medo disso.
Você vai parar o tempo?
Se esse momento passar
Como se isso não tivesse acontecido
Tenho medo disso, eu vou te perder.
Eu ainda lembro. E gostarias de lembrar o quanto conseguir absorver em suas palavras. Mas já estou velha. E estou a esquecendo lentamente. Em minha adolescência eu adorava ler crônicas antigas e quando tinha algum tempo... Eu escrevia de tudo o que mais me fascinava. Desde o romance ficcional até o romance poético.
Nesse caso deixo com você, minhas memórias que estão sendo esquecidas. Até por mim. Elas foram escritas para que alguém um dia lembrasse-se de uma jovem sozinha, perdida, tímida e idolatrava os seus livros em meios aos pós em suas estantes velhas.
Não tenho com quem deixar. Meu único filho me deixou aos 74 anos de idade. Os médicos disseram que seu corpo já não aguentava mais. Eu tive que aceitar seu destino. Como o mesmo aceitou, levando sua alma para um lugar aonde ele gostaria de estar. Apenas seu corpo envelhecido e frágil ficou como uma triste lembrança. Seu pai ó deixou quando ele apenas tinha três anos de vida. Seu estado de saúde não permitia que ele saísse da própria cama, ao mesmo tempo, o mesmo apresentava perdas de memória conforme o tempo.
Apenas restou a mim. Que novamente foi esquecida. Por isso entrego minhas preciosas memórias a você. Espero que você se lembre delas quando a solidão estiver ao seu redor. Há vidas muito mais solitárias e incapacitadas de enfrentar o mundo do que o seu “eu”.
Somo todos como frágeis borboletas, enfrentamos todas as nossas metamorfoses. E estamos seguindo... Lentamente. Criando novas memórias e mais memórias até que não sobra mais nenhuma para serem partilhadas e de repente elas somem como o próprio casulo de uma borboleta.
Fale com o autor