Memorias Fragmentadas
6 Primeiro andarilho
Bocejou mais alto do que esperava, mas não conseguiu segurar tinha ficado mais duas horas acordada apenas pensando. Varria o jardim puxando as folhas que caiam da arvore e dos arbusto e algumas plantas, o local ficava infestado de folhas deixando mais desorganizado, ver aquilo deixava incomodada gostava de ver o cinza das estradas de pedra ao lado o marrom da terra em seguida vinha o verde da natureza, as folhas deixavam tudo um caos, então resolveu deixar tudo limpo para ocupar sua mente, mas não conseguia deixar tudo de lado completamente, de vez enquanto algum fragmento via a sua mente fazendo seu peito bater mais forte e uma dor desabrochar, com muito esforço conseguia contorna a situação. Concentrada colocando as folhas dentro de um saco, escutando o assoviar de Yafei, olhou para o lado vendo-a deitada no banco com as pernas cruzadas, enquanto brincava com uma folha na mão, ainda estava com faixas em volta da cintura e no ombro, sua recuperação estava sendo mais rápida que imaginava, mas Yafei não demonstrava isso.
—E como anda as feridas? — Segurou o cabo da vassoura com as duas mãos se apoiando nele.
—A você sabe como é né- virou o rosto para Shimi com um sorriso malandro no rosto- Acho que mais alguns dias sem trabalhar eu vou estar melhor.
—Mas eu pude perceber que suas feridas já estão melhorando- Soltou um olhar suspeito para cima de Yafei, não entendia como mas a recuperação dela estava anormal, parou para pensar que a própria recuperação da vez que chegou também foi rápida- Já pode me ajudar a levar esse saco para fora não é?
—Mas dói tantooo!- Levantou os braços fechando os olhos balançando a cabeça- Não quero!
—Mas você não tem jeito, é só um saco com folhas! Folhas! — com os olhos arregalados apontando para o saco.
—Porque você me odeia! — Fazendo beicinho cruzando os braços, franzido o cenho.
—Você está me obrigando a te agredir- Colocou a mão no rosto enquanto negava pra si mesma, ela era mais infantil que imaginava era só três anos mais nova.
Apoio a vassoura na arvores, se agachou para amarrar a ponta do saco para que as folhas não saíssem no primeiro sopro do vento, ainda faltava muito para deixar tudo limpo, mas resolveu para por enquanto. Indo em direção ao banco onde Yafei estava, segurou seu cabeça e levantou, a mesma fazia careta enquanto resmungava, com o espaço livre sentou no banco colocando a cabeça dela em seu colo, a sua cara feia se desfez na hora enquanto sorria para Shimi, que sorriu de volta. Mexendo em seu cabelo curto e negro, retirando da frente do seu rosto, em seguida passou a mão pelo lado da sua bochecha.
—E você? Como você está? — Yafei parou de brincar com a folha que estava na sua mão e olhava no fundo de seus olhos.
—Sinceramente? — Levantou a cabeça olhando para a arvore, que trazia tanto conforto depois voltou a olhar para Yafei- Está muito difícil ainda.
—Se quiser falar mais estou sempre disponível- Seu sorriso meigo, um sorriso que poderia parar uma guerra.
—Você sempre está sempre disponível porque está sempre procrastinando- Cutucou forte a sua testa, onde ela respondeu com um pequeno grito- Mas obrigada, eu ainda sinto muita tristeza e vontade de voltar para o quarto e me isolar de novo e ficar lá até... eu não sei, apenas ficar lá.
—Eu te vejo sempre fazendo alguma arrumação ou limpando algo, você está sempre sento proativa
—Me forço a fazer coisas assim, por algum motivo eu gosto de deixar tudo arrumado, tento ocupar a mente- Fechou os olhos e respirou fundo até sentir algo com uma textura estranha em seu rosto, ao abrir viu Yafei pressionar a folha contra sua bochecha.
