Memorias Fragmentadas
1 Visitante Misteriosa
Me lembro, eu acho que me lembro de estar em casa, claro que eu estava em casa, mas agora não estou, estou olhando para mim mesmo, agora estou olhando para minha porta, ando pela rua da minha casa, a rua de barro, tinha chovido, quando tinha chovido? Ontem? Hoje? Por que minha lembrança de chuva era da vez que eu estava na casa de minha tia quando eu tinha cinco anos. Corria pelo meio do jardim de minha tia, ela cultivava diversas chuvas, o cheiro das flores era maravilhoso, gostava de sentir uma por uma e sentir o cheiro de amor que minha tia colocava nelas. Nesse dia eu repetia o ritual de sempre, sentir as flores, porem nesse dia o cheiro era diferente, um cheiro de umidade no ar junto com aromas de flores, olhei para cima e vi o céu fechado, onde estava o céu azul e lindo de sempre. Então senti uma gota em meu rosto, outra na mão e assim o céu desabo em água.
Ainda não sei porque estou lembrando disso, não sei por que as pessoas me cumprimentam na rua, mas elas não estão ali, ou estão ou estão em alguma lembrança. Do dia que sai de casa a tarde para comprar frutas fresca para fazer o meu almoço, morava sozinha não preciso de muito, comprando em poucas quantidades teria sempre que ir no mercado, todos gostam de mim Porque? Minha armdura? Minha espada? Meu emblema da guarda da cidade? Eu sou um guarda? Não, eu não sou ou eu era. As pessoas têm uma simpatia por mim e gentiliza eu gosto disso, eu sou gentil com elas e eu gosto de ser gentil com elas. Eu sou uma pessoa boa? Eu sou? Ou eu fui? Quem sou eu?
Continuei andando mas agora estava no meio de uma floresta, que dor, que dor, por que dor, por que estou em uma floresta, as arvores estão lindas, esta sol e a terra esta seca, muito bom de pisar e andar, as folhagem das arvores e arbustos era algo bom, o sopro do vento em meu rosto que maravilha, passei a mão na madeira da arvore, um pássaro canto estava cantando para mim, o som dele me lembrava o dia que me alistei. Mas onde eu me alistei, na praça em uma fila, o sol batendo em meu rosto, algo incomodo já que passei horas sobre aquele sol quente apenas para verem homens rindo de mim.
Porque riram de mim, porque? Eu não lembro, eu deveria, eu tenho, eu sinto que tenho, mas sinto que não tenho, que dor, que dor. Continuei andando porem não parei mesmo a dor afligindo meus pés, subindo pelas minhas pernas minhas panturrilhas gritavam pedindo socorro, minhas coxas latejavam, acho que meus pés sangram sinto algo molhado neles, estou descalça, eu olho para os meus pés estão sangrando, sangue misturado com terra, mas por que isso? Eu não entendo, quando isso aconteceu, por que eu não me importo com isso, eu deveria, mas ao mesmo tempo eu sinto que não tenho que fazer isso, algo está me falando para não fazer isso. Então decidi continuar andando, Porque? Eu não sei
Caminhar, por que caminhar, não quero caminhar, mas eu não posso parar, não que não possa, eu não consigo parar, meu corpo e eu somos diferentes, as vezes sinto que eu controlo as vezes eu sinto que ele me controla, minhas memorias dizem que não sou assim, minhas memorias correm pela minha mente, estou aqui, de repente eu estou lá, estou em casa. Sentada na minha mesa alisando minha espada, brilhosa, que orgulho de ganhar essa espada, presente de meu pai uma herança passada pela minha família. Estou sentada no chão abraçando as perna com dez anos vendo meu pai sentado numa poltrona segurando a espada me contando da vez que ele usou aquela mesma espada para defender minha mãe, nesse mesmo dia que foi que conheceu ela, um cachorro selvagem tentava atacar ela, porem ele entrou entre os dois e matou a fera salvando minha mãe. Lembro que minha mãe entrou no local carregando uma bandeja com três caneca, rindo e dizendo que a história não aconteceu assim que momento maravilho. Continuei passando um pano na espada, mais uns minutos aproveitando o momento até que levantei e colocando a espada na bainha indo até a janela.
