Memórias de Novembro
2 Revelação
Notas iniciais
ROMANCES MENSAIS
LIVRO XI – MEMÓRIAS DE NOVEMBRO
CAPÍTULO I — REVELAÇÃO
— Kayla, eu estou com fome. – O garotinho franzino de vestes curtas e gastas encara a garota ao seu lado com seus olhos azuis grandes esperançosos. Ele possuía sardas nas bochechas e estava bastante sujo.
— Eu sei. Mas precisa esperar um pouco. Logo conseguiremos comida. – Afirma Kayla, acariciando o rosto da criança com um carinho maternal. Ela tinha os cabelos castanhos curtos que iam até a altura do ombro e olhos cor de mel intensos. Segurava uma bebê que deveria ter uns dez meses, que dormia tranquilamente em seus braços.
— Você quer um biscoito? – Pergunto, pegando um pacote de biscoitos que eu sempre levava em minha bolsa. Ele assente, timidamente. Sorrio levemente e estendo o pacote ao garoto, que faz uma rápida troca de olhares com Kayla, antes de descer do sofá em que estava sentado ao lado das irmãs e se aproximar cauteloso de mim.
Kayla continuava a me encarar com seriedade. Parecia me estudar e analisar se eu apresentava algum perigo a ela e seus irmãos. O menino finalmente me alcança e assim que tem o pacote de biscoito em mãos, corre de volta para perto da irmã.
— Como se fala, Alex? – Pergunta Kayla, encarando o garoto rigidamente.
— Obrigado, moça. – A criança agradece, abrindo euforicamente o pacote de biscoito. Ele começa a comer e solta um suspiro aliviado ao saborear aquele simples alimento, mas que ele parecia tratar como o melhor de sua vida. Vejo um pequeno sorriso se formar nos lábios de Kayla, encarando o garotinho ao seu lado.
— De nada. – Respondo, dando um discreto sorriso.
— Você quer, Kayla? – Pergunta Alex, encarando a irmã com preocupação.
— Pode comer, Alex. – Garante Kayla, ajeitando a bebê em seu colo. – Mas ofereça a moça que te deu com educação.
— Você aceita, moça? – Questiona Alex, seguindo os comandos da irmã.
— Não. Eu estou bem. Obrigada. – Afirmo e ele assente, voltando a comer. Meus olhos se encontram com os de Kayla mais uma vez. – Eles são os seus irmãos?
— Sim. – Responde, desconfiada. Ela traz a bebê para mais perto e passa o outro braço pelos ombros de Alex, ficando na defensiva.
O clima se torna pesado. Estávamos no hospital à espera de alguma notícia de Steve. Depois de termos sido examinados e confirmado que nós não havíamos nos machucados, as crianças e eu fomos levados para uma sala de espera especial do hospital para esperar pelo interrogatório da polícia.
Eu não fazia ideia do que estava acontecendo. Depois de Steve ter recebido aquele golpe na cabeça e aquele homem estranho de sotaque alemão ter fugido, tudo se tornou uma verdadeira confusão. Tony Stark apareceu, dizendo que precisávamos ir para o hospital. As crianças tentaram fugir, mas foram detidas pelos policiais. Nenhuma de minhas perguntas foram respondidas. Tony dizia que tudo seria explicado mais para frente, enquanto conversava com alguém pelo telefone.
Agora eu me encontrava nessa sala de espera, tentando entender qual capítulo da vida de Steve que eu perdi em que ele se tornou um agente da CIA que sai armado e atirando nas pessoas sem qualquer hesitação. Levo minhas mãos ao rosto, frustrada pela minha falta de respostas.
A porta da sala é aberta. Uma mulher alta, magra, de longos cabelos negros ondulados perfeitos que iam até a cintura surge. Não demoro a reconhecer a mulher como a supermodelo e uma das ficantes de Steve. Ela não estava sozinha. Ao seu lado, reconheço a mulher ruiva de cabelos curtos e olhos verdes intensos. Natasha Romanoff é ex-namorada de Clint Barton e uma das melhores agentes da CIA. Tony Stark também entra na sala com uma caixa e um suporte com três copos e uma mamadeira em mãos.
— Oi Peggy. – Hillary me cumprimenta com um sorriso gentil.
— O que você está fazendo aqui, Hillary? Alguém pode me explicar que merda está acontecendo? – Questiono, levantando-me do sofá.
