Notas iniciais
Bom divertimento.

Aconteceu. Infelizmente sim, mas a ficha não caiu. Hazel Grace Lancaster morreu. O câncer aguentou por anos, mas tudo acaba um dia, não é mesmo?

Sua mãe, Frannie Lancaster, estava em choque, achando que poderia ter impedido. Michael, o pai, estava olhando para a cama da filha, onde ela assistia “America´s Next Top Model”, aguardando a morte chegar.

— Meu doce... Tão jovem. Por quê?

Frannie subiu e foi ao banheiro. Olhou pra o espelho, observando seu reflexo chorando, com o rosto vermelho, os cabelos loiros bagunçados e os lábios secos.

Olhou para o celular da filha, que estava na pia quando ela começou a passar mal. Fazia dez meses que Augustus Waters tinha morrido. Frannie foi olhar as mensagens de Hazel. A última tinha sido ontem às nove da manhã, para Kaitlyn. Abriu:

“- Oi, Hazel, como está se sentindo?

— Muito mal. Quem sabe hoje eu bato as botas?

— Cale-se se esse for o seu assunto, amada.”

Frannie não teve coragem de olhar o resto sem cair em lágrimas. Ligou para Kaitlyn, que soube por Isaac da morte de Hazel. Frannie pediu que ela fosse à sua casa conversar. A menina recusou, afirmando que partiria para a Bélgica.

ANTES DA MORTE DE HAZEL...

(POV. HAZEL) Eu estava relendo “Uma Aflição Imperial” pela milésima vez, mais pálida que a neve, mais fraca que uma minhoca. Eu até tentava tossir, mas as forças que precisaria para isso me matariam antes da hora.

Eu tinha acabado de conversar com minha melhor amiga, Kaitlyn, e estava com uma foto do Gus do meu lado. Eu não tinha apagado nossas mensagens, tampouco o tinha apagado de meus contatos. Às vezes ligava para o número, para ouvir sua voz dizendo “deixe o seu recado”.

Eu não conseguia me levantar, nem para pegar o controle e dar uma olhada em “America´s Next Top Model”. Eu precisava de um tempo para me despedir de toda a vida que me acostumei por anos, antes de partir. Liguei para Isaac, e pedi para que ele cantasse para mim.

— Qual música, Hazel?

— “A Sky Full Of Stars”, do Coldplay.

— “Cause you're a sky, 'cause you're a sky full of stars
I'm gonna give you my heart
'Cause you're a sky, 'cause you're a sky full of stars
'Cause you light up the path”.

— Pode parar, Isaac. Estou muito cansada.

— Descansa, Hazel. Beijo, tchau.

Foi quando só senti um beijo da morte, e meus pulmões inundaram. Fui para o hospital e não lembro de mais nada.

DEPOIS DA MORTE DE HAZEL...

(POV. MICHAEL) E assim, meu anjo nos deixou. Não foi repentino, porque ela estava internamente morta desde que o Augustus faleceu. E todos nós esperávamos isso, especialmente ela.

Eu queria ter tido mais tempo com ela, ter dito para ela o que nunca disse, queria que Hazel pudesse ter sido feliz. Tirando o Gus, acho que ela odiava tudo o que viveu. E como não odiar, não é?

Lembro de quando ela foi à Amsterdã, e se decepcionou ao saber que o autor do livro que mais amou na sua vida é um total babaca. Lembro de quando Augustus morreu e ela chorou mais do que poderia.

A frase que fazia Hazel ter mais vontade de morrer era “Não vou mais ser mãe”. Frannie estava chocada, e acabou dizendo aquilo.

(POV. FRANNIE) Nem sei o que digo. Se choro mais, ou simplesmente me mato. Talvez eu fosse infantil se fizesse isso, ou egoísta. O Michael não pode ficar sozinho. Ele precisa de mim, e vice-versa.

Mas quer saber? Um dia isso aconteceria, não é? Fazer o que, a vida é assim. Eu serei eternamente a mãe de Hazel, e onde ela esteja, que saiba disso, que saiba muito bem disso.

O melhor é dar tempo ao tempo, aceitar, chorar, seguir em frente, e nunca esquecer de minha filha, Hazel Grace Lancaster.

Notas finais
Gostaram?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!