Memento Mori
5 Capítulo Cinco
Na manhã seguinte, quando Dany voltou de sua rápida ida para recuperar seu carro, ele encontrou um post-it na mesa de centro, dizendo ‘Volto depois das 3 da tarde – Noah’ próximo a um pacote de maconha e acompanhado pelo que ele presumiu ser o número de telefone de Noah. Seu colega de quarto havia vindo e ido no espaço de tempo que Danny havia gasto indo buscar seu carro, tempo o suficiente para Noah ter preparado uma pequena oferta de paz – a qual ele aceitou, pegando o pequeno cachimbo verde de vidro na mão. Alex costumava gostar de parafernália mais diferente e chamativa então aquilo com certeza devia pertencer a Noah. O isqueiro na mesa veio a vida com dois toques e ele fumou um pouco, sem razão para ter pressa. Depois, ele descartou o cachimbo, sentou no sofá e colocou o numero para enviar uma rápida mensagem dizendo ‘Hey, é o Danny’.
Mais uma vez, sua caixa de mensagens tinha um numero de chamadas e mensagens que uma pessoa mais preocupada em participar da própria vida teria vergonha. Varias eram de números desconhecidos. Ele ouviu duas mensagens de voz do cara da imobiliária sobre a cada, um deles explicando sobre o massivo terreno do qual ele era dono e o outro perguntando se ele gostaria que as contas fossem pagas diretamente de sua conta. Ter tanto dinheiro do dia para noite havia o afetado menos do que ele esperava, já que não era muito diferente de quando Alex o deixava com seus cartões de credito.
A maioria das mensagens eram, como de se esperar, de Hannah, mas ele não estava preparado para explora-las ainda. Enquanto ele passava pelas caixas de conversar, a resposta de Noah piscou na tela ‘legal, é o melhor jeito de falar comigo por aqui, eu não atendo ligações’.
‘Eu também não’, Danny respondeu.
A conversa com Nick continuava ecoando em sua mente. Ele havia vasculhado a pilha de cadernos de Alex antes de dormir, mas seu cérebro havia passado a chance de vasculhar a pesquisa dele sobre o sobrenatural. Memórias ruins e a chance alta de provocar sua assombração usual de fazer uma visita espreitavam-no. A além daquelas anotações, ele ainda tinha uma pessoa para encontrar no campus.
Rapidamente ele mandou uma mensagem para Nick que parecia estranha mas casual o suficiente: ‘Você pode me apresentar a Dra. Yves hoje a tarde?’
A resposta de Nick foi quase imediata.
[Nick] Timing perfeito, eu já ia perguntar se você tinha tempo para isso
[Nick] Ela tinha mencionado que tinha algo que ela queria dar ao Alex e achou que você poderia se interessar
[Danny] Ok, que tal em uma hora?
[Nick] Vou confirmar com ela.
[Nick] Me encontra em frente ao prédio de humanas?
[Danny] Claro
Encontrar Dra.Yves iria preencher a lista de pessoas dos últimos meses de Alex, mesmo tendo que assumir que todo o corpo estudantil havia tido um papel no que quer que tenha acontecido. E se conseguisse deixar a pesquisa horrorosa de Alex enterrada, então melhor ainda.
Ele rapidamente saiu de casa em seu próprio carro, e por sorte encontrou um lugar próximo para estacionar. Ele então saiu caminhando a passos largos propositadamente para o local de reunião designado e se acomodando em um banco de concreto para esperar Nick. Estudantes se movimentavam ao redor dele como gatos desorganizados, uivando e perseguindo uns aos outros. Ele apoiou os antebraços nas coxas. O sol batia na nuca. Um formigamento contraia seus dedos, lembrando o escaldante aperto de couro e o baque de seu coração em sua boca.
“Danny,” Nick chamou.
Sua camisa creme refletia uma quantidade ofuscante de sol, dois botões abertos sobre alguns centímetros de peito castanho-avermelhado. Ele caminhou confiante através de uma multidão de calouros, exibindo um sorriso, seus óculos prateados ausentes. Danny evitou o contato visual, atraído pelo brilho de um piercing na parte superior sua orelha esquerda. Nick ofereceu sua mão para um aperto firme antes de liderar Danny para o prédio.
“Vamos, ela ainda deve estar em seu escritório. Acho que ela tentou enviar um e-mail para você, mas você não respondeu.” O saguão com ar-condicionado transformou pontada de suor de Danny em algo pegajoso em um instante. Nick bateu o botão de subir com o polegar. “Como seu mentor: você já verificou seu e-mail?”
“Mais ou menos.” Danny deu de ombros.
"Ok, por favor, conserte isso", disse Nick.
O elevador abriu com um ping metálico. Danny encostou-se ao corrimão, polegar no cinto, enquanto Nick apertava o botão do último andar. O silêncio do espaço fechado amplificava o som de sua respiração. A porta tiniu para eles novamente na abertura, um toque acusatório. Danny seguiu Nick através do corredor para um labirinto de escritórios. Três estavam abertos, o resto fechado para a tarde. Nick bateu no quadro de um com os nós dos dedos e relaxou contra o batente da porta sem cruzar o limite não marcado. Sua pose falou de deferência casual.
"Ah, entre", disse uma mulher além da borda do quadro. “Eu não estava com certeza se você conseguiria chegar. Tenho uma consulta médica com meu marido em breve, então teremos que manter as coisas breves.”
“Claro, não se preocupe. Este é Daniel Sharpe — ele teve que dirigir até aqui,” disse Nick, olhando por cima do ombro para confirmar que estava tudo certo.
Danny o seguiu para dentro de um escritório abarrotado de pilhas de pastas em frente de estantes transbordantes e escolheu uma das duas cadeiras que se encaixariam melhor em um consultório médico nos anos setenta. Nick apoiou o quadril contra uma prateleira ao lado da mesa do professor. Ela se sentou ereta em sua cadeira executiva, um par de óculos de leitura em cima de sua cabeça e cabelos ruivos com fios brancos caídos um ombro em uma trança solta. Sua pele pálida como papel tinha um rubor rosado.
As clavículas proeminentes voavam acima do pescoço escavado de sua blusa verde pinho, acentuada com um anel de ouro em uma fina corrente combinando. Ela era discreta, mas elegante; a mão que ela ofereceu a Danny era fina e de dedos longos.
"É um prazer conhecê-lo, Sr. Sharpe — ou posso chamá-lo de Daniel?" ela disse.
"Daniel está bom", ele respondeu.
“Daniel, então. Em primeiro lugar, gostaria de apresentar minhas condolências. Conheci Alexander como um aluno fantástico no pouco tempo que tive com ele, e estamos todos de luto por sua perda.”
"Estamos", disse Nick, discretamente caloroso.
"Obrigado", respondeu Danny.
“Como você está lidando sua primeira semana? Clearwater tem cuidado bem de você?" ela perguntou.
Danny deu de ombros. “Tanto quanto ele consegue.”
Ela descansou os braços na ponta a mesa e se inclinou em sua cadeira. Seu olhar o examinava, e ele podia apostar que ela Danny chamou a atenção de Nick e disse: “Tanto quanto ele pode”.
Ela descansou os pulsos na borda da mesa e se inclinou para sua cadeira de escritório. Seu olhar o pesou. O que ela poderia ter que dar a ele? Ela então continuou:
“Eu entendo que esta conversa será difícil para você, e, por favor, deixe-me saber se você gostaria de esperar, mas eu pensei que seria melhor se tiramos as partes mais confusas do caminho?”
“Que partes são essas?” perguntou Danny
“Para ser franca, eu queria discutir se você pretende continuar a pesquisa de Alexander sobre o folclore oculto regional, como ele disse que era um interesse vocês dois compartilharam e seguiriam juntos”, disse Yves. A mandíbula de Danny cerrou em reflexo; suas sobrancelhas se contraíram em resposta, empáticas, mas frias. "Eu imagino que é estressante considerar seguir na mesma direção agora, e possivelmente mais ainda para pensar em fazer qualquer outra coisa. Então, por favor, saiba que eu sou sua coordenadora. Ainda estou designada como sua conselheira, mas se suas necessidades levarem você para outro membro do corpo docente, estarei disponível para ajudar com isso também.”
"Eu não tinha decidido", Danny conseguiu dizer.
Folclore oculto regional. Na verdade, ele começou a colocar a questão da pesquisa fora de sua mente assim que ele conheceu a multidão estridente com a qual Alex tinha se metido. Os caras eram a ameaça mais óbvia, e a bolsa de estudos o deixava mais desconfortável. Ele preferia não encarar aqueles cadernos com seus segredos ou a assombrações de baixo de sua sombra, esperando por sua guarda baixar. Deixar seus pensamentos vagarem para aquela direção fez seu coração gaguejar.
Yves continuou: “Reuni alguns textos da coleção do meu parceiro e alguns de outros colegas, para Alexander. Você gostaria de levá-los com você por enquanto, e ver se você pode trabalhar com eles?”
O silêncio que se seguiu apertou seus ossos. Nick mudou, recruzando os braços enquanto Yves esperava por sua resposta. O telefone de Danny vibrou entre sua bunda e a cadeira, e ele estremeceu, dizendo: "Ok, claro."
Yves se levantou e enrolou a alça de uma bolsa de pano ao lado da mesa sobre o pulso dela. Quando ela a levantou, as laterais da bolsa estavam tensas com os livros.
“Aqui,” ela disse. Danny pegou dela. “Sem expectativas, claro, mas seria uma pena ver seu trabalho desperdiçado. Sua exploração do folclore sobrenatural local já estava indo em direções únicas. Há assim pouco material de origem que fale suficientemente com ele; ele teria podido publicar. Eu estava ansiosa para ver para onde isso ia.”
Danny se levantou também, o peso dos livros arrastando seu ombro para fora do centro. A bolsa bateu contra sua panturrilha. Nick disse: “Ele estava fazendo um trabalho de campo impressionante para um primeiro ano, com certeza.”
“Certamente,” Yves concordou.
“Trabalho de campo?” Danny perguntou, incerto de seu significado.
Nick e Yves trocaram um olhar impenetrável. Sua dança delicada de implicação e tradição permaneceram estranhas para ele, e isso tirou o ar da sala. Toda a postura de Nick mudou na presença da Dra. Yves, e Danny achou que a dele também deveria, mas não sabia exatamente como. Sentia-se exposto pelas expectativas voando sobre sua cabeça, perto o suficiente para formigar seu couro cabeludo, mas fora de seu alcance.
“Sim, trabalho de campo. Durante o verão ele estava coletando tradições orais de famílias na área com histórias significativas”, disse ela. “Ele começou comigo. Os Yves vivem fora da área de Nashville há sete gerações. A razão pela qual me envolvi em sua pesquisa; me atraiu, a maneira como seu trabalho uniu o gótico sulista e o etnográfico.”
"Vocês dois não eram originalmente de lá na rota para Townsend?" Nick perguntou.
Outra resposta sufocada rastejou para fora de Danny enquanto suor frio brotava sob as axilas: “Sim. Cresci fora da cidade, não voltei.”
“Alexander disse que sua pesquisa foi estimulada por sua própria, como ele descreveu, experiência de infância assustadora,” Yves disse, seu sorriso debruado com convite. Danny engoliu seco, nervosos. Ninguém deveria saber sobre essas experiências de infância, e “assustador” não começava a cobrir o horror rastejando de suas memórias como um pântano. Ela continuou: “É uma base sólida para você construir em cima uma vez que você o compartilha.”
"Isso era problema dele", ele se forçou a dizer sobre as batidas de seu pulso em seus ouvidos. Os cantos dos livros mordiam sua canela novamente enquanto ele caminhava em direção à porta. "Obrigado. Eu tenho um lugar para estar.”
"Danny", disse Nick, levantando-se assustado de seu desleixo perto da porta.
Ele passou pelo outro homem sem reconhecimento. Ele não estava correndo, mas ele estava perto. Seus sapatos batiam nos azulejos. Ele explodiu nas escadas e bateu a porta atrás dele com as duas mãos. O metal frio contra sua testa, o silêncio das escadas de concreto fechadas: a alça do saco de pano mordendo em seu pulso. Manchas brancas flutuavam nos cantos de sua visão. Eu não quero estar aqui. Ele engoliu o ácido amargo subindo por sua garganta.
Foda-se ir para a aula depois disso.
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O modesto cachimbo de Noah estava na mesa de centro no silêncio da casa, mas sua erva estava longe de ser vista. Os pulmões de Danny se apertaram em torno de nada em uma cãibra sufocante. A conjuração descuidada de Yves da noite de as cavernas — experiências de infância, caramba — tinham martelado sua cabeça, especialmente com o sonho tão perto da superfície após as sombrias noites no quarto de Alex. A luz do sol aquecia o comprimento esticado de suas panturrilhas em no sofá, entrando pelas grandes janelas da sala da frente, enquanto ele se curvava em seu telefone. O ar condicionado zumbia, lutando para manter o ritmo. Seu polegar pairou sobre a tela antes de rolar para baixo e selecionar seu tópico com Alex. As penúltimas mensagens de 6 de agosto, às 3h32 da manhã, liam:
[Alex] volte pra casa
[Alex] estou esperando
E logo abaixo sua resposta:
[Danny] vou chegar logo
Um arrastar de seu dedo girou o fio ainda mais no passado, parando em um punhado de mensagens que ele ouviu na voz de Alez:
[Alex] o que você está fazendo agora biiiiii
[Alex] Espero que você esteja bem doido
[Alex] mas talvez não sem mim hmmmm
[Danny] Você já está bêbado?
[Alex] Mas é claro
A foto que ele enviou estava desfocada, tirada em uma mesa ao ar livre no segundo andar de um deck com pisca-piscas penduradas ao redor. Alex virou a cadeira e levantou o telefone para um ângulo de selfie exagerado acima de seu rosto, sorrindo tanto que seus olhos se estreitaram, cachos desgrenhados tortos, listrados com uma tintura cinza-clara que já desapareceu em seu funeral um mês depois. Do outro lado da mesa Noah segurava um copo alto em uma mão, a outra inclinando o canudo para a boca entreaberta.
Hopkins não se assustou. Ele fez contato visual forte e sorridente com a câmera — esparramado em sua cadeira, um braço enganchado nas costas, camiseta puxada apertada sobre o peito cheio e as luzes brancas lançando uma sombra profunda no torrão de sua clavícula. A mesa entre eles estava cheia de copos e garrafas tombadas e tristes. Danny engoliu o nó em sua garganta. O próximo texto de Alex apenas dizia vem cá, seguido pela resposta de Danny, Iria se eu pudesse cuzão. Ele imaginou a ponta de uma risada na voz de Alex enquanto ele brincava, sem parar, sempre fodendo com ele. Era incompreensível que ele teria abandonado Danny por vontade própria. O sangue do corte no pulso em seus sonhos assombrados permanecia um fato sem explicação.
O que vem depois, ele pensou.
Sem aulas a tarde. Ninguém incitando-o a vir com eles ou falar com eles ou fazer coisas por eles; nenhum próximo passo implícito nas sobras de Alex; nenhum papel para entrar ou espaço para habitar. Tudo o que ele tinha eram perguntas, sem ideia de como começar a procurar respostas; ele oscilava entre um esmagamento frenético de ignorância e uma exaustão oca que o transformou em pedra.
A combinação de queda de adrenalina e falta de direção provocou um arrepio miserável. Qual o próximo?
Uma fonte de necessidade o arrastou escada acima com a graça de um zumbi. Ele congelou quando virou a esquina do andar.
Uma folha de papel de caderno, escrita de cima a baixo com caneta gel roxa, sentou-se no degrau acima dele. O fim esvoaçava, balançando. Ele rastreou as folhas derramadas em câmera lenta, pele rastejando, até o ponto em que a trilha desapareceu no quarto de Alex. A porta ainda estava fechada. O pensamento de contornar as páginas e dar-lhes suas costas sacudiram os nervos de Danny, então ele as reuniu enquanto subia os passos finais.
O chão do quarto não era melhor. O livro que ele usou como peso de papel se projetava debaixo da beirada da cama como se alguém o tivesse jogado ali. As páginas estavam espalhadas em um redemoinho ao redor do quarto, caóticas, exceto pela trilha que levava ao corredor com total desrespeito pela porta — como se uma mão imaterial havia arrastado as folhas restantes como um rastro de migalhas de pão para levá-lo para dentro. As mãos trêmulas de Danny recolheram a bagunça em uma pilha muito mais bagunçada do que antes. Ele lançou ao redor para um melhor esconderijo , e acabou enfiando-as debaixo de uma pilha de toalhas no escuro.
Como uma pessoa normal explicaria isso? Apenas o vento, ele mentiu para ele mesmo. Ele sabia melhor, e seu conhecimento tinha o gosto do medo. Fantasmas apreciavam o tempero vital do terror quando sugado dos vivos. Se ele não estivesse abalado antes, ele estava agora. Mensagem recebida. A criatura não havia partido, nem descansando.
Ele se ajoelhou ao lado da cama por instinto e alcançou embaixo. Alex só tinha um esconderijo, nunca mudou. Com certeza, a caixa de madeira antiga esculpida com pássaros que ele deu a Alex em seu aniversário de dezenove anos estava onde ele esperava que fosse. Danny abriu a caixa e pegou o respeitável Ziploc cheio de maconha de seu ninho em meio ao cachimbo e os acessórios de Alex. Pensando melhor, Danny bateu no moedor, encontrou sua presa parcialmente cheia e a levou consigo para a sala de estar. O quarto parecia um pouco ocupado demais.
