Memories In My Mind
1 Kiss Me
Notas iniciais
Era véspera de Natal, e, pela primeira vez em muitos anos, Hermione estava em paz. Voldemort havia sido derrotado. Harry estava vivo. Ela havia reencontrado seus pais. Tudo estava bem. Bom, nem tudo. A dor da perda de parentes e amigos estava presente em todos os corações bruxos. Mas, após algum tempo em completo luto, todos, ou quase todos, voltaram às suas respectivas rotinas. Vez ou outra era possível ver a Sra. Weasley chorando ao ver uma foto de família –mais especificamente de seus gêmeos, ou até mesmo após olhar por muito tempo para Jorge. O gêmeo estava na mesma. Durante um bom tempo, havia se trancado em seu mundo particular, ou melhor dizendo, em seu quarto, mas, há algumas semanas, havia retomado, pouquinho a pouquinho, sua rotina nas Geminialidades Weasley, com a ajuda de Rony. Ah, Rony... Bastava dizer esse nome para Hermione suspirar. O beijo dado em meio à guerra ainda ocupava a cabeça e era razão de muitos de seus suspiros. Eles não haviam trocado nem mesmo uma palavra sobre o assunto, o que frustrava muito a morena.
Já era de noite. Hermione estava no jardim dos Weasley’s encostada em uma árvore. A luz vinda da casa lhe dava uma sombra desfocada e muito maior do que seu pequeno corpo magro. Ela observava as estrelas e viajava em suas memórias. Uma delas estava relacionada ao local em que se encontrava.
Flashback on
Alguns dias depois do final da guerra, Hermione se encontrava no jardim dos Weasley’s. A garota pensava em alguma maneira de encontrar seus pais, quando foi interrompida por Rony, que se sentou ao seu lado e puxou assunto questionando-a o motivo de estar sozinha sem seus habituais livros a tiracolo. Ao revelar que o que lhe ocupava a cabeça era o paradeiro de seus pais e suas intenções de ir atrás deles, o ruivo, prontamente, se ofereceu para acompanha-la, mas Hermione negou. Não achava necessário; a Sra. Weasley necessitava naquele momento da presença de todos os seus filhos. Mas o ruivo insistiu. Tanto, que Hermione acabou aceitando a ajuda do ruivo, fazendo-o sorrir largamente. O que veio a seguir não foi algo planejado por nenhum dos dois, embora fosse do desejo de ambos: Rony se aproximou e a beijou no calor da alegria. Um beijo calmo, doce. Assim que o ar se fez necessário, se separaram. As orelhas de Rony se encontravam da mesma cor de seus cabelos, assim como as bochechas de Hermione.
Flashback off
Foi o segundo beijo trocado entre o casal. E, mais uma vez, nenhuma palavra foi trocada.
Na viagem para encontrar seus pais, Hermione e Rony trocaram alguns beijos, algumas vezes. Eram como amigos coloridos. Não que ela não gostasse dos beijos de Rony –ela os amava, mas ela queria mais do que apenas isso, beijos. Hermione suspirou frustrada.
Rony, por sua vez, suspirou nervoso, parado no batente da porta. Suas mãos suavam e sua respiração estava acelerada. Não era como se fosse enfrentar Voldemort sozinho, longe disso, mas ainda não sabia se preferia fazê-lo ou fazer o que estava planejando. Os únicos que sabiam do que pretendia fazer eram Gina e Harry, que, aliás, o estavam empurrando para o jardim, em direção a Hermione.
–Boa sorte. –sussurrou Gina em seu ouvido, seguido por um tapinha nas costas vindo de Harry.
–Obrigada. –sussurrou de volta.
Ele caminhou em direção à morena dos cabelos cheios que ocupava sua mente há muito tempo.
–Mi?
–Oi! Você me assustou...
–Desculpa, não foi minha intensão. –respondeu, sentando-se ao seu lado.
–Imagina, eu é que estava distraída. –sorriu timidamente.
–Em que pensava?
–Nada de mais. –respondeu corada. Mas, graças à meia luz, Rony não percebeu a vermelhidão repentina.
–O que faz aqui fora sozinha? Estão todos lá dentro. Está tão frio aqui fora...
–Vim pra pensar um pouco. Fugir do barulho. Ficar sozinha...