—Então me acompanha até a cidade, tenho que avisar que completamos a missão, uma caminhada pode te ajudar não é?- Estava animada, tinha até esquecido da sua “mal” condição de fazer tarefas, porém não falou nada, ver sua empolgação era reconfortante, achava que coisas simples podiam arrumar grande problemas, realmente podiam.
—Por mim tudo bem.
A caminhada até a vila demorou muito mais que achava, suas pernas começaram a ter uma pequena dor e um cansaço crescia rapidamente, talvez não estivesse totalmente curada, ou imaginava que o ritual havia afetado seu corpo de alguma forma, não se importando muito dentre todos os problemas uma mera fadiga era de menos. A vila era pequena, possuindo apenas sete casas, contudo eram bem grandes feita de madeira, muito bem enfeitadas, vasos de plantas na janela, os telhados com uma cor azul escura e flores nasciam em volta da casa, algo totalmente diferente da arquitetura da sua antiga vila, onde as casa eram quadradas sem muita diferença umas da outra, aqui as casa possuíam tamanhos diferente, a simetria também não parecia ser algo importante, já que algumas eram retangulares outras pareciam junção de mais de duas a três casas normais. As pessoas andavam pela rua tranquilamente, um homem carregava ferramenta ao lado de seu companheiro que trazia um carrinho de mão com várias madeiras dentro, uma mulher estava levando uma cesta cheia de pães acompanhada de sua filha que comia um com muita alegria.
Yafei acenava para todo mundo, recebia diversos bom dias e sorrisos, a cidade era bem amigável, o local em si era bem movimentado com varias pessoas caminhando entrando e saindo das casas. Chegando no centro da vila onde tinham cinco barracas vendendo produtos, algumas frutas outras missangas e etc. Notou a vila era voltada para comercio, local era encontro de comerciantes e compradores, ficou maravilhada ao percebe que a configuração do local fazia todo sentido para ser comercio, ruas largas os espaços entre as casas eram grandes, com intuito de conseguir parar carroças com produtos, as casas tinham formato diferente por serem lojas e moradias. Em seu reino não sabia de locais assim, vilas eram construídas para trabalhadores morarem depois de um tempo comerciantes começavam a chegar no local.
Seguindo Yafei até uma casa relativamente grande, em comparação as outras tinham mesmo tamanho, na sua vila dois andares não era tão comum assim. Entrando no local, um sino tocou ao abrir a porta mostrando um lugar um pouco apertado por ter inúmeras prateleiras com inúmeros produtos, ao fundo da loja atrás do balcão um homem bem vestido com uma barba bem feita, um rosto mais quadrado um cabelo todo pra trás brilhoso de tanto gel que passou para que ficasse nessa forma.
—Seja bem vinda- estava lendo um livro, nem sequer olhou para Yafei
—Que loja maravilhosa a sua- Encantada com a variedade de produtos que tinha no local, pegando um colar de rubi na estante olhando bem de perto- Seu lugar é colorido
—Obrigado, gostaria de algo em especifico?- Homem finalmente olhou para Yafei, ao notar seu brinco mudou a expressão para algo mais relaxado- Você é a aprendiz que Yaokai mencionou.
—Sou sim, vim avisar sobre a missão- Seguiu com Yafei até o balcão, cruzou os braços enquanto observava Yafei se apoiar no balcão.
—Fico feliz que tenham aceitado essa missão, USH mandou eu requisitar esse tipo de pedido para vocês- A voz do homem demonstrava importância, seu sotaque nobre algo que ela já tinha visto de pessoas falando com o prefeito de sua vila, os gesto que ele fazia com as mãos também passava isso.
—Somos os melhores no que fazemos- Levantou a mão animada, porem o homem não demonstrou reação nem uma apenas olhava de forma estranha- Aliais conseguimos resolver a situação, não irá ocorrer nem um incidente.
