Memórias de Novembro

19 Lembranças parte II


Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Ontem eu não estava nada bem e acabei postando um capítulo minúsculo e incompleto, porque não conseguia escrever. Mas hoje eu irei postar a continuação de ontem e o capítulo oficial do dia mais tarde. Espero de verdade que gostem. Boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO XI – MEMÓRIAS DE NOVEMBRO

CAPÍTULO XVIII — LEMBRANÇAS parte II

Abro a caixa de memórias em meu colo e retiro um dos muitos álbuns de fotos que haviam na caixa. Suspiro ao ver as fitas VHS onde tinham inúmeros filmes que os pais de Steve haviam gravado de nós quando éramos crianças. Eles amavam registrar momentos do filho e não foram poucas as vezes que eu também acabei sendo alvo de suas filmagens.

Sinto um aperto em meu peito ao pensar no casal que me tratavam melhor do que meus próprios pais. Sarah e Joseph Rogers seriam sempre a minha referência de pais ideais. Eles eram amorosos, cuidadosos e presentes na vida do filho. Infelizmente, eles se foram precocemente e não puderam acompanhar momentos importantes para Steve, mas eu tenho certeza de que eles estariam orgulhosos do filho se estivessem vivos.

— O que foi, mãe? – Pergunta Kayla, observando-me com preocupação ao notar a minha melancolia, enquanto eu encarava as fitas VHS.

— Apenas me lembrando daqueles que um dia foram como meus pais. Eu adoraria que vocês pudessem assistir aos vídeos que estão nessas fitas VHS, mas acho que já não existe mais videocassete para reproduzir. Vou ter que procurar alguma loja especializada para converter. – Comento, dando um sorriso triste.

— Videocassete? Fitas VHS? – Questiona Kayla, confusa.

— Antigamente, as pessoas gravavam vídeos nessas fitas magnéticas conhecidas como Video Home System ou VHS, Hailey. Ele foi muito popular até a década de 1990, mas foi completamente substituído pelo o disco óptico como o DVD e o disco Blu-ray. – Explica Peter e eu me surpreendo por ele saber tanto sobre o assunto. – Se eu não me engano, enquanto nós procurávamos por algum jogo no porão da casa, nós encontramos um videocassete, sra. O’Brien. Eu não tenho certeza, porque ontem estava muito escuro, mas podemos conferir. Talvez dê para assistir. E se a senhora quiser, eu posso converter os vídeos das fitas VHS para DVD.

— Ah, Peter, você é um amor mesmo. – Comento, encantada com o garoto. Steve apenas bufa, mas não diz nada. – Poderia ir com a Hailey buscar o videocassete no porão? Eu realmente acho que será divertido mostrar os vídeos que os pais de Steve gravaram.

— Mamãe! Não pode! O nome do papai é Connor! Connor O’Brien. – Alex me repreende e somente nesse momento eu noto que realmente havia dito o nome verdadeiro de Steve.

— Oh, sinto muito, querido. – Lamento, surpresa pelo cuidado de Alex em manter a nossa identidade. – Você tem razão. O nome do papai é Connor.

— Isso. – Ele concorda, animado.

— Bom, Hailey e eu vamos procurar pelo aparelho de videocassete no porão. A gente já volta. – Responde Peter, aproximando-se de mim com Liz no colo. Coloco a caixa no tapete felpudo da sala e pego Liz do colo do rapaz.

— Não comece a contar as histórias sem a gente. Nós já voltamos. – Afirma Kayla, sorrindo animada.

— Eu vou com vocês...

— Não vai a lugar algum. Duas pessoas é o suficiente para procurar um videocassete que com certeza deve ser grande. Além disso, se eles já viram o aparelho ontem, não há necessidade de você ir para atrapalhar. – Repreendo Steve, impedindo que ele seguisse Kayla e Peter, que nos encaravam com dúvida. – Podem ir.