O sofá de couro bronzeado gemeu com a força com que ele caiu nele. Distraído e perturbado, ele arrumou o cachimbo e reclinou-se contra o braço, o pé direito nas almofadas e a outra no chão. Depois que a erva se transformou em cinzas, ele a colocou de lado e levantou o braço acima da cabeça. Ele virou seu pulso marcado para frente e para trás, flexionando um punho solto. Os pontos redondos de preto desbotado de tinta eram desiguais, uma imitação pobre de uma linha organizada. Onde o laço deveria ter se juntado no osso de seu pulso, um ponto se sobrepôs a outra em um diagrama de Venn torto. As manchas brilhantes de cura das queimaduras frias – o grave-toque — quase se foram.
Danny se lembrava de segurar o pulso de Alex no colo com as pernas cruzadas e um joelho apoiado contra a porta de vidro deslizante da varanda do apartamento do campus em Columbus. O último cigarro compartilhado entre eles por um sopro cada. Alex tinha comprado a tinta, juntou um conjunto de agulhas com barbante e fita isolante, depois esterilizou-os com água oxigenada do armário de remédios escassamente abastecido. Danny terminou o cigarro e o atirou na beirada da sacada.
Alex travou os olhos com ele, sorrindo seu melhor sorriso de lobo. Danny tateou pelas agulhas em um pires em seu joelho, incapaz de destravar seus olhares, nem mesmo para ver a primeira pincelada de tinta. Os cantos do sorriso de Alex se encolheram, os olhos baixando, então sua boca se abriu uma fração. Seu pulso se contorceu no aperto.
“Ai,” Alex sussurrou.
"Nada disso", disse Danny. Ele inspecionou as manchas de sangue, um vermelho rubi.
Alex flexionou o punho, os músculos do antebraço se contraindo. “Não posso voltar atrás agora.”
“Não”, ele respondeu.
Terminar a tatuagem do bracelete de Alex levou quase uma hora; assim que o último ponto estava totalmente marcado, eles espalharam pomada antibacteriana em todo a confusão de linfa e tinta e lugares trocados. Danny ofereceu seu pulso, palma para cima, as pontas dos dedos agarrando a bainha do short de Alex. Alex atado os dedos entre os seus e dobrou a mão sobre a coxa enquanto preparava as agulhas, segurando-as como um lápis gordo. O primeiro puxão perfurou sua carne com uma mistura de tinta e o sangue de Alex, Danny assobiando longo e alto através dele e o próximo também. Alex sentou-se meio na luz e meio na sombra, olhando para ele periodicamente enquanto trabalhava, sério e quieto com as mãos trêmulas minuciosamente. Havia algo importante, ritualístico, na marcação que ultrapassou as seis cervejas, o jogo de gabar-se que os levou a ‘me faça uma tatuagem, não sério, devemos fazer nossas primeiras juntas’.
Hannah havia terminado com Danny no dia seguinte e não tinha falado com nenhum dos dois por duas semanas.
Agora, Danny tocou as marcas desbotadas, acariciou-as e apertou seu próprio pulso em um laço implacável. Ele derivou, alto o suficiente para borrar sua visão, em um sonho sobre o crânio de um veado com líquen, lama quente entre os dedos dos pés. Ele se enterrou na terra, cavando suas mãos na carne da terra, enchendo sua boca e suas narinas e suas veias até tudo estar estourando. Se cavasse fundo o suficiente, poderia encontrar...
Ele acordou ofegante, sufocando e desorientado, para a cada vez mais familiar batida da porta da frente. Suas unhas doíam com a pressão de cavar o sofá de couro. Os sonhos não tinham sido tão ruins, tão persistentes, antes. Ele não tinha certeza se tinha em si mesmo para culpar a coincidência. A adrenalina bateu seu coração contra suas costelas, o pulso batendo em seus olhos.
"Danny," Noah disse abruptamente, muito alto.
"O que?" ele retrucou, colocando o rosto em ambas as mãos e balançando-se ereto em uma posição sentada no sofá.
"Uh, eu só-" Noah fez uma pausa e respirou fundo. “Eu notei que o seu carro está na frente e tem um monte de coisas suas nele. Você precisa de ajuda para trazer para dentro?”
"Merda."
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