A noite traz de volta o fim do dia

Um novo longo dia de cansaço

Deitado sobre a cama, descoberto

Reflito sobre tudo o que eu faço

Para tirar da memória aquele rosto

O beijo que ainda guardo o gosto

O doce, saboroso, terno abraço

Com os olhos abertos eu evito

Me entregar ao sono logo — acordado

Quem me dera afastar do pensamento

O que a ferro em brasa foi marcado

Nem que eu durma sentiria novamente

O mesmo sonho vivido intensamente

Certa noite, num adeus, finalizado

A lembrança que engana os sentidos

Dá calor para o inverno lá de fora

A lâmpada queimada sob o teto

Acendeu aqueles corpos sem demora

Mas o sol que me visita à janela

Me lembra que a deusa da morte bela

Sem aviso, ou destino, foi-se embora