Os adolescentes assentem e vão para o porão da casa, enquanto Steve fica com aquele bico infantil nos lábios. Era adorável a forma como ele parecia uma criança. Ele provavelmente já havia notado que era apenas questão de tempo até que Kayla e Peter começassem a namorar, então provavelmente está tentando evitar ao máximo que eles fiquem sozinhos por muito tempo. Mas até mesmo Steve deveria saber que todo o seu esforço é em vão. No fim, isso só incentiva ainda mais os dois a se unirem para lutar por seus sentimentos e pela aprovação dele.

Enquanto esperávamos por Kayla e Peter, Alex contava para Steve sobre o jogo que ele estava querendo que todos da sua turma tinham e eu brincava com Liz, que continuava incomodada com os dentinhos que estavam nascendo. Eu esperava logo que seu sofrimento chegasse ao fim, mas com seus quatro dentinhos na boca, eu sabia que esse tormento dos dentes demorariam um certo tempo para acabar.

— Voltamos. – Anuncia Kayla, entrando na sala acompanhada de Peter, que carregava o videocassete.

— Eu vou ligar o videocassete. – Avisa Peter, aproximando-se da televisão. – Vamos torcer para que ele esteja funcionando.

— Obrigada, Peter. Você é um anjo. – Agradeço, animada com a ideia de ver os vídeos caseiros de tia Sarah e tio Joseph.

— Mamãe! Mamãe! Mamãe! – Chama Alex, mexendo em meu braço.

— O que foi, querido? – Pergunto, observando Peter e Kayla tentando entender onde cada fio do videocassete iria na televisão.

— Mamãe! Olha para mim, mamãe! – Insiste Alex, puxando meu rosto para que eu lhe desse atenção.

— Pode falar, filho. – Respondo, finalmente encarando a criança.

— Eu quero mais bolo. – Pede, encarando-me com seus olhos azuis pidões.

— Nada disso. Se você comer mais bolo, não vai almoçar. – Nego e Alex resmunga, chateado.

— Eu vou comer, mamãe. Eu quero mais bolo de chocolate...

— Filho, sua mãe disse que você não pode comer. Daqui a pouco o papai vai fazer o almoço, então espere mais um pouquinho, por favor. – Fala Steve, mas a expressão inconformada de Alex deixa claro que ele não estava feliz com a decisão.

Os olhos com o brilho triste, o bico nos lábios e os braços cruzados do menino parecem amolecer Steve, que parece pronto a ceder ao pedido de Alex. Encaro-o com seriedade, em um pedido mudo para que se mantivesse firme. Ele suspira e acaricia a cabeça do filho. E isso só me fazia ter certeza de que se eu tirasse os olhos de Steve, ele acabaria fazendo todas as vontades dos filhos.

— Sabe, você é igualzinho ao seu pai. – Comento, chamando a atenção de Steve que me encara com curiosidade. – Tio Joseph era o tipo de pai que dava tudo o que você queria. Coração mole, não suportava te ver triste ou cabisbaixo, por isso ele estava sempre cedendo as suas chantagens emocionais. Tia Sarah era mais firme e constantemente estava repreendendo o tio Joseph por te mimar demais. Os argumentos do seu pai para defender as coisas que ele te dava sem a aprovação de tia Sarah sempre nos rendiam boas risadas.

— Então a senhora era como a vovó, mãe. – Comenta Kayla com os olhos brilhando. Paro para pensar no assunto e rio, concordando.

— Eu espero que sim. Ela era uma excelente mãe e uma mulher incrível. Estava sempre de bom humor e parecia ter a resposta para todos os problemas que apareciam. Tia Sarah amava ler e contava histórias extraordinárias. Ela também era uma cozinheira de mão cheia. Acho que foi com ela que o pai de vocês aprendeu a cozinhar. – Conto sorrindo e meu sorriso se amplia ainda mais ao lembrar que deveria ter uma foto que tio Joseph tirou de nós no dia em que nós tentamos fazer biscoitos. – Hailey, segura sua irmã um pouquinho. Eu acho que tem uma foto que vocês irão amar ver.

