Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! E aqui estou eu com mais um capítulo. Eu nem tenho palavras para agradecer a todos que estão acompanhando a história e deixando suas opiniões, em especial, quero agradecer ao comentário do capítulo passado da AndreaNeves. Espero que gostem do capítulo de hoje. Boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO XI – MEMÓRIAS DE NOVEMBRO

CAPÍTULO X – CARINHO

Sábado finalmente havia chegado, mas o dia estava longe de se sair como eu havia planejado. Começando pelo fato de que Liz estava doente, para o meu desespero e principalmente para o de Peggy, que não se aguentava de preocupação com a garotinha que estava lidando com a febre e o nariz escorrendo há dois dias. Por causa disso, a mulher não estava dormindo. Sempre angustiada com o fato de não conseguir fazer a bebê se sentir melhor, ainda que soubéssemos que não passava de uma gripe de inverno.

Felizmente, ela estava melhorando aos poucos. A febre havia abaixado consideravelmente ao amanhecer do dia e a criança finalmente conseguia dormir sem parecer sofrer ao respirar. No entanto, Peggy ainda parecia bastante aflita quando voltou para o quarto, após aferir a temperatura de Liz mais uma vez.

— O que foi? Aumentou? – Pergunto e ela nega, suspirando.

— Não. Agora ela só está um pouco quente, mas não chega a ser uma febre. Os remédios parecem finalmente estar fazendo efeito. – Responde, sentando-se ao meu lado da cama.

— Então qual é o problema? – Questiono, aproximando-me de Peggy. Passo meu braço por cima de seus ombros e ela se acomoda em meu peito, suspirando mais uma vez. – Por que parece tão preocupada?

— Eu só...

Antes que Peggy me contasse o que tanto a incomodava, a porta do quarto é aberta e um Alex eufórico entra por ela, vestido com um uniforme de um jogador de baseball. Além da blusa e da calça do New York Yankees, ele também tinha o boné, a luva, uma bola em mãos e o taco de baseball em outra. Ele sorria largamente e parecia não se caber em felicidade.

Sorrio também, feliz por ver que o presente que eu havia comprado para ele tinha ficado perfeito em seu corpo. Eu havia passado por uma loja no centro ontem e no momento em que meus olhos recaíram sobre o uniforme, não consegui evitar comprar para o garoto. Assim que ele pegou no sono, deixei a caixa com o uniforme no pé de sua cama. Imaginei que ele ficaria feliz, mas ver o sorriso genuíno de felicidade em seu rosto superou todas as minhas expectativas.

— Mamãe! Papai! Olha só! Eu sou um jogador dos Yankees! – Vibra o garoto, correndo para a cama onde Peggy e eu estávamos sentados. Ele se joga sobre Peggy e seus olhos brilham intensamente.

— Você está lindo, querido. – Afirma Peggy, sorrindo com a felicidade do garoto. – E quem foi que te deu isso?

— O papai! – Responde o garoto, subindo na cama. Afasto-me de Peggy para que ele conseguisse ficar entre nós. Alex me abraça e acho que nunca vi tanta alegria em seus olhos. – Obrigado, papai!

— De nada, filho. – Digo, correspondendo ao abraço.

— Nós já podemos ir jogar baseball, papai? – Pergunta o garoto, esperançoso, enquanto se afasta de mim para me encarar.

— Ainda é cedo, filho. Suas irmãs ainda estão dormindo. Por que não aproveita o dia de folga da escola e dorme mais um pouco? – Sugiro e ele nega freneticamente. Peggy ri do garoto.

— Não, papai. Eu não quero dormir. – Alex parecia determinado a ir jogar baseball no parque. – Podemos ir agora?

— Ainda não, Tommy. – Responde Peggy, deixando um beijo estralado na bochecha do menino, enquanto faz cócegas em sua barriga. Ele gargalha, encolhendo-se em minha direção, tentando fugir da mulher.

— Por... quê... não? – Questiona Alex aos risos, tentando empurrar as mãos de Peggy para longe de si. Ela ri e se afasta, dando trégua ao menino, que já estava vermelho de tanto rir.

— Porque ainda são cinco horas da manhã de um sábado, que é feriado, está frio e você não tomou café da manhã. – Responde Peggy, apertando as bochechas do menino. Ele parece contrariado, mas a mulher não dá o braço a torcer. – Agora vem aqui. Vamos tirar o tênis para não sujar a cama.

