Notas iniciais
Essa poesia surgiu, basicamente, a partir de interpretações que tive a partir do conto original de Narciso do Livro de Ouro da Mitologia. Tentei sair um pouco do que entendi como mainstream de que as paixões físicas traíram o herói. Tentei trazer uma explicação mais racional, mas não menos romântica ao conto. Tento demonstrar que, na realidade, ao mergulhar para encontrar seu reflexo, Narciso tenta, desesperadamente, encontrar sua realidade, pois considerava o que vivia apenas o reflexo da verdade, e não a essência do conceito. Pode parecer confuso, e certamente essas explicações podem confundir mais ainda, mas, basicamente, vivemos isso todos os dias, ao menos sob meu, triste, olhar. Veja, do modo que vejo, a superficialidade, das relações sociais, dos desejos, dos amores e da vida, nada mais são do que a ilusão de um mundo que gostaríamos que fosse realidade, mas não é. Porém, quando tentamos nadar contra a correnteza da normalidade, quando mergulhamos para encontrar a essência do reflexo, a realidade se altera e acabamos sufocados por nossos próprios intuitos, como Narciso. Enfim, muito provavelmente me considerarão louco de pedra por esta poesia, se não por esta descrição, mas, honestamente, gostei de como ficou.

Caminhando sozinho pelo mato,

encontro um limpo e puro lago.

Tão bonito era seu reflexo,

que não resisti e beijei suas águas.

Beijo doce e molhado.

.

Vi na superfície o mundo à minha volta,

porém mais frágil, a ponto de desmoronar.

Parece me engolir quando toco suas águas,

mas minha imagem refletida sai pelo outro lado.

.

Percebo, então, que estava enganado.

Estou no universo errado,

na imagem refletida pelo lago,

então mergulho para chegar ao lado certo.

.

É um universo diferente e profundo.

Me sinto mais leve, mas é difícil respirar.

É um universo novo e estranho.

.

Percebo, então, que cometi um novo engano.

A água que um dia usei para beber,

hoje me engole,

mas não sei porque.

Notas finais
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