A vila está tão linda hoje, minha casa é simples feita de madeira ou era de pedra, era feita de algo. As pessoas andavam na rua felizes, mulheres carregando cesta e homens carregando suas ferramentas para trabalhar. Guardas patrulhavam a cidade como de costume, um gato passava na rua solitária, crianças corriam entre os corpos mortos no chão. Um arbusto mexeu na minha frente, onde eu estou? Estou na floresta, como cheguei aqui, o barulho, sim tem um barulho, o que é isso, vou me aproximar, cheguei perto do arbusto, uma criança saiu dela. A criança corria sobre o piso de madeira de pé descalço na minha volta, segurando um urso de pelúcia que eu dei, mas quem é ela, porque sua risada me trás tanta felicidade, o som de seus passos a minha volta coloca um sorriso involuntário no meu rosto. Qual é seu nome? Eu me perguntei, isso é tão real, tão real, mas onde eu estou?
Uma planície o gramado era um verde escuro meio triste, o vento fazia cada grama dançar e tocar uma na outra, quando eu cheguei aqui, olho para os lados e vejo atrás de mim uma trilha de sangue, minhas pernas sangram, minhas mãos e cotovelos estão ralados, que lugar é esse? Por que eu sinto uma dor no peito, eu quero sair daqui, voltar a ser quem eu sou de verdade, mas quem sou eu de verdade, caio de joelhos, meus cabelos brancos estão cinzas e sujo de terra, cabelos brancos? Eu tenho cabelo, brancos, e são lindos, mas nesses estados são tão impuros, mas não sinto que é minha, de outra pessoa.
Um mulher se aproxima de longe, em um momento ela estava longe, agora ela estava próxima, usava um chapéu cônico, e pouca vestimenta, usava uma tipo de blusa diferente, cobria apenas o braço direito seu ombro direito e pescoço o resto era aberto, seus seios estavam envolto de uma longa faixa e mostrando que teve que dar muitas voltas com a faixa, e uma saia que estava amarrada na cintura possuindo uma abertura onde uma da suas perna ficava a mostra, revelando que usava uma meia longa que chegava a o joelho e um certo tipo de bota curta. A mulher usava duas espadas, uma presa na cintura e outra ela carregava em sua mão. Quem é ela? Eu não sei, tudo está ficando preto, deitei no chão e tudo finalmente escureceu
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Yafei que apenas tinha saído para ir atrás de fruta acabou se deparando com uma mulher ferida toda suja vagando sem rumo pela planície sozinha, tocou em seu ombro tentando acorda-la porem a mulher não reagiu ao seu toque, resolveu cutucar um pouco mais forte, mas ainda não reagia sem muita escolha decidiu que ajudaria a pobre coitada. Colocou a espada no chão e com algum esforço ela pegou seu pulso se virou de costa e puxou a mulher fazendo ela ficar encostada em suas costas, colocou o braço dela sobre o ombro em seguida o outro, segurou cada joelho com um braço, e com um pulo ajeito ela em suas costas em seguida se agachou para pegar sua espada no chão, com muito cuidado ela conseguiu pegar sem deixar a mulher cair, respirou fundo e decidiu seguir em frente.
Enquanto caminhava pela estrada de terra, notou que seus brincos brilhavam a todo momento, algo que servia para alerta ela se mantinha acesso desde que encontrou tal mulher, isso deixava tudo mais suspeito, oque uma mulher com aparência do reino central faz vagando sem rumo até o reino superior, começou a pensar nas possibilidades, sua caravana podia ter sido atacada, se perdeu de seu grupo de viagem e esta vagando sem rumo com medo e muitas outras, provavelmente quando ela acordasse poderia responder suas pergunta, mas antes tinha que cuidar de suas feridas. Notando que suas pernas estavam com feridas horríveis, os pés constantemente pingavam sangue sujando a sua saia preta, não se importou muito já que ela deve ter passado por coisa muito difíceis para ficar assim, poderia perdoar ela.
