Memories Of a Dead Sunset

1 Capítulo 1 - único


O Sol já ia embora; Aos poucos, o escuro foi invadindo, deixando-nos como de olhos fechados. E a chuva ia descendo, fazia barulho...

− Vou ligar a luz.
− Deixe estar, não faz diferença...
− Como não?!
− É fraca...

Acabei por ligá-la, mesmo que me dissesse que não. A verdade é que tinha certo medo daquele escuro; Mas isso, é claro, eu não disse.
Por fim, junto ao breu, vinha o cheiro de café forte que fazia. Misturava-se ao de terra molhada, era de fato aconchegante. Já deitava-me, de puro cansaço. Havia me oferecido um copo de café e, como recusei, apenas apertou a caneca. (Frustração talvez? Agora penso que o devia ter aceitado...) Sentou-se ao meu lado e dali, o silêncio permaneceu, até que me calhou perguntar:
− Os machucados?
− Aqui, como sempre. E pegou-me a mão.
− Pergunto do estado. O olho, por exemplo, ainda dói?
− Menos quando perto de você.

Ri, claro. Ri para esconder a vergonha que havia me deixado a frase, por perceber que o rosto dele estava ainda mais vermelho que o meu. Achei graça, pois lembrei-me num mesmo instante, de tantas vezes que vi o rubor vir a face dele, pelos motivos mais bobos. Pelo frio, acabou por fechar a única entrada do depósito. Gostava de deixá-la aberta, pelo cheiro de mofo das caixas – Que já não incomodavam tanto. Deitou-se ao meu lado. Jamais senti-me mais nervoso. Meu rosto queimava, e agora, repassando as memórias, já não sei se eram de vergonha, ou porque os braços já me envolviam e a respiração, que ia ao meu rosto, eram quentes. Ali dormi querendo olhá-lo para sempre, e na mesma pose, acordei temendo que fosse sonho. Ele já estava acordado, e me olhava com aquele único olho vermelho. Lembro que me perguntou uma vez se os temia, e a cara foi de espanto quando, sem hesitação, lhe disse que; muito pelo contrário, os adorava. E de fato. Apesar de não falá-lo com todas as palavras que aqui colocarei. (Minha timidez não deixava, e ainda hoje não deixaria.) Amava aqueles olhos que me agarravam cheios de emoções. Que, vejam bem, escondiam-se deveras: muitos não veriam, talhariam de indiferença. Mas não de mim; pulavam e abraçavam-me, gritavam meu nome e exigiam-me atenção. E eu respondia a todas que via. Amava cada uma como se fosse a última, mas me confortava saber que não eram. Ainda naquele começo de dia, reconheceria a verdadeira última. É pena que aquele garoto tímido as tenha aniquilado.

− Bom dia. Grudei minhas mãos com as dele. Era necessidade minha de ratificar com o toque que a cena não se tratava de um sonho meu. Respondeu-me o bom dia. Abraçou-me, levantou-se e foi embora dizendo: “Obrigado, desculpe-me”que ia ecoando ao meu corpo solitário;

“Obrigado, desculpe-me. Obrigado, desculpe-me. Obrigado, desculpe-me.”

E aquele último sentimento que me saltava – A indecisão entre o agradecimento e desculpas – foi morto por ele, ainda no dia seguinte: Kozato Enma — o indiferente — declarava-se agora, sabe-se lá por que, meu inimigo; Jurava minha morte. E aquele sonho incerto, agora virava pesadelo dos mais frios.

Notas finais
Essa é minha 1ª fic espero que tenham gostado, agradeço de antemão por lerem, se puderem deixar um comentário, uma idéia ou crítica agradeço porque todas são bem-vindas =D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!