Notas iniciais
A historia é pequenininha, de forma que essa já é a penultima parte... Boa leitura!! :)

Tudo isso começou em uma tarde de Dezembro, e hoje, fazia um ano que essa bagunça começara, o sol já se punha, e eu estava sentada em um velho divã cor de rosa, que fora da minha avó, com uma garrafa de uísque no chão ao meu lado, e um cigarro acesso por entre meus dedos, eu soltei uma pequena nuvem de fumaça no ar e fechei meus olhos. Eu precisava parar com isso, não ia ajudar nada acabar com minha saúde só por que faziam dois meses que ele não aparecia. Já deveria estar acostumada com os sumiços de Justin, ele era assim mesmo. Apaguei o cigarro, mas peguei o uísque e tomei um longo gole, eu já estava meio bêbada, e então poderia tolerar se começasse a chorar agora, afinal de contas, bêbados choram sem motivo nenhum, mas eu tinha um motivo e muito bom.

***

Começo de Junho...

Eu não estava certa se Justin apareceria naquela noite, mas mesmo assim, preparava algo bom para ele jantar, e fazia um bolo de chocolate, eu sabia que ele gostava. Ia fazer seis meses que ficávamos, e sim, a situação era cômoda para nós dois, eu ainda recebia milhares de mensagens e ligações de Chris, as quais eu não respondia. Não dava para dizer que era um namoro, não era serio, eu sabia que ele ficava com outras, geralmente era quando não aparecia, e eu não me sentia mal com isso, já sabia que ele não queria nada serio, era uma brincadeira para ele, e para mim, uma forma de esquecer algo que me magoara. Nós nos usávamos de forma diferente, e isso estava me magoando um pouco, por que por mais que eu tivesse fugido, por muito tempo, eu não conseguia mais negar o quanto amava ele, de forma que não conseguia amar ninguém mais, ele simplesmente fazia as coisas terem sentido em minha vida. E hoje eu começaria as minhas tentativas de mostrar a ele, que podia ficar comigo, eu não o prenderia como as outras faziam, eu só queria um pouco mais de tempo, mais reconhecimento, respeito, não pediria que ele cassasse comigo nem nada parecido, apenas que não me deixasse tanto tempo sozinha.

Tinha acabado de tirar o bolo do forno, quando escutei um barulho de carro na estrada, estranhei carros não apareciam ali desde que terminara com Chris, e Justin não era muito fã de carros. Tinha o meu carro, mas não era som de veiculo indo, e sim vindo. Fui até a janela arredondada, e não gostei de ver o carro de Chris parado na frente do meu trailer, mesmo assim, sai e encarei a cara de cachorro arrependido dele, ele veio até mim sorrindo e tentou me abraçar, me afastei dele, cruzando meus braços.

- O que? Ainda está com raiva meu amor? Pensei que o tempo que te dei, já tivesse esfriado sua cabeça.

- Tempo que me deu? Você está ficando louco ou o que? – disse aos gritos, sem nem mesmo tentar me controlar, tinha muita coisa entalada na minha garganta. – Você terminou nosso namoro!

- Tudo bem, tudo bem. – ele disse com um gesto de concordância. – Eu errei, tá bom? E sei que não tenho razão. Mas não sei ficar sem você meu amor, me aceita de volta.

Olhei a cara patética dele, os olhos meio rasos de lagrimas, isso não me convencia nem um pouco. Fiz menção de entrar de novo, mas ele segurou meu braço de novo, me puxando com força para perto, eu tentei soltar meu braço de seu aperto sem lembrar que ele era mais forte que eu. Chris aumentou a pressão no meu braço e isso foi bem dolorido, as falsas lagrimas sumiram e em seu canto uma expressão mais que furiosa, doentia, apareceu em seu rosto, me assustando mais do que eu queria.

- Chris me solta! – disse com os dentes trincados e lagrimas que eu não queria brotando em meus olhos.

- Você não pode me dizer não Rihanna, você é minha! E só minha!

- Não sou sua, eu não sou de ninguém, e eu não vou voltar com você! – disse de rosto erguido, não deixaria ele me dominar.

Chris me olhou com uma raiva descomunal o que me deu muito medo, mas não abaixei os meus olhos quando ele me encarava, e lutava para não deixar cair nenhuma lagrima. Fui sentindo ele apertar mais ainda sua mão em meu braço e sua expressão se tornar sombria.

- Você já tem outro não é sua cadela?! – ele gritou tão auto que meus ouvidos apitaram, e me empurrando contra o meu trailer com força, Chris me deu um tapa forte no rosto o que me deixou com muita raiva.

- Estou com outro sim! E você... – antes mesmo que pudesse falar mais uma palavra ele me deu um murro, me fazendo cair no chão.