Uma hora de caminhada ela chegou em sua casa, no templo de Slyveth que morava, um templo construído por seus antepassados para cultuar o deus dos humanos da vida, espíritos e paraíso, o templo era um lugar relativamente grande, era cercado por um muro, com um pequeno pátio no lado esquerdo e no lado direito uma construção com comprimento maior que largura que ficava ligado a uma segunda estrutura na parte de trás da área do templo, porem era oposto da primeira estrutura, essa a largura era maior que seu comprimento. Muito tempo atrás o templo era um lugar de adoração muito famoso e conhecido, pessoas iam diariamente para o local horar para Slyveth e pedir para que cuidassem de seus espíritos, porem as cidades locais começaram a desviar para outros deuses e com o tempo o templo foi caindo em esquecimento, Yafei junto com seu mestre Yaokai, cuidavam do templo que antes mesmo deles chegarem foi transformado em um lugar de treinamento em artes maciais e junto treinavam na arte de exorcismo, seguindo os dogmas de Slyveth, purificando toda alma para que possa entrar no paraíso de Slyveth e expulsado mal espíritos e demônios.
Abriu o portão com dificuldade, já que tinha que manter sua companheira nas costa, e estava sendo um desafio adentrando no lugar, viu a arvore no centro do jardim e em sua volta diversas flores, um belo jardim que tinha sido cultivado ali, andando pelo chão de terra chegou até a construção mais a o fundo pisando sobre o piso de madeira ela retirou suas botas apenas usando os pés, o que demorou bastante, ficando apenas de meia abriu a porta que rolava para o lado.
—Mestre! — Yafei queria entrar dentro do local, mas iria sujar tudo de sangue e sabia que ela teria que limpar- Mestre!
—Sem gritos Yafei, por que essa gritaria? – Yaokai abriu uma porta e entrou na sala que Yafei estava esperando na porta, usando um kimono samurai preto, com o cabelo preso em um rabo de cavalo com uma barba rala malfeita seu colar brilhou em amarelo igual aos brincos de Yafei quando se aproximou das duas- O que você me trás aqui?
—Eu encontrei ela nas planícies, talvez esteja perdida, eu não sei dizer sei que esta ferida e sozinha- Yafei então entrou dentro do local
—Leve ela para um dos quartos de hospede, eu irei pegar curativos e um pouco de agua
—Sim mestre- Yafei fez uma reverencia para seu mestre e seguiu para a mesma porta que Yaokai saiu, dando de cara com um longo corredor com parede da mesma estrutura da porta, algo de madeira e entre elas um tipo de papel grosso, andou um pouco a sua frente rolando a porta para o lado.
O local era bem simples, e pequeno com uma cama perto da parade e uma mesa e uma cadeira, na parede havia uma janela que dava para o pátio sentou a mulher na cama para que pudesse ajeita-la, depois colocou a espada que estava carregando encima da mesa, e foi arrumar ela na cama, colocou suas perna para cima e apoio sua cabeça no travesseiro, retirou sua blusa que estava toda suja deixando com ela só com um top por baixo, arrancou cortou a sua calça que já estava toda rasgada e suja de sangue colocando tudo no seu lado. Abaixou olhando para baixo da cama procurando as toalhas que sempre deixam em todos os quartos, vendo de primeira pegou ela e começou a limpar o sangue a terra do corpo da mulher. Nisso Yaokai entrou no lugar carregando mais toalhas no ombro segurando uma caixa de primeiro socorros e um balde de agua, colocou o balde do lado de Yafei e se ajoelhou do outro lado, Yafei fez o mesmo seguindo os passos do seu mestre, os dois começaram a molhar a toalha e limpar o corpo da mulher, passaram apenas alguns minutos e o balde estava banhado de sangue, porem a mulher já estava mais limpa nisso Yaokai começou a passar álcool em uma outra toalha enquanto Yafei carregava o balde para fora do quarto para trocar a agua.