— Claro. – Kayla pega Liz no colo e me observa com animação. – Que foto é essa mãe?

— Vocês vão ver. – Digo, animada. Passo a procurar por entre as fotos de um dos inúmeros álbuns de fotos que havia pego na casa de Steve. Os pais dele amavam tirar fotos e fizeram questão de revelar todas. E assim que encontro a foto, acabo rindo e viro o álbum para que todos conseguissem ver a foto que eu queria, inclusive Steve, que ri e me encara incrédulo.

— Poderia me explicar o motivo de meu rosto estar todo sujo de farinha de trigo, enquanto você está rindo e segurando o saco de farinha de trigo? – Pergunta Steve, lançando aquele olhar de desconfiança com um brilho de diversão em seus olhos.

— Um dia, você e eu decidimos que iriamos fazer biscoitos para levar a escola no dia seguinte. Seria aniversário de Felicity, um de nossas melhores amigas que conhecemos no primário, e ela era apaixonada por biscoitos. Tia Sarah concordou em nos ajudar, mas vocês sabem como são os meus dotes culinários. Eu era ainda pior quando criança e ainda mais desastrada. – Comento, rindo ao me lembrar de como eu vivia me batendo e quebrando as coisas até a adolescência. – Esse acidente aconteceu quando fui buscar a vasilha de farinha de trigo que tia Sarah tinha separado. Desastrada como eu era, acabei tropeçando no meu próprio pé e acabei deixando cair em você quando você foi me segurar para eu não caísse e me machucasse. Tio Joseph aproveitou a nossa distração e tirou essa foto.

— Então essa era a minha mãe. – Comenta Steve com um sorriso melancólico ao ver a foto seguinte onde aparece tia Sarah. Assinto, compartilhando daquele sentimento de admiração pela beleza da loira na foto e de dor por sua morte precoce. – Ela era linda.

— Sim. Ela era. – Afirmo, colocado a mão sobre o ombro de Steve. Ele me encara e eu dou sorriso, tentando transmitir um pouco de consolo. Viro a página e mostro uma foto onde o pai dele aparece. – E esse era o seu pai. Você tem os olhos, a boca e o nariz dele, além da personalidade. Vocês tinham gostos bem parecidos e adoravam fazer esportes juntos, assim como você e o Alex. Apesar disso, você era tão tímido quanto a tia Sarah e adorava literatura assim como ela. Tia Sarah vivia dizendo que você era a mistura perfeita dos dois.

— Por que eu não me lembro? – Murmura Steve para si mesmo, encarando a foto de sua família.

Suas palavras e a dor presente em sua voz fazem meu coração se apertar. Mesmo que a gente raramente conversasse sobre seus pais, antes de perder a memória, as lembranças de seus pais eram os bens mais preciosos de Steve. Então ver que ele está sofrendo tanto por não se lembrar me destruía. Eu não tinha muito o que fazer. Tudo dependia da recuperação de seu cérebro, ainda assim, era doloroso não ter o poder de o ajudar.

— Papai, você está triste? – Pergunta Alex, encarando Steve com preocupação. Ele abraça o homem com carinho e no mesmo instante o homem acaba abrindo um grande sorriso. – Não fica triste, papai.

— Eu não estou triste, filho. Não depois de receber esse abraço incrível. – Afirma Steve, correspondendo ao abraço do garoto com carinho.

— Terminei! – Avisa Peter, chamando a nossa atenção. – Agora, vamos tentar ligar e torcer para que não pegue fogo.

— Vira essa boca para lá, Peter. – Resmunga Kayla e o rapaz acaba rindo, coçando a nuca. Ela respira fundo e se aproxima do aparelho que estava instalado abaixo da televisão. – Bom, vamos ver se deu certo. Eu só preciso apertar esse botão, certo?