— Mas, mamãe...

— Nada de “mas”. – Peggy o interrompe, tirando os tênis de Alex, que suspira frustrado. – Agora deita.

— Mas eu não quero dormir. – Alex cruza os braços, fazendo bico, mas isso não é o bastante para amolecer o coração de Peggy naquele momento. Ela retira o boné do menino, a luva e coloca no chão junto com a bola de baseball e o bastão. A mulher então ajeita o travesseiro e o coloca atrás de Alex entre nós dois. – Por favor, mamãe.

— Deita, Tommy. – Pede Peggy com o tom de voz baixo e firme. Ele ainda resmunga, querendo contraria o pedido da mulher, mas ao ver o olhar sério de Peggy, ele parece desistir e se deita como ela havia pedido. Ela sorri e se ajeita ao lado do menino, abraçando-o. – Agora você também deita, papai.

— Mas...

— Anda logo, Connor. – A mulher me repreende e eu não tenho escolha além de fazer o que ela exigia. Ela fecha os olhos e suspira, ajeitando-se para dormir. – Muito bem. Agora todos vamos fechar os olhos para dormir.

— Eu não consigo dormir, mamãe. – Resmunga Tommy, tentando levantar, mas Peggy o puxa de volta para a cama.

— Quietinho, Tommy. Feche os olhos e vamos dormir. – Orienta Peggy, sem alterar o tom de voz.

Ela então passa a murmurar a canção que ela sempre canta para Liz, enquanto dá tapinhas de leve sobre o peito de Alex. Observo com fascínio o garoto ir se entregando ao sono e depois de uns dez minutos, lá estava Alex dormindo como se nunca tivesse estado elétrico, ansioso para ir jogar baseball. Acabo rindo anasalado, observando os dois. Peggy para de cantar e me encara com diversão.

— Você também não deveria estar dormindo, papai? – Questiona Peggy com ironia. Sorrio e dou de ombros, passando meu braço por Alex e a Peggy, abraçando-os.

— É incrível como você consegue fazer os três dormirem com tanta facilidade. Essa música por acaso é algum tipo de bruxaria? – Pergunto e ela ri baixo, erguendo a sobrancelha em questionamento.

— O que você está insinuando? Por acaso essa é sua forma de dizer que eu sou uma bruxa? – Peggy me encara como se me desafiasse a dizer essas palavras em voz alta. Finjo pensar sobre o assunto e ela me dá um tapa. Isso me faz rir e tenho que morder o lábio inferior para não acabar acordando Alex.

— Foi você quem disse isso. Não eu. – Defendo-me e ela me dá mais um tapa. Rio e ela bufa, ainda que o humor estivesse presente em seus olhos. – Mas é sério. O que é que essa música tem que faz as crianças dormirem como um anjo em segundos?

Peggy ri brevemente e encara o teto do quarto com um olhar nostálgico. Ela permanece com o pensamento distante por um tempo, ainda dando tapinhas de leve no peito de Alex, que se encolhe mais contra a mulher, balbuciando alguma coisa sobre baseball.

— Minha avó cantava essa música para que eu dormisse desde que eu era apenas um bebê. Eu não sei o que essa música tem, mas suas palavras parecem trazer uma calma única que nos faz ir ao mundo dos sonhos sem nem mesmo perceber. – Conta Peggy, sorrindo com doçura.

— Ela deve ser a pessoa com o encantamento, então. – Brinco e Peggy ri, assentindo.

— Ela provavelmente era. – Responde, um pouco melancólica. Encaro-a surpreso e logo a culpa me atinge ao entender o que suas palavras significavam. – Não me olhe assim. Está tudo bem. Já faz três anos.

— Eu sinto muito, Peggy. – Sussurro e ela nega, suspirando.

— Tudo bem. – Garante, sorrindo com doçura. – Eu sei que você não se lembra dela, mas minha avó era uma mulher incrível e bastante ativa. Ela foi agente do FBI por quase trinta anos. Quando se aposentou, ao invés de ir descansar e aproveitar o seu tempo livre fazendo atividades calmas, ela era o tipo de mulher que pulava de paraquedas e corria atrás de bandidos, completamente desarmada. Minha avó não tinha medo de nada. Ela era destemida e pulso firme. Não havia ninguém que conseguisse contrariar as suas vontades.

