Memórias Impagáveis.

20 Capítulo 20 - Novos Amigos?


Notas iniciais
*OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO*

Normal pov.
– Isso é sério? Você cozinhando, Amu ? — Utau parou ao lado de Amu, se posicionando em frente a um balcão.
– Obrigada, Utau. — Disse Amu rindo, desligando o fogão. — Isso é errado?
– Nem um pouco, apenas muito raro. — Utau riu e ajudou Amu a colocar a comida na mesa de jantar e os adicionais.
– Kukai está aqui? — Perguntou Amu olhando para o terceiro prato posto a mesa.
– Ah, sim. Algum problema? — Perguntou Utau com um sorriso sincero.
– Não, claro que não. — Amu devolveu o sorriso, porém, tampouco sincero.

Não que ela não gostasse de Kukai, muito pelo contrário, ela o adorava.
Mas o clima clichê de romance já estava deixando-a nos nervos.
Como se ela não adorasse este “clima”.
– Oyaho, meninas. — Kukai desceu as escadas e fora ao encontro de Utau, depositando um pequeno beijo em sua testa e abrindo um largo sorriso.
Involuntariamente Amu deixou escapar um pequeno grunhido de sua garganta, por sorte, eles não haviam escutado o barulho.
Aquilo já havia se tornado completamente habitual, porque justo hoje ela estaria daquela forma? Mas é claro, hoje faria 6 anos completos, que Ikuto havia ido embora e justamente havia feito 6 anos que Amu tinha se apaixonado novamente, pela mesma pessoa.
– Amu, porque não come? — Utau passou as mãos sobre o rosto de Amu. — Não está com fome?
– Estou bem. Sim, perdi a fome. — Amu retirou delicadamente as mãos de Utau de seu rosto e se levantou. — Preciso ir ao shopping, acho que irei sair hoje a tarde.
– Com Ikuto? — Indagou Utau. — Isto é bom!

Amu afirmou positivamente e saiu pela arco da cozinha se dirigindo a porta da frente.
– Ah, quer que eu compre algo para você, Utau? — Amu voltando ao arco da cozinha e olhou para Utau.
– Não, irei mais tarde com Kukai. — Utau sorriu e olhou para Kukai.
Amu apanhou sua bolsa e casaco e saiu pela porta da frente um pouco tonta.

Palavras antigas, promessas antigas, voaram em sua mente.
E naquele momento seus pés não pertenciam mais ao chão.
E então eles voaram em direção daquelas emoções.

A manhã que parecia ser indescritivelmente perturbante para Amu, voou. Mesmo assim, fora a ser tempo suficiente para comprar tudo que necessitava para aquela tarde, que então pensara que poderia se estender para a noite. Embora naquele momento, acharia impossível.
Roupas e sapatos novos poderiam deixar qualquer mulher feliz certo? Certo.
Principalmente, Amu.

Ela era uma mulher fascinada por roupas, sapatos e acessório. Alguém que não repetia o mesmo modelo duas vezes, era ela. Seu estilo, é completamente inovador e extravagante. Moda poderia ocupar todo o seu tempo, ou mesmo se quer pensamentos, tanto quanto se não tratasse de Ikuto é claro, porque ele... Ah, ele ocupava todo o seu tempo, pensamentos, lembranças, sentimentos. Tudo, toda a sua vida.
Mas isso era sufocante.

– Alô? — Amu atendeu seu telefone mais que depressa, sem ver o número de quem ligava.
– Quanta frieza, Amu-koi. — Ah... Era aquela voz, seu corpo por alguns segundos congelou.
– A-A-Ah, Oi Ikuto. — Ela então gaguejou, se recuperando.
– Está pronta para hoje a tarde, hime-sama? — Disse Ikuto em meio de várias risadas um pouco tanto quanto escandalosa. — Estava sentindo a falta de sua voz desta forma... nervosa.

Amu pov.

Ele é tão idiota, que mesmo longe ele conseguia deixar meu rosto corado.
Meu coração acelerado.
Minhas mãos suando.
Meus pensamentos girando.
Mas isso continua a ser, sufocante.

– Claro, porque não estaria? — Respondi com ironia, soltando um pequeno grunhido, porém, um pouco alto ao ponto de Ikuto escutar do outro lado da linha.
– Ora, ora. Não resmungue minha pequena, Amu-koi. — Ikuto riu insano, me fazendo soltar um mais grave grunhido.
– Haha, bastardo. — Murmurei no mesmo tom insano de Ikuto, fazendo-o rir baixinho, mesmo assim ainda pude ouvir.
– Tenho de desligar, os pais de Sakura acabaram de chegar em casa, tudo bem? — Indagou ele, num tom mais sério sem brincadeiras. — Eu te amo, muito.
– Ah claro... — Respondi sem animação. — Eu também te amo, até mais tarde.
– Até mais tarde. — Respondeu ele, alegre. Sem perceber, a minha falta de animação.

