Memórias de uma Assassina
1 Meu Nome Não é Carol
Estava dentro de um lugar pouco luminoso, com paredes e chão repletos de sangue. Uma erra elétrica repousava no chão, minhas mãos ensanguentadas seguravam facas, minha camiseta branca foi pintada com grandes faixas de sangue que ainda estava molhado.
Á frente, enrolado em umsaco plástico, estavam partes de um corpo masculino... Quem era? Puxei sua cabeça e não o reconheci. Ultimamente isso tem acontecido mais vezes. Fui até suas roupas no outro lado da sala, puxei sua carteira e vi. Robert Stevens estava sorridente. Em outra foto vi uma mulher loira de olhos verde muito bonita e uma garotinha de cabelos castanhos. A família perfeita. Ri alto até minha risada ir se tornando um soluçar constante.
Voltei ao saco e o fechei. Era dia de o caminhão de lixo passar. Levei o saco até a cozinha e subi para me trocar. Desci e tirei o corpo de minha casa, o jogando em uma caçamba perto de minha casa. Limpei meus utensílios e sai.
Enquanto caminhava, eu via os rostos felizes e imaginava uma forma de tortura diferente para cada pessoa.Que tal uma perna? Ou talvez uma orelha? Ah, claro, desculpe, você deve preferir um coração ou um rim... Ri sozinha e me deparei com uma briga. As pessoas formando um círculo em volta da atração.
Duas garotas. Puxei meu bloco de notas e vi que dentre muitas vítimas, ainda faltava uma garota. Como sou exigente quis uma morena dos olhos verdes. Eu a havia achado e ela estava em desvantagem na briga. Ela parecia mais nova do que eu, talvez uns quinze ou dezesseis.
Entrei no meio da briga.
– HEY! Vocês são estúpidas? Querem acabar na prisão?- elas pararam e me olharam, a multidão soltava vaias, as duas se separaram e a outra saiu correndo. Fui andando até minha morena.
– Tudo bem com você? Oh, meu Deus! Que corte horrível!
– Não se incomode... — ela me disse, sua voz era linda, como a de anjos cantando.
– Me incomodo sim, não gosto de brigas no meu bairro. Porque não vamos até minha casa e cuidamos disso?
– Mas, eu nem sei seu nome...
– Carol, e o seu?
– Lisa.
– Ótimo, Lisa, vamos agora?
Ela concordou com a cabeça e fomos. Ela se escorando em meu ombro e eu procurando minhas chaves e me perguntando se o chão da cozinha estava sujo de sangue.
Chegando em frente de casa, eu a abri a porta e a morena entrou, seguida por mim. Lisa se sentou no meu sofá e perguntava sobre mim, enquanto eu passava remédio em sua perna e seu braço.
– Obrigada Carol, você foi muito amável.
– Espere! Não pode ficar mais um pouco? Faz tanto tempo que não converso com alguém...
Lisa concordou com a cabeça e voltou a se sentar no sofá, ela bebia refrigerantes com dopantes e logo, logo estaria tão dopada que nem se lembraria de estar aqui.
Uma hora depois eu a levei para o porão e a despi colocando-a em uma cadeira de metal suja e depois amarrando seus braços, pernas e sua cintura.
No dia seguinte acordei ouvindo gritos vindos do porão. Me levantei, me troquei, comi e desci para lá, junto de minha querida amiga de longa data, Charlotte, minha faca.
Lisa gritava em outra língua, alemão, talvez... Em uma mesa peguei um rolo de fita adesiva e tapei aquela boca que mesmo assim insistia em gritar. Cheguei mais perto, colando minha testa na dela e passei Charlotte em sua bochecha abrindo um fino corte. Sorri quando ela começou a se desesperar e a se debater fortemente na cadeira.
–FIQUE PARADA VADIA!
Ela parou, deixando as lágrimas correrem pelo seu rosto angelical. Brutalmente cravei minha faca em sua perna machucada girando o cabo, o sangue formando uma poça. Ela gritou, eu continuei insanamente. Estava descarregando, dessa vez toda minha raiva naquela pobre garota.
– PORQUE EU? VOCÊS PROMETERAM ME PROTEGER! Eu... Eu nunca a machuquei... Mas... Mas... MAS... PORRA! PORQUE NÃO? PORQUE NÃO ACREDITARAM EM MIM?
Eu gritava e pontuava cada palavra com um corte. Olhei para a garota inconsciente e suja. Limpei seu rosto passando a mão de leve por sua bochecha, sentindo seus lábios com meu polegar. Sai de meus devaneios e continuei a limpe-la, costurando e limpando seus cortes.
Passei um pano molhado pela sala e me deparei com uma porta de madeira á muito esquecida. Voltei para a realidade. Não posso, não quero, não estou pronta para entrar lá. Acendi as lâmpadas de minha sala de brincadeiras. A luz iluminando cada canto da sala, fazendo com que meus olhos ardessem. A cadeira, no meio da sala se destacava, enquanto um corpo repousava sobre ela. As paredes velhas sem acabamento salpicadas de vermelho, as mesas quase destruídas, as lâminas quebradas. Um lugar macabro para qualquer um que entrasse lá.