—Fico feliz em ouvir isso- Homem fez um gesto com a mão para que saíssem- Estão dispensadas
—Tudo bem- Shimi ficou um pouco irritada com o gesto rude e a expulsão indireta da sua loja, mas Yafei não demonstrou nada, apenas se dirigia para a saída da loja.
—Você não achou ele meio grosso?- Já fora da loja estava com o cenho franzido olhos cerrados olhava para dentro, o homem seguia lendo seu livro como nada tivesse acontecido.
—Yaokai me ensino a ignorar pessoas assim, ele diz que não vale a pena- Acenou para uma senhora que passava- E o Yaokai disse que ele é importante, não quero me envolver com gente importante.
—Importante como?- As duas seguiam andando pela rua de pedra, indo em direção a praça.
—Pelo o que o Yaokai me disse, ele é dono de várias terras e serve direto a um dos ministro da USH, acho que ele é dono de alguma construtora.
—Ministro? USH? — não conseguiu entender nada do que ela estava falando, a política do reino superior também era diferente do seu reino – O que significa isso?
—Você não sabe?- Shimi negou com a cabeça- Eu também não sei muita coisa, li alguns livros nos meus estudo no templo, sei que USH união da sociedade dos herois, era um grupo de mercenário que se vínculo com um grupo de seis nobres mais importantes assim eles começaram a governar o reino superior, mas isso foi a muitos anos atrás, muitos mesmo.
—Achei que esse reino também tivesse um rei, e nobres- Coçou a cabeça percebendo que não conhecia nada do reino superior, passou a vida toda focada em tantas coisa mas nunca se interessou sobre os reinos vizinhos, ficou imaginando se o reino do norte era assim também- Você entende de política?
—O título Rei já não é usado a muitos anos, muitos!- Abriu os braços simbolizando a quantidade de anos- Eu não entendo muito bem, Yaokai manda eu estudar um pouco de vez enquanto, mas meus estudos são focados no compreendimento do mundo espiritual.
A estrada de terra da sua vila sempre a incomodava, pois sempre havia barro para todo lado, mas hoje não estava se importando muito, por estar inteiramente suja de terra, suor e sangue. Enterrar Mark não tinha sido nada fácil, passou o trajeto do seu tumulo até a cidade irritada, seu cabelo estava tão sujo que estava começando a pesar, estava começando a se acostumar com o mal cheiro, cada pessoa que passava lançava um olhar de repulsa ninguém queria entender a situação apenas julgava ela por seu estado, isso deixaria irritada só queria socar algo, queria soltar toda sua raiva contudo não sabia como.
Caminhando pela rua vendo as mesmas casas de sempre, esse caminho era que fazia junto com Mark para patrulhar a vila.
De repente tudo estava escuro, seu corpo estava mais leve, podia ver mas não via ao mesmo tempo, as parede feita de pedra e deformadas, as goteira que caiam de tempos em tempos ecoavam pela caverna, conseguia olhar a sua volta mas não achava seu corpo, mas sabia que estava deitada sobre um altar frio e gelado, essas sensação de solidão, um vazio eterno.
Yafei tocou sem ombro, retornando à realidade com um logo suspiro quase gritando, começou a respirar fundo sentindo meio tonta segurou o braço de Yafei que estava com uma nítida preocupação no rosto, sentindo-a segurar seu braço e sua cintura sabendo que ela não a abandonaria, não estava sozinha. Se recompôs, soltando Yafei em seguida colocou a mão na cabeça a tontura já havia passado começou a andar meio devagar, com a mão de Yafei em seu ombro em seguida sentiu ela pegar em sua mão, esse pequeno gesto fez sentir melhor.
