Memory Lane
1 Capítulo 1
So Much Has Changed
Por Aninha e Fernanda
Um
Dois anos. Sim, fazia dois anos desde que tinha se mudado de Albany. Ele tentava se lembrar de quem tinha sido a maldita idéia de fazer faculdade em Nova York. Ah claro, de seus pais. Ele tentava lembrar também porque ele tinha concordado com aquilo. Mas isso não importava mais, ele estava voltando para sua cidade.
- Querido – a mãe dele disse ao recebê-lo no aeroporto.
Ele lhe deu um enorme abraço.
- Eu disse que era uma boa idéia voltar – ele falou rindo e abraçando a mãe de volta. – Você está morrendo de saudade.
Ela riu do comentário do garoto, mas logo fechou a cara.
- Seu pai não está nada feliz com isso.
Ele imediatamente revirou os olhos.
- Eu já disse que posso continuar com o curso de direito aqui mamãe – ele falou dando um suspiro.
- Não vamos falar sobre isso agora – ela disse com um sorriso maternal e voltou a abraçar o filho.
Ao chegar em casa ele não conseguiu fugir do assunto e então juntamente com seus pais resolveu que ia continuar o curso de direito em Albany. Agora tudo era uma questão de pedir transferência. Mesmo que não tivesse certeza se era aquilo que ele realmente queria pra sua vida resolveu aceitar para não arrumar mais briga. É claro que seu pai queria que o filho seguisse seus passos e se tornasse um grande advogado. Mas alguém alguma vez perguntou a se era aquilo mesmo que ele queria? Claro que não, por isso que há dois anos os pais praticamente não esperaram o fim da formatura e o mandaram pra Nova York. Mas agora ele estava de volta.
Ele logo subiu e encontrou a porta do seu quarto cheia de adesivos como sempre fora. Ao entrar percebeu que não era só a porta que estava igual a como quando ele a deixou, O interior de seu quarto também não tinha mudado nem um pouco. Na parede perto da mobilha com o computador estava seu mural de fotos.
Ele pode ver fotos suas com seus antigos companheiros de time. Sim, ele jogava futebol americano quando estava na escola e continuou a jogar quando entrou na Universidade. Se tinha algo que gostava de fazer era jogar futebol americano. Ele ficou observando os rostos conhecidos e depois se deitou na cama.
Ao lado dela estava um móbile com algumas gavetas. Ele resolveu abri-las. A mesma bagunça de sempre. Remexendo nelas encontrou uma foto. Então era ali que a foto estivera o tempo todo? Ele não conseguia não pensar o quão estúpido era por não ter procurado ali.
Ele virou o retrato e nele reconheceu a caligrafia dela.
“Ei Jonas!
Aposto que você adorou a surpresa. Já estava na hora de tirarmos uma foto descente não acha? Até que essa saiu bonitinha.
O mais legal dela é que foi uma foto sem ser planejada. Acho que isso deu toda a graça dela. Apesar de eu estar com o seu moletom e por isso parecer cinco quilos mais gorda.
Nem venha reclamar, eu já sei que você vai dizer que eu não estou parecendo gorda. Mas isso é só porque você gosta que eu use seus moletons para depois poder ficar sentindo meu perfume neles não é?
Enfim, não sei escrever coisas fofas. Mas espero que você guarde sempre essa foto com você pra relembrar dos dias que você fez minha vida ficar mais alegre.
Te amo muito, .”
, como sentiu falta dela. Não que eles fossem namorados ou algo do tipo. Quer dizer, não era pra tanto. Eles eram amigos desde o primário. Foi a única coisa interessante que Joe consegue ver naqueles grupinhos estúpidos de escola. Eles o levaram até . E a Thomas também, mas eles já eram amigos antes disso.
Mas ele só conheceu porque entrou no time da escola. Ela era líder de torcida. Muito superficial para quem vê de fora. Mas ela não era assim, e era isso que tanto gostava nela. Não existia a popular, a líder de torcida, a da família ou a dos amigos. Ela simplesmente era ela mesma com todos.
Ela e eram amigos, isso não tinham como negar. Mas todos consideravam mais que amizade, apesar de saberem que nada nunca tinha acontecido entre eles. Costumam os chamar de “O casal que não beija”. Porque era isso que eram. Alguns tinham ficantes, outros tinham namorados e ainda existiam aqueles que não tinham ninguém porque não gostavam de se prender. Mas ele tinha a e ela tinha a ele. E isso bastava, não precisavam ficar se agarrando por aí, por mais que fosse a vontade de pelo menos. Ele nunca soube se o sentimento era recíproco, apesar de todos acharem que eram, porque ele tinha medo.
Só hoje ele conseguia perceber isso. Ele tinha medo de perder a amizade de . Mas o que tinha adiantado se seus pais lhe tiraram ela? Desde que ele tinha ido para Nova York eles perderam contato. Não por culpa de . Ele tinha mandado inúmeros emails para ela, tinha telefonado, mas ela nunca respondia a nada.
