Memories
9 Capítulo 9
Notas iniciais
A noite já tinha chegado e eu terminava de arrumar-me para o jantar. O restaurante do Dony era um ótimo restaurante e só iria pessoa da alta classe. Me pego sorrindo novamente. Desde que casei-me com Damon isso tem se tornado constante. Me lembro do meu plano para depois do jantar. Tenho certeza que Damon ficará bastante surpreso. Já tinha me arrumando especialmente para isso. Minhas roupas de baixo eram bastante... diferentes das costumeiras que uso. Eu as tinha ganhado de presente de casamento. Lembro-me que quando as vi não entendi o porque delas, agora tudo faz sentido. Sorrio com esse pensamento impuro.
Já estava arrumada e pronta para ir a sala ao encontro de Damon quando um barulho de vidros se quebrando fez-me pular de susto. O que será isso? "Talvez uma criada tenha derrubado algo" penso, mas sei que foi alto demais para ser apenas alguma decoração quebrada. Meu corpo todo arrepia-se de medo. Onde está Damon? Ele sairá faz algum tempo indo a cidade, mas diz que voltaria logo. Mesmo com o medo sei que devo descer para ver o que está acontecendo. Não adiantará nada ficar aqui. Respiro fundo e agarro com bastante força as barras do meu vestido.
Ao abrir a porta do quarto deparo-me com o corredor completamente vazio e silencioso. Não sei se isso me conforta ou apavora. Saber que talvez eu esteja sozinha nessa casa com um intruso só piora tudo. Mas se tivesse realmente algo acontecendo os criados apareceriam, não é? Com certeza eles avisariam. Percorro aquele corredor que agora nessas condições parece ser maior que o normal.
Finalmente vejo as escadas de antes de descer olho para o andar de baixo para ver se há algo de errado. Nada. Tudo parece perfeitamente normal. Solto um suspiro de alivio. Desço as escadas com mais confiança agora. Ao fim das escadas meus pés estacam no ultimo degrau. A janelas ao lado da entrada principal estavam totalmente destroçadas. Não era somente os vidros quebrados, as madeiras todas estraçalhadas. Parecia obra de um animal selvagem. Meu coração batia freneticamente em meu peito. Eu não estava segura. O animal provavelmente está aqui dentro. Com o corpo tremendo obrigo-me a ir em direção as janelas. Passo com cuidado pelos cacos de vidro e olho o lado de fora da casa. Nenhum sinal de animal. Passo meus olhos pelo chão e vejo um pedaço da madeira da janela ao chão. Deve medir o mesmo que meu braço. Sem pensar duas vezes o pego do chão. Não faço a mínima ideia de como usa-lo, mas se algum animal me atacar isso é a única arma que eu tenho, pelo menos para assusta-lo.
Vou em direção a cozinha, afinal onde mais um animal iria?
Caminho com passos incertos em direção a cozinha. Não sei nem o tipo de animal. E se fosse um urso? Mesmo nunca ter ouvido falar de ursos em Nova Orleães. Aqui era afastado da cidade, então as possibilidades são maiores. Ao chegar a cozinha não vejo nada errado de imediato, mas ao caminhar para a parte de trás do balcão um grito de pavor sai de mim. Caminho apressadamente para trás e acabo tropeçando nos meus próprios pés. Não senti a queda, mas como poderia sentir se a minha frente parecia um cenário de horror. Um dos criados estava caído no chão, seu pescoço parecia que tinham tirado um pedaço e tinha sangue em sua volta, muito sangue.
Eu não sabia se chorava, gritava ou pedia ajuda. Era realmente apavorante. Me levantei com dificuldades já que estava toda tremula, estava pronta para gritar por ajuda quando um vulto passa por trás de mim e assim que me viro para olhar não vejo nada. Tem realmente algo nessa casa e eu corro perigo. Corri em direção a sala novamente, mas antes de conseguir chegar a porta da cozinha sou barrada por algo que não vi antes. Não tratava-se de algo e sim alguém. A minha frente um homem alto com vestes de couro e cabelos compridos impedia-me de passar. Porém o que mais me assustou foi que suas vestes de couro e sua boca estavam sujas de sangue.
Meus olhos arregalaram-se e em minha cabeça uma voz alta gritava "perigo, perigo! Corra! " e foi o que eu fiz, mas antes mesmo de eu conseguir dar algum passo para outra direção o homem já estava a minha frente. Mas como?
–Não não, querida. Nada de tentar fugir, vamos conversar! -Sua voz era assustadoramente grave e o sangue em sua boca deixará tudo mais macabro.
–Quem é você? Se-e quiser dinheiro po-ode pegar o que quiser.- Tentei forçar minha voz a sair firme, mas olhando esse homem assustador era impossível.
–Ah não! Dinheiro não é importante... Vim aqui atrás de você! -Diz o homem com um sorriso estranho.
–E-eu? Eu não tenho nada, senhor. Não tenho riquezas. Sou irrelevante. Não vejo mo-otivos para estar atrás de mim. — Não estava entendendo mais nada.