— Sente-se, Peggy, que nós explicaremos tudo. – Pede Natasha, fechando a porta da sala.
— Enquanto isso, por que vocês não comem um pouco? Eu trouxe café para você, chocolate quente para as crianças e uma mamadeira para a bebê. Além disso, temos deliciosos donuts para saciar a fome que vocês devem estar sentindo. – Tony coloca a caixa de donuts sobre uma mesa que havia na sala. Ele então me entrega o copo de café.
— Alex, não. – Kayla impede o irmão de pegar o copo de chocolate que Tony estendia, encarando-o desconfiada.
— Mas Kayla, eu estou com fome. – Insiste Alex, encarando a irmã com tristeza. – Quero tomar chocolate quente.
— Eu disse não, Alex. – Kayla direciona um olhar severo para Alex, que se encolhe contra ela.
— Deixe-o comer. Está tudo bem. – Fala Tony, sorrindo gentil para Kayla.
— Quem me garante que você não colocou uma droga dentro? – Questiona a garota, mostrando que ainda não confiava nele. – Vocês são policiais. Quem não me garante que não colocaram alguma coisa suspeita na bebida e agora esperam que a gente beba para depois me separar dos meus irmãos? Não seria a primeira vez que vocês tentariam algo parecido.
Natasha suspira e pega o copo que Tony segurava. Ela toma um gole e depois o estende para Kayla, encarando-a com seriedade. As duas permanecem naquela troca intensa de olhares até que Kayla dá o braço a torcer e permite que Alex beba o chocolate. Natasha sorri e se abaixa para ficar na altura das crianças.
— Oi Kayla. Eu me chamo Natasha Romanoff e sou uma agente da CIA. Entendo que esteja desconfiada. Na verdade, gosto do seu cuidado. Mas você e seus irmãos estão seguros com a gente. Não somos do conselho tutelar e muito planejamos separar vocês. Mas vocês acabaram envolvidos em algo muito perigoso e precisamos saber o que aconteceu para ajudar vocês. Poderia me dar um voto de confiança? – Pergunta Natasha, estendendo sua mão para a garota.
— O que vocês vão fazer com a gente? – Questiona Kayla, encarando a mão de Natasha com seriedade.
— Primeiro eu preciso saber com o que estamos lidando. Somente assim posso saber o que fazer para garantir que você e seus irmãos fiquem à salvos. O homem que os atacou é um assassino perigoso e muito cruel de uma das organizações criminosas mais perigosas do mundo. Eu não tenho dúvidas de que ele voltará e fará de tudo para executar a missão dele. – Responde Natasha com sinceridade.
— Nós entendemos que esteja com medo, Kayla. O que você e seus irmãos passaram é assustador, mas nós queremos ajudar vocês. Por favor, confie em nós. – Insiste Hillary, aproximando-se de Natasha.
— Tudo bem. – Concorda Kayla, suspirando. – O que querem saber?
— Tudo. Nos conte desde o início. Queremos saber o porquê de você e seus irmãos estarem sendo perseguidos e como chegaram até Peggy e Steve. – Pede Natasha, sentando-se no sofá adjacente ao que eu estava sentada antes. Hillary também se senta ao lado dela.
— Tudo começou há dois meses atrás. Meus irmãos e eu estávamos dormindo em um dos becos da Jordan Road. Joe havia saído para conseguir comida para nós, então estávamos sozinhos. Até que ouvimos o barulho de um carro estacionar perto de nós. Deixei Liz e Alex dormindo fui conferir o que estava acontecendo. A Jordan Road é uma rua muito deserta e perigosa. As pessoas não estacionam seus carros por lá. Ainda mais próximos aos becos escuros da região da Isle of Lost. Então fui conferir se estávamos seguros. – Conta Kayla, encarando a bebê em seu colo. – E nesse momento, eu vi dois homens saindo do carro. Um deles estava com uma máscara estranha preta com detalhes pratas, que lembrava uma espécie de caveira. O outro homem eu descobri dias depois ser o senador desaparecido, Clancy Brown. Ele ficava chamando o homem pelo nome de Taskmaster, implorando pelo perdão de dele.
— Você disse Taskmaster? – Questiona Natasha com os olhos arregalados e a boca levemente aberta. Parecia extremamente preocupada com a informação. Kayla assente.