— Sim. Eu vou ligar a televisão. – Concorda Peter, pegando o controle que estava no sofá. Ele liga a televisão e seleciona a opção de usar o canal do videocassete. – Pode ligar o aparelho, Hailey.

— Tudo bem. – Responde a garota, apertando o botão. No mesmo instante, o aparelho liga e nós sorrimos ao ver que ele estava funcionando. – Isso! Deu certo!

— Qual fita VHS deseja ver primeiro, sra. O’Brien? – Pergunta Peter, retirando as pilhas do controle da televisão para colocar no controle do videocassete. Ao ver meu olhar nada feliz com a situação, ele sorri sem graça. – Medida provisória. Estou ansioso para ver os vídeos e não sei onde tem pilhas novas. A menos que a senhora saiba.

— Não sei. – Respondo, suspirando. Olho na caixa de lembranças e pego a primeira fita VHS que vejo. – Pode ser essa. – Estendo a fita para Peter, que a pega e coloca no videocassete.

— Qual é a filmagem dessa fita? – Pergunta Steve com curiosidade.

— Eu peguei a primeira que eu vi. – Confesso, rindo. Steve sorri e parece animado com a ideia de ver imagens de seu passado. Ele ajeita Alex em seu colo e respira fundo. – Pode colocar, Peter.

— Certo. – Peter coloca a fita VHS e se senta no tapete junto com Kayla. Ele aperta algumas funções no controle e não demora para que aparecesse a imagem de Steve ainda criança com um bolo de aniversário a sua frente e o número dois na frente dela.

— Vai, meu amor. Apague as velas. Apaga, querido. – A voz de tia Sarah é a primeira a aparece. Sorrio, sentindo meu peito se apertar de saudade da mulher. Olho para o lado e Steve parecia hipnotizado com sua versão de dois anos de idade.

Vai, Steve. – Pede tio Joseph, aproximando a câmera para perto de Steve. – Pense em um pedido e assopre a vela.

— Isso, meu amor! – Comemora tia Sarah, assim que Steve assopra a vela.

Agora olha para o papai e dá um sorriso, filhão. Abre um sorriso para o papai. – Orienta tio Joseph, mas Steve parecia muito mais interessado em comer o bolo do que olhar para o pai.

— Parece que isso não vai acontecer. – Comenta Kayla, fazendo todos rirem.

Sorriso para o papai, filho. Sorri. Vamos! Olha para o papai e sorri. – Insiste tio Joseph, mas ele é completamente ignorado por Steve novamente. – Sorri, Steve. Sorri! Sorria, filhão?

— Como pode não sorri comendo bolo? – Questiona Peter, que recebe um olhar nada satisfeito de Steve. O garoto se encolhe, parecendo se arrepender de ter provocado o futuro sogro.

— Por que você não sorriu, papai? – Pergunta Alex e eu acabo rindo.

— Tia Sarah dizia que seu pai não era muito de sorrir quando criança e eu realmente me lembro que quando eu o conheci, você quase nunca sorria. Mas depois de um tempo você começou a se abrir e a ser bem mais sorridente. – Comento e ele me encara com um sorriso divertido.

— Talvez eu apenas precisasse de um bom motivo e você apareceu para deixar a minha vida muito mais feliz. É impossível não sorri com você. – Afirma Steve e eu acabo rindo de vergonha, enquanto minhas bochechas assumem uma coloração envermelhada. – E você acaba de ficar ainda mais linda que o normal. Como isso é possível?

— Cala a boca. – Resmungo e ele ri, dando um beijo doce em meus lábios.

— Que fofos!

— Eca! Que nojo!

Kayla e Alex exclamam ao mesmo tempo, fazendo com que Steve e eu acabássemos rindo de suas diferenças. Liz também ri, ainda que provavelmente não entendesse nada do que estava acontecendo.

— Sorria, sorria, meu pequeno capitão. – Tia Sarah pede com a voz mais afinada, atraindo a atenção de Steve, que no mesmo instante deixa o bolo de lado e começa a rir.

