Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Aqui estou eu com mais um capítulo para vocês. Eu realmente espero que gostem. Eu quero agradecer demais a AndreaNeves pelo comentário no capítulo passado. Eu nem tenho palavras para agradecer pelo apoio que você tem me dado. Então, muito obrigada. Espero que gostem. Boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO XI – MEMÓRIAS DE NOVEMBRO

CAPÍTULO IX – SORVETERIA

— Baile de casais? – Pergunto, surpresa com o relato de Steve. Ele assente, enquanto mastiga um pedaço de sua carne. Pego um pouco de batata e dou para Liz, que brincava animada com uma outra colher – E você confirmou que nós iriamos?

— Eu tentei recusar, mas eles foram bastante incisivos. – Explica Steve, suspirando cansado. Ele bebe um pouco de suco e me encara com um sorriso preocupado. – Eu sinto muito. Se você não estiver com vontade de ir ao baile de casais, posso dizer que nós conversamos e decidimos que é melhor a gente não ir.

— O problema não é que eu não esteja com vontade. Acho que seria divertido. Mas fico preocupada em deixar as crianças sozinhas. – Confesso, limpando o rosto de Liz, que havia se sujado com o caldo da carne.

— Eu posso cuidar deles. Eu acho que seria legal vocês terem um tempo para vocês. Ainda mais com todas as coisas que estão fazendo por nós. – Afirma Kayla e eu sorrio, agradecida. – Nós vamos ficar bem. Eu sempre me saí bem na tarefa de ficar de olho deles enquanto estávamos nas ruas.

— Você é um amor e sei que é capaz de fazer um excelente trabalho cuidando dos seus irmãos. Não tenho dúvidas de que é ainda melhor do que eu, mas estou preocupada que Schmidt apareça de repente e não tenha ninguém para proteger vocês. – Respondo, dando um fraco sorriso. Dou um pedaço de carne para Liz, que pega com a mão e começa a brincar com a comida. Aproveito da distração dela para comer a deliciosa comida de Steve.

— Alfred disse que a sogra dele pode vir ficar de olho nas crianças e que não vai cobrar nada. – Conta Steve e eu o encaro confusa. – Eles moram a umas cinco casas subindo a rua. Ao que parece, desde que a filha dele foi para a faculdade, a sogra dele tem se sentindo inútil e cuidar de Hailey, Tommy e Emma pode ser um bom passatempo na rotina monótona dela. E acho que realmente, o que ela mais vai gastar é energia ficando com eles.

— Ah, eu tenho certeza que sim. – Respondo, rindo. Suspiro e penso no assunto. De fato, seria divertido ir a uma festa. A última vez que estive em uma foi no aniversário de meu afilhado e ele tem seis anos. Quanto a festa de adulto, a última que eu consegui ir foi na de aniversário de Clint no ano passado. Seria bom sair para dançar e me distrair um pouco.

— Você vai sair com o papai, mamãe? – Pergunta Alex com preocupação.

— Você não quer que a gente vá? – Questiono, curiosa pela reação da criança. Hoje ele estava mais quieto e pensativo.

— Não quero que deixe a gente. – Confessa o garoto e eu acabo sorrindo.

— Nós não iremos deixar vocês, Tommy. É apenas uma festa. Se a gente for, nós iremos voltar. Eu prometo. – Afirmo e ele sorri, parecendo aliviado. Viro-me para Kayla, que terminava de comer. – Você tem certeza de que não se importa de ficar aqui com os seus irmãos e a sogra de Alfred?

— Tenho sim. Podem ir. Nós vamos passar a noite assistindo algum filme até eles pegarem no sono. – Responde Kayla, dando um sorriso sincero.

— Então nós vamos? – Pergunta Steve, animado como uma criança. Rio de seu comportamento e assinto.

— Sim. Nós iremos. – Concordo e seu sorriso se torna ainda maior. Volto a encarar Kayla. – Por que não chama algumas amigas da escola para virem dormir com você?

— Não fiz muitas amigas. – Confessa Kayla, passando a encarar o próprio prato. Ela dá um fraco sorriso e dá de ombros. – Sendo sincera, eu não fiz nenhuma. Todos já possuem grupinhos, então é difícil me encaixar. Eu não sei nada sobre os assuntos que eles conversam e aparentemente, para as garotas da escola, saber sobre astrologia é muito mais importante do que astronomia.

— Ah, querida, eu sinto muito. – Lamento, sentindo meu coração se apertar ao pensar em como ela deve estar se sentindo deslocada e isolada na escola. – Não se preocupe. Eu tenho certeza de que logo eles vão perceber que você é uma garota incrível.

— Está tudo bem. Eu não estou sozinha. Peter tem me feito companhia nesses dois dias. – Revela, dando um pequeno sorriso.

— Peter? – Repete Steve, esboçando aquele bico de insatisfação. Prendo o riso, porque era divertido vê-lo com ciúmes de Kayla.

— Sim. Ele é bem legal e gosta das mesmas coisas que eu. Peter também não se dar muito bem com os outros garotos da turma e gosta de estudar assim como eu. Ele passou o intervalo de ontem e hoje me passando todo o conteúdo das aulas que eu perdi. – Conta Kayla com os olhos brilhando. Steve parece perceber e eu quase podia ver o desespero em seus olhos. Isso me faz levar a mão a boca, porque era difícil controlar a minha vontade de rir. – Ah, eu posso ir a sorveteria com ele amanhã depois da aula?

— Não. – Fala Steve, determinado.

— Sim. – Digo ao mesmo tempo, animada.

— Não ou sim? – Kayla parecia confusa com a divergência de nossas respostas.

Troco olhares com Steve e ele balança a cabeça, negando. No entanto, permaneço com a expressão firme, mostrando que ele estava sendo ridículo. Nós passamos alguns minutos assim, até que ele bufa e desvia o olhar, voltando a comer. Deixo uma risada anasalada escapar. Eu havia vencido a batalha.

— Sim. Você pode ir a sorveteria com o Peter. Mas não se esqueça de nos avisar quando chegar e sair de lá. – Peço e ela assente, sorrindo animada.

— O que vocês vão fazer em uma soverteria? Nós estamos entrando no inverno. – Questiona Steve, cortando a carne com mais força do que deveria. Rio e dou um pouco mais de comida para Liz, que já havia se cansado de brincar com o pedaço de carne.

— Hailey vai sair com o namorado! Hailey vai sair com o namorado! – Provoca Alex, divertindo-se com a expressão envergonhada da irmã.

— Ele não é meu namorado! – Resmunga Kayla, passando a beber um pouco de suco para disfarçar o seu nervosismo.

— É, Tommy, ele não é o namorado dela. – Afirma Steve e eu não consigo segurar a gargalhada que sai de minha boca. A situação toda era muito engraçada. Steve realmente parecia um pai ciumento, que não consegue aceitar que sua garotinha cresceu e que começou a ter interesse em garotos. – Quer parar de rir? Não tem graça alguma.

— Tem sim. Você está sendo ridículo. – Afirmo e ele bufa novamente. Dou um pouco mais de batata para Liz. – E você não precisa se explicar se não quiser, Hailey. Está tudo bem.

— Nós iremos estudar e comer sorvete. Apenas isso. No caminho para a escola, há uma sorveteria muito bonita, que Peter disse ter o melhor sorvete que ele já experimentou na vida. Eu contei para ele que eu nunca tinha experimentado sorvete e que menos ainda tinha estado em uma sorveteria. Ele então se ofereceu para me levar e disse que eu precisava experimentar ou me arrependeria para sempre e que sorvete no inverno é ainda mais gostoso. Peter também precisa me passar mais algumas explicações sobre as matérias que eu perdi, então nós unimos o útil ao agradável. – Confessa Kayla com as bochechas vermelhas. – Não tem problema se eu não puder ir. Eu posso dizer a Peter que podemos comer outro dia ou em outra ocasião.

— Não, senhora. Você vai sim nessa sorveteria com o Peter. Ele tem razão. Sorvete no inverno é ainda mais saboroso e todos precisam provar sorvete pelo menos uma vez na vida. É um dos alimentos mais saborosos do mundo. – Afirmo, sorrindo com sinceridade. Isso parece deixar Kayla ainda mais animada.

— Eu também quero comer sorvete. Eu posso ir também, mamãe? – Pergunta Alex, encarando-me com expectativas. Vejo Kayla ficar um pouco menos animada com a ideia. Sorrio. É claro que ela não queria que o irmão mais novo a acompanhasse em seu encontro.

— Desculpa, querido, mas você não vai poder ir com a sua irmã. – Respondo e dessa vez é Alex que fica desanimado. – Mas não se preocupe. Amanhã, quando eu for te buscar, prometo passar na sorveteria para comprar sorvete para nós. O que você acha?

— Oba! Eu vou comer sorvete! – Comemora o garoto, animado.

— Já vai pensando no sabor que você vai querer. – Aviso e ele assente freneticamente. – O meu com certeza será de morango.

— Eu posso comer de chocolate, mamãe? – Pergunta Alex com os olhos azuis intensos brilhando com expectativas.

— Espere um pouco. – Steve chama nossa atenção e exibe uma expressão indecifrável. Encaro-o, confusa. O que havia acontecido? Parecia que ele havia notado algo de errado. – Você contou que nunca comeu sorvete a Peter? Por quê? Esse não é o tipo de informação que pode contar para as pessoas, Hailey. Isso pode fazer com que eles desconfiem de nós.

— Não exagere, Connor. Ele é sobrinho de May e Jarvis. Não acho que ele sairia por aí espalhando que Hailey nunca tomou sorvete. – Interfiro, mas ele ainda não parecia satisfeito com a situação.

— Ele é um adolescente, Ashley. Pode acabar deixando escapar essa informação para alguém. Nós não podemos nos arriscar. Você mesma disse que Schmidt pode aparecer. Não quero colocar a vida deles em perigo por um descuido nosso. – Responde Steve com seriedade e eu suspiro, sabendo que boa parte dessa repentina racionalidade é apenas a sua implicância com a relação de Peter com Kayla.