— Sim. Aparentemente, o senador foi responsável por Taskmaster ter sido preso, então ele buscava vingança. – Kayla se remexe desconfortável no sofá. Ela demonstrava estar bastante abalada ao lembrar do acontecimento. – Ele... bem, durante uma hora, o tal Taskmaster espancou o senador, que estava amarrado nos pés e nas mãos. Depois disso, ele o fez coisas horríveis como esfaquear o senador, cortar dedo por dedo do senador e por fim o queimou vivo. Foi uma cena horrível e eu não podia sair do lugar, porque temia ser vista. Mas os gritos do senador acabaram acordando Liz e Alex. Isso chamou a atenção do Taskmaster, que deixou o senador pegando fogo e veio atrás de nós.
“Ele me viu e provavelmente teria me matado se Joe não tivesse aparecido. Ele jogou uma pedra em Taskmaster e me mandou fugir com meus irmãos, mas eu estava paralisada demais para fugir. A pedra que o atingiu quebrou a máscara do assassino, que tinha ido ao chão. Joe correu e me puxou para corrermos. Eu vi o Taskmaster tirar a máscara e me encarar nos olhos. Foi muito assustador. E então... ele correu em uma velocidade absurda. Ele... ele parecia ter superpoderes. Foi então que Taskmaster conseguiu nos alcançar. Joe... ele...” – Kayla para de falar e posso ver algumas lágrimas se formarem em seus olhos. Ela respira fundo, tentando controlar as emoções. Provavelmente não se permitiria chorar. Alex a abraça, como se entendesse a dor da irmã. Ela suspira e engole em seco. Por alguns instantes, sua mente parecia perdida em pensamentos. Kayla então ergue a cabeça e volta a encarar Natasha com mais determinação. – Ele se sacrificou para que pudéssemos fugir. Ele morreu lutando contra o Taskmaster para ganhar tempo para nós. Joe implorou que eu cuidasse dos meus irmãos e não parasse de fugir. Nós conseguimos fugir pela cidade e nos manter escondidos até... até hoje, quando aquele cara apareceu, dizendo que pagaríamos caro por termos visto o rosto de seu líder. Eu corri com meus irmãos o máximo que eu consegui sem rumo pela cidade até esbarrar com essa moça e o homem que nos salvou.
— Você... disse que o assassino que te perseguiu hoje falou que você pagaria por ter visto o rosto do líder dele? – Repete Tony, incrédulo. Kayla assente com cautela. – Isso é... impossível. Ela... ela viu o rosto do líder da HYDRA.
— Se esse for o caso, faz sentido eles terem colocado Johann Schmidt para ir atrás deles. Kayla pode ser a testemunha que precisávamos para chegar ao topo da HYDRA. – Responde Hillary, fazendo Natasha e Tony a encararem surpresos.
— Vocês estão falando sério? HYDRA? – Pergunto, surpresa.
A HYDRA foi uma organização de inteligência nazista criada durante a Segunda Guerra Mundial, que sobreviveu até os dias de hoje. A força deles foi tão poderosa que o FBI criou uma divisão própria só para investigar as ações dessa organização chamada Legends. Quando eu trabalhava para o FBI, tudo o que os superiores da agência de segurança do país pensavam era em destruí-la.
Tony se senta no sofá no qual eu estava e eu o encaro exigindo respostas silenciosamente. Ele suspira e faz sinal para que eu me sentasse. Frustrada, volto a me sentar no sofá e passo a mover minhas pernas de maneira impaciente.
— Será que dá para vocês me explicarem o que está acontecendo? Desde quando Steve é um agente da CIA? E o que você está fazendo aqui, Hillary? – Questiono, exigindo respostas. – Quem é você, afinal de contas? Por acaso você é mesmo uma supermodelo?
Natasha se levanta e encara Hillary. As duas mulheres assentem, como se concordassem com alguma coisa. Tony também se levanta e pega a caixa de donuts, dirigindo-se as crianças. Ele também aproveita para dar o copo de chocolate quente a Kayla.
— Já faz algum tempo desde que nos vimos pela última vez, Peggy. – Comenta Natasha, cruzando os braços.
— O que está acontecendo aqui, Natasha? – Pergunto, começando a perder a paciência pelos rodeios de todos para responder as minhas perguntas.