Depois disso tudo virou um borrão de murros, chutes e xingamentos que pareciam intermináveis, quando minha mente estava confusa e eu sentia como se uma mão me puxasse para a escuridão, ainda pude ouvir Chris soltar um xingamento agoniado antes de correr para o carro e ir embora sem me ajudar. Meu corpo doía todo, em alguns lugares sentia a dor mais forte, meu corpo latejava, e minha cabeça girava por causa do chute que levara bem na lateral de meu crânio. Senti meus sentidos se apagando aos poucos, o mundo se borrando enquanto tudo escurecia ao meu redor, me deixei levar para o escuro que prometia sarar a dor temporariamente.

Não sei quanto tempo passei ali, desmaiada, acordei com mãos gentis segurando meu rosto e a única voz que queria ouvir, por uma fresta dos meus olhos inchados, eu vi o rosto de Justin e vi que ele chorava, ele falava baixo e eu não entendia o que ele falava. Quando tentei falar com ele, senti a escuridão me puxar novamente, dessa vez sabia que ficaria bem, por que ele estava comigo. Mais tarde acordei e demorei uns minutos para entender que estava em um hospital, olhei ao redor do quarto escuro até que distingui uma silhueta em uma poltrona. Minha mente me mostrou por um instante a silhueta de Chris e me encolhi institivamente, isso fez minhas costelas doerem, soltei um gemido baixo, mas isso fez com que a pessoa levantasse rápido, ligando um abajur próximo a minha cama.

- Rih... Meu Deus! Você não sabe o quando queria que você acordasse. Eu preciso que você me confirme se foi o Chris que fez isso com você.

- Como... Você sabe? – o movimento de respirar incomodava um pouco, e falar me deixava cansada. – O que aconteceu comigo?

- Você foi espancada. – ele disse, desnecessariamente, e depois de me olhar um tempo continuou. – Teve duas costelas quebradas, um pulso fraturado, fora os hematomas e arranhões.

- Chris... Foi ele. – disse e fechei meus olhos vendo o rosto dele deformado pela raiva.

- Temos que prestar queixa. Assim que você receber alta, nos vamos a delegacia.

- Não...

- Sim, Rihanna. Eu não vou deixar esse cara sair impune, ele te espancou!

Não tinha mais forças para discutir, então fechei meus olhos, vendo o rosto de Chris, senti Justin segurar minha mão boa e depositar um beijo leve nela. Assim que recebi alta, fiz como Justin queria, fomos a delegacia e eu prestei queixa, Chris ficaria bem longe de mim, caso contrario seria preso. Quando voltamos para meu trailer já era noite, estávamos em meu carro, e Justin ainda tentava me convencer a ir para a casa dele, mas eu não queria mesmo, seria mais que maravilhoso ficar mais tempo com ele, ver ele toda hora, mas não me sentiria bem se alguma “amiga” aparecesse. As coisas estavam do jeito que eu deixara, e isso me fez quase chorar, a comida fedia.

- Nossa... Acho que tenho que dar um jeito nas coisas antes. – Justin sussurrou.

Ele sumiu dentro de meu quarto e voltou com meu edredom vermelho, me fez sentar em um velho divã rosa que eu mantinha do lado de fora, e voltou para dentro, mesmo com meus protestos Justin continuou a arrumar tudo, e quando eu já quase dormia, ele apareceu com duas canecas de chocolate quente nas mãos, se sentou ao meu lado e eu dividi o edredom com ele. Tomamos os primeiros goles da bebida quente em silencio, até que percebi ele me olhar fixamente.

- O que? – perguntei, me sentindo constrangida, meu rosto estava horrível, não estava mais tão inchado, mas tinha hematomas e arranhões.

- Não sei como aquele... Cretino, pode fazer isso com você. Como ele pode te olhar e ter coragem de bater em você...!

Como não respondi nada, Justin retirou a xicara de minhas mãos, e procurando me abraçar sem magoar minhas costelas enfaixadas, ele começou a cantarolar em meu ouvido, eu sorri ao constatar que ele me tratava como uma criança. Mal percebi quando adormeci, acordei brevemente com o balanço leve do corpo dele, quando me levava para o quarto, ele me deitou com cuidado e eu logo voltei a dormir. Em alguma hora da madrugada, acordei de um pesadelo, e não consegui conciliar o sono, fiquei observando Justin deitado ao meu lado, dormindo calmo, e fiquei ali, olhando ele, amando ele cada vez mais, mesmo que não admitisse ainda, ele já era parte de minha vida.

- Deveria tentar dormir, Rih. Já é tarde. – ele sussurrou me assustando.

- Não tenho sono.

Justin suspirou e me fez repousar a cabeça em seu peito. Eu amava isso, escutar o coração dele bater, escutar aquele som sempre me acalmava, ele começou a cantarolar em meu ouvido, até que senti meus olhos se fechando, o abracei com mais força, a que me restava. E ele me abraçou com carinho e cuidado.

- Durma meu amor, durma.

- Do que me chamou Jus? – ele riu com minha pergunta.

- Eu te amo. Se for isso que você queria ouvir, já pode dormir... Eu te amo.

- Eu te amo. – respondi e senti-o depositar um beijo em minha testa.

