Memórias bonitas
1 A primeira vez
O vento soprava fino, no ar sentia-se a brisa fresca, no coração de Sakura a tristeza.
O mundo pintado de colorido para o daltonismo do sentimento apenas cinza. A mulher não mais completa expressava a sua alma do jeito mais singelo que a humanidade conhece, cantando.
— Vendo assim o amor passar e o mundo de plano de fundo sempre acompanhar / Que histórias a vida reserva quando a emoção se extraviar.
A melodia as vezes desafinada pela voz da moça não tirava a beleza do momento, a verdadeira beleza se encontra na melancolia, não importando como é.
— Em quem podemos confiar se aquele que se ama não pode escutar seu pedido de "Não se vá"/ Em suas lamúrias o que sobrou além do castigo do profundo amor.
Aquela música era um aconchego e desabafo dos vivos, egoístas e carentes em meio a dor e incompreensão de não ter controle sobre a vida de outrem. Em suas limitações o equívoco de que a vida lhes pertenciam não incomodava a verdadeira dona que quando quisesse poderia reinvindicá-la para sempre.
Sakura vivia, ao contrário do que alguns acham, da forma mais intensa que se pode viver, na profunda tristeza. Junto a cantoria queria tocar piano mas seus dedos jamais possuíram habilidades musicais, ela era uma mulher da literatura e como uma epifania, se convenceu de que sua paixão pela escrita era a melhor forma de recordar os momentos bons.
A forma como a mulher se levantou era torta, devagar e auto explicativa, a dor no coração refletia na exaustão do corpo. Mente, emocional e físico se interligavam, tudo ia mal.
Ao pegar o pequeno caderno de anotações e uma caneta já gasta, começara a pensar em todos os momentos que conseguia, escrever seus momentos em ordem cronológica lhe parecia complexo pela memória confusa porém não desistiu.
Itachi sempre lhe dissera que era sua memória mas agora que não estava mais aqui ela precisava se virar por si mesmo.
—Ele me disse "Com licença" a primeira vez que me viu, não? Ou talvez tenha sido "Oi"... Dentro do elevador — Ela escreveu — Foi realmente lá? Me lembro de escadas, eu fui visitar Sasuke aquele dia, Naruto tinha enchido tanto o meu saco que eu o soquei na ferida feita no Handball por ser desastrado.
Uma gargalhada foi ouvida no quarto. Ela sempre tinha lembranças boas de Naruto, por que ele tinha que estar tão longe agora?
— Acho que no fundo é verdade, não é, Itachi? — A garota dizia olhando para o teto do quarto imaginando se em algum lugar seu amor ouviria — O amor supera até mesmo a morte, mesmo depois de morto eu ainda te amo.
As lágrimas fluiam livremente por seu rosto, Sakura soluçava e engasgava algumas vezes, como era doloroso para ela.
Depois de algum tempo o bocejo incontrolável veio, avisando que era hora de adentrar no mundo dos sonhos.
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