–Ah, me desculpa. Você querendo ficar sozinha aqui e eu te interrompendo com minhas bobagens. –o ruivo se apoiou para se levantar.
–Você entendeu errado. –ela o puxou de volta, fazendo-o cair sentado. –Eu queria ficar sozinha, sim, mas com sua companhia é melhor. –sorriu tímida. O ruivo retribuiu o sorriso. Hermione notou o pequeno embrulho em suas mãos grandes. –O que é isso?
–Ah... Isso? Nada não. –escondeu atrás das costas. Hermione se empoleirou sobre o ruivo e pegou o embrulho. Era pequeno, cabia na palma de sua mão. Tinha um laço azul claro e o papel era branco. Uma rosa o acompanhava. –Bom... É pra você. –sorriu encabulado.
–Pra mim? –perguntou surpresa. Ela fechou os olhos, deliciando-se com o maravilhoso aroma vindo da roda. Rony quase babou com a visão da morena.
–É...
–Já posso abrir? –perguntou. Estava muito curiosa. Quase sempre, em aniversários e Natais, ela ganhava um livro grosso. A menos que fosse um mini livro de bolso, aquilo não era um livro.
–Pode, eu acho... –passou a mão nervosamente pelos cabelos.
Hermione assim o fez, rapidamente. Desfez o laço com muito cuidado e abriu delicadamente o embrulho, revelando uma caixinha comum quadrada e branca. Abriu essa caixinha, revelando uma caixinha de veludo azul-escuro. Ela arregalou os olhos, o máximo que pôde.
–Abra. –pediu Rony, baixinho. Com as mãos trêmulas, Hermione abriu a caixinha, revelando um par de alianças de ouro branco finas. Uma delas com uma pequena pedrinha branca. Seu nome estava gravada em uma e o de Rony em outra.
–R-Rony...
–Mi, -ele a cortou. –Há muito tempo, muito tempo mesmo, você não sai da minha cabeça. Nem mesmo por um segundo. Acho que estou apaixonado por você desde o segundo ano, quando te vi petrificada. Mas, como o perfeito mané que eu era, e pela minha completa aversão ao sexo oposto, na época, não percebia. Ver você dançando com aquele búlgaro idiota fez meu sangue ferver. Nunca senti tanto ciúme e raiva de mim mesmo como naquele dia. Raiva por saber que podia ser eu naquele lugar, dançando uma música lenta. Mas nada se compara ao medo que senti durante a guerra. Nada mesmo. Eu admito. Medo por mim, por Harry, por meus pais, meus irmãos e meus outros amigos. Mas, principalmente, medo por você. Medo de nunca mais levar seus puxões de orelha me mandando estudar, medo de nunca mais ouvir você sendo a sabe-tudo irritante que você é. Medo de nunca mais ver seus olhos castanhos presos como um imã em um livro, por mais interessante ou chato que ele seja. Medo de tudo acabar, nós morrermos, sem que eu pudesse te dizer o que eu sinto por você, desde sempre. Mi, eu sou louco por você. Namora comigo? –finalizou puxando o ar, já que havia falado tudo de uma só vez.
–R-Rony... –ela repetiu com a voz embargada e com os olhos cheios de lágrimas. –Essa foi a coisa mais linda que você já me disse.
–Então, você aceita? –perguntou esperançoso, como uma criança. Hermione riu. Em resposta, ela atacou seus lábios com um beijo apaixonado. Passou os braços em volta do pescoço de Rony, e o ruivo passou os braços por sua fina cintura. –Isso é um sim? –perguntou ofegante.
–Claro! –riu Hermione. De longe, puderam ouvir comemorações. E, quando viraram para trás, avistaram toda a família Weasley e os pais de Hermione pendurados nas janelas da casa e no batente da porta. Os dois riram e se juntaram a todos.
–Muito bem, Roniquinho! Quando é o casório? –perguntou Jorge.
–Jorge! –um coro de ruivos o repreendeu.
–O quê?! Com a velocidade que o Rony leva pra cada pedido, eu só vou ser tio aos 85 anos!
O coro que antes o repreendeu, caiu na gargalhada, incluindo Hermione, deixando Rony com as orelhas vermelhas.
Notas finais
#HappyBirthdayEmma
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