A câmera então é virada para a mulher loira e é possível vê-la fazendo caretas e sons engraçados. Steve, Kayla, Peter, Alex e até mesmo Liz começam a rir, divertindo-se com postura divertida de tia Sarah. E eu apenas sentia aquela imensa vontade de chorar, sentindo falta daquela que fazia eu me sentir especial.

A cena então muda. De repente vemos um cachorro de cor caramelo e barriga, patas e pescoço brancas, brincando com o Steve que parecia ter uns três anos. Ele corria atrás do cachorro que latia alto e balançava o rabo de maneira eufórica. Sorrio ao me lembrar de Dodger. Ele e Steve eram inseparáveis, até que o cachorrinho acabou morrendo de velhice uns quinze anos atrás, já que ele foi adotado ainda adulto.

— Que cachorro legal. Qual é o nome dele, papai? – Pergunta Alex animado, enquanto assistia Steve brincar com o cachorro que era maior do que ele.

— Eu... não sei, filho. – Admite Steve, dando um fraco sorriso.

— Esse é o Dodger. Ele foi seu melhor amigo por muitos anos. – Respondo, sorrindo com carinho ao lembrar do animal que eu também acabei me apegando. – Você e seus pais o resgataram em um abrigo para animais.

Esse é o nosso mais novo membro da família. O nome dele é Dodger. Nós acabamos de trazê-lo para casa. Quando entramos no abrigo de animais e o vimos ele se esforçando para ficar sentado mesmo que ele quisesse desesperadamente sair, eu soube imediatamente que ele viria para casa comigo. Acho que ele será um bom amigo para Steve. — Comenta tio Joseph atrás da câmera, enquanto se aproxima do cachorro e da criança.

Ele parece tão feliz. – Comenta tia Sarah, parecendo orgulhosa. Tio Joseph filma a mulher e ela exibia uma expressão emocionada, enquanto apertava as mãos com firmeza. – Espero que eles sejam bons amigos.

— Eles com certeza serão. – Afirma tio Joseph e posso ver tia Sarah abrir um grande sorriso. – Nós temos um filho incrível.

— Nós temos, não é? – Tia Sarah parecia ainda mais orgulhosa para o filho e o novo animal de estimação da família.

A imagem para de exibir e a fita parece ter acabado. Peter aperta um botão no controle do videocassete, fazendo com que a fita VHS fosse ejetada. O silêncio se faz entre nós. Era como se estivéssemos comovidos demais com as cenas em família para conseguir dizer alguma coisa. Peter pega a fita e me entrega. Seleciono uma nova fita e dou ao garoto que a coloca no aparelho de reprodução.

A imagem que aparece agora é a de uma árvore de Natal. Reconheço-me ao lado de Steve, colocando enfeites natalinos com o rapaz. Tio Joseph estava ao nosso lado, cuidando da decoração das partes que nós não conseguíamos alcançar.

— Mamãe! – Grita Liz e eu me surpreendo pela garotinha me reconhecer.

— Você está certa, Emma. Essa é a mamãe. – Comenta Kayla, parecendo tão impressionada quanto eu com a inteligência.

— Papai! – Liz grita novamente quando a filmagem foca em Steve.

— Isso mesmo, filha. Papai! Você é tão esperta. – Elogia Steve, acariciando a cabeça de Liz com um grande sorriso orgulhoso em seus lábios.

— Nessa filmagem nós deveríamos ter quase a idade de Alex. – Comento, sorrindo nostálgica.

— Olhem para cá, crianças. – Pede tia Sarah e a gente acena, concentrado em decorar a árvore de natal.

Essa vai ser a árvore mais bonita do mundo! – Digo, prepotente. Tia Sarah e tio Joseph riem.

E na noite de Natal, o Papai-Noel vai deixar presentes debaixo dela. – Afirma Steve, sorrindo animado.

Mas só se vocês tiverem sido boas crianças. Vocês foram bonzinhos esse ano? — Pergunta tio Joseph, encarando-nos com desconfiança.