— Acho que já sei para quem você puxou. – Comento, fazendo Peggy ri divertida e assentir.

— Ela me criou sozinha, sabe? Meus pais se separaram quando eu era muito pequena e em meio a muitas brigas para ver quem conseguia fugir da responsabilidade de cuidar de uma criança, ela decidiu que seria a minha mãe, meu pai ou qualquer outra figura parental que eu precisasse. Apesar de ser muito rigorosa e me criar como se estivéssemos no exército, ela era uma mulher carinhosa e sempre sabia o que fazer para eu me sentir bem. Mesmo com todos os motivos para ser amargurada, já que foi abandonada pela própria filha e marido, ela nunca se abalou. Nada parecia amedrontar minha avó. – Peggy volta a me encarar e posso ver lágrimas formarem em seus olhos, mas ela as segura e sorri. – Espero um dia me tornar pelo menos um terço da grande mulher que ela foi. Alguém de quem ela se orgulharia.

— Eu tenho certeza de que você se tornou sim alguém de quem ela se orgulharia. – Afirmo e ela sorri, agradecida.

— Obrigada, Steve. – Responde e não demora muito para que ela deixasse escapar um bocejo.

— Por que não tentamos dormir um pouco? Você não tem feito muito isso desde que chegamos em Beaufort e piorou nos últimos dias. – Comento e ela assente, concordando.

— Boa noite, Steve. – Deseja Peggy, fechando os olhos.

— Boa noite, Peggy. – Sussurro, também começando a sentir o cansaço me atingir. Aperto a mulher e Alex para mais perto de mim e aos poucos acabo me deixando levar pelo sono.

[...]

— Eu atendo! – Avisa Kayla, assim que a campainha da casa toca. Ela se levanta de uma vez e sai para ir atender a porta. – Deve ser o Peter.

Bufo, enquanto coloco as guloseimas que levaríamos para o piquenique com as crianças. Peggy me lança um olhar divertido, mas ao mesmo tempo repreendedor, quase como um aviso de que eu deveria permanecer quieto. Não que eu tivesse muita escolha, já que minhas opiniões não possuem grande importância nessa casa.

— Controle-se. – Alerta Peggy e eu a encaro, frustrado.

— Esse é um programa pai e filhos. Por que ele também tem que ir? – Pergunto e a mulher me encara entediada.

— Nós já conversamos sobre isso. May e Jarvis estão ocupados com os preparativos para o baile dos casais, então para que ele não ficasse o dia todo sozinho em casa, Hailey o convidou para ele acompanhar vocês no piquenique. – Responde Peggy e eu suspiro frustrado pelo que deveria ser a milésima vez desde que fiquei sabendo do convite de Kayla. – E não custa nada deixar o garoto ir. Ele é um doce e Tommy o adora. Será uma ótima companhia para Hailey também. Não seja tão rabugento.

— Tanto faz. – Resmungo, ouvindo as vozes de Peter, Alex e Kayla vindo da sala. Eles riam e o mais novo parecia ainda mais animado com a ideia de Peter ir com a gente.

Sim. Até mesmo Alex havia me traído e implorado para que Peter também fosse para o parque jogar baseball e participar do piquenique com a gente. Assim, por mais que eu dissesse que deveria ser um programa família e que o garoto não fazia parte de nossa família, eu fui completamente ignorado. Ainda tive que lidar com Peggy dizendo que era apenas uma questão de tempo até Peter se tornar membro oficial de nossa família. Estremeço só de imaginar essa loucura.

— Bom dia, sr. e sra. O’Brien. – Cumprimenta Peter, entrando na cozinha.

— Bom dia, querido. – Responde Peggy com um sorriso animado.

— Bom dia. – Cumprimento só por educação, mas faço questão de mostrar que eu não estava feliz com a presença dele pela minha expressão.

Peter se encolhe envergonhado e Peggy dá um tapa em meu braço, encarando-me com repreensão. Suspiro e volto a me concentrar em colocar os alimentos que preparei para o piquenique dentro da cesta.

