Memories
53 Ilusão
Notas iniciais
A desilusão foi agora minha maior amiga – Ayanami
Por quanto tempo ao certo eu me prendi à ilusão criada por minha mente culpada? Por quanto tempo me enganei, mesmo esperando ser exatamente isso: um engano?
Pergunto-me quanto tempo se passou... Desde que o vi. Que o conheci. Há quanto tempo estou preso em correntes frágeis e invisíveis? Não sei.
Desde que o conheço, olhar seu rosto é sempre uma fadiga: pois é o rosto que amo, pois é um rosto que me traz recordações. E nem toda memória é boa, muito menos todo amor. Passou-se o tempo em que acreditei ser capaz de amar: amar é destruir¹, e já destruí pessoas demais.
Mas descobrir que estive enganado esse tempo todo... Foi um alívio. Eu era capaz, afinal. Esses não eram os fragmentos de sentimentos originados n’outra alma. Eram meus. Um sentimento que não sinto desde ter assassinado toda a família Raggs. Toda a minha família.
Era afeto. E mais, era desejo. Era atração. Era paixão. Era encanto. Era amor. Amor de tal forma que nunca senti. Era amor avassalador, que me tomava a razão e me fazia vivo.
E o melhor era saber que era meu amor. Pois as feições tão parecidas não eram as mesmas. Aquele sentimento se originou em mim.
Porque era somente Teito.
Você nunca foi Eve. Nunca foi o “amor” de outra hora. Portanto esse sentimento não nasceu de outro.
E, pela primeira vez, alegrei-me por ser apenas uma desilusão.
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