Ou também, porque eu disfarçava bem.

Olhei no relógio grande da parede, 14:44, ótimo, não tinha nem se quer 1 hora suficiente para poder me arrumar. Sim, o encontro “duplo” seria as 15:30. Tinha alguma hora melhor? Claro que não, é o Ikuto sempre querendo me avacalhar. Com pressa, entrei rapidamente na banheira. O toque da água gelada em meu corpo quente, me deu um pequeno choque térmico fazendo que eu me arrepiasse. Mas agora a água estava me deixando cada vez mais incomodada, o dia estava fresco, porém para mim, estava frio. Fazia no mínimo 15º C lá fora, mas mesmo assim nunca consegui me adaptar ao frio tanto assim.

Peguei a roupa mais quentinha que vi pela minha frente, uma calça jeans um pouco surrada, blusa de gola alta preta e um all star branco. Peguei meu casaco fino branco e qualquer bolsa que havia pelo menos algum espelho ou qualquer quantia de dinheiro acima de 20$.
Afinal, Ikuto cobriria todas as minhas despesas.
Querendo ele, ou não.
Namorada legal? Claro que sim.

É essas são as minhas condições, afinal quando eramos mais novos, ele dormia na MINHA CASA! NO MEU QUARTO! NA MINHA CAMA! Então a única coisa que ele deve fazer para se redimir e pagando algo para mim, voltando pra mim... Ah droga, ele nunca vai embora dos meus pensamentos, não importa o que eu faça.
– Eu já disse que estou indo, oh céus! — Gritei tão alto que no outro lado da linha, Ikuto poderia ter ficado surdo de alguma forma.
– O que foi desta vez, Amu? — Perguntou Ikuto, calmo.
– O QUE ACONTECEU... — Abaixei meu tom de voz, envergonhada. — Desculpe, não sei o que me deu. Já estou chegando, não se preocupe.
Desliguei o telefone e me apoiei contra a parede de madeira, me perguntando o simples porque.

Melancolia.

Acho que isso tudo sumiu, seus olhos cor de safira conectaram-se aos meus no primeiro momento que se viram novamente. Eu estava esquecendo do chão, estava voando por dentro daqueles olhos, meus pés não pertenciam mais ao chão e eles flutuavam. Mas eu.. estava caindo, caindo... Minha mente então estava se apagando suavemente... Mas eu pensei que eu podia voar...
– Amu? — Só ouvi esta voz doce me chamar, depois disto então...,


– Ela está bem, foi apenas um colapso. — Disse uma garota de cabelo ruivos e pele branca e olhos verdes, parecia uma princesa ou uma boneca francesa de carne e osso.
– O que aconteceu? — Perguntei, meio sonolenta.
– Você apagou, por uns 30 segundos. — Disse um garoto mais moreno que a garota ao seu lado, seu cabelo era castanho claro e seus olhos mantiam a mesma cor do cabelo.
– Quem são vocês? — Indaguei gentilmente, com um sorriso torto.

Ikuto então se aproximou de mim por trás, como eu estava ainda sentada ao chão, ele então envolveu seus braços em meu pescoço. Toque da sua pele suavemente fria me fez arrepiar, mesmo por baixo daquelas camadas de roupa, seus toques eram reconhecíveis para mim no mesmo momento.
– Ah sim, Amu. Está é Sakura e o garotão ao seu lado é o Haru, seu namorado. — Disse ele, ajudando-me a levantar do chão.
– Garotão? — Perguntou ele, ofendido falsamente. — Oh! Prazer, Amu.

Ele estendeu sua mão em um aperto de mão, Sakura a boneca francesa em minha vista, também se aproximou.
– Prazer, Amu! Ikuto fala tão bem de você. — Disse ela com sorriso estampado no rosto e me dando um forte abraço, é claro eu o retribui.
– Agorinha eu irei aparecer um idiota. — Disse Ikuto, soltando uma risada alta.
– Mas você não é? — Indagamos as duas.
– Duas contra um, perdeu Ikuto. — Murmurou o “garotão”, logo após uma risada baixa.
Rimos as duas ao mesmo tempo em um uníssono.
Naquele momento, percebi que seria eles estavam conectados em mim de alguma forma.
Mas eu não sabia o que era.

