Memories
58 Frio
Notas iniciais
Eu morria de medo do frio nunca passar – Teito
Estar ao seu lado era temer o tempo todo. Era recear e sofrer com a incerteza. Pois tanto te amo!... Que o medo era abismal.
Pois quando lhe tocava, sua pele era gelada. Seus dedos mandavam choques por meu corpo, e em seu peito havia um nada mortal.
Nenhuma pulsação, batimento, som. Eu podia pôr pressão, fazer força, massagear. Não importa quão grande seja meu esforço, o nada permanecia.
Você não sente o calor de peles, não sente o frio da neve. Você chega a congelar antes de mesmo notar, e passa horas no banho para manter a temperatura “normal”. Dos vivos.
Eu o via se mexer. Ouvia sua voz. O via comer. Sentia seu riso, reagia às suas provocações. Mas não havia uma única evidência de que isso iria continuar. Ou de que o frio não iria ganhar.
Meu medo me consumia, tão ou mais forte quanto sua fome por minha alma.
Mal podia respirar, pois sentia amarras apertando meu peito, e o ar descia pesado.
Porque, a qualquer instante, algo poderia acontecer. E aí eu te perderia de verdade. E, dessa vez, seria para sempre.
E só restaria o frio.
E o nada.
Fale com o autor