— Bom, Peggy, eu sou uma supermodelo, mas eu também sou uma agente da CIA, assim como Steve. – Começa Hillary, sentando-se no apoio de braço do sofá ao lado de Kayla. Ela me encara com um fraco sorriso. – Ao contrário de agentes como Natasha, nós somos agentes especiais em disfarce. Atuamos como iscas para atrair informações e transmitir para os agentes que realmente trabalham nas missões mais importantes.
— Você está brincando comigo? – Questiono, incrédula. – Desde quando? Por que ele nunca me contou isso?
— Desde que ele tinha quinze anos. – Revela Tony e dessa vez eu acabo gargalhando de tão absurda que era essa informação.
— Não seja ridículo. Quinze anos e agente da CIA? Por acaso acha que eu sou idiota, Tony? – Respondo, ainda rindo, mas ninguém me acompanhava. – O quê? Vocês vão continuar insistindo nessa loucura?
— Steve faz parte da unidade de comando especial da CIA, também conhecida como S.H.I.E.L.D. – Continua Tony, ajeitando-se melhor no sofá. Ele parecia desconfortável em ter que contar o que estava acontecendo.
— S.H.I.E.L.D? O que isso significa? – Pergunto, confusa. Nunca havia ouvido falar em nada sobre isso.
— É o acrônimo para Superintendência Humana de Intervenção, Espionagem, Logística e Dissuasão. – Explica Hillary e eu a encaro ainda sem entender o que isso deveria significar. – Basicamente, é uma unidade especial da CIA que foi criada com o objetivo de criar superagentes capazes de deter a HYDRA. E é por isso que ao invés de seguir o padrão de recrutar pessoas acima de dezoito anos, a CIA selecionou crianças e adolescentes que pudessem ser treinadas para crescerem e se tornarem os agentes mais capacitados para conseguir bater de frente com a maior e mais perigosa organização criminosa do mundo.
— Vocês... estão falando sério? – Pergunto, encarando Natasha, que assente, concordando. – Mas... como? Ele... ele nunca me falou nada sobre isso.
— Nós queríamos que ele tivesse contado a você antes. Mas ele queria te proteger, Peggy. – Conta Tony e eu o encaro confusa. – Steve perdeu os pais muito jovem, que também eram agentes especiais da CIA. Ele temia acabar te envolvendo sem querer em seu mundo caótico, então preferiu manter segredo. Ele dizia que você se preocupava demais e poderia acabar querendo interferir se soubesse das missões perigosas que ele se envolvia. Ao mesmo tempo, ele era incapaz de se afastar de você. É por isso que ele resolveu que seria melhor ter uma vida dupla. Então, enquanto você pensava que ele estava em festas exuberantes, dormindo com várias mulheres, na verdade ele estava perdido por aí salvando o mundo.
— O quê? – Balbucio, sem saber como reagir a essas informações. – Mas... o Steve não sabe mentir. Ele... ele... eu sempre sabia quando ele estava mentindo. Como...?
— O avô e os pais de Steve eram agentes da CIA, que assim como ele, trabalhavam disfarçados em missões de levantamento de informações. Por não ter mais parentes vivos, eu fui enviado pela CIA para me tornar seu guardião e protegê-lo de pessoas que pudessem querer o machucar. Quando ele tinha quinze anos, Steve descobriu que o antigo chefe de seus pais estava montando uma unidade especial para lidar com a HYDRA, a mesma organização responsável pela morte de seus pais. Ele resolveu entrar para a equipe. E foi assim que ele passou a ser treinado e incorporou a S.H.I.E.L.D. – Conta Tony, dando um fraco sorriso. Nesse instante, a bebê no colo de Kayla começa a chorar, provavelmente com fome.
— Eu sei que isso é muita informação para sua cabeça e que deve estar se sentindo perdida por descobrir esse novo lado de Steve, mas saiba que ele sempre foi ele mesmo quando estava com você. – Afirma Natasha, entregando a mamadeira da bebê para Kayla. A garota agradece e passa a amamentar a irmã, encarando-nos com curiosidade. – Você tem todo o direito de estar chateada, mas Steve fez tudo o que fez porque se preocupava com você. Ele não queria te envolver e temia te perder.