Yaokai tinha feito milhares de curativos em sua vida, quando era jovem sempre que saia de batalhas era ele que cuidava de fazer curativo de seus companheiros e em si mesmo, podia fazer aquilo de olhos fechados, mas foi com todo cuidado possível, limpando as ferida da mulher de cabelos branco com delicadeza, estava desacordada oque ajudava no processo pois não reclamaria da dor do álcool tocando suas feridas. Limpou ferida por ferida, em seguida começou a enfaixar as suas pernas, poderia apenas colocar curativo nas feridas porem elas estavam espalhadas pela perna inteira, então achou mais faixa enfaixar tudo, Yafei entrou no lugar carregando outro balde de agua, não havia tanta sujeira ou sangue seco no corpo da mulher, porem ela era bem detalhista e gostava de deixar tudo bem feito, então resolveu limpar os braços e seu tronco enquanto Yaokai terminava de fazer os curativos.
Horas se passaram dos dois cuidando da mulher, terminando de fazer os curativos e limpa-la, Yaokai saiu do local deixando Yafei trocar as vestimentas da mulher, para algo mais simples e limpo, teve dificuldade tendo que o corpo dela estava todo mole por estar desacordada, sentiu uma pontada de raiva, mas respirou fundo e seguiu com sua boa vontade de fazer o bem. Depois de troca-la cobriu a mulher com um coberto e saiu do local fechando a porta, seguindo para a sala que Yaokai estava, era um lugar amplo e sem nem um móvel nele, era o local que usava para treinar artes maciais, antigamente ali ficava diversas cadeiras e na parede um altar para que as pessoas pudessem vim sentar e fazer suas orações, o altar se mantinha preso na parede porem as cadeiras não estavam. Yafei notou Yaokai sentado em frente ao altar de Slyveth, percebeu que se afastou do quarto os seus brincos apagaram, mas não deu importância seguiu e sentou um pouco atrás de Yaokai em sua direita
—O que você acha mestre? — Yafei fechou os olhos e começou a sentir a presença de Slyveth pelo o local, não sabia se era abençoado de verdade ou so tinha uma boa energia, mas ela sentia bem ali, algo muito bom estava naquele lugar e trazia paz para seu coração sempre que se concentrava
—Quedas, andar por muito tempo sem calçados- Yaokai mantinha de olhos fechados concentrando suas energias, com a chegada de Yafei, interrompeu sua meditação- Muitas teorias podem explicar seu estado, mas não acho que foi atacada, não a sinais de garras animais e nem mordidas, suas feridas se mantem parecido com de quedas e atingir alguma superfície cortante
—Entendo, foi o que eu imaginei- Yafei acenava com a cabeça- E o que faremos?
—Iremos cuidar dela por enquanto, depois veremos- Yaokai virou o rosto para Yafei- O chão está sujo de sangue não está?
—É, eu acho que sim- Yafei sentiu um pontada de preguiça, e sabia que isso tinha sido uma indireta para limpar o chão- Posso verificar, mas acho que não esta não
—Pois verifique então- Yaokai virou seu rosto para o altar- Se estiver por favor limpe.
—Sim mestre- Yafei se levantou e fez uma reverencia, querendo fugir do trabalho.
Horas havia se passado, a noite tinha caído sobre as terras as estrelas dominavam os céus e as criaturas noturnas saiam de suas tocas para se alimentar, o som dos grilos cantando podia ser escutado a brisa do vento agora ecoava pelo templo, o som da vegetação do jardim parecia uma conversa entre elas. Yafei estava sentada numa cadeira perto da janela a o mesmo tempo do lado da mulher de cabelos brancos, sua preocupação estava alta, encarava a lua como se esperasse que fosse descer e salvar sua hospede, porem sabia que não aconteceria então mantinha seu olhar como admiração a grande beleza que só a lua tinha. Mudou seu olhar para a mulher de cabelos brancos, passou a mão em sua testa para verificar seu estava com febre, porem a temperatura estava normal, sentindo um alivio, o medo das feridas infecionares mas Yaokai sabia cuidar dessas coisas, ela tentava aprender com ele, porem suas habilidades estavam em um nível muito superior ao dela, nem ao menos se comparava as técnicas marciais que de todas suas pericias era que mais dominava, mesmo assim ele se mantinha superior, tinha orgulho de ter ele como mestre.