— Peter trouxe o chocolate-quente especial dele para a gente levar. – Comenta Kayla e o rapaz estende uma garrafa térmica grande.

— Não precisa. Nós já temos chocolate-quente. – Garanto e novamente sou estapeado por Peggy.

— Connor! Não seja assim! – Peggy me repreende e se vira para Peter com um sorriso amável nos lábios, enquanto pega a garrafa das mãos do rapaz. – Não ligue para ele, Peter. Ele é um idiota. Chocolate-quente nunca é demais. Muito obrigada por trazer.

— Não foi nada. É o mínimo que eu podia depois de terem me convidado para ir ao piquenique com vocês. – Responde Peter, sorrindo de maneira idiota. Peggy e Kayla parecem se derreter com o garoto. Reviro os olhos e coloco a garrafa térmica dentro da cesta contra a minha vontade.

— O chocolate-quente do Peter é incrível. Acho que nunca tomei algo tão saboroso. Na verdade, ele é um cozinheiro muito habilidoso. – Comenta Kayla e o palerma cora, envergonhado com os elogios da menina.

— Mas não deve ser melhor do que eu. – Sussurro para mim mesmo, irritado. Eu cozinho todo dia para essa família e ela nunca me elogia por conta própria. Por que ela está fazendo isso com o idiota metido a besta?

— Que exagero, Hailey. – Responde Peter, rindo enquanto coça a nuca. – Eu só sigo receitas dos livros de tia May. Nada demais.

— Ainda assim, tudo fica muito saboroso. – Afirma Kayla, deixando o rapaz ainda mais envergonhado.

— Tudo bem. É melhor vocês irem, antes que alguém acabe chorando. – Fala Peggy, lançando um olhar divertido em minha direção. Bufo e ela ri, acompanhada de Kayla. Peter parece entender que não é uma boa ideia me provoca e fica quieto.

— Tem certeza de que não quer que eu fique? – Questiona Kayla, pelo que deveria ser a décima vez desde que Peggy disse que não nos acompanharia ao piquenique, porque ficaria em casa para cuidar de Liz.

— Tenho sim. Vá se divertir. Vai ficar tudo bem por aqui. Eu prometo. – Responde Peggy com um bonito sorriso no rosto, no entanto, isso não parece ser o bastante para convencer Kayla de que poderia ir passear, enquanto Liz e Peggy ficam em casa. – Além disso, você já prometeu para Peter que o levaria para o piquenique.

— Eu não me importo de...

— Mas eu me importo. – Peggy o interrompe, determinada. — Eu vou aproveitar que Liz está dormindo para dormir também e recuperar as energias senão a noite eu não serei ninguém.

— Tudo bem. Mas qualquer coisa é só me ligar. Eu vou estar o tempo todo com o celular. – Avisa Kayla, mostrando o celular. Peggy ri e balança a cabeça confirmando. Ela se divertia com as frases de Kayla, que mais fazia a garota parecer mais do que a irmã mais velha.

— Certo. Agora vão. Não se esqueçam de ficarem bem agalhados. Já basta Emma gripada. Não precisamos de mais pessoas doentes. – Responde Peggy, empurrando a cesta de piquenique em minha direção.

Depois de todos nos despedirmos de Peggy, Alex, Kayla, o encosto e eu seguimos para o parque da cidade que ficava a aproximadamente vinte minutos de casa. Como era de se esperar, não havia praticamente ninguém passeando pelo local, além de duas ou três pessoas levando seus cachorros para passear.

Procuramos por um lugar espaçoso e que não corresse o risco de acabar machucando alguém com as jogadas que Alex iria realizar. Depois de estendermos a toalha de piquenique no chão e colocarmos a cesta sobre ela, pegamos alguns lanches e o maldito chocolate-quente do paspalho, que para a minha frustração estava realmente melhor do que o meu, mas é claro que eu não admitiria isso em voz alta.

Nem mesmo terminamos de comer direito e Alex saiu arrastando o imbecil e eu para irmos jogarmos um pouco de baseball, insistindo que ele seria o arremessador, a ameba seria o receptor e eu o rebatedor. Kayla disse que assistiria a tudo e cuidaria para que nenhum animal pegasse a comida ou o vento gélido e agitado que fazia levasse a toalha e os lanches.