–Você irrelevante? Não faça-me rir! Você é extremamente importante, acha que eu estaria aqui perdendo meu tempo com você?- Dizendo isso ele aproxima-se de mim e eu tento recuar, mas ele pega meu braço com força, tanta força que achei que tinha o quebrado. Isso não é normal... Essa força absurda, o que era esse "homem"?
–O que você é? Você nã-ão é normal. -Pergunto num fio de voz. Não sabia se estava com medo da resposta ou da sua reação.
Mas ao contrário de que achei, ele não ficou bravo, ou se ficou camuflou muito bem, pois ele riu. Não sabia se riu da minha pergunta ou de mim.
–Então seu querido maridinho não contou? Isso está melhor do que pensei!- Não sabia se ele falava comigo ou com si mesmo. Como assim não me contou? Contar o que? Damon escondia-me algo?
–Não sei de que está falando. -Falo incerta. Ele volta a olhar-me só que me surpreende quando segura meu rosto agressivamente com uma das mãos.
–Então minha querida Abigail, vou esclarecer as coisas para você. — Fez uma pausa dramática e continuou. -Seu marido, assim como eu, somos de uma espécie diferente. Somos o os que vocês chamam de vampiros e não, você não entendeu errado. Somos VAMPIROS. Aqueles seres que alimentam-se de sangue. Sabe qual né? Presas, sangue, sol, entre outros... Ah! O alho é mentira e o caixão também. — Ele dizia de uma forma doentia. Não sabia porque aquele homem dizia aquilo. Vampiros? Aqueles que os pais inventavam para as crianças não fazerem bagunça? Não consegui acreditar naquilo, mas parecia que o homem na minha frente acreditava e queria provar-me isso.
–Aposto que ainda não acreditou, não é mesmo? Será que uma mordida te provaria isso? Acho que sim...- Antes mesmo de eu protestar ele abriu sua boca e vi presas ali! Enormes e estranhas. Logo suas presas cravaram em minha pele fazendo doer todo meu pescoço.
Tão rápido quanto cravou suas presas em meu pescoço as tirou. Sua boca que continha sangue seco, agora escorria sangue fresco. O meu sangue.
Automaticamente levei minha mão ao local da mordida e senti meu dedo molhar-se com sangue que escorria pelo ferimento. Meu Deus? Eu devo estar ficando doida! Isso não é real! Mas era impossível não ser real, meu pescoço estava sangrando por causa deste homem que acabou de morder-me! Isso era bastante real! Só que a ficha ainda não caiu.
Damon! Meu Deus! Não era possível que ele seja esse monstro horroroso, ele não é esse monstro.
–Você está enganado. Damon não é como você. -Digo firme.
–Ah então não viu a verdade ainda? Já se perguntou da constante falta de apetite do seu amado marido? Suas saídas tão demoradas. Acorde tolinha! Ele estava caçando. Matando pessoas somente para saciar sua sede. -Diz o homem olhando-me como se eu fosse uma idiota. E talvez eu seja.
–Não! Ele não é um monstro feito você!- Um surto de coragem tomou conta de mim e não medi palavras para insulta-lo. Isso foi uma péssima escolha já que ele se sentiu ofendido, pois me segurou pelo pescoço e ergueu-me com apenas uma mão.
–Sua idiota! Acha mesmo que eu sou o monstro aqui? Devia olhar melhor para as pessoas. Seu marido é o monstro! Ele mata por diversão! Eu apenas estou acertando contas. Não é nada pessoal. -Dizendo isso ele sorri doentio e morde seu próprio pulso. Fazendo isso ele leva seu pulso até minha boca e me obriga a engolir o sangue que ali escorria. Minha boca é invadida pelo gosto metálico do mesmo.
Ele me joga no chão com brusquidão e vai em direção a porta gritando pelo nome Bennett. Bennett. Eu já ouvi esse nome em algum lugar.
Assim que ele grita, uma mulher negra entra na cozinha. Seu vestido estava rasgado e completamente sujo. Seu rosto era puro terror. Deduzi que ela estava li contra sua vontade.
–Ande! Faça logo!- Diz ele arrogante a puxando pelo braço em minha direção.
A mulher andou em minha direção e tirou de seu vestido uma adaga enferrujada. Abaixou-se e pegou meu braço com brutalidade.
–Desculpe-me. Eu não queria fazer isso.- Diz ela com um sussurro. Quando fui perguntar o que ela estava dizendo sou interrompida com a adaga cortando meu braço, logo acima do pulso. Tentei tirar meu braço de suas mãos, mas foi pior, pois só fez o corte se aprofundar. Ela colocou um recipiente em baixo do ferimento, fazendo o sangue que escorria cair no mesmo.
O inacreditável foi que alguns minutos depois o corte cicatrizar-se rapidamente. Quando o corte cicatrizou-se a Bennett pegou o recipiente e colocou na sua frente. Se afastou e começou a falar umas palavras estranhas. Não entendi o que ela estava fazendo, mas um vento muito forte entrou pela casa fazendo tudo cair das prateleiras, as portas começaram a bater sozinhas e vi algumas coisas flutuando. O que está acontecendo aqui? Bennett começou a gritar as mesmas palavras estranhas e vi que escorria sangue do seu nariz. Ela abriu os olhos e os mesmos estavam totalmente brancos.
