Memories
6 Walk
Notas iniciais
Enjoy
Lily havia tirado Loki de casa para que andasse um pouco. A ruiva agora usava um vestido florido que ia à altura de suas coxas, seus cabelos ruivos estavam presos no rabo de cavalo desgrenhado de sempre. Ela andava em silêncio com Loki ao seu lado, que a encarava de vez em quando. Era de se esperar, já que Lily estava saltitando em seus all stars brancos. Ela não sabia bem o por que estava andando daquela maneira, mas continuava.
Loki mudava a direção do olhar de Lily para as coisas que o rodeavam. Uma dupla de crianças com espadas de madeira passou por eles quase derrubando Loki com a brincadeira. Após andar mais alguns metros, Lily parou, procurando alguma coisa com os olhos. Sorriu abertamente assim que viu o que procurava.
–Vem comigo. –ela falou para Loki e ele a seguiu
Eles andaram até um carrinho de cachorros quentes e um homem velho sorriu para Lily.
–Ora, quem temos aqui... –ele disse abrindo ainda mais o sorriso
–Olá, Matt. –Lily cumprimentou
O velho tinha cabelos grisalhos e uma barriga saliente por trás do avental com um cachorro quente estampado no mesmo. Tinha um sorriso simpático e os olhos castanhos eram rodeados por olheiras.
–O que faz aqui, pensei que trabalhasse diariamente para o Stark... –Matt perguntou
–Tirei um dia de folga. Pode pôr dois cachorros quentes para mim, por favor?
–Vai comer sozinha? –Matt riu
–Olha, até que eu comeria, mas tenho que ajudar os necessitados... Este é... –Lily apontou para Loki e parou de falar, tentando achar uma expressão que se encaixasse –Um conhecido meu... –completou
–Ora, é um prazer. –Matt levantou a mão na direção de Loki
O deus encarou a mão por alguns instantes, sem saber o que fazer e estranhando o gesto do velho.
–Ele não é daqui, Matt. Não ligue para ignorância dele. –Lily falou se encostando no carrinho de cachorros quentes
–Tudo bem, a tendência é piorar, já que está com você. –Matt brincou e colocou uma gota de ketchup no nariz dela
Logo em seguida, o velho lhes entregou os cachorros quentes e Lily lhe pagou.
–Volte sempre, ruivinha. –Matt falou
Lily e Loki voltaram a caminhar, e Loki encarava a comida a sua frente com curiosidade.
–Não vai comer não? –Lily perguntou com a boca cheia
Loki piscou algumas vezes e resolveu experimentar. Aprovou na hora o gosto da comida e, em pouco tempo, ele já havia terminado de comer.
–Uau, tava com fome ein? –Lily perguntou dando fim ao seu cachorro quente
Eles chegaram a um pequeno parque que havia na cidade. O vento batia balançando as folhas das árvores de uma maneira bela. Pipas voavam no céu e crianças corriam por todos os lados com elas. Algumas famílias faziam piqueniques na grama verde e, ao vê-las ali, Loki sentiu angustia, vinda de um lugar desconhecido.
O deus resolveu olhar para Lily que olhava para o parque sorrindo como uma criancinha. Os olhos azuis brilhando na cor do céu. Era horrível para ele olhar nos olhos dela, pois aquela agonizante sensação de que conhecia alguém com esses mesmos olhos, continuava a lhe perturbar. Só então percebeu o sorriso de Lily se desfazer, dando lugar a uma expressão de raiva.
–Merda... –Lily murmurou
–Olhem quem temos aqui... Lilian Potts. –um cara falou
Ele era loiro e consideravelmente mais alto que Lily, e até mesmo Loki. Ele portava um sorriso convencido nos lábios. Atrás dele, dois grandalhões como ele e duas garotas o acompanhavam.
–Paul Lockwood... A que devo sua irritante presença nesse dia tão lindo? –Lily perguntou com a voz carregada de ironia
Paul riu –Quem é seu amiguinho, nerd? Mais um cientista idiota como você?
Loki não entendeu muito bem as palavras do garoto, mas, a julgar pelo tom que estava em sua voz, era um insulto. Olhou para Lily e viu que seu rosto estava tomando a mesma coloração que seu cabelo, vermelho de raiva.
–Qual é, o sapo comeu sua língua? –um dos grandalhões que estavam com Paul perguntou
As mãos de Lily estavam cerradas em punhos e ele percebeu que ela estava tentando se controlar.
–Ela está irritadinha, gente... Vai fazer o que, Potts? Pedir ajuda para sua irmãzinha idiota?
Se Lily estava tentando se controlar, foi a gota d’água para ela. Loki mal percebeu quando a garota tomou a dianteira e acertou um murro no nariz de Paul, que caiu de costas no chão com a mão no nariz. Loki arregalou os olhos para a cena e não se conteve a dar uma risada.
–Vá para o inferno, filho da puta. –Lily falou e puxou Loki dali, andando a passos largos e pesados
Loki tentou olhar para o rosto da garota.
–O que exatamente aconteceu ali? –ele perguntou
–Aquele... Paul idiota... Ele só sabe me irritar. –Lily respondeu com a voz ainda carregada de raiva
Loki decidiu que não era a melhor hora para conversar... Não se não quisesse receber um murro daqueles na cara, como o rapaz havia levado. Lily andava pelas ruas aleatoriamente e não sabia para onde ia, mas continuava a andar mesmo assim. Só parou ao achar um banco na rua e sentou-se, descansando as pernas.
–Belo murro. –Loki comentou
–Sei dar melhores. –ela se pronunciou sorrindo
Loki olhou para o céu, nuvens de chuva se aproximavam, não demoraria muito para que a chuva forte começasse. Lily sentiu uma coisa vibrar no seu corpo e não conseguiu evitar tomar um susto. Tirou o celular de um bolso escondido por dentro do vestido e respirou fundo ao ver quem estava ligando para ela.
–Oi mãe. –ela atendeu
Loki pareceu se interessar na conversa que Lily estava tendo ao aparelho. Sua audição ótima conseguiu captar a voz feminina vinda de dentro do celular.
–Lilian, eu e seu pai estamos indo para visitar sua irmã. Você estará lá?
Lily queria responder um “não” de cara, mas sabia que a irmã iria a repreender por fazer isso.
–Sim, eu vou. –ela respondeu
–Então esteja apresentável, garota. –foi a ultima coisa que ela falou antes de desligar na cara de Lily
–Puta que me pariu... –a ruiva comentou guardando o celular de volta ao seu esconderijo
Loki olhou para a garota curioso. Ela respirou fundo algumas vezes mas logo depois pôs o sorriso irritantemente irônico no rosto.
–Acho que vou ter que te levar para casa, vai ter que ficar sozinho outra vez... –ela disse se levantando do banco –E se você quebrar alguma coisa em quanto eu estiver fora... Eu te mato. –concluiu
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