Memórias

1 Capítulo único


A imagem de Kuroro ainda era vívida em sua mente. O sol despedia-se daquele mundo esquecido por todos, lançando seus últimos raios de luz nas faces dos jovens imersos em silêncio. Um convite, um pacto para uma vida inteira. Não havia destino em Meteoro. Não havia lar. O que os impedia de abandonar a cidade maldita e reivindicar o que outros lhe haviam tomado? Se morressem, ninguém sentiria falta.

Pakunoda observava aquele homem estranho, avaliando cada traço de seu rosto. Os cabelos eram negros, mas os olhos eram mais. E ela perdia-se na escuridão, sonhando em seu íntimo com a possibilidade oferecida. Por fora, lábios finos, olhar despreocupado. Por dentro, um calor a consumia. Calor inexplicável, incompreensível.

Tudo o que Pakunoda sabia era que desejava seguir aquele homem.

E ela seguiu. Acompanhou Kuroro na orquestra elaborada com tanta dedicação e maestria. Absorveu seus ideias, suas falas mais inspiradoras. Incorporou na alma a fidelidade à Aranha, seu novo lar.

Mas nenhum sentimento comparava-se ao ardor nos olhos negros. Um ardor que impregnava Pakunoda, consumia cada pedaço seu. E ela amava Kuroro contra todas as regras, contra todo o bom senso. Por fora, lábios finos...

Por dentro, a memória eterna da escuridão.

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