Sim! — Respondemos Steve e eu ao mesmo tempo.

Será mesmo? Que eu me lembro, uma certa pessoa sempre esquece de guardar os brinquedos quando a mamãe pede e uma outra certa pessoa vive brigando com os coleguinhas da escola. – Provoca tia Sarah, fazendo Steve e eu nos encararmos assustados.

Mas eu sempre peço desculpas e depois eu vou arrumar, mamãe. – Garante Steve, encarando a mãe com preocupação. Nesse momento, Kayla, Peter e Alex riem, parecendo achar graça o comportamento assustado de Steve quando criança.

E eu não brigo por querer, tia Sarah. Eles sempre ficam implicando com as crianças mais fracas. A senhora mesmo diz que devemos proteger os mais fracos. – O meu “eu” de sete anos responde, cruzando os braços, parecendo chateada por não ser compreendida. Rio junto com minha família. Os pais de Steve também riem, divertindo-se comigo. Eu era uma criança bem teimosa e estranha.

Muito bem, Peggy. Deve-se sempre defender os mais fracos. Apenas evite bater nas crianças. Isso não é legal. – Afirma tio Joseph e eu apenas dou de ombros. Definitivamente, eu não concordei com aquilo. Inclusive, eu continue batendo nas crianças que implicavam com os mais fracos até na adolescência. Depois passei a trabalhar no FBI e passei a bater em criminosos. Minha vida dando surra em pessoas malvadas terminou depois que eu passei a trabalhar com Steve e não podia mais usar o meu distintivo para impedir que eu fosse parar na cadeia por agressão.

Mãe, a gente não vai ganhar presentes? — Pergunta Steve, preocupado. – Não somos crianças boazinhas?

— Ah, querido, é claro que vocês são. – Afirma tia Sarah, abaixando-se para abraçar o garoto. A imagem fica toda confusa por algum momento e logo notamos que tio Joseph pegou a filmadora da esposa para registrar o momento. Tia Sarah abraça Steve apertado e depois me puxa para me abraça. Ela nos enche de beijo e acaricia nossos cabelos. – Vocês são as crianças mais adoráveis, doces e boazinhas que eu conheço. Eu tenho muito orgulho de vocês. Sempre ajudem os mais fracos, sejam responsáveis e cuidem sempre um do outro. Continuem com o coração cheio de amor e bondade. Nunca se esqueçam que eu amo vocês demais.

— Eu te amo, mãe. – Afirma Steve, abraçando a mãe com carinho.

Eu te amo, tia Sarah. – Declaro, também abraçando a mulher.

Ah, eu também quero abraços e ser amado por vocês. – Fala tio Joseph, fazendo um tom de drama.

Vão lá abraçar o pai e o tio de vocês. – Orienta tia Sarah, soltando-nos.

Steve e eu corremos até tio Joseph e o abraçamos suas pernas com força. Ele ri e nos filma, enquanto gritávamos que o amava. A câmera volta para tia Sarah e ele passa a nos jogar para o alto, alternando as brincadeiras de aviãozinho entre nós dois. Riamos alto e nos divertíamos sem nem mesmo imaginar que anos depois estaríamos assistindo a essas filmagens com lágrimas nos olhos. Era doloroso e ao mesmo tempo incrível ver tio Joseph e tia Sarah mais uma vez.

E assim, passamos o restante do dia vendo os filmes que tia Sarah e tio Joseph gravaram de nós. Eu também passei a contar as histórias que eu me lembrava das fotos nos álbuns. Kayla, Alex, Peter e até mesmo Liz ouviam tudo com atenção e fascínio. E de certa forma, enquanto compartilhava aqueles momentos que vivi ao lado de Steve, tia Sarah e tio Joseph, eu me senti mais próxima deles novamente, enquanto estreitava e fortalecia ainda mais os laços familiares com as crianças. Havia sido um dia cheio de emoção, saudade e muito amor.

Notas finais
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