Suavemente em meu rosto

sinto todas as carícias dessa

memória doce, mas tenebrosa

a insistir em me visitar em cada

momento de minha vida, tanto

as de sono quanto as de vigília,

a me fazer lembrar, mesmo que

no meu mais profundo esquecimento,

de tudo o que me permitiu chegar, como

que numa maligna influência do destino

e dos fatos que me trouxeram onde estou,

sinto que por mais que o que sei, existe

toda a sombria e imerecida glória de viver

nessa sombra que hoje me protege e entorpece

o coração dessa dor que há tempos me corrompe,

me fazendo simples e puramente amar quem

um dia, para sorte minha, cruzou meu caminho

antes de me fazer reaprender todo o doce poder

que do amor vem, me abraçando e me protegendo

do doce e suave veneno do ódio, mesmo que

eu ainda esteja caminhando livremente nessa

interminável trilha de escuridão em que há

anos caminho por ter sido para cá jogado por

uma traição que deixou feridas que ainda hoje

machucam quando até mesmo me esqueço delas.