Memories
2 I hate you
Notas iniciais
Stefan ficou alguns minutos ao meu lado, mas depois se retirou do quarto para que eu pudesse me trocar. Passei meia hora até achar algo decente para vestir, Caroline mandou roupas ousadas demais! Coloquei um vestido florido com um decote pequeno. O vestido batia na metade de minhas coxas, nada muito exagerado. Coloquei um salto não muito alto branco, e, nos acessórios, coloquei uma pulseira prateada com o desenho de um coração, e um colar que Caroline pediu que eu não tirasse nunca, achei estranho, mas concordei, deve ser um desses símbolos da amizade e tudo mais.
Desci as escadas tentando não fazer barulho, mas os saltos me entregavam descaradamente. A última pessoa que eu queria encontrar era Damon, ele não aparentava ser uma boa pessoa, e eu sentia calafrios quando chegava perto dele.
Abri a porta delicadamente e levei um susto ao ver quem estava parada em minha frente.
– Caroline? – Perguntei, sorrindo. – O que faz aqui?
– É assim que me recebe? – Ela perguntou, fingindo estar magoada.
Eu ri.
– Desculpe. – pedi, dando passagem para que ela passasse. – Pode entrar.
Fechei a porta e me virei de encontro à Caroline, que me fitava muito animada.
– Katherine, tenho uma coisa para te contar! – Ela exclamou, com um sorriso enorme.
– Espera um pouco. – Pedi. – Vamos lá para cima.
Puxei Caroline pelo braço e a levei até o meu quarto, fechei a porta com cuidado e a tranquei.
– Pronto, agora pode falar. – Permiti, me sentando na cama.
– Okay. – Ela sentou do meu lado. – Katherine, hoje vai ter uma festa na casa de um amigo meu, e você tem que ir. Todos vão estar lá, você vai adorar!
– Eu não sei, Caroline. – Respondi, cabisbaixa. – Quer dizer, eu perdi minhas memórias, seria muito estranho.
– Ah, você vai sim! – Ela exclamou, decidida. – Eu vou estar lá com você, não vai acontecer nada!
– Tudo bem. – Concordei, afinal, não importaria o que eu dissesse, Caroline me faria ir de qualquer jeito.
– Vamos às compras! – Ela se levantou, me levando junto.
Caroline fazia um barulho imenso enquanto descia as escadas, e, por mais que estivesse me incomodando, preferi não dizer nada. Mas, quando estávamos chegando à porta, me deparei com Damon me encarando com uma expressão nada agradável.
Meu corpo todo estremeceu, enquanto o medo o invadia.
– Você está bem, Katherine? – Caroline perguntou, me lançando um olhar preocupado.
– S-Sim. – Respondi, com a voz falha. – Vamos?
Eu desviei de Damon e iria abrir a porta, se suas mãos não estivessem segurando meu braço com tanta força.
– Você está me machucando. – Aumentei o tom de voz.
– Damon, solta ela! – Caroline exclamou, indignada. – Estúpido.
– Relaxa, Barbie. – Ele falou, sem preocupação na voz. – Eu só quero ter uma conversinha com ela.
– Tudo bem por você, Katherine? – Caroline perguntou, me fitando.
Eu assenti.
– Qualquer coisa é só me chamar. – Ela avisou, abrindo a porta e lançando um olhar ameaçador para Damon – que retribuiu com um sorriso – antes de sair.
– Sobre o que você quer conversar comigo? – Perguntei, em uma mistura de ódio e medo.
– Não precisa se assustar, eu não mordo. – Ele respondeu, soltando o meu braço. – Brincadeirinha, mordo sim.
Olhei o local em que ele segurou, estava com uma marca roxa, e doía muito.
– Eu não gosto de você. – Falei, dando alguns passos para trás.
– Então estamos quites, boneca. – Ele falou, piscando.
– O que você quer? – Perguntei, querendo acabar com aquilo o mais rápido possível.
– Muitas coisas, mas, por enquanto, apenas quero lhe fazer uma pergunta. – Ele respondeu. – Você não está fingindo perder as memórias, está?
– Não. – Respondi, séria. – Eu não me lembro de nada, apenas do que me contaram.
Ele ficou me fitando por alguns instantes, mas logo se recompôs.
– Agora, se você me der licença, eu preciso me arrumar para uma festa. – Falei, indo em direção à porta.
– Espera. – Falou. – Que festa?
Merda.
– Não sei, é uma em que a Caroline vai, por que?
– Por nada. – Ele disse. Eu não pude ver, mas pelo seu tom de voz, estava se divertindo com a situação.
Abri a porta rapidamente, saindo da casa.
– Te vejo lá, Katherine.
Fechei a porta com força, e meu corpo todo paralisou. Por que ele não me deixa em paz? Fui em direção à Caroline, que me observava com um olhar preocupado.
– Aconteceu alguma coisa? – Ela perguntou, provavelmente ela havia notado pela expressão em meu rosto.
– Não. – forcei um sorriso, tentando esconder meu braço, que agora estava machucado. – Caroline, Damon vai à festa?
– Provavelmente sim, por que?
– Não é nada. – Respondi. – Vamos?
– Vamos. – Ela sorriu.
Soltei um suspiro de alívio, ela não havia desconfiado de nada. Caroline estava tão animada, e eu não queria estragar isso.
Andamos por alguns minutos até avistarmos um shopping, o maior da cidade. Ele era realmente enorme, e Caroline me fez ir em metade das lojas, todas de roupas, sapatos e acessórios.
– Caroline. – Chamei. – Eu estava sentindo uma sensação estranha, como se estivesse sendo seguida.
– Sim? – Ela perguntou, sem me olhar. Ela estava ocupada demais prestando atenção nos vestidos da loja em que estávamos.
– Deixa. – Respondi. – Deve ser coisa da minha cabeça.
– Se você está dizendo. – Deu de ombros. – Mas, Katherine, o que você acha desse vestido?
– Lindo! – Respondi, sem ao menos prestar atenção. Minha atenção estava focada em uma pessoa que estava do outro lado do shopping, não dava para enxergar muito bem, mas parecia ser um homem. – Caroline, já volto.
– Tudo bem, vou provar esse aqui então. – Ela avisou, indo em direção ao provador. Me aproveitei da situação e segui a pessoa que me chamava. Quanto mais perto eu chegava, mais ele se afastava, provavelmente queria me levar até algum lugar.
Quando, por fim, saímos do shopping, a pessoa começou a dar passos mais lentos, até chegarmos em um beco que havia atrás do shopping, e se virou em minha direção.
– Olá, Katherine. – Ele falou, fazendo meu coração disparar. Era ele o tempo todo?
– D-Damon? – Perguntei, com dificuldade. Estava ficando escuro, e não havia ninguém além de nós ali, comecei à procurar por algum tipo de saída, sem sucesso.
Ele foi se aproximando, até chegar à milímetros de distância, seu olhar se dividia entre o meu e meus lábios, e, olhando no fundo dos meus olhos, como se estivesse tentando me hipnotizar, disse:
– Me beije.
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