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1 Who's that a girl?


Notas iniciais
Este é o primeiro capitulo, então se algo ficar confuso para você me avisem. Sua opinião é essencial para que eu conserte meus erros.

Eu estava na cozinha, a luz fraca da manhã invadia o lugar, irritado meus olhos. Uma xícara de café fumegava a nossa frente, e um cigarro queimava entre meus dedos. Sabia que nicotina junto com a cafeína não era uma boa maneira de começar o dia, mas era o que eu sempre fazia quando saia da cama. Sophia, minha irmã mais nova entrou na cozinha, ainda vestia sua camisola rosa bebê e suas pantufas velhas, ela olhou para o relógio e seus olhos ficaram arregalados, faltavam cinco minutos para o ônibus escolar passar, e conhecendo Sophia como eu conhecia, cinco minutos não eram o suficiente.

— Por que diabos você não me acordou? — ela se exaltou, saindo da cozinha antes que eu falasse alguma coisa.

Esfreguei minha nuca e bocejei, Winter entrou na cozinha, balançando o rabo e me olhando, provavelmente queria ir para fora, mas agora eu não tinha tempo. Acariciei o topo da sua cabeça e larguei meu cigarro no cinzeiro, saindo de casa.

Quando o ônibus surgiu na esquina, Sophia surgiu do lado de fora, usava um vestido floral e sapatilhas, seus cabelos loiros caiam em suas costal, um pouco bagunçados, ela passava gloss em seus lábios e me olhava de forma raivosa.

— Você me paga, Blake! — ela disse assim que terminou. Entramos no ônibus e Sophia sentou-se no colo de Dean, seu namorado, o que me fez fazer uma careta. Me sentei ao lado deles, próximo a janela.

— E aí, cara — falou ele me cumprimentando — Como vão as coisas.

— Dean, não fala com esse idiota, se fosse por ele eu ainda estaria dormindo — minha irmã reclamou para o namorado, lancei a ela o meu famoso sorriso cínico e ela fez beicinho para Dean.

— Bem que eu precisava de uma folga, mesmo, seria legal — falou Dean por fim.

Antes de ser namorado de Sophia, Dean já era meu amigo, o que fazia com que em grande parte das vezes ele ficasse do meu lado, isso com certeza deixava minha irmã muito irritada, apesar dela não demonstrar.

— Seus baladas — falou ela — Por que vocês não é casam?

— Blake não quer assumir que é louco por mim, então tenho que me divertir com a irmã loira dele — Dean falou e Sophia saiu e seu colo, indo para o fundo do ônibus — Acho que ela não gostou...

— É — falei dando e ombros — Mas quem se importa?

O primeiro período foi torturante e os que o seguiram também. Eu definitivamente odiava a escola.

Tive que aturar a Sra. Grifeld durante dois períodos enquanto ela explicava os componentes químicos e coisas que ninguém nem ao menos sabia o que eram. Depois veio o Sr. Osvell com sua "adoravel" aula de sociologia, que foi incrivelmente torturante. Eu dormi durante as outras duas aulas e quando sai da classe senti certo alívio, que logo passou.

Joseph me empurrou assim que me viu no corredor.

— Eu estou com fome — falou me prensando contra o armário — O que acha de me dar sua grana?

Ele sempre fazia isso, pelo menos uma vez na semana, e eu nunca entregava meu dinheiro, o que o deixava com raiva. Mas eu senti ainda mais raiva, eu era um cara alto e nunca me defendia, sabia que era burrice brigar com ele sabendo que os dois amigos dele, Logan e Paul, estariam ali para me bater também. Mas não liguei pra isso, simplesmente soquei a cara redonda de Joseph.

Logo, eu estava sendo segurado por Logan e Paul enquanto o desgraçado socava meu estômago e meu rosto. Outros alunos se aglomeraram ao redor observando a "briga" onde apenas eu apanhava.

— Param já com isso — Sophia falou surgindo do nada, e de forma surpreendente eles me soltaram e saíram, ela se aproximou mais eu me afastei.

Ótimo, agora minha irmã me defendia. As coisas com certeza não podiam ficar piores.

Sai da escola e fui até um riacho ali perto, onde me deitei no gramado e fechei os olhos. A grama estava úmida, mas eu ignorei isso, me concentrando nas minhas feridas que ardiam e meus músculos que estavam incrivelmente dolorosos.

— Se eu fosse você, não me deitaria na grama — falou uma voz feminina, abri os olhos alarmado e me sentei, o que fez com que uma dor aguda cortasse meu abdômen, não me surpreenderia se tivesse quebrado uma costela.

Uma garota me observava, ela tinha cabelos negros um pouco abaixo do ombro, seus olhos eram pretos, mas dóceis, seu rosto era delicado e magro, assim como seu corpo pequeno e liso, onde quase não se via curvas. Ela usava coturnos a meias 3/4, um short jeans desfiado e uma camiseta larga com o logo do Pink Floyd.

— Ei, seu rosto... — ela murmurou se abaixando, fez beicinho e encheu as bochechas de ar.

Ela largou a mochila na grama e tirou de lá um estojo, quando o abriu, percebi que era um "kit de primeiros socorros".

— Deixe-me dar um jeito nisso — falou molhando um algodão com álcool. Me esquivei. — Ah, não! Não seja teimoso.

— Por que alguém anda com isso? — apontei para seu estojo e ela riu, dando de ombros.

— É necessário quando se é desastrada.

— E por que está querendo cuidar disso? — dessa vez apontei para o meu rosto.

— Troca de favores — ela hesitou — Digamos que estou um pouco perdida, eu vou cuidar das suas feridas e você vai me levar até a Escola Reitfell.

— Não, obrigado — falei me afastando, não pude deixar de fazer uma careta de dor.

Ela se colocou de pé e revirou os olhos. Depois olhou para o riacho, e seus olhos ficaram distantes.

Way out the water, See it swimming, Where is my mind?*— ela sussurrou de forma melódica, um canto doce. Sua voz era muito boa.

— De onde você saiu? — perguntei, impressionado, ela riu com infantilidade.

— Não sei — ela falou com honestidade — Acabei de me mudar para Crowsville.

— E de que cidade você era? — me surpreendi comigo mesmo por ter perguntas para a garota, mas eu tinha várias.

— Helena! — alguém gritou, um homem. A garota ficou alerta.

— Lena! — uma voz feminina acompanhou.

— Meus pais — ela deu um pulinho — Estou aqui!

Logo um homem com cabelos grisalho e olhos cinzentos surgiu e atrás dele uma mulher alta e negra. Ambos sorriram quando viram a garota ao meu lado. Eles não tinham nenhuma semelhança física com Helena.

— Oh meu Deus! — o homem exclamou quado me viu — Helena o que você fez?

— Nada! — ela falou na defenciva. Estreitei os olhos, por que ela teria algo haver comigo? — Pai, ele estava assim quando o achei...

— Oh, ele deve ter sido sequestrado, Charlie, leva o menino para o carro — falou a mulher alta, Lena me olhou sem entender e eu me levantei quando Charlie ameaçou me levantar.

— Escuta, eu não preciso da ajuda de vocês — falei na defenciva — E não fui sequestrado.

— Um rebelde — franzi o cenho, e então Charlie prosseguiu — Você sabe o que iria acontecer com você no lugar de onde viemos?

— Não, e não me interesso — falei pegando minha mochila e saindo do riacho. Ouvi os murmúrios dos pais de Helena, e ela tentando se explicar.

— Ei, espera! — a voz dela gritou quando eu ja estava quase saindo do bosque, não me virei — Você nem...

— E você não deveria ter interesse! — Charlie a cortou — Droga, Lena! Foi exatamente por causa desse tipo de pessoa que você perdeu a memória.

Notas finais
*Trecho retirado da música "Where is my mind" da banda Pixies.