Como sempre acordava mais cedo que Justin, eu me levantei na manhã seguinte e estava no banheiro encarando meu rosto estragado, o espelho me mostrava os estragos da agressão covarde de Chris, só o nome dele me dava arrepios. Justin parou na porta me olhando através do espelho, depois veio até mim e me abraçou, ainda me olhando, ele sorriu e ficou confuso quando não correspondi.

- Alguma coisa errada?

- Meu rosto. Eu estou horrível, como você ainda me olha como se eu fosse a mais bela desse mundo?

- Mesmo que esses hematomas fossem cicatrizes, e que marcassem seu rosto para sempre, você ainda seria linda. Eu não amo você por que você tem um rosto bonito. Não foi por isso que me aproximei de você. Não foi por isso que quis você desde sempre.

- Não ajuda mentir Justin. – não dava para acreditar quando ele me disse que me quis desde o inicio, eu podia acreditar que ele me amasse agora, mas o resto não. – Você não vai me convencer de que me quis desde o inicio.

- Por que não?

- Por que não existe uma forma de ser verdade. O nosso passado, nossa amizade é prova suficiente.

- O nosso passado, a nossa historia, só mostra a você o tempo que passei respeitando a sua vontade e me mantendo distante.

Neguei com a cabeça, e Justin me abraçou mais forte quando eu achei que ele iria sair irritado. Repousando a cabeça em meu ombro ele começou a cantarolar a musica da noite passada, agora eu entendia a letra, falava algo sobre um amor imprevisto, uma amizade e um amor. Me virei para ele e o beijei, não poderia acreditar dele, ele ia me magoar no fim, sempre era assim, e ele não mudaria por mim.

- Não ajuda o seu argumento, às vezes em que você me deixa sem noticias suas.

- Por que reclamar agora? Sempre fui assim, e você nunca achou ruim.

- Eu apenas sinto sua falta, droga! – disse empurrando ele e indo para o quarto.

- Eu vou ficar Rih, vou cuidar de você.

Não respondi nada, e trocando de roupa fui tentar preparar nosso café, mas Justin me fez sentar e esperar ele fazer o café. E depois daquele dia, conforme meus machucados sumiam, e eu ia me sentindo melhor, a promessa de Justin virava verdade, ele ficava a cada dia, sempre cuidadoso, mas eu sabia que era questão de tempo até ele sumir de novo. Quando o acontecido e meus machucados eram só uma lembrança baça, mesmo negando, Justin começou a falhar na promessa dele, demorava mais a chegar quando saia, até que começou a ligar se desculpando e não vinha mais.

Nessa confusão de fica-vai-embora, Justin passava semanas sem parecer e quando vinha sempre me deixava nas nuvens, me derrubando de volta quando ia embora, a rotina começara de novo. O que me magoava mais, era ele dizer sempre, que me amava, até que certa noite eu cansei, ele estava se vestindo depois de tomar um banho, eu entrei no quarto e fiquei olhando ele, que ao me perceber ali, veio me dar um selinho que recusei.

- O que foi?

- Não precisa voltar amanhã.

- Como assim? – ele estava confuso.

- Não quero que você volte até que seja definitivo.

- Não venha com essa de querer me prender Rihanna. – Justin estava serio.

- A questão não é prender você, é você querer ficar. Eu não aguento isso, você some e do nada vem de novo me procurar. Eu não sou brinquedo e muito menos de ferro para aguentar a sensação de não ser o suficiente para você!

- Você está ficando louca Rihanna, você é o suficiente para mim, mas eu tenho uma vida e você sabe disso!

- Uma vida cheia de outras mulheres. Se eu fosse suficiente não haveria elas.

- Você é quem eu amo. Se falar isso ainda resolve alguma coisa: Eu amo você! Será que dá para entender isso?

- Não, não dá. E não dá para acreditar nesse seu amor.

- Por que isso agora? – a essa altura eu já chorava como uma idiota. – Eu sempre tive outras desde o começo, e você não reclamava, por que agora?

- Por que eu cansei de dividir você! Por que eu amo você e saber que outras mulheres te tocam não me faz bem! E se você não é capaz de entender o que isso é para mim, eu sinto muito em dizer que não dá mais, chega okay?!

- Você é quem sabe. Mas poderia dar certo, Rihanna, você poderia se adaptar ao meu jeito. Você sempre aceitou isso.

- Antes eu não te amava assim.

Justin me olhou por muito tempo e eu podia jurar que vira seus olhos cheios de lagrimas, porem antes que pudesse ter certeza ele me deu um beijo forte e rápido, deixando meus lábios doloridos, e foi embora logo em seguida. E foi depois disso que ele sumiu de vez, eu sei que tive culpa de fazer ele sair da minha vida, mas não aguentava mais ser uma opção dele, naquela mesma noite Justin me mandara um sms, que me fez chorar a noite inteira, sem dormir, apenas chorando quando relia.

“Você é a única para quem eu volto. Mesmo com as outras, elas não me fazem ter vontade de voltar para nenhuma delas, só você me domina Rih, mas já que a escolha é sua, estou fora de sua vida.”

Notas finais
Bem, é isso...rsrsrsrs. Algum comentario? Recado??