Memórias de Aurea
2 ❀ Auroras
Ano 2016_ 79 anos atrás.
Em uma manhã de sábado, acordei, mas ainda continuei deitada. Encarei o teto do meu quarto, era de uma cor azul marinho, totalmente a cor dos meus olhos. Mas eram olhos tristes quase lamentáveis. Aprisionara meu ser em algo inútil de se ter. Minha perseverança de encontrar meu destino estava além de preocupações e exaustões. Seria mais um dia onde me encontraria novamente nas páginas de meus livros. Sem alguém para conversar. Eu quase que sentia pena de mim. Porém não lamentava minha solidão. Eu era saudável, a não ser com algumas deficiências nada muito graves.
Congelei quando a brisa tomou minha pele à mostra. Rapidamente vesti um moletom solto e muito velho. Assim que estou pronta, saio de casa para a esquina mais próxima rumo ao um café.
Peço dois pedaços de brownie e uma xícara de café e vou à mesa mais próxima da janela. O dia estava calmo... E entediante. A agenda que eu mantinha comigo era meu único conforto. Tudo o que eu podia imaginar eu escrevia, não importava onde estava, nem ás que horas decidiria escrever. Eu sempre mantinha ali minhas palavras mais extasiantes possíveis.
Às que eu vou contar agora não é apenas a você, mas sim, aos que não entendem o que quero transmitir. Teve uma vez em minha bisavó, quando ainda era adolescente, havia me contado um fato do que ocorrerá. Eu era apenas uma garotinha, nem sabia ainda o que era a puberdade.
Uma vez, encontrei um sótão antigo em uma velha casa em que fui bisbilhotar quando apenas tinhas 16 anos. – dizia minha bisavó sentada em sua poltrona. – Era curiosa, menina, tão curiosa que me meti em uma confusão.
Mas era mágica, extremamente mágica. O sótão tinham muitos quadros antigos do ex-morador. Aposto que foi deixado pelo primeiro morador dessa casa.
Não tem como descrever o que vi por lá. Variados quadros encantados com seus traços leves e belos. Por que os deixaram para trás e esquecidos? Por que todo aquele trabