Memorias Fragmentadas
3 Lagrimas do passado
Sentada em um banco na frente de uma caixa Shimi revirava os objetos dentro, percebendo que o local não havia nem um tipo de decoração nem mesmo guardada, já era a terceira caixa que arrumava e só havia encontrado lençóis, roupas e algumas armaduras de couro, começou a acreditar que realmente o local era muito movimentado ou que fazia muita caridade. Depois de dobrar as roupas e colocar de volta na caixa fechou a tampa e começou a se levantar da sua cadeira com um pouco de dificuldade, suas pernas ainda doíam um pouco e de vez enquanto ela perdia o equilíbrio, dessa vez conseguiu levantar se apoiando na caixa, com passos lentos se dirigiu até a próxima caixa mas algo chamou a sua atenção, notou o suporte que segurava quatro espadas. Olhando para os lados com um sentimento que não devia, mas sua curiosidade era mais forte, andou até a frente do suporte e tocou na bainha da espada eu uma memoria veio a sua mente.
Segurando a espada pela bainha enquanto prendia ela na cintura, sentiu uma mão em seu ombro, virou o rosto rapidamente e viu Mark seu companheiro de patrulha que estava sorrindo, respondeu seu sorriso com outro sorriso em seguida estendeu os braços e girou o corpo mostrando sua armadura vermelha, Mark riu de sua girada e bateu palmas enquanto acenava com a cabeça, sentiu uma felicidade enorme a o receber sua aprovação enquanto um calor subia pelo seu peito, entretanto foi surpreendida quando Mark fez o mesmo em no final fez uma reverencia, sua armadura era vermelha igual a sua contudo era maior pelo seu porte físico serem diferente. Começou a bater palma e acenar com a cabeça aprovando seu visual Mark fingiu estar envergonhado causando risadas em Shimi, gostava muito de estar junto com Mark por ele sempre estar tentando faze-la rir então andar junto dele era felicidade certa.
Suas risadas foram interrompidas por um soldado que entrou na sala seu rosto estava envolto de uma nevoa negra, contudo algo dizia para ela que esse homem era importante, sua armadura era branca com símbolo da cidade cobrindo o peito inteiro. Os dois fizeram postura de sentido enquanto o soldado chamava eles, porem sua voz não saia não conseguindo entender porem Mark respondeu acenando com a cabeça, vendo Mark andar em direção a porta ela começou a segui-lo, mesmo sem saber o que o soldado falou ela tinha noção que a missão de escolta do prefeito aconteceria dentre algumas horas.
Voltou a realidade quando bateu em alguma coisa, caiu no chão enquanto escutou um grito agudo e baixo, colocando a mão na cabeça sentindo uma leve dor de cabeça, fechou os olhos tentando entender o que teria acontecido nunca havia sido retirada a força de suas memorias então estava sentindo que um furacão havia passado em sua mente. Abriu os olhos e viu Yafei sentada no chão passando a mão na perna, olhou para os lados e não via as diversas armas presa na parede e os manequins com armaduras da cidade, a os poucos começou a aceitar que estava no deposito do templo. Quando pensou em se levantar sentiu um aperto no coração, um vazio enorme algo que não tinha sentido desde que se lembrava, sentiu saudades de Mark fechou o punho com força mordeu os lábios tentando suporta aquele vazio que estava em seu coração, em seguida começou a sentir saudades de sua casa, de seus pais e diversos rosto passavam em sua mente, o que se destacava era de uma garota que não conseguia lembrar o seu nome. Colocou a mão na cabeça enquanto segura os cabelos olhando fixamente para o chão, uma vontade de sair correndo e ir atrás de todos começava a dominar seu corpo, havia esquecido as dores e fraqueza nos membros que perturbava tanto ela a noite, só queria pode ver seus as pessoas que passavam em sua mente.
—Você está bem? – Yafei estava de joelhos tocando em seu ombro.
—O que? – Aquele aperto no peito e vazio havia sumido, os rostos haviam parado de passar por sua cabeça, olhava no fundo dos olhos de Yafei percebendo que ela era a única pessoa real.
—Você parece meio assustada, você está bem? – Seus olhos demonstravam preocupação, sua cabeça estava um pouco inclinada.
—Acho que estou – Desviou o olhar, sem percebe uma lagrima escorria pelo seu rosto – Só senti um vazio no peito, percebi que eu não tenho lembrança dos sentimentos também e lembrei oque era sentir saudade.
—Vai ficar tudo bem- Yafei abraçou Shimi enquanto acariciava os seus cabelos que ficou surpresa sem saber como reagir – Sentir saudades que dizer que você teve bons momentos.
—Eu acho que você está certa – Seu vazio no peito havia sumido, por um momento lembrou de um sentimento, lembrando de como era ter conforto.
—Seja mais certa sobre as coisa – Soltou Shimi e segurou em seus ombros – Você fala muito “eu acho” seja mais firme
—Mas eu não tenho certeza sobre as coisas- Yafei começou a se levantar colocando a mão no ombro em seguida colocou as mãos nas costa fazendo uma espécie de alongamento
—Primeiro passo para ter um coração firme é ter certeza sobre o que você quer – Yafei estendeu a mão para Shimi, ajudando ela a se levantar tendo uma certa dificuldade soltando alguns gemidos de dor em seguida ela passou a mão sobre a calça tirando a poeira.
—Obrigada, mas seu eu não lembro do meu passado como posso saber o que eu quero – franziu o cenho – eu não tenho certeza
—Seu passado é importante, mas ele não defini seu futuro – Yafei bateu o punho no peito – Sua força esta em seu coração e não no passado.
Começou a refletir sobre suas palavras, porem não conseguia entender completamente toda sua força que sentia realmente vinha de seu passado, não conseguia sentir que algo estava saindo de sua vontade, se mantinha arrumando o deposito pois no passado gostava de organizar sua casa, estava fazendo atividades, andar pelo templo em vez de estar em repouso por no passado não admitir ser derrubada por nada. O que definia se a sua força era realmente sua, tentou vasculhas todos seus desejos, e percebeu que não havia nem um que não estivesse ligado ao passado, e nem um deles almejava um futuro. Quando pensou em falar algo com Yafei, escutou Yaokai chamando por seu nome, ela respondeu com um grito porém Yaokai não respondeu, revirando os olhos saiu do deposito, depois de alguns segundos viu Yafei pela janela se dirigindo a saída do templo. Sem muito o que fazer voltou a olhar as espadas presas no suporte, lentamente tocou na bainha da espada com medo de entrar em suas memorias novamente, porem nada aconteceu. Passou o dedo sobre a bainha sentindo uma nostalgia, sentia que gostava de espadas e ver uma tão diferente do habitual era algo que lhe deixava feliz, agarrou firma a bainha da espada e retirou do suporte, passava o olho por toda a espada admirando cada detalhe, com a mão esquerda segurou a bainha e com a direita segurou o punho vendo que era revestida com um tecido com vários losangos pelo punho, sempre que tocava no punho da espada sentia algo liso e frio por ser feito de algum tipo de metal, porem a espada possuía um tecido confortável. Puxou um pouco da espada para fora vendo a sua lâmina, percebendo que o metal era brilhante muito belo, arregalando os olhos vendo uma espada tão bem-feita, aproximou a espada do rosto analisando melhor a lâmina percebendo que estava muito bem afiada.
Ouviu passos se aproximando, então sentiu medo sacando a espada e girando corpo empunhando a espada preparada para atacar quem se aproximava, mas seu ataque foi parado por Yaokai que levantava um bastão. Sentiu uma enorme culpa por atacar Yaokai, contudo ele não demonstrava revolta apenas tinha calma em seus olhos, como se fosse algo normal de se acontecer.
—Me desculpe, foi meu instinto – Apertou o punho da espada afastando-a de Yaokai que mostrou um pequeno sorriso.
—Não se preocupe, eu não deveria me aproximar assim – Yaokai segurava o seu bastão de forma diferente, colocando perto da cintura como se fosse uma espada – E podemos ver que seus reflexos estão em bons estado
—Mesmo assim, me desculpe – Shimi guardou a espada dentro da bainha com um olhar envergonhada- atacar quem lhe salvou é falta de respeito.
—Fique calma – Colocou a mão em seu ombro e olhou em seus olhos – Está tudo bem, agora me diga você gosta de espadas?
—Eu gosto bastante- Levantou a espada segurando sua bainha, olhando para ela com admiração- Nunca havia visto uma espada tão bonita como essa e nem uma curvada
—Seu tipo de espada é chamado de Katana – Yaokai gentilmente pegou a Katana de sua mão, desembainhando ela – São espadas feitas a muito tempo atrás e afiadas por anos e são espadas feita para serem respeitadas, onde antes de usarmos temos que pedir sua permissão, pois não usamos elas para o mal ou para o bem apenas usamos elas e temos que ter sua permissão, e nunca tiramos uma vida em vão com ela, todas as almas que ceifamos com elas são carregadas em nossas espadas e vidas que não mereciam ser tiradas apenas deixam a espada pesada, então quanto mais leve for a espada mais pura ela é.
—Que incrível, não sabia que tinha toda uma filosofia por trás – Continuava olhando para a Katana que Yaokai segurava, so que agora via ela com outros olhos – Achei que fossem apenas uma arma.
—Nunca é só uma arma, elas possuem vontade, elas desejam – Guardou a Katana de volta na bainha – Se tratar ela sem respeito e alimenta-la com ódio ela desejara apenas isso e logo você e sua katana se tornaram um, buscando apenas morte sem necessidade
—Entendo, então devemos apenas usar elas só quando necessário – Yaokai entregou a Katana para Shimi que segurou com as duas mãos se virando e colocando de volta em seu suporte – Nunca tirar vida desnecessária.
—Pelo seu gosto por espada julgo que você saiba usar uma? – Shimi respondeu acenando com a cabeça – Então me encontre no pátio, que vou pegar uma coisa primeiro.
Andou até o pátio sentando em um banco que havia próximo de um arbusto, a brisa do vento estava agradável e o sol brilhava forte no céu enchendo o corpo de Shimi com energia, começou a se acostumar com o lugar a paz que o templo lhe trazia era agradável, a natureza a sua volta era tão bela e viva fazendo ela estar sempre disposta a realizar alguma tarefa.
Ouviu os passos de Yaokai saindo do templo segurando duas katana feita de madeira, seus passos eram lentos e calmos. Estendeu o braço entregando a katana de madeira para Shimi que pegou sentindo-a em suas mãos, não passava mesmo sentimento de segurar uma de verdade e não sentia admiração que estava tendo por uma katana. Yaokai fez um sinal com a mão para que ela se levantasse, seguindo suas ordens ela levantou.
—Me mostre o que você sabe
Então começou a fazer movimentos com a espada atacando um alvo imaginário, começou a ter pequenos lapso de memoria de seu treinamento com seu pai de vez enquanto ela se via adulta treinando ao lado de Mark acertando um tronco de madeira, seus movimentos era simples e segurava a espada com as duas mãos, movendo a espada por um longo arco no ar, suas pernas se movimentavam de forma uniforme usando apenas para não perde o equilíbrio. Percebeu que Yaokai olhava cada movimento que fazia, seus olhos dançavam junto com seus movimentos, ela chegou até ficar um pouco constrangida, mas continuo demonstrando suas habilidades. Yaokai levantou a mão, Shimi sem entender muito parou com sua demonstração e ficou em uma postura mais relaxada segurando sua katana.
—Suas habilidades são boas – Yaokai começou a circular ela – Mas você carece em sua postura e distribuição de peso
—Como assim? – Olhava para Yaokai percebendo que ele analisava ela bem sério.
—Você move a espada dando importância apenas para a movimentação dos braços – Yaokai ficou em postura de combate, colocando o pé direito para frente e o esquerdo para trás inclinou um pouco os joelhos, estendeu a Katana segurando em seu punho com as duas mãos, fez um movimento em diagonal esquerda depois girou a Katana fazendo outro movimento em diagonal só que para a direita, em seguida girou o corpo enquanto girava segurou a espada com a mão direta fazendo um ataque em horizontal – Note que na efetuação dos ataques, você movimenta os braços junto com seus ombros junto com a cintura, e a posição das suas perna influencia na força de seus ataques.
—Meu pai não me ensinou isso – Memorias passaram para sua cabeça, porem nesse momento ela não vivenciou apenas passou pela sua cabeça, lembrando dos ensinamentos de seu pai – Ele me mostrou mais movimentos e defender dos ataques.
—Não estou dizendo que está errado – Yaokai virou para Shimi, enquanto segurava sua katana de madeira perto da cintura – Mas seus movimentos seriam mais efetivos usando mais o corpo do que apenas os braços na execução dos ataques.
—Me ensine mais então – Shimi segurou a Katana com as duas mãos virada para Yaokai
—Então vamos ter uma luta amistosa – Yaokai fez mesmo postura de antes – Preste atenção nos meus movimentos
Começou estudando a posição que Yaokai estava analisando como ele posicionava suas pernas procurando como aquela posição poderia dar vantagem a ele, o jeito que segurava a espada era parecido com o seu então olhou para seus ombros se mantinham firmes e não se mexiam não conseguindo achar nem uma abertura em sua defesa. Indo para cima mesmo não tendo ideia de onde atacar, julgou melhor achar uma abertura durante o combate ou força uma, soltou a mão esquerda do punho de sua katana e atacou em diagonal esquerda onde Yaokai fez apenas um movimento parando o ataque em seguida movimentou sua espada para direita movendo junto a espada de Shimi deixando sua guarda aberta e com outro movimento em horizontal colocou a espada em seu pescoço.
Ficando surpresa com a velocidade de Yaokai mal conseguiu ver todos seus movimentos, não achou que o duelo seria decidido tão rápido percebendo que habilidade de Yaokai poderia ser maior que imaginava. Ele se mantinha calmo enquanto retirava espada de perto do seu pescoço e voltava a postura de antes, começou a repassar cada movimento feito por ele em sua cabeça notando a movimentação de seus ombros fizeram a diferença na execução dos movimentos. Sua determinação começou a inflar em seu peito sentindo empolgação com o duelo e partindo para cima de Yaokai dessa vez começou com uma estocada mirando em seu peito contudo viu que Yaokai moveu a perna direita para trás girando o corpo para o lado e segurou a katana com uma mão batendo na sua katana com um giro tirando da rota inicial porem não parou, com um giro segurando a katana com as duas mãos atacou ela em diagonal. Rápida o bastante para conseguir se mover para trás desviando do golpe, a o mesmo tempo se afastou de Yaokai, segurou a sua katana com as duas mãos observando-o voltar a sua posição inicial.
Passou a mão nos cabelos molhado, olhando em sua volta vendo o campo de batalha pensando como as coisa tinha chegado nessa situação, três de seus companheiros estavam caído próximo a ela sem vida encima de suas próprias poça de sangue, olhou para o rosto do que estava mais próximo vendo seus olhos sem vida, lembrando da família que ele tinha deixado para trás como sua esposa gravida iria reagir a o receber a notícia. Olhou para frente e mal conseguia ver pela chuva forte que estava caindo, conseguia ouvir os passos na lama, os barulhos das espadas se encontrando violentamente, gritos ecoavam em sua mente, não sabia diferenciar os berros de seus amigos ou inimigos. Olhou para sua armadura suja de terra e sangue que escorria por causa da chuva, passou a mão pela barriga e pelo peito procurando algum ferimento e por sorte não achou nem um, sua duvida era descobrir a origem do sangue entretanto foi interrompida por um homem que vinha correndo em sua frente com uma expressão feroz e com raiva, sua vestimenta mostrava que era um dos mercenários que vieram negociar, mas ela não entendia o porque dele estar com raiva, mas entendia que teria que lutar. Chegando próximo dela atacou em vertical, Shimi defendeu o ataque batendo com sua espada jogando a dele para o lado em seguida saltou para cima dele dando uma joelhada em sua barriga fazendo ele se curva para frente com isso ela juntou as mãos segurando no cabo da espada batendo na sua nuca jogando-o no chão, girou a espada na sua mão depois apunhalando as costa do mercenário.
Sentindo a chuva forte cair sobre o seu corpo junto com um vento forte, olhava para o corpo no chão que tinha acabado de tirar a sua vida, com um pouco de arrependimento e medo por ter tirado uma vida, em seus poucos anos trabalhando como guarda nunca havia precisado ferir ninguém, sua cidade era pacifica. Retirou a espada da costa do homem no chão, começou a se virar para ir para algum lugar que não sabia qual era, tudo a sua volta estava um caos, não havia nem uma ordem de seus superiores única coisa que foi dita era para defender o prefeito, mas onde eles estava. Assim que se virou viu um punho vindo em seu rosto, acertando em cheio fazendo-a cambalear para trás sentindo uma dor terrível, com a visão turva viu que o homem avançava em sua direção, numa tentativa de fugir acabou caindo de costas. O homem saltou para cima dela com o punho levantado seus reflexos foram rápido suficientes para colocar a espada em seu peito apontada para o mercenário que quando caiu encima de seu corpo foi perfurado ao mesmo tempo. Sem forças para tirar o corpo de cima de si, procurava alguém por perto para pedir ajuda, sentindo o sangue do seu inimigo banhar sua armadura e sem encontrar ninguém, fez uma ultima tentativa conseguindo rolar o corpo dele para o lado. Ficando de joelhos vendo o cabelo sujo de barro e sangue e um pouco tonta percebeu que tinha um companheiro seu caído por perto, rastejando até o seu companheiro que tinha uma nevoa negra cobrindo o seu rosto que desapareceu quando tocou seu rosto vendo que pertencia a Mark onde estava morto.
Largou sua katana de madeira no chão e caiu de joelhos, colocou as duas mãos no rosto, conseguia sentir o cheiro de sangue e terra ainda, os barulhos da batalha ecoava pela sua cabeça, estava no pátio do templo porem o corpo de Mark estava a sua frente, sem vida alguma, seus olhos antes carregavam alegria e força agora estava sem vida, sua pele pálida e a poça de sangue brilhavam quase ofuscando seus olhos, em desespero soltou um grito de dor segurando forte seus cabelos quase arrancando da cabeça. Enquanto chorava a ponto de deixar sua visão ofuscada pelas lagrimas, tentou tocar o corpo de seu amigo porem ele desapareceu em fumaças sentindo ainda mais tristeza olhou para o céu e soltou outro grito.
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Segurando um saco em seus ombros carregando as frutas que Yaokai havia pedido, andando lentamente pela estrada de terra que passava sempre que precisava buscar algum tipo de suprimento na vila mais próxima, aquele trajeto para Yafei era tão comum que podia passar por ali de olhos fechados que conseguiria voltar para o templo sem cair. A tranquilidade do local fazia ela sorrir sem perceber lembrando dos momentos que Yaokai acompanhava ela quando era uma criança até a cidade, onde no caminho ele contava historias sobre o templo no sua era de ouro, imaginando um dia poder conduzir o templo como antigamente seus sonhos de criança eram ingênuos e sabia disso porem não podia parar de acreditar neles, foi a primeira coisa que Yaokai ensinou quando lhe encontrou “Se você tem sonhos, você deve lutar por eles!”.
Como primeiro passo para restaurar o templo e se torna uma mestra ela tinha que ajudar Shimi, adorava ajudar as pessoas caminhadas pela cidade costumava durar mais que o necessário por sempre parar para ajudar alguém e ver Shimi naquela situação fazia seu coração aperta criando uma enorme dor em seu peito, porem começou a encher sua mente com pensamentos positivos enchendo seu peito com determinação em ajudar Shimi. Continuou andando serena pela estrada, fechando os olhos aproveitando a pequena brisa que soprava em seu rosto, respirando fundo enchendo os pulmões de ar, abriu lentamente vendo a natureza a sua volta, o campo verde com algumas rosas espalhadas com algumas arvores no local.
Abriu o portão como fazia sempre, enquanto caminhava batia na sua saia tirando a poeira que o vento havia sobrado e sujado, retirou seu chapéu cônico enquanto andava em direção a porta do templo, antes de entrar retirou suas botas e abriu a porta para o lado, viu Yaokai sentado sozinho como sempre na frente do altar começou a pensar se ele dormia enquanto estava nessa posição. Andando até o deposito, colocou o saco de frutas encima de uma caixa e reparou que agora estava escrito “roupas”, olhou as outras caixas vendo que todas estavam marcadas percebeu que o deposito estava mais arrumado. Começou agradecer mentalmente a Shimi por fazer um ótimo trabalho, colocou o chapéu pendura num gancho na parede e voltou para o grande salão.
—Onde está Shimi? – Coçava a cabeça olhando para os lados – Não escuto ela em lugar nem um.
—Ela está lá fora – Yaokai continuava de olhos fechados com o rosto virado para baixo – Mas acho que seja melhor deixar ela sozinha.
—Oque aconteceu? – Inclinou a cabeça confusa
—Resolvermos fazer um duelo amistoso, porem enquanto lutávamos ela ficou paralisada por alguns segundos em seguida soltou um grito e caiu de joelhos chorando, desde então ela não tem falado.
—Mas o senhor não fez nada sobre? – Sua confusão mudou para uma ansiedade – Não podemos ficar parado enquanto ela sofre.
—Não a nada que possamos fazer – Abriu os olhos porem continuava olhando para o chão – Provavelmente ela lembrou de algo do passado que fez ela muito triste, onde ela sofreu no passado para superar e agora voltou a sofrer porque ela lembrou da tristeza mas não lembrou da superação.
—Eu vou ver ela – Saiu correndo indo em direção a porta sem escutar o que Yaokai tinha para dizer.
Sem colocar sua bota saiu pelo pátio andando usando suas meias, por sorte elas eram pretas assim escondia a sujeira da terra, olhando para dos os cantos a procura de Shimi. Por sorte ela viu uma mancha prata atrás da arvore que se encontrava no centro do local, caminhando lentamente até arvore dando a volta necessária para conseguir ver Shimi que estava sentada no chão abraçando suas pernas com o rosto nos joelhos, podendo ouvir bem baixinho ela chorando.
Ficando de joelhos ao lado de Shimi, sem muito o que fazer estendeu a mão para tocar na sua cabeça, porem antes que a tocasse hesitou ficando com medo, em todos seus anos nunca tinha visto alguém sofrendo desse jeito, todas na vila parecia ter uma vida tranquila, nem mesmo as crianças choravam daquele jeito quando as encontravam. Porem lembrou de seu sonho de ajudar as pessoas, tomou coração e acariciou os seus cabelos prateados, onde Shimi levantou o rosto mostrando seus olhos vermelhos e molhados por todas as lagrimas enquanto via aquele rosto percebendo que seus olhos gritavam “me salve” continuo acariciando seus cabelos, com a outra mão limpou as lagrimas em seu rosto porem estava coberto por elas. De repente Shimi abraçou Yafei colocando seu rosto em seu peito chorando mais ainda, sentindo a sua lagrimas frias escorrer pelo seu corpo e seus braços envolto em suas costas, suas mãos apertavam sua pele demonstrando seu sofrimento, Yafei abraçou sua cabeça enquanto continuava a passar a mãos pelos cabelos delas.
—Vai ficar tudo bem – Sentindo um aperto em seu peito, queria poder dizer mais que isso, queria poder ajudar mais que isso, mas não sabia como poderia proceder diante uma situação como essa.
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