—--
O banho tinha sido ótimo, não sentir mais o mal cheiro de terra e sangue era reconfortante, conseguia até pensar em outras coisas, já que tal cheiro sempre puxava para a batalha, seu cabelo ainda estava molhado porem estava na sua cor branca de antes, o que deixava satisfeita. Bateu na porta mais duas vezes, até escutar pequenos passos se aproximar da porta e abrir, uma pequena garota tinha por volta de sete anos, cabelos castanhos que chegavam no ombro usava um vestido de cor azul, abriu a porta, no mesmo tempo que abriu a porta abriu um sorriso ao ver Shimi, pulando de alegria estendia os braços. Sem pensar duas vezes pegou pela cintura e levantou segurando-a nos braços, a garota ria sem para enquanto abraçava, felicidade dela tomou conta de seu coração aquecendo de forma gentil.
—Como a pequena Mei está? – Apertava Mei de leve fazendo ela rir.
—Eu estou bem, sabia Aldri veio aqui em casa hoje- Falava com empolgação enquanto mexia os braços.
—É mesmo?- Aldri era uma amiga que Mei tinha feito quando foi ao mercado junto com sua mãe, Mei era tão simpática que conseguia fazer amizade com todos.
—Sim, sim, a gente brinco muito, mas ela teve que ir embora- Sua expressão mudou para algo bem triste, mas logo ficou feliz novamente- Mas agora Shimi está aqui comigo.
—Agora estou com você, e sua mãe está em casa- Andou pela sala, colocando Mei sentada numa cadeira próxima.
—Sempre estive aqui- Deu um pulo ao escutar uma voz vim da sua costa, percebendo que Marin estava encostada na parede de braços cruzados, uma mulher de cabelos longos e ondulados morenos, sua pele era morena com um rosto comum, não tinha nada em especial, seus olhos eram castanhos bem escuro- Se fosse um inimigo você poderia estar morta
—Como você faz isso?- Ainda surpresa, Marin sempre chegava do nada e saia do nada, não importava a ocasião ninguém nunca via ela chegando ou indo embora.
—Você que estava distraída, Mei vai brincar no seu quarto- Quando olhou para trás viu que Mei havia sumido, mas conseguiu escutar seus passos passando pela porta- Fiquei sabendo que não deu muito certo a negociação.
—Suponho que descobriu vendo o caos que está lá fora- Puxou uma cadeira e sentou, Marin sentou encima da mesa apoiando as mãos no joelho.
—Meio que já suspeitava desde início, aqueles mercenários nunca foram muito amigáveis- Deu os ombros- pelo menos foi o que eu ouvi, e o que o prefeito vai fazer agora?
—Não faço a mínima ideia- Se encostou na cadeira soltando um longo suspiro, não ter emprego era ruim por não ter dinheiro, mas isso mostrava que ela estava livre- Eu me demiti
—Olha só, finalmente se soltando das amarras de ter um chefe, agora você pode ir atrás de seus sonhos- Deu um soco fraco em seu ombro- Seja lá qual for ele.
—Nada em especifico, acho que vou ir atrás de outro emprego- Soltou uma risada nervosa, não tinha ideia do que iria fazer.
—Mais alguma novidade?
—Mark morreu...
—Isso é chocante- Apesar das palavras, Marin não parecia chocada- Entendo a sua dor, já perdi muitos amigos quando estava na cidade real.
—Sério? Nunca me falou sobre sua vida na cidade real- Curiosidade cresceu em seu interior, Marin sempre foi convidativa e amigável porem muito distante nunca falava sobre si mesma ou sobre o passado, então qualquer detalhe era como ouro.
—Sim, já que você está livre, estou com um plano muito interessante estaria interessada em participar?- Sentiu uma pontada de decepção por não ouvir mais sobre seu passado.
—Claro por que não?-Deu os ombros, não tinha muito oque fazer na situação, qualquer trabalho seria bem-vindo.
—Muito bem, a noite me encontre na taverna, la eu vou te contar mais sobre o trabalho, tenho que resolver algumas coisas antes.
Começou a tossir forte, sentada no chão do templo com as pernas cruzada, usava uma roupa um pouco mais leve, sentia o cheiro das velas na sua volta, Yaokai na sua frente continuava meditando. Por algum motivo ele ofereceu para ensinar meditação para ela, dizendo que podia ajudar com as lembranças aceitou sem questionar muito, mas não achou que reviveria elas até em estado de paz, pensou que o objetivo seria ter maior compreensão de si mesma e tudo, ou talvez fosse as memorias que interferiram.
—Você está bem? — Yoakai estava na sua frente de olhos fechados concentrado em sua meditação, ele tinha percebido algo estranho apenas escutando.
—Acho que meditação não serve para mim- Colocou a mão na cabeça, as dores que sentia antes quando se lembrava de algo já não a incomodava, quase imperceptíveis.
—Meditação serve para você refletir, pensar até mesmo relaxar- abriu os olhos lentamente, enquanto respirava lentamente, separou os punhos da mão que estavam juntos, esticou os braços- Meditação pode ser usado de várias formas, no seu caso você pode desencadear suas memorias sem precisar de alguma referência.
—Referencia ?- Se inclinou para trás em dúvida.
—Você não percebeu? Suas memorias costumam precisar de algum gatilho para acontecer, sempre que você conta que teve alguma lembrança algo que você fez antes costuma ter relação.
—Eu não tinha percebido isso- Refletindo sobre o que ele disse, percebeu que ele tinha razão, o lugar ou uma ação costumava ter haver com a memória.
—Gostaria de fazer uma pergunta- O olhar de Yaokai era firme e sério, sua expressão sempre era a mesma, carregava uma grande dor por trás daquele olhar, conseguia sentir isso, mesmo que não demonstrasse sabia que sua vida não tinha sido fácil.
—Claro, o que seria ?- Ficou ansiosa, não costuma trocar muitas palavras com Yaokai, as breve conversa costumam ser sobre sua recuperação e não costumam manter muito o assunto, então não sabia o que esperar.
—Você quer entrar para os seguidores de Slyveth, você tem potencial com algum meses de treinamento já será uma ótima exorcista e Yafei iria ficar muito feliz, por ter você por perto
—Realmente não esperava por essa- Iniciar como uma seguidora seria interessante, mas ficou em dúvida o futuro não era o problema o seu passado que a perturbava, teria que voltar algum momento, mas voltar para quem?- Eu não sei, ainda estou um pouco confusa, mas estou curiosa para saber mais sobre os Seguidores
—Não se preocupe em decidir agora- Yaokai colocou as mão no joelho e se levantou- Venha comigo.
Indo para a sala do deposito, Yaokai andou com sua calma de sempre por todo a sala, indo até uma caixa mais ao fundo, nunca tinha mexido nas caixa que estava no fundo do local, mantinha sempre nas que estavam próxima a porta, Yafei também fazia o mesmo então julgou que não fosse para mexer nessas caixas.
Fazendo força abriu uma das caixas, colocou a mão dentro e puxou uma katana em sua bainha, desembainhou em seguida revelando uma lâmina prateada e brilhosa, com algumas escrituras que brilhavam em roxo de vez enquanto.
—A muito tempo, o primeiro andarilho vagou pelo mundo depois que perdeu sua família para as forças das trevas, vagou sem rumo, e lugar nem um ele chegou e nesse local que ele encontrou paz para finalmente refletir, por incontáveis noite e dia ficou meditando, até que uma voz veio ao seu encontro Slyveth veio a sua presença, uma legião de espíritos estavam a sua frente, Slyveth estava a sua frente, sua presença lhe trazia paz, conforto e acalmava a sua dor ele entendia porque ela era a deusa do paraíso, ela era o próprio paraíso. A voz dela bela e gentil concedeu ele o desejo de ir com ela para a terra sagrada podendo encontrar sua família, sua esposa e seus filhos e viver eternamente em paz, contudo o andarilho recusou e pediu para que ela concedesse o poder de acabar com as trevas, ele seria a sua espada, ele seria seu seguidor. Slyveth ficou impressionada com o seu pedido a muitos ela ofereceu um desejo mas nem um havia feito aquilo, então ela concedeu o seu desejo fazendo suas palavras terem poder sobre todas as criaturas das trevas, assim ela se despediu, dizendo que um dia eles se encontrariam para que ele contasse para ela toda sua jornada.