— E em que momento ele planejava me contar isso? – Pergunto, sentindo-me triste por ele não ter confiado em mim. Quer dizer, eu contei para ele quando eu entrei para o FBI, contei do trauma que sofri na agência. Eu confiei em Steve para contar os meus maiores segredos. Por que ele não confiou em mim também?
— Provavelmente nunca. – Revela Tony com seriedade. Dou uma risada anasalada, magoada com a informação. Levo minhas mãos ao rosto e fecho os olhos com força, respirando fundo para controlar as fortes emoções que me dominavam naquele momento. – Mas se serve de consolo, ele nem mesmo se lembra do nome dele agora, quem dirá que ele é um agente especial da CIA.
— O que você quer dizer com isso? – Pergunto, encarando Tony, que parece hesitar em dizer o que tinha acontecido.
— A pancada que Steve recebeu na cabeça foi séria. – Revela Natasha e eu a encaro desesperada. – Ele não corre risco de vida, mas depois de passar por alguns exames, o médico nos disse que ele sofreu uma perda significativa de suas memórias.
— O quê? – Sussurro, surpresa. – Ele não se lembra de nada?
— Não. Steve não reconheceu nenhum de nós. Nem mesmo reagiu quando viu uma foto da família dele. – Responde Tony, suspirando.
— O médico disse que pode ser temporária. O choque que ele recebeu na cabeça foi forte e demora algum tempo até que tudo volte ao normal. Até lá, ele precisa descansar e estimular a mente dele a recordar de tudo o que aconteceu. – Explica Hillary, tentando soar positiva. – E talvez você pode ser a pessoa certa para o ajudar.
— E como eu faria isso? – Pergunto, preocupada com o estado de saúde de Steve. – Como eu poderia ajudar o Steve?
— Peggy! Você é a pessoa que mais o conhece. Viveu ao lado dele a vida toda. É a pessoa mais capacitada para o ajudar a se recordar das lembranças dele. – Afirma a modelo, sorrindo esperançosa. – Além disso, ele agora se tornou uma pessoa completamente vulnerável. Por ser uma ex-agente do FBI, você tem muitas habilidades de luta e uma mira invejável. Nós temos um assassino da HYDRA à solta que com certeza planeja voltar para se vingar de vocês por terem o atrapalhado de terminar o serviço dele de eliminar as testemunhas que viram a verdadeira face do líder da HYDRA. Com Steve nesse estado, não podemos confiar que ele será capaz de se defender.
— Eu não sei. A cada nova informação dada por vocês, mais eu me questiono se eu realmente conheço o Steve. – Confesso, frustrada. – Não sei se serei capaz de ajuda-lo a se recuperar. E ainda tem essa de ter um assassino da HYDRA a nossa procura.
— Bom, de qualquer forma vocês terão que participar do programa de proteção à testemunha do governo. Essa pode ser uma boa chance de você o ajudar a se lembrar de quem ele é. – Responde Tony, pegando um donuts para comer.
— O quê? Programa de proteção à testemunha? – Questiono, surpresa e assustada. Levanto-me e encaro Natasha à espera de explicações.
— Sim. Vocês estão correndo um grande perigo, assim como Kayla, Alex e Liz, e o programa de proteção à testemunha é a única forma de garantirmos que vocês continuem vivos enquanto procuramos por Johann Schmidt. Em três dias vocês quatro e Steve irão para Beaufort, onde assumirão novas identidades e se tornaram uma família. – Responde Natasha, surpreendendo não só a mim como Kayla também.
— O quê? Nós também? – Questiona Kayla, assustada.
— Com certeza! – Responde Hillary, sorrindo gentil. Ela se aproxima de mim e me abraça de lateral. – Kayla, Alex e Liz, conheçam a sua nova mamãe, Peggy Carter. Peggy, diga oi aos seus filhos. Então animem-se! Vocês estão prestes a construir uma linda família.
As únicas certezas de que sempre tive em minha vida era que poderia confiar sempre em meus instintos e que eu era a única pessoa que sabia todos os segredos de Steve Rogers, afinal somos amigos desde o jardim de infância e eu estive ao lado dele em todos os momentos importantes de sua vida. Agora, descubro que ele na verdade pode não ser a pessoa que eu imaginei que fosse e estou envolvida em algo que vai mudar por completo a minha vida. E sendo sincera, eu não sei se estou preparada para isso.
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