Sakura e Haru para mim já haviam virado melhores amigos, eram pessoas muito gentis e atenciosas. Haru era realmente um “garotão”, mas não no sentido infantil é claro, mas ele era muito engraçado.
– Haha, Ikuto? Chorando? Isto eu queria muito ver. — Ri ofegante, colocando a mão sobre a barriga que doía por causa das risadas.
– Ei! Eu estava chorando por você, Amu. — Resmugou ele, mesmo assim mantia um sorriso pervertido. Sua mãos passeava sobre minhas coxas, logo corei virando a atração principal para as risadas novamente.
– Awn, você fica fofa assim, Amu-chan. — Sorriu Sakura apertando de leve minhas bochechas.

Ao dizer isso, Haru se aproximou do pescoço da garota, beijando-o. Ela então corou da mesma forma que eu, abaixando a cabeça. Os garotos se olharam por um segundo, tentando abafar as baixas risadas.
– Isso não é engraçado! — Gritamos um pouco baixo, afinal estavamos em um restaurante familiar. — Pervertidos!

Eles então explodiram, em uma risada uníssona porém, baixa.
– Haha, estou rindo muito. — Disse a ruiva com uma cara séria.
– Haha. — Soltei uma risada insana, com a mesma expressão de Sakura.

Em toda a minha vida, nunca tive amizades assim. Talvez sejam porque nós tinhamos o mesmo problema proposto, a separação.
Mas naquele momento, eu tinha certeza que nenhum de nós estávamos pensando sobre isso, era como um remédio. Aqueles eram os meus novos amigos, amigos com quem eu poderia contar meus problemas, pois de alguma forma eles iriam sempre me entender.
– Ei, Sakura. — Sussurrei baixinho no ouvido dela antes de irmos embora. — Cuide de Ikuto por mim, tudo bem?
– Claro. — Sussurrou ela também. — Cuide de meu Haru, também.

Antes que eu pudesse me virar, Ikuto me agarrou pela cintura e pressionou meus lábios contra os dele, entreabri meus lábios com um movimento convidativo. Sua língua dançava em ritmo suave e calmo com a minha, se entrelaçando. Não estava ligando para quem assistia, eu sentia falta daqueles lábios, daquele beijo doce e ardente.

Ele também não estava ligando, suas mãos desceram a gola de minha blusa e seus lábios beijavam aquela pele recém-exposta, chupava-o fazendo marcas roxas, o que não havia nenhum problema. Não só porque eu estava de blusa com gola alta, é sim porque eu sentia falta disto.
– Queria ao menos, passar a noite com você. — Sussurrou ele em minha orelha com uma voz rouca, e logo mordeu o lóbulo.

Eu não havia nem se quer percebido, eu estava tão perdida naqueles sentimentos que nos estavamos em um beco não muito escuro, ao nosso lado estava Sakura e Haru, sem ligar ao menos para nossa presença.

Ikuto e eu então, fizemos o mesmo. Seus lábios novamente se selaram aos meus, desta vez um beijo mais delicado e doce, para que ao menos eu pudesse respirar, beijei-lhe o pescoço e passava uma de minhas mãos suavemente em seus fios de cabelo.
– Oh, droga! — Murmurou Sakura, se distanciando dos lábios de Haru, seu telefone tocava.
– Seus pais? — Perguntou Ikuto, me segurando apenas pela cintura em leve abraço.
– Sim, temos que ir... — Sussurrou ela baixinho, decepcionada.
– Foi um prazer te conhecer, Amu. — Sakura se aproximou de mim e meu deu um forte abraço.
– O prazer é meu também. — Respondi, retribuindo o abraço da mesma forma.

Haru e Sakura trocaram mais algumas carícias e palavras, e então dizeram um longo “até breve”.
– Eu te amo. — Disse Ikuto, me beijando novamente.
– Eu também te amo, Neko-Hentai. — Foi a última frase que disse, antes que ele pudesse ir.
Mas antes disso, pude ver um sorriso largo e sincero lhe formar no rosto.

– Eu te acompanho em casa, tudo bem? — Perguntou Haru, com um sorriso torto nos lábios.
– Claro. — Respondi entusiasmada.

O caminho para minha casa, fora a ser bem tranquilo. Trocamos nossos números e emails, seria muito bom para mim manter contato com Haru, afinal ele sentia a mesma “dor” que eu estava sentindo.
– Isso é ruim. — Comentou ele, ao me deixar na porta de casa. — Queria que ela estivesse comigo.
– Eu também, sinto muito a falta dele. — Respondi com uma lágrima pequena saindo de meus olhos.
– Mas eu sei que um dia, ele vai voltar para mim. Pois ele sempre cumpre, suas promessas. — Continuei, limpando a pequena lágrima e lhe abrindo um sorriso não muito largo, mas sincero.

Notas finais
Sem comentarios... ok...