—Impressionante, ele recusou ter paz para dar paz os outros espíritos que se perderam- Algo pulsava dentro de si, a paz que nunca teve a eternidade presa sozinha o mundo que nunca conheceu.
—Sim, mas sua história apenas começou pegou a espada de seu irmão e começou a orar por sete dias e sete noites, suas palavras deram a espada poder, nomeou a espada como “amanhecer”. Agora ela podia tocar qualquer tipo de criatura das trevas, o primeiro andarilho se tornou o primeiro seguidor e com seu novo nome saiu pelo mundo purificando toda alma em desespero, exorcizando todo demônio que encontrava, libertando tudo aquilo que estava preso pelas trevas. Cada missão que ele fazia, anotava em seu caderno os métodos usados, os mais eficientes e os menos eficientes, criando todas as orações que vemos hoje em dia. Um dia notou que não podia ganhar essa luta, não sozinho com todo dinheiro que tinha juntado durante sua jornada fundou o templo chamando de “jardim da terra sagrada” recrutando dois aprendizes, um jovem rapaz e uma jovem moça. Os dois eram eficientes e aprendiam rápido, usando a mesma técnica eles oraram por 7 dias e 7 noites e cada um teve a sua espada, a arma mais importante de um seguidor ela estará com você todo tipo de ritual, exorcismo ou qualquer coisa do tipo, elas contém as palavras e benção de slyveth nos dão poder. A jovem nomeou sua espada como “Lâmina da Lua” e o rapaz nomeou “Lâmina do sol”, cresceram usando e aperfeiçoando tudo que tinha aprendido, quando ficaram adultos eles fundaram suas próprias técnicas sendo separadas por caminho da lua e do sol. Lua foca na habilidade com a espada, sendo ótimos esgrimista podendo lutar com demônios de alto níveis, O caminho do sol foca em orações, escrituras e rituais podendo exorcizar espíritos realmente poderosos. Esses são os caminhos ensinados para os aprendizes.
—Meio longa a história, mas achei muito interessante existem outros tipos de caminhos para seguir? – Estava se envolvendo com a história, tudo era tão impressionante.
—Existe, mas não ensinados nos templos em geral, apenas de mestre para aprendiz- Colocou a espada na bainha, colocando encima de uma caixa logo ao lado, pegou outra espada, colocando logo ao lada da primeira- O meu mestre me ensinou o caminho da arvore vermelha, um caminho que estava focado na guerra, algo menos espiritual e mais real podendo usar no dia a dia em uma luta contra humanos.
—Yafei segue esse caminho?- Olhava para espadas, já haviam cinco delas encima da caixa, pareciam ser iguais, mas sentia que não eram cada uma com uma aura diferente, analisando melhor já podia notar que tinham diferença de tamanho, largura mesmo que fosse quase nada.
—Não pretendo passar esse caminho adiante, nossa missão é acabar com as trevas, a humanidade carrega dentro de si o caos, se declarar inimigo do caos é ter todo humano como inimigo- Deixando seis espada encima da caixa se virou- Yafei escolheu o caminho do sol por contra própria, mesmo sabendo que eu podia ensinar da arvore vermelha.
—Estou curiosa, por que essas espadas?- Se aproximou da caixa, olhando as espadas bem de perto.
—São espadas de mestres passados, cada um com o seu nome, força, energia e personalidade- Puxou a sua própria espada da sua bainha, sua lamina branca era linda, com linha azuis e energia que percorriam a espada de encima a baixo indo e voltando- A minha se chama “Grande irmão”
—Grande irmão? – Estava ansiosa em saber a história por trás da espada, estava curiosa em saber a história de todas as espadas, adorava espadas e saber que cada uma era especial deixava tudo mais interessante.