Passou mais uma hora, e Yafei tinha se levantando para preparar uma sopa, havia jantando junto com Yaokai não fazia meia hora, entretanto ela prepararia uma sopa para sua companheira que gostava tanto de dormi. Saiu do quarto passando pelo corredor chegando a sala do altar, Yaokai se mantinha sentado a frente do altar meditando, Yafei não achava aquela ação muito divertida mas entendia, Yaokai quase sempre estava ali meditando, muito tempo da sua vida tinha sido no caminho errado pelas historias que ele contou para ela, então ele ficava ali pensando todas suas ações e se desculpando por todo sangue que derramou em vão buscando sua paz com Slyveth.
Da área do templo havia três portas, a que ligava para rua, outra que dava para os quartos onde se encontrava mulher de cabelos branco e a terceira ficava bem a direita do altar dando acesso para o estabelecimento de comprimento maior possuindo três salas, a primeira que era o local semelhante a um deposito mais arrumado, ali guardava alimentos em prateleiras mais altas que ficavam em volto da sala e no chão se mantinha algumas armas e caixas com coisas como roupas e objetos dos tempos antigos, como só havia eles dois morando no templo, muitas das coisa ficavam ali pegando poeira. Passando pelo deposito chegava na sala de jantar, uma mesa no centro do local com quatro cadeiras em volta, algumas bancadas em torno, era bem simples a decoração do local, nada especial, seguindo para ultima sala que ficava a cozinha, um fogão a lenha e diversas bancadas que armazenava alimentos dentro deles.
Um horas preparando uma sopa simples, suas habilidades de cozinhar era medianas, porem não queria fazer nada muito complexo tentou fazer algo mais simples de ingerir quando ela acordasse, carregando a tigela de sopa em uma bandeja passou pelas duas salas tranquila e com cuidado, já tinha demorado um bom tempo para retirar a mancha de sangue do chão, não queria passar o resto da noite limpando sujeira de comida entretanto quando chegou a sala do templo viu a porta dos quartos se abrir, e seus brincos acenderam em uma cor amarela, olhou para Yaokai sentado na frente do templo em seguida olhou de volta para a porta e ver a mulher de cabelos brancos caindo no chão tentando se levantar. Colocou a bandeja no chão e correu junto com Yaokai para levantar ela, Yaokai pegou no colo enquanto ela resmungava de dor e tremia um pouco. Os dois levaram ela de volta para o quarto colocando-a na cama, Yaokai verificou sua temperatura percebendo que não possuía febre, ela juntava forças para conseguir falar algo, mas sua voz parecia falhada tossindo durante as falas até que conseguiu forma uma frase legível.
—Onde eu estou? — Ela colocava a mão na cabeça fazendo uma expressão de dor, Yafei pode notar pelo cenhos franzidos delas que possuía uma dor de cabeça tremenda
—Você esta no templo de Slyveth, você foi achada vagando sozinho e nos te salvamos- Yaokai sentou na cadeira que estava ao lado da cama – Tomo cuidado para não abrir suas feridas
—Feridas?- Ela estava confusa, muito confusa olhava para os braços em faixados, suas pernas ela encarou seriamente como estivesse vagando pelos pensamentos, passou as mão chegando na primeira ferida na coxa recuando a mão na mesma hora ao sentir dor- Como assim? Quem são vocês? Oque está havendo?
—Calme-se – Yaokai interrompeu em suas enxurradas, ela olhava para todos os cantos agarrando no colchão com força, porem ao ouvir a voz de Yaokai pareceu que tinha saído de um estado de pânico e passou para algo mais calmo-Você esta confusa, isso é normal, mas relaxe eu me chamo Yaokai e essa é minha discipula Yafei
—Prazer- Fez uma reverencia para a mulher que mantinha um olhar confuso e um pouco de medo
—Qual seu nome?- Yaokai tocou seu ombro de leve, que tremeu ao seu toque porem ela deixou que a tocasse
—Eu não sei- A mulher fez uma cara de esforço e olhava para o nada concentrada em alguma coisa- Me lembro de me chamarem de Shimi
—Shimi?- Yaokai fez uma cara estranha ao escutar esse nome porem não disse nem um comentário apenas seguiu como se fosse algo normal-Julgo que você perdeu as memorias, não esta em um estado simples de esquecimento pôs trauma, por hora você deve descansar.
