Memórias de Um Guildmaster

3 Dia 3 - O mistério do Dragão de gelo.


Dia 3 — O mistério do Dragão de gelo.

Esses dias, percebi que nunca faz sol por essas planícies. Sempre fica um ar gélido, de modo que os fantasmas daqui se vistam melhor. Eu particularmente adoro o frio. Gosto de ficar na janela vendo a neve cair. Ah, sim! Por ser um lugar alto, ás vezes é possível ver uma fina camada de neve rolar janela à baixo... E foi desse jeito, olhando a neve, que encontrei um modo de explicar como tudo começou...

Na época em que eu ainda vagava pelos campos longínquos sob a luz do sol, (ou seja, vivo) surge aquela idéia de criar uma guild, que mais tarde tornar-se-ia a Gondor Knights. Eu era o líder dela, tanto que quando morri, a guild também acabou, terminando seus dias de ascensão. Mas antes de tornar-me líder, e conhecido por todos, já fui um jovem normal. Com toda essa neve caindo hoje, e os jovems conversando do lado de fora, lembrei-me de um rapaz chamado Steal, mas que preferia ser chamado Stealzin. Ele era um High Wizard e vestia uma longa capa de cor azul escura, com detalhes em azul claro. Seus olhos, assim como o cabelo, eram azuis, iguais a água do mar num dia frio de inverno. Mas toda essa elegância foi quebrada quando proferiu-me as seguintes palavras:

— Tá afim de matar Ktullanux, Bród??

Meu Deus!!! Mas que linguagem é essa?? Esses jovens de minha época possuíam uns códigos tão bizarros... Ainda estou tentando descobrir o significado de "Beleza", seria isto uma afirmação? Enfim, se eu tentasse fazer um dicionário sobre as palavras estranhas e engraçados que jovens diziam, eu seria capaz de fazer um livro do tamanho da Biblía. Sinto que minha linguagem não é como antigamente, talvez o covívio com eles nos tempos da guild me afetaram. Heh, heh, heh...

Enquanto eu escrevia esse capítulo, lembro-me de algumas crianças brincando de Guerra de Bolas de Neve, nas proximidades. Não, não, isso não tem nada a ver com a estória...

Eu aceitei a proposta de Steal e decidi juntar-me a ele para caçarmos um dragão, conhecido como Ktullanux. Enquanto andávamos rumo ao covil do dragão, um jovem treinava na entrada de Ice Dungeon, nós nos preparávamos para entrar e lutar com a tão temida criatura, mas aquele pequeno garoto aproximou-se de nós e perguntou se poderíamos ajudá-lo a treinar.

— Yo! Será que vocês poderiam me ajudar a treinar? — perguntou aquele garoto, educadamente.

— Tamo meio ocupado agora pivete, volta depois. — respondeu Steal.

Senti pena dele, mas no momento estávamos um pouco ocupados mesmo, então se o menino ainda estivesse lá quando voltássemos eu até ajudaria-o. Este peso na consciência que senti, me fez mais tarde voltar a procurar aquele menino, o que certamente mudaria minha vida para sempre. Quem imaginaria que o simples fato de ajudar alguém mudaria tanto o destino?

Ice Dungeon deve ser um dos lugares mais belos de Rune Midgard, isso para quem gosta de frio. Estalagmites e estalactites enfeitavam o ambiente com um semblante gélido. O som que passava por entre as paredes davam um ar sinistro ao local. Lembro-me das pontes, como poderia esquecê-las? Não era posível nem ver o chão, e certamente eram evitadas. Os cristais brilhavam com as poucas faixas de luz que passavam pelo teto da caverna e davam a aparência de espelhos das mais diversas formas. Um local pouquíssimo visitado, por conta de algumas vezes um Ice Titan dar as caras por lá. (Eles são perigosos!)

Era uma viagem longa até o terceiro andar. Muitas lendas sobre o místico Ktullanux eram contadas em Prontera. Diziam que ele congelava sua vítimas e devorava-as para nunca mais serem vistas. Eu e Steal possuíamos um alto nível de experiência por isso não precisávamos nos preocupar. Caçar o tão temido Ktullanux, algumas vezes podia até mesmo ser feito brincando, caso o dragão ainda não tivesse alcançado a fase adulta. Vejam só! Eu esqueci-me de contar nessas memórias minha classe. Eu era um Assassin Cross. Nós dois tínhamos experiência suficiente para tentar combater a criatura, mas não esperávamos que haveria um Ktullanux adulto...