Isso parecia bruxaria! Bruxaria... Bennett é uma bruxa!
De repente tudo se acalmou. O vento tinha sessado e os olhos da Bennett tinha voltado ao normal.
–Está feito.- Diz séria olhando para o homem que continuava parado ao lado da porta.
Dizendo isso ela se afasta de mim e o homem caminha em minha direção sorrindo. Ele se abaixou na minha frente e acariciou meu rosto. O gesto me assustou mais que se ele tivesse me batido. Tentei me afastar de suas "caricia" mas ele me puxou fazendo minhas mãos se machucarem no chão com sua brutalidade e como o corte no meu braço, se curaram logo em seguida.
–Agora você irá dormir... Só um pouquinho.- Dando aquele sorriso doentio, o misterioso homem segurou minha cabeça com as duas mãos e a virou com brutalidade.-
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Acordei me sentindo estranha. Sentia o cheiro de algo estragado e um barulho irritante de algo batendo ritmicamente. Levantei com esforço. Assim que abri meus olhos demorei a acostuma-los com a luz forte. Mas assim que enxerguei com nitidez e que nitidez! Eu enxergava tudo perfeitamente! Percebi que estava no mesmo lugar onde desmaiei. Não foi um sonho! E eu não desmaiei. Lembro-me de que o homem tinha quebrado meu pescoço. Oh meu Deus! Ele quebrou meu pescoço! Como eu posso estar viva agora?
–Olha quem acordou! Estava demorando...- Olho em direção ao som. Que saiu extremamente alto. Parece que alguém tinha gritado dentro da minha cabeça. O homem estava bem a minha frente. Seu sorriso ia de orelha a orelha. Mas isso só me deixava mais alerta. Algo está errado.
–Vejo que sua audição está sensível. Logo você se acostumará . -Diz ele. -Mas eu não tenho muito tempo, então temos que ser rápidos. -Dizendo isso ele sai com uma velocidade sobre-humana. Sinto o barulho ritmado se aproximando de mim e vejo quando Bennett entra na cozinha. Seu rosto está manchado de lagrimas e poeira.
–Eu preciso ser rápida! Não temos muito tempo. Quando você acordar procurará Bennett. Não importa qual, procure uma Bennett e a diga para fazer o feitiço de localização de Damon. Não esqueça! Você acordará em um lugar totalmente estranho. Deixarei um bilhete lhe explicando tudo. -
Ela dizia tudo muito rápido. Eu estava cada vez mais confusa, não entendia o que ela quis dizer com isso. Mas antes de eu poder lhe perguntar algo aquele monstro tinha voltado e estava a minha frente. Empurrou Bennett em direção a parede do outro lado e jogou algo na minha frente.
Céus! Era um homem! Um homem desacordado e sangrando. Sabia que estava vivo pois estranhamente escutava o mesmo barulho quando vi a Bennett. Seu coração. Eu conseguia ouvir seu coração.
–Bebe- Diz ele curto e grosso.
Olhei desacreditada em sua direção. Ele realmente achava que eu era como ele? Que iria beber sangue? Já estava pronta para perguntar-lhe se estava ficando maluco, mas uma ardência em minha garganta não me deixou falar. Era como se eu estivesse tem beber água por meses. E sentir o cheiro metálico do sangue, não me causava enjoou como antes. Ele era estranhamente convidativo. Como cheiro de alguma comida bastante saborosa.
Sem me controlar passei as mãos no sangue do homem a minha frente e levei até minha boca. A sensação era maravilhosa. Era como se estivesse no deserto e encontrasse água em um oásis. Sem conseguir me frear me abaixo até estar com meu rosto em seu pescoço. Senti algo nascer e passei a língua por cima. Eram presas. Sem conseguir controlar-me mordo a jugular do estranho jogado no chão. Era como estar no céu! Acho que não tem nada mais prazeroso que isso.
Eu não conseguir pensar em mais nada a não ser beber. Beber, beber. Estava tudo ótimo. Só que passou um tempo e eu não senti aquele liquido doce na minha boca. Tinha acabado. Levanto meus olhos em e vejo o homem ainda me olhando com um sorriso no rosto. Um sorriso orgulhoso. Me afastei do homem e foi então que percebi o que fiz.
–Oh meu Deus! Eu matei esse homem! Eu matei uma pessoa. — Digo desesperada. O homem só sorria em minha direção.
–Se te serve de consolo. Ele era um abusador de crianças. -Diz ainda sorrindo.
Olho aterrorizada em direção ao corpo na minha frente. Seu corpo estava totalmente pálido. Mas por incrível que pareça, a culpa tinha sumido com o que acabei de saber. Ele merecia morrer. Céus! Eu fui transformada. Eu sou uma vampira.
Meus pensamentos foram interrompidos pois o homem estranho veio em minha direção rapidamente e depois tudo ficou preto.
Abigail tinha seu pescoço quebrado novamente, porém dessa vez sem tempo determinado para acordar.

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