Memórias

1 Prólogo


Era para ser tudo perfeito, já que todas as quartas-feiras antes daquela haviam sido. Pelo menos depois daquelas mudanças que foram, em parte, boas. Eu poderia sentar-me em uma das carteiras da frente porque nunca sentara lá atrás. Eu poderia sentar-me em uma das carteiras da frente porque gostava de sua amável companhia. Ela me trazia paz, acalmava meu espírito barulhento e inquieto. Mas não, as separações não me acompanham e naquele dia resolveram fazer uma visita. Talvez para me testar. E lá estava eu. Sentada na última fileira da horizontal no canto esquerdo da pequena sala cheia. Fazendo uma prova. Quietude absoluta. Eu não pensava se não nos temas discutidos naquela prova absurdamente fácil.

Mas talvez a demora por serem muitas questões ali contidas,me fez ficar irritada. Estranho, já que não é muito comum eu ficar irritada.

Era estranha a forma como eu balançava as pernas embaixo da mesa, pensando no que escrevia na prova e já pensando no que faria no restante do dia, e em outros dias...

Depois de ouvir muita coisa que geralmente não se ouve em histórias de final feliz, consegui terminar aquela prova que tanto me irritara. Trocar de lugar talvez fosse a solução correta, e com uma permissão e duas pernas, finas, mas ainda assim pernas, caminhei até minha nova mesa de trabalho, se é que pode ser chamado de trabalho algo tão simples de se fazer.

Logo eu estava na mesma última fileira da horizontal, desta vez do lado direito da sala.

Mas acabei percebendo que foi ainda pior. Eu não me importava em perder aqueles dois pontos por algum trabalho extracurricular que não havia sido entregue.

O que realmente me zangava era o fato de que aquela que deveria zelar por mim dentro daquele lugar, não acreditara quando eu disse, honestamente, e ainda com testemunhas, que havia sim, feito o trabalho, mas não entregara, primeiro porque não achei bom, segundo porque na época eu era uma pessoa de enorme aversão política, principalmente se tratando de política brasileira, que só de pensar, dá medo.

Meu espírito era tão apolítico que eu me sentia meio Sex Pistols. Eu era meio anarquista.

Mas se há algo que me irritava mais do que qualquer coisa, é quando eu falo a verdade e a pessoa insiste até o fim que estou blefando.

A cada saída da Chefona, como me referia à professora de português e também diretora da escola,comentários, brincadeiras bobas e infantis, e meu escândalo ao falar com ele, a quem apelidei de "Senhor Funny", um apelido conhecido somente por mim para falar sobre ele, e além disso, meu escândalo por não ouvir o que eu mesma dizia.

Muitas reclamações vindas somente para mim, e o que me irritava era forma na qual elas eram despejadas, praticamente vomitadas sobre nossos ouvidos. Odiava gente rude, grossa, que não sabe conversar, só fazer escândalo.

E eu ficara ali, sozinha, joguei os cabelos para baixo. Inclinada, apoiando a cabeça nas mãos e sustentando os braços sobre as coxas. Paula me perguntou umas mil se eu me sentia bem. Não, eu não estava bem, dizia que sim, mas não estava. Minhas pernas balançavam sem parar, ansiosas pelo fim.

Este, demorou demais para chegar. A próxima aula, de espanhol, haveria de ser melhor.

A professora era mais calma, e eu realmente gostava dela, e não era por conhecê-la fora dali, bem antes de todos.

O intervalo naquele dia havia sido péssimo. Muitas garotas, pouca diversão. Muita chatisse, poucos dos que eu realemente gostava.

Talvez o restante do dia fosse melhor.

Ok, não foi ótimo, mas foi um desses dias considerados normais, um dia tedioso como qualquer outro.

Notas finais
Bem, eu estava meio preocupada se vocês iam gostar...
Por favor, comentem para que eu possa aprender cada vez mais.
E um obrigada à minha amiga Elaine por ter lido o texto e me ajudado na escolha do título da história.
Espero que agrade. Boa leitura!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.