—Espada foi empunhado pelo irmão do Lamina do sol, depois que o Lamina do sol criou seu templo ele recrutou sua família para continuar o legado dos seguidores de Slyveth.
—Qual nome da espada de Yafei?
—Dança de lótus- Colocou sua espada de volta na bainha- Foi empunhada por um dançarina, ela ia de cidade e cidade usando a sua espada em seus shows até criou um estilo de luta. Agora você pode escolher uma dessas seis
—Escolher? Por que deveria? – Olhou para espadas, queria pegar todas, olhava para cada admiração.
—Para que você possa se proteger no futuro- estendeu a mão para as espadas, passando a mão por cima delas.
Olhou todas as seis com atenção, demorando em cada analise que fazia, todas chamavam a sua atenção, até desembainhou algumas, notando o pequeno brilho que elas emanavam, o poder automaticamente começa a correr pelo seu braço assim que tirava elas, as cores e escrituras as espadas também variavam. Escolheu a menor que tinha e era diferente por não ser curvada ser reta como uma espada, porem sua lamina era menos larga que uma espada normal, aquela estava emanando uma aura que chamava a sua atenção, logo que segurou o cabo sentia milhares de vozes na sua mente, em alguns segundos tudo passou as vozes não lhe incomodavam estava agradecendo, pedindo e clamando. Retirou da bainha a espada olhando para a lâmina, por um segundo era apenas uma katana normal de repente nomes em azuis começaram a aparecer de baixo para cima, logo em seguida desapareceu novamente.
—Essa aqui...- Não conseguia escolher palavra certa para descrever.
—Essa não é uma katana, é chamada de ninja-to, usado por uma escrava no antigo reino das ruinas, ela morava em uma das minas junto com outros milhares de escravos, como ela conseguiu tal espada é um mistério, mas diziam que ela escondia a espada nas costa caminhava por toda a mina matando soldados silenciosamente, por ser curta conseguia lutar com os soldado facilmente, usava como uma ferramenta escalar, apoiar entre outros- Começou a guarda as outras katanas- E como o local era infestado por espíritos em eterno sofrimento, um seguidor de Slyveth foi até o local limpar, mas era impossível devido a quantidade de almas que morreram ali, a escrava então pediu para ele ensinar a ela os ensinamento de Slyveth, e assim ele fez passou meses indo até a mina ensinando tudo que ele sabia. Ela jurou que enquanto estivesse viva, ela limparia aquele local, cada alma que ela libertava ela escreveu em sua espada, os espíritos que ela salvou vinham a sua presença sempre que desembainhavam a espada para fornecer suporte, assim nasceu a “Quebradora de Correntes”. Libertavam os escravos de suas correntes, de seu sofrimento e da eterna dor.
—Eu não posso aceitar essa espada- Sentiu um aperto no coração, não sentia digna de empunhar uma espada tão pesada, cada nome ali tinha uma história própria, não podia carregar tanta responsabilidade.
—Você pode, a espada lhe escolheu, todos que tiram da bainha escutam gritos dentro da cabeça, porem eles não param até que o portador solte, se você não passou por isso que dizer que ela lhe escolheu- Depois de guarda as cinco espadas, fechou a caixa novamente, e se virou para sair da sala- Essa espada não foi feita só para liberta escravos, todo portador dela sentiu o mesmo que você, sentiu medo da responsabilidade e você se lembrar disso, você deve usar ela sabiamente e só para o bem ou você estará manchando o nome de todos essas pessoas.
Yaokai saiu do deposito, Shimi ficou ali olhando para a lamina da espada, cada nome mais diferente que o outro, ainda estava com medo de ter aquela espada, colocou na bainha e segurou contra o peito dando um abraço na espada, e a os poucos começou a chorar, como alguém em ruinas como ela poderia ser escolhido por todas aquelas almas, não estava recebendo um fardo e sim uma benção, tinha sido escolhida por tantos para ajudar pessoas, usaria a espada apenas para o bem, fazendo promessa para sua própria espada.
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