Ele sentiu saudade dos tempos em que para ele só bastava . Por que voltar parecia trazer todos esses sentimentos de novo? Talvez porque ele tenha se iludido pensando que aqueles sentimentos tivessem deixado de existir. Ele sentiu uma saudade imensa dela. Precisava ouvir sua voz, ouvir o barulho da risada infantil dela. Em um impulso se levantou rapidamente e tirou o celular de sua mochila.
Pesquisou na agenda e lá estava o número dela. Ficou alguns segundos encarando a tela do aparelho e tentando buscar coragem. Ele quase desistiu mas apertou o botão de chamadas e ficou torcendo para que o número não tivesse mudado.
- Alô? – a menina perguntou do outro lado da linha.
sentiu uma corrente elétrica percorrer seu corpo. Como era bom ouvir aquela voz depois de tanto tempo.
- ? – o menino perguntou calmamente mesmo já sabendo a resposta.
- Sim, mas quem é? – ela perguntou duvidosa.
Pelo menos ele achava isso. Como ele se atrevia a ligar pra ela depois de todo aquele tempo? Ela podia jurar que tinha lido o nome errado no visor do celular, mas ao ouvir a voz dele não tinha mais dúvidas. Jonas definitivamente estava ligando para ela.
- – ele disse simplesmente.
- ...?
- Jonas.
- Ah, o cara da loja de computadores certo? Olha, eu ainda não pensei se quero comprar...
Então era isso? Ele tinha ficado fora por dois anos e ela tinha o esquecido? Como ela podia ter feito isso com ele?
- Hum, deixa pra lá – ele disse desligando.
Ela tinha quase toda certeza que sua mentira tinha funcionado. Pelo menos ele tinha acreditado que ela não se lembrava dele. Mas aquilo seria um desapontamento na voz dele? Quer dizer, quem a largara ali naquela cidade sem nenhum adeus tinha sido ele certo? E agora ele achava que com um simples telefonema poderia fazer com que tudo voltasse ao normal? Se ele pensava isso estava muito enganado, e tinha certeza disso.
Depois do telefonema desastroso tinha ficado o dia inteiro no quarto pensando em como seria possível que ela tivesse o esquecido tão rápido.
- Mãe, você sabe dos Collins? – ele perguntou a mãe depois do almoço.
- Os Collins, pais da ? – ela o perguntou e ele fez que sim com a cabeça. – Bom, eles se mudaram. Eu acho que o Sr. Collins recebeu uma promoção e eles foram para a Califórnia.
Califórnia? Isso significava milhares de quilômetros de Albany. Sem contar que a mãe nem sequer sabia em qual cidade da Califórnia. Teria como tudo ficar pior? Ele pensava que não.
- Por que você não combina de sair com o Thomas? – a mãe perguntou o tirando de seu transe.
Por que as mães têm essa mania de não citar apelidos?
- É uma boa idéia – eu disse sorrindo e passando meu braço pelo ombro dela.
Sentia falta de sua família também.
- Ele tem ligado desde a semana passada – ela disse rindo.
Tommy era um bom amigo. E ir até a casa de Tommy era muito melhor do que ficar sem fazer nada ou assistindo aqueles malditos especiais de fim de semana que passariam na televisão. Além disso, ele ia rever seu melhor amigo. Ele pegou as chaves do carro e se dirigiu até a casa de Thomas. Em pouco tempo estava tocando a campainha.
- Cara, quanto tempo – Tommy disse ao abrir a porta e o abraçando. – Parece que foi ontem que você foi pra Nova York.
passou a mão pelo cabelo rindo.
- Como vão as coisas? – ele perguntou a Tommy que lhe deu passagem para entrar.
gostava de ouvir falar da faculdade e dos jogos dos quais provavelmente ia participar no início das aulas, mas aquilo não parecia tão importante pra ele agora. Por que ele não podia simplesmente falar da sua antiga melhor amiga que tinha se esquecido dele? Ele não queria tocar no assunto primeiro, mas já que Tommy não o fez ele foi obrigado a tomar uma atitude.
- Fiquei sabendo dos Collins – disse tomando um gole de sua cerveja.
- Hã? – Tommy o olhou desentendido.
- Que eles foram pra Califórnia.
- Ah, isso. É verdade, mas eles foram um pouco depois de você deixar a cidade. Já faz um bom tempo.
- Eles moram aonde?
- Em Los Angeles. Um grande avanço pro Sr. Collins.
Por que tinha que ter ido pra Los Angeles? Seria tão mais fácil se ela estivesse ali. Ou não, não era ela que tinha se esquecido dele? Então ele não deveria mais pensar nela. Milhares de quilômetros os separavam e o nome Jonas não significava nada mais para ela, então por que ele deveria ficar se lembrando dela? Era isso, iria aproveitar com Tommy o final das férias e ia esquecer de vez. O passado tem que permanecer no passado e o futuro é o que importa.
Até parece.
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