Memories of Tears...
2 Capítulo 02: Give me...
Notas iniciais
O local era úmido, escuro e fétido, ela não sabia onde estava, não lembrava, a unica coisa que lembrava era ter usado a magia suicida pra salvar a todos.
Será que lá era a morte? o inferno ou o céu? Na verdade ela não ligava, não mais, a partir do momento que ela usou aquela magia, seu mundo desmoronou, ela não se arrependia, não sentia rancor ou ódio, tudo foi escolha própria, ela que traçou o seu caminho, mesmo que se ela não tivesse feito aquilo, todos iam morrem, ela sabia que tinha feito o certo, que ela tinha que protege-los, seus tão queridos amigos e sua família, mas ainda assim se sentia tão triste.
Se tudo que havia feito era o correto, então por que, por que estava chorando? Seria arrependimento? Não, não era, talvez fosse o fato dela saber que não os veria mais, não poderia ver seu amado filho ou Gajeel, não poderia toca-los, não poderia ouvir suas vozes, não poderia ver seus sorrisos, suas bobagens, não poderia ser feliz, ela agora estava sozinha, no negro vazio, sem ninguém.
Ela não sabia quanto tempo havia passado, talvez dias, meses ou anos, ela simplesmente não sabia de mais nada depois de tanto tempo sentada no escuro, suas lagrimas nem saiam mais, mesmo querem desesperadamente chorar e se libertar daqueles sentimentos amargos e dolorosos, ela não conseguia.
Fazia tempo que não sorria, mas sorrir pra que? Sorrir pra quem? Ela não tinha motivos pra sorrir e ela já tinha desistido de achar um motivo pra isso. Agora, até de louca já havia se chamado, no começo, ela tinha alucinações, as vezes ela via seu filho no berço e isso era tão doloroso pra ela, ver seu pequeno Lenyu e não poder toca-lo, acaricia-lo, acalenta-lo, não podia nada, só observar, mas mesmo sendo doloroso, ela ainda ficava feliz por vê-lo tão bem, outra vez ela, também viu Gajeel lutando, foi horrível pra ela, ele parecia que ia morrer, parecia até que já tinha desistido de lutar, mas Levy não deixou que isso acontecesse, mesmo ele não podendo vê-la, não podendo ouvi-la, ela gritou e gritou, mandou que se levantasse e lutasse, que eles tinham um filho que ele tinha que proteger, que ele não podia morrer, ela gritou tanto naquele dia que sua voz nem saia mais no final, mas ela sabia que tinha sido em vão, que ele não a tinha ouvido, afinal, era apenas ilusão, mas apenas essas "ilusões" a faziam sorrir no começo, mas fora só no começo, porque num determinado momento elas param, tudo parou, seu tempo havia parado, desde a sua morte.
Depois de muito tempo que as ilusões param, que seus olhos não brilhavam, que suas lagrimas não saiam, que tudo tinha perdido o sentido, que o tempo parou pra ela, depois que ela tinha de fato quase "morrido", ela pode vê-lo novamente, ele estava em frente de uma lapide, provavelmente a sua, no lugar onde havia se declarado a ela, e colocou uma flor azulada na frente da pedra, Blue Peony, sua flor favorita.
Depois de muito tempo, ela se levantou e correu, correu até ele, mas não pode chegar muito perto, ficou na sua frente, não podia passar da linha das arvores, a mesma parede de vidor impedia que ela pudesse passar, naquele dia, ela gritou tanto pra ele, chorou tanto, sorriu tanto, que mal se aguentava de pé, sua felicidade foi tanta que ela até tinha esquecido que estava presa. Uma coisa que a fez com que ela chorasse mais ainda de felicidade, uma coisa que aconteceu, que há muito ela não podia provar.
Ela podia ouvi-lo.
Podia ouvir claramente o que ele dizia.
— Levy, sabe o que eu estava lembrando? — perguntou, porem para o vendo, que passou e levou sua pergunta para longe, pois ele sabia que ela não podia ouvi-lo.
Mas ela podia.
Ele sorriu e disse numa voz calma e baixa como se quisesse dizer apenas pra ela.
— Estava lembrando de quando me declarei pra você. Você lembra?
Ela respirou fundo e limpou as lagrimas.
[— É claro que eu lembro —] gritou pra ele que não a ouvia, mas ela continuou a gritar [— Foi nesse mesmo lugar, foi lindo, foi magnifico, foi maravilhoso, você é magnifico.]
Mas ele não a ouvi, parecia perdido em pensamentos, talvez lembranças, ela não sabia.
Gajeel sorriu e comentou à ela, mesmo que ela não pudesse ouvi-lo.
— Realmente, era muito bom ouvir aquelas palavras vindas de você — disse e cruzou as pernas — Você era tão estranha, toda vez que me via sentado assim, sempre sentava no meio das minhas pernas — soltou um suspiro saudoso — Mas confesso que eu adorava sentir seu calor.
Levy bateu no vidro e sorriu pra ele.
[— Eu também gostava, eu amava ficar perto de você, e sempre vou continuar amando.]
Mais uma vez estava sentindo aquilo, aquele sentimento de tristeza que tinha no começo voltou ao seu ser, mas ela não chorou, não dessa vez, ela não podia se permitir chorar na frente dele, mesmo que ele não pudesse vê-la.