— Desculpa. – Lamenta Kayla, encolhendo-se em seu lugar. – Peter também faz parte do programa de proteção a testemunha. Eu pensei que não teria problema falar sobre isso com ele.

— Ele também é? Então Peter não é sobrinho legitimo de May e Jarvis? – Questiono, surpresa. Kayla balança a cabeça, negando.

— Ele precisou entrar no programa depois que presenciou a morte dos pais, que eram cientistas importantes. Desde então, ele veio morar com May e Jarvis, que estão responsáveis pela segurança dele. A CIA ainda não foi capaz de encontrar o verdadeiro responsável pela morte dos pais dele, então ele não tem escolha além de continuar fingindo ser alguém que ele não é. – Responde Kayla com um tom de voz melancólico. Ela provavelmente compartilhava sentimentos semelhantes ao de Peter.

— Então Peter Parker não existe? – Pergunta Steve, tão atônito quanto eu com essa nova informação.

— Na verdade, ele existe sim e trabalha na CIA junto com você. – Afirma Kayla, nos deixando ainda mais perplexos. – Aparentemente, ele é um dos jovens que entrou no mesmo programa especial que você. Como May e Jarvis sempre falaram sobre o sobrinho Peter para todos da cidade, eles não tiveram escolha além de nomeá-lo assim. O verdadeiro Peter continua a trabalhar em Hawkins e nunca apareceu em Beaufort.

— Eu... eu não me lembro. – Afirma Steve, atordoado. Coloco minha mão sobre a dele, tentando transmitir algum tipo de apoio. Ele sempre parece ficar decepcionado consigo mesmo quando não consegue se lembrar de alguma coisa.

— Você ainda vai se lembrar. Está tudo bem. – Garanto e ele assente, melancólico. Suspiro e me viro para Kayla. – E qual é o verdadeiro nome dele, então?

— Andrew Hensey, mas ele disse que todos o chamavam de Andy. – Conta Kayla, encarando as próprias mãos. – Ele morava em San Diego e sempre sonhou em se tornar um cientista assim como os pais.

— Andy. É um nome divertido. – Comento e Kayla me encara, dando um pequeno sorriso. – Seja uma boa amiga para ele, Hailey. Ao contrário de você que tem seus irmãos para te trazer um pouco de seu passado, ele veio sozinho para cá. A única coisa com que ele pode contar é com as lembranças dele e de momentos que ele sabe que jamais irão voltar com a sua amada família.

— Eu sei. – Concorda Kayla, suspirando com tristeza. – Eu vou... ser uma boa amiga para ele. Eu prometo.

— Ótimo. Eu tenho certeza de que ele vai gostar muito de ter você ao lado dele. – Afirmo, orgulhosa da garota. Viro-me para Steve e ele ainda parecia decepcionado por suas memórias continuarem perdidas. Aperto sua mão e ele me encara um pouco desanimado. – Ei, você está bem?

— Sim. Só... frustrado. – Confessa, suspirando. Assinto, mostrando que eu compreendia o que ele sentia.

— Você vai se lembrar. Eu tenho certeza. Apenas tenha mais um pouco de paciência. Sábado de manhã nós iremos ir ao parque para você e Tommy jogarem baseball. O que acha de aproveitarmos que o parque estará vazio para eu contar e mostrar algumas lembranças de momentos em que passamos juntos? Acho que isso deve incentivar sua mente a lembrar de alguma coisa. – Sugiro, tentando soar animada. Ele suspira e assente, concordando com a minha ideia.

— Você acha mesmo que eu serei capaz de me lembrar? – Questiona, encarando-me com intensidade. Seus olhos pareciam suplicar por uma resposta positiva. Eu já havia notado que em alguns momentos, Steve parece temer que os efeitos de sua amnésia fosse irreversíveis e precisava de alguém para confirmar que tudo logo irá se resolver e que ele voltaria a se lembrar, ainda que ele não dissesse nada.

— Eu não tenho dúvidas. Eu tenho certeza de que suas memórias estão perdidas em algum lugar escondido de sua mente. Tudo o que precisamos fazer é estimular seu cérebro a se lembrar quem é você e toda a carga de experiências que você conseguiu desde que nasceu. – Respondo com determinação e de alguma forma, minhas palavras parecem ter surtido algum efeito em Steve, que deixa um suspiro cansado escapar.

— Papai... – Alex chama e Steve o encara com um fraco sorriso. – Papai, você está triste?

— Não, Tommy. Eu apenas estou cansado de ter trabalho demais hoje. Não se preocupe. – Garante Steve dando o seu largo e bonito sorriso. Isso faz Alex sorri também. O homem então se vira para mim e me encara com intensidade. Sorrio e correspondo, igualmente determinada. – Eu vou ficar bem. Ainda não tenho certeza de como farei isso, mas eu definitivamente vou me lembrar do meu passado.

Notas finais
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