A sala se aproximava e a tensão aumentava, era possível ver uma figura no fundo da névoa como um espectro. Um cavaleiro muito alto jazia em pé, logo em frente ao local onde supostamente Ktullanux estaria. Com a cabeça baixa e um capuz que corbria-lhe o rosto, ele pronunciou as seguintes palavras:

“Aqueles que acenderem da chama azul, sofrerá para sempre da maldição”

E nesse momento, um enorme dragão azul surgiu atrás do homem, que permaneceu parado. A criatura tinha longas escamas azuis, como fortalezas, garras como lanças e um hálito gélido que chegava à alma. De suas costas, uma fumaça de frio saia e congelava até os ossos. Sua cala era tão longa quanto o corpo, e possuia uma espécie de martelo na ponta. Seus olhos não se deviam de nós por nada. Será que eu consigo desenhar um? Uma das poucas coisas que eu fazia bem quando era vivo, era desenhar...

(Aqui há um estranho desenho rabiscado...)

— Se não quiserem ter uma morte fria e dolorosa, vão embora, e nunca mais retornem. — disse Ktullanux. (Nossa, eu lembro como se fosse hoje!!)

Não entendo o que dois jovems, como nós, procuravam fazer lutando com o grande dragão de gelo. Não tínhamos condição de enfrentá-lo. Que dizer, eu pensei que tínhamos... Mas agora a criatura já estava na nossa frente...

— ...Fudeu... — sussurrou Steal. (Essa hora foi engraçada! Quer dizer, não foi não, eu tava morrendo de medo.)

Posso sentir o medo no coração de vocês, deixarei partirem, mas que não retornem. — disse Ktullanux.

E como num passe de mágica, estávamos em uma planície bem longe de Ice Dungeon. Foi algo realmente estranho, não sei dizer se foi um sonho... Quem sabe uma ilusão? Mas lembro-me como se fosse hoje, de um idoso, marcado pelos anos, sentado no topo do penhasco logo atrás de nós, com um capuz semelhante ao do cavaleiro, que cobria-lhe o rosto. Com um pouco de dificuldade levantou o rosto,pronunciando algumas palavras:

— Deixe a ampulheta passar em cinzas, deixe o vento soprá-las para bem longe... — O velho levantou-se, e como uma sombra, partiu.

Até hoje, eu imagino a história daquele velho. Acredito que ele tenha morrido lutando contra a criatura, e hoje, ele apenas perambula pelo mundo em forma de espírito, ajudando aqueles que precisam, para que não caiam no mesmo destino que ele. (Puxa! Quero fazer igual!! Brincadeira, não quero ajudar pessoas, elas que se virem...)

A Idéia de lutar contra Ktullanux estava terminada. Steal olhou para mim e deu o mesmo sorriso animado de quando eu o conheci.

— Tá afim de matar Detardeurus?

— Você não aprende, não é? — respondi, com uma risada.

O objetivo desse capítulo não era simplesmente contar mais uma de minha aventuras, mas aquele jovem, logo na entrada de Ice Dungeon, mais tarde mudará minha vida para sempre.

— Nóis se fala depois velho, se precisar de ajuda é só me chamar! — disse Stealzin, partindo rumo à Prontera, por entre aquelas frias florestas.

Nóis”?? Quem em sã consciência têm a audácia de dizer... “Nóis”? Ninguém diz...“Nóis”. Ninguém diz... “Velho”....

(...)

Acho que estou ficando mais velho e mais chato. Mesmo assim... Morto. A neve já ficava mais fina, e logo a lua surgiria, dando hora aos fantasmas. Para falar a verdade, rodeado de fantasmas, toda hora é hora de fantasmas... (Bom, você não precisava ter lido esse comentário.) Por que não dar uma volta, andar com os colegas... Afinal, a eternidade é longa...