Subi para o sótão de minha casa pegando um balde de tinta e um rolo, voltei para o porão e comecei a pintar. O sangue seco ia desaparecendo, as paredes brancas surgindo. Lembranças sendo escondidas, 5, 15, 22. Não queira saber o que esses números significam.
Olhei para o relógio. 12:36. Preciso comer.
Saí de casa rumo á um restaurante pouco movimentado, o meu preferido.
–O de sempre.- anunciei ao entrar lá.
Rapidamente fui servida, lasanha. Comi, paguei e voltei a andar sem destino. Uma forte batida em meu ombro.
–Desculpe-me moça- disse ele seus cabelos negros balançando enquanto corria e acenava para seu amigo- Hey! Espera!
Voltei para casa. Lisa estava acordada.
–Quer que eu acabe logo com isso, querida?- perguntei e ela acenou lentamente com a cabeça, os olhinhos assustados- Certo... Vou tirar isso de você... Pronto- tirei a fita adesiva de sua boca- escolha: número um, dois ou três?
–Três.
–Você é a primeira a pedir o três, sinta-se honrada.
–Qual é o três?- perguntou ela, sua voz saindo rouca e chorosa.
– Uma mistura do um e do dois.
– Ah...
– Você é muito compreensiva. Gostei disso, normalmente me falariam bobagens e mais bobagens. Então eu escolho por eles. E apesar de eu ser uma grande fã do número três, sempre faço o um, é mais... Divertido...
– Eu quero um X-bacon...
– Um x-bacon?- disse eu rindo da bobagem.
– É... um x-bacon! Todos os grandes vilões dão um pedido final para a vítima...
– Você assiste muitos filmes, acontece que...- eu disse com uma voz sombria olhando para a garota- Eu não sou uma grande vilã e nem quero ser, eu mato porque gosto e preciso, e não vou te dar um x-bacon, entenda, isso é vida real, o Super Homem não vai vir te salvar, ou o seu namorado, ou seja lá quem for. Outros vinte já sentaram nessa cadeira e nenhum deles saiu inteiro, você não vai ser diferente, garota. Agora espere um pouco.- peguei meu telefone e liguei para o meu ajudante eventual- Venha, agora, garota, três.- desliguei e fiquei olhando para a garota amarrada.
– Onde estão seus pais?- ela perguntou.
Indiquei a porta do outro lado da sala com a cabeça.
– Foram assassinados quando eu era pequena e eu vi tudo, eles ganharam um pedido e pediram para me proteger- mostrei uma cicatriz em minha barriga- foi a única coisa que fizeram comigo.
Soltei um sorriso passando a mão pela cicatriz e ela murmurou um “sinto muito”. A porta do porão se abriu com um estrondo, uma garoto loiro descia as escadas de dois em dois degraus.
–OI CAROOOOOOL!
–Amarre-a no chão e bem forte, não faça como da primeira vez.
– Mas... eu só tinha 17 aquela época...
– cale a boca e faça o que eu pedi, vou limpar a Charlotte.
–Okay.
Fui até a mesa e limpei minha faca enquanto ela a amarrava no chão com muita dificuldade. Bebi um copo de whisky e depois outro.
– Bebendo a essa hora?
– É necessário- eu disse simplesmente.
Deixei o copo em cima da mesa e subi em cima da barriga da garota, afastei o cabelo dos olhos e cortei sua orelha. Ela gritou. O sangue coloriu seu cabelo. Com um martelo, esmaguei seus dedos da mão e fiz cortes em seu pulso. O som da carne sendo partida e dos gritos fazendo uma sinfonia, misturando dor, medo, pavor, horror.
– Posso? Posso?- perguntava meu colega dando pulinhos em minha volta.
–NÃO!
–Você está com um sorriso maníaco.
Atirei Charlotte, ela rodopiou no ar e se cravou na parede, me levantei para apanhá-la e quando voltei para minha garota, cortei sua barrida, sangue jorrando sem paradas, cortei, cortei e cortei. O sangue no chão, minhas roupas sujas, tudo perfeito.
–Ela já morreu faz meia hora... Hey, Carol...
–Passe minha serra.- ele passou.
Serrei a barriga dela. A sala recém pintada ganhando mais borrifos de sangue, uma nova lembrança, minha boca tinha gosto de ferro, cortei seus braços e pernas, deixando sua cabeça por último. Me preparei, desci a serra, a cabeça saiu rolando. Desabei no chão.
–Limpe isso- e desmaiei.
Não quero acordar nunca, nunca mais. 5, 15 e 22. Apenas números, mas eles me definem, esse sou eu. E meu nome não é Carol.
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