—Eu acho que sim- Falou lentamente, deitando mais na cama se virando para o lado da parede.
Yaokai se levantou da cadeira, colocou a cabeça para fora da janela olhou para os lados em seguida fechou das janelas, caminhou até o lado de Yafei e sussurrou em seu ouvido “Cuide dela, irei sair agora” então saio do quarto, Yafei até tentou segui-lo, mas achou melhor trazer a sopa da hospede. Colocou a bandeja com a sopa encima da mesa, mas ela já havia caído no sono, julgado que não seria mais necessário e triste por ter feito aquela sopa para nada, apenas retornou para o corredor fechando a porta do quarto de Shimi. A noite as tarefas eram quase nulas, então ela tirava um tempo apenas para fazer grandes nada que tanto adorava aproveitar, porem sua cabeça estava inquieta e seu coração acelerado de preocupação, antes pensava que as feridas de Shimi era o grande problema porem ao ver o estado psicológico dela percebeu que as feridas nos braços e perna não passavam de meros machucados simples.
Para se acalmar ela seguiu para o templo indo até a dispensa, pegando sua katana, a sua segunda katana e mais importante estava em seu quarto encima de uma prateleira. Cada iniciado no templo recebia uma como iniciação, essa arma seria sua companheira, sua irmã e seu braço direito todo momento, era ensinado a tratar ela como uma igual e respeito, a arma não seria usada para causar dor a inocentes, e derramar sangue desnecessário, seria usado apenas em momentos precisos e com pensamentos puros, contudo a katana que ela pegava não era a sua, era uma aleatória que mantinham no deposito. Colocou uma camisa junto com um casaco de pano bem fino para proteger do frio, mas queria sentir um pouco da noite, escolhendo apenas roupas leves e mais finas possível, se posicionou em baixo da grande arvore que ficava no centro fechando os olhos e se preparando para exercício que Yaokai ensinara para ela se acalmar e treinar os sentidos, depois de uns segundos começou a escutar cada barulho da noite, os grilos estavam mais altos, a coruja parecia que estava em seu ombro, o vento se tornou uma ventania, mantendo seus sentidos em alerta começou a canalizar suas energia deixando cada barulho mais baixo em sua mente deixando apenas da arvore ao seu lado, segurava a bainha da katana com a mão esquerda em seguida colocando a mão direita no punho da katana, respirou fundo e soltou o ar pela boca, sentindo o vendo frio em sua pele, como se a noite fosse um ser físico e estivesse passando sua mão pelo rosto, então escutou um pequeno estalo fez uma contagem mental e de repente retirou sua katana da bainha passando em horizontal com uma pequena inclinação em diagonal para cima, abriu os olhos lentamente e viu a folha da árvore cair em sua frente cortada ao meio, fechou os olhos e repetiu o processo de concentração.
Havia partido mais quatros folhas e errado duas delas, se preparava novamente para se concentrar, todos os sons já estavam baixo o suficiente contudo um som ecoou em seu ouvido fazendo sair de seu estado de concentração, um corvo passava voando por cima do templo observando o pássaro assustada analisou a situação, Yaokai já havia afirmado que um corvo sozinho significava que algum espirito ruim estava por perto. A explicação que tinha buscado para esse presságio, era que espíritos ruins perseguiam corvos, porem eles escolhiam apenas um e seguiam eles até acharem algum humano assim trocando de alvo, ver tal cena fez ela se preocupar.
—Melhor eu entrar- Falou para si mesma em voz alta, ela poderia se defender de espíritos maléficos, porém Shimi não conseguiria.
Colocou a katana de volta no deposito e seguiu para seu quarto, antes de tocar em sua katana ela perguntou para sua espada “Permita-me usa-la hoje, prometo lhe entregar apenas justiça e honra” fez uma reverencia e pegou ela, carregando a sua katana até o quarto, fazendo seus brincos acenderem em cor amarela, sentou na cadeira colocando sua katana com todo cuidado em seu colo como se realmente fosse um ser vivo e ali ela se manteve, resolveu aderir a técnica de seu mestre e começou a meditar, enquanto o tempo passava ela gravou o pensamento “Irei protege-la” em sua mente.
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