Como era de se esperar, minhas energias se esgotaram antes de satisfazer o desejo de Alex de me fazer jogar baseball até ele se cansar, o que parecia algo que não aconteceria tão cedo. Assim, deixo que o palerma continue a jogar com Alex e me sento ao lado de Kayla, que encarava a tela do celular com atenção.

— Está tudo bem? – Pergunto e ela me encara surpresa. – Desculpa.

— Não, não. Está tudo bem. Eu juro – Afirma a menina, dando um bonito sorriso. – Eu estava apenas tirando fotos de vocês e me atualizando sobre como Emma está. Se a febre abaixou de vez e se ela está menos enjoada.

— E como ela está?

— Ela está bem. A febre passou de vez e ela está dormindo. – Responde Kayla, guardando o celular. – Acho que agora ela vai melhorar de vez.

— É bom saber disso. Ela está em boas mãos. Eu garanto. – Afirmo e ela assente, sorrindo discreta.

— Eu sei. – Kayla passa a encarar Peter e Alex brincando de lançar e rebater a bola de baseball. – Posso te fazer uma pergunta?

— Claro. – Concordo, curioso para saber o que se passava em sua cabeça.

— Por que não gosta de Peter? – Questiona, encarando-me com intensidade.

Arregalo os olhos surpreso e ela permanecia com aquela expressão séria, deixando claro que esperaria quanto tempo fosse preciso para ter a minha resposta. Suspiro e penso em como poderia explicar o que se passava em minha mente, sendo que nem mesmo eu sei explicar.

— Não é que eu não goste dele. – Começo com cautela. – Apenas não gosto das possibilidades que ele traz.

— Como assim? – Kayla parecia confusa com as minhas palavras.

— Ele gosta de você e... – Suspiro, incomodado. – E você parece gostar dele também. – Kayla engasga com a própria saliva e passa a tossir freneticamente, completamente vermelha.

— De onde você tirou isso? Eu... eu não gosto dele assim e nem ele gosta de mim além do sentido da amizade. – Responde Kayla, mas suas palavras pareciam tão confiante.

— Eu apenas não sei como deveria reagir nessa situação. Eu sei que não sou seu pai de verdade e que tecnicamente não tenho o direito de interferir, mas eu tenho um carinho imensurável por você e seus irmãos. Eu simplesmente aprendi a amar vocês como se fossem mesmo meus filhos. E é por isso que apenas a ideia de você ter o coração partido por um idiota me deixa irritado, afinal, você é uma garota incrível. Não merece sofrer por causa de um imbecil que não sabe valorizar você. Ao mesmo tempo, eu fico apavorado ao pensar em você namorando e querendo ir para longe de nós. – Tento explicar minhas emoções, mas isso só faz com que Kayla gargalhasse, parecendo se divertir com o meu comportamento. Nesses momentos, eu a acho diabolicamente parecida com Peggy. – Do que você está rindo? Eu estou falando sério.

— Pai, eu também tenho um carinho imensurável por você. E eu prometo que mesmo se eu arranjar um namorado, eu não vou a lugar algum. Pelo menos, não enquanto estivermos no programa de proteção a testemunhas. Até lá, eu continuarei aqui. Eu prometo. – Responde Kayla e é inevitável não me sentir emocionado.

— Essa... essa é a primeira vez que você me chama de pai. – Sussurro, ainda embasbacado. Ela sorri e parece envergonhada. – Você... realmente me chamou de pai?

— Você não gostou? – Pergunta a menina com cautela.

— Você está brincando comigo? – Questiono, rindo. Puxo a garota para um abraço de tirar o fôlego de tão forte que eu apertava, surpreendendo a menina, que também não parava de rir. – Isso é a melhor coisa que poderia ter acontecido. Isso é tão incrível!

Nós nos separamos e ela se recompõe, passando a encara o céu nublado. Um vento gélido passa por nós bagunçando os cabelos curtos de Kayla. Ela fecha os olhos e permanece assim por alguns instantes de voltar a abri-los e sorri, encarando-me com doçura.

— Obrigada por ser o melhor pai do mundo que uma garota desafortunada como eu poderia desejar. – Kayla agradece e tudo o que eu consigo fazer é puxar a garota para um forte abraço, tentando ao máximo controlar as lágrimas que queriam descer a qualquer custo.

Notas finais
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