Memorias de Um Sonho
1 Memorias de um sonhos
Notas iniciais
Hoje caminho pelas ruas e vejo a tudo que passei com lágrimas no olhar, sobrevivi, beirei a loucura, vivi lado a lado com a insanidade, em meus últimos dias não sabia mais dizer se o que enfrentei foi sobrenatural ou apenas mero fruto de minha imaginação.
Reviver aqueles momentos seria para mim, como entregar minha vida de novo nas mãos da morte.
Tudo começou quando entrei na universidade e fui ver o dormitório onde eu ficaria. Chegando lá havia uma garota cujo nome era Jessica, um nome que não saia de meus pensamentos. Ela estava chorando e lendo um pequeno pedaço de papel sujo e amassado, que tentava esconder entre as mãos quando me viu abrir a porta.
Naquele quarto vivi os piores e os melhores dias de minha vida ao lado daquela garota.
Entrei no quarto para guardar minhas coisas e logicamente cumprimentá-la afinal seriamos colegas de quarto durante toda a faculdade.
Ela me viu chegando perto dela para dar oi e levantou-se rapidamente me abraçando.
Eu fiquei meio sem entender o significado daquele abraço, mas depois de vê-la chorando não importava o motivo, fazê-la sorrir já bastava para mim. Depois de algum tempo reclinada em meu ombro ela recuou, me olhou nos olhos e um pouco envergonhada me disse \"oi\". Eu meio que não conseguia disfarçar minha cara de espanto pois nunca havia visto ela antes, mas sentia em meu coração que já a conhecia a muito tempo. Não agüentei de curiosidade e perguntei por que ela chorava quando entrei no quarto e me abraçou.
Ela me respondeu meio encabulada que me abraçou por que se sentiu bem comigo, que se sentia na presença de um grande amigo que enfim reencontrava depois de um logo tempo.
Fiquei meio assustado por que quando a vi senti a mesma coisa. E também vi naqueles olhos negros o inicio de uma grande amizade entre nós.
Depois de um tempo converssando com ela, nos conhecemos melhor, e percebi que éramos muito mais parecidos do que pensei.
Resolvi mostrar para ela as poesias, que gostava de escrever para passar o tempo, e descobri que ela também escrevia. Mas nas poesias dela havia sentimentos de um coração partido, mas que não perdeu a esperança de um novo amor, não eram apenas palavras como as poesias que escrevia em qualquer momento sem sentimento algum, quando tentava loucamente quebrar o tédio da rotina do dia-a-dia, fugindo da realidade e até de mim mesmo.
Alguns meses se passaram e cada vez estamos mais próximos. Éramos mais que amigos, éramos como dois irmãos não haviam segredos, não havia nada que não enfrentássemos juntos.
Depois de algum tempo, lá pelo 6° mês da faculdade não sei por que me lembrei daquele momento quando a vi chorar me lembrou do pequeno pedaço de papel amassado que ela lia quando me viu chegar. Fiquei intrigado desde aquele momento, o que havia escrito no papel? Porque ela chorava enquanto estava lendo?
Quando ela chegou ao quarto depois da ultima aula, resolvi perguntar quais segredos estavam escondidos naquele papel.
Ela ficou muito assustada e me perguntou o porquê desse assunto agora.
Eu falei que fiquei um pouco intrigado com aquele pedaço de papel e também muito curioso.
Ela então me contou que aquele pequeno pedaço de papel era a única lembrança de seu irmão que morreu.
Eu perguntei como ele morreu, eu vi então que aquela pergunta mexeu um pouco com ela.
Ela meio nervosa me falou que ele havia se suicidado e o papel era uma mensagem dele para ela, pedindo para que ela achasse o seu diário e que tudo estaria explicado lá. No pedaço de papel também dizia que o diário estaria escondido naquele dormitório onde estávamos, mas ela me disse que já havia procurado em todos os lugares e não havia conseguido encontrar nada.
Quando ela acabou de falar, eu ouvi um barulho de algo trincando como um pedaço de vidro, de repente o espelho do banheiro se quebrou, partindo em pequenos pedaços por todo o chão.
E onde estava o espelho se abriu um fundo falso na parede, onde lá dentro havia escondido um pequeno caderno, sujo e empoeirado.
De repente Jessica começou a chorar, se ajoelhou no chão e com uma voz um pouco apavorada, disse que viu o rosto de seu irmão nos cacos de espelho que estavam no chão.