Ela viu a hora que ele fechou os olhos e passou a mão nos cabelos.
— Eu ainda lembro da ultima vez que você sentou assim comigo — ficou um segundo lembrando e um sorriso involutório surgiu nos seus lábios — Você estava lendo um livro de magia ancestral e disse que tinha aprendido uma muito poderosa.
No começo ela amaldiçoou o dia que leu aquele livro, do dia que aprendeu a magia, do dia que Acnologuia apareceu, do dia que ela tinha admitido à ele que era uma mentirosa, de ter feito ele chorar, de ter feridos todos com seu sacrifício, mas depois de um tempo ela se conformou, se conformou que aquele era o seu destino.
Ela pode ver ele abrir os olhos escarlates e olhar a lapide, seu coração quase parou naquele momento, seu olhar estava repleto de sofrimento, arrependimento, fraqueza, angustia e até mesmo raiva, raiva se si mesmo.
— Sabe, baixinha, pode soar meio egoísta, mas... — ele pausou — ...Mas, se eu soubesse o que você faria, eu teria impedido, mesmo que você me odiasse depois, eu teria te impedido.
Ela sabia que ele teria a impedido se soubesse, teria até mesmo morrido no seu lugar, teria feito de tudo pra impedir a sua "morte", por isso que ela não podia falar a ele o que pretendia, ele nunca deixaria aquilo acontecer e, talvez, em algum lugar dela, ela quisesse que ele a tivesse impedido, mas não foi o que aconteceu, ela tinha sido levada pelo vento naquele dia, e nunca poderia retornar.
A voz de Gajeel parou de chegar até ela naquele momento, nada chega a ela novamente, ela pode ver ele movimentar os lábios, mas não conseguia entender oque ele dizia, mas ai, foi quando ela viu, seu filho, seu menino estava la, estava tão grande, tão lindo e ela não podia ouvi-lo, outra vez só podia observar e eles estavam indo embora.
Ela bateu no vidro uma, duas, três, quatro vezes, mas o vidro não quebrava, ela tentou de novo e de novo, mas nada funcionava, então gritou, gritou tão auto, que pensou que eles poderiam ouvi-la mas não a ouviram, não a viram, foi quando o vidro desapareceu e os raios de luz do dia finalmente puderam ser vistos por ela outra vez.
Ela sorriu tanto naquele momento, mas tanto, pois seu filho a viu e acenou, ela acenou de volta e colocou as mãos pra traz do corpo, não podia parecer desesperada na frente do filho.
— Tchau, mãe — gritou animado e inocente.
Levy sorriu em resposta.
— Até lo... — Gajeel se virou pra ela.
Seu sorriso não desapareceu nem sequer um momento, mas quando seus olhos se encontraram novamente com os deles, seu coração pulou uma batida e se acelerou, muito.
Mas não durou muito, a brisa começava a bater e borrar a imagem deles, estava na hora de acabar, novamente, e talvez fosse a definitivamente, Levy respirou fundo, tinha que se despedir, pela ultima vez, e dessa vez ela diria o que sempre quis dizer a eles.
[— Eu amo vocês.]
A brisa se transformou em vento e os levou dela, mais uma vez.
Ela caiu ajoelhada, amaçou a borda do vestido e não conseguiu mais segurar as lagrimas e mais uma vez implorou.
[— Por favor... —] disse num fio de voz [— Seja quem você for, por favor, me devolva eles —] deu uma pausa e gritou com todas a suas forças [— ME DEVOLVA ELES.]
[— Você os quer? —] perguntou uma voz, Levy levantou o olhar e pode ver uma forma de um homem, mas apenas a forma de um [— Eu posso lhe dar eles, apenas não se arrependa do seu pecado, nunca.]
Levy tentou se levantar, mas não conseguia, quanto mais tentava levantar o corpo, mais ele era empurrado pra baixo.
[— Que pecado? —] perguntou chorando.
[— O pecado de ir contra o seu destino —] disse outra voz, agora, Levy vislumbrava a forma de uma mulher, mas como o homem, apenas a forma [— Se você sair daqui, ira contra o seu destino —] a mulher se abaixou e passou a mão pelo rosto da azulada.
Levy engoliu em seco e respirou fundo, fechou os olhos.
[— Eu... eu não irei me arrepender —] disse e abriu os olhos, sem nem um pingo de arrependimento [— Por favor, concedam o meu desejo.]
[— Que assim seja —] o homem disse e tocou nela, a pequena se sentiu leve e sonolenta, ela ia dormir.
[— Lembre-se —] falou a mulher [— Nunca se arrependa do que lhe é importante.]
A unica coisa que a baixinha lembrava, era de ver uma loirinha baixinha e um moreno, depois apagou.
Levy sumiu, deixando os dois naquela escuridão, o moreno olho a loirinha, que sorria.
[— Tem certeza que podemos fazer isso? —] perguntou ele um pouco preocupado e ela deu de ombros.
[— Não me importo com as regras do suicídio, eu sempre vou proteger os meu filhos.]
Ela sorriu tão lindamente que o fez sorrir também e suspirar derrotado.
[— Só espero que ela não se arrependa, Mavis —] ela tomou uma face seria.
[— Eu também espero que não, Zeref.]
Depois sumiram, deixando pra traz aquele lugar aterrorizante e horrível.
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