Eu então a tirei de lá, pois estava meio pálida e eufórica, eu conseguia ver o desespero em seus olhos, coloquei-a deitada em minha cama, depois de algum tempo ela adormeceu.
Então fui ao banheiro ver aquele caderno, quando peguei o caderno em minhas mãos vi que havia sangue em suas ultimas paginas, quando comecei a ler só me lembro de ter desmaiado e depois Jessica me acordando.
Fiquei um pouco assustado, não sei se por ter desmaiado ou pelo fato de Jessica ter visto seu irmão e aquele ser mesmo o diário dele.
Eu e Jessica resolvemos deixar o diário guardado por um tempo, para ela se recuperar do choque.
Então guardei o diário e fui para a aula.
De noite voltei para o dormitório, e não consegui deixar o diário de lado, Jessica já estava dormindo então peguei o diário, deitei em minha cama e comecei a ler.
Logo quando comecei a ler, ouvi alguém chamar meu nome no corredor, me levantei e foi até a porta, caminhei pelo corredor olhei todos os lugares, mas não havia ninguém lá.
Voltei para o quarto e Jessica estava tendo um pesadelo, estava com uma expressão de pânico, então a acordei e quando ela despertou me olhou nos olhos e me disse que seu irmão estava ali e que no sonho havia dito para ela que somente agora era a hora de ler o diário.
Então sentei ao lado dela na cama e começamos a ler.
No inicio nada de mais, ele simplesmente contava o que viveu ali na universidade, até agora não sabia que havia estudado aqui, mas estranhei o fato de no bilhete dizer que o diário estava escondido em nosso dormitório. De repente tudo mudou no diário, suas palavras se transformaram em dor, sofrimento, angustia, em historias que a razão jamais poderia explicar.
Ele contava sobre visões, falava de uma certa mulher que vagava pelos corredores, que chamava seu nome a noite, que desaparecia através das paredes, que surgia sem explicações.
Numa das páginas ele descrevia a tal mulher como magra, alta, longos cabelos negros tão escuros como a noite, pele tão branca como lua, usando um longo vestido vermelho como o sangue, em uma de suas mãos carregava um rosa negra.
Ele também contou em umas das páginas que um dia quando estava chegando em seu dormitório ouviu ela chamar seu nome, então ele se virou rapidamente e ela o beijou, ele sentiu como se o mundo parasse, seu sangue parecia ter congelado, ele se sentiu como se estivesse tudo perdido e desmaiou. No diário ele falou que quando acordou ela estava ao seu lado e pela primeira vez mostrou seus olhos para ele, dos seus olhos escorriam lagrimas de sangue, o silencio era estranho pois em todo a universidade ele não escutava nada, absolutamente nada, nem mesmo o canto dos pássaros ao amanhecer ou o sinal da primeira aula do dia.
Ele levantou da cama e ela continuava la sem dizer uma palavra, de repente ela segurou a sua mão e pediu a ele que a seguisse. Então ele se levantou e foi com ela ate o dormitório onde hoje estamos.
Logo depois disso ele fala no diário que ela desapareceu, mas antes sussurrou em seu ouvido que chegou sua hora, ele apavorado escondeu o diário e na ultima pagina onde havia visto gotas de sangue ele dizia que era mesmo a hora de tudo começar de novo.
Depois disso não me lembro do que aconteceu, a ultima coisa que lembro foi de estar segurando as mãos de Jessy enquanto ela chorava recostada em meu ombro.
Não sei depois de quanto tempo, não tenho a mínima idéia de quantos dias se passaram, acordei em uma maca de hospital em um quarto totalmente branco, minha mãe estava chorando ao meu lado, me assustei e perguntei como vim parar ali.
Ela então me disse que no dia que fui conhecer o dormitório da universidade eu tropecei e cai pela janela do 3° andar e estava em coma a mais de um mês.
Eu não entendia mais nada, o que aconteceu? Tudo foi um sonho?
Quem era Jessica, porque sonhei com ela?
Tudo estava tão confuso para mim, percebi que tudo foi um sonho, mas estava tão real, eu conseguia sentir as coisas, conseguia tocar, sentia o gosto de um doce beijo.
Tudo não passava de mera ilusão criada por minha própria mente?
Agora a única resposta que quero é quem é Jessica, quem é essa pessoa que não conheço que nunca vi, mas que sonhei com ela, acho que essa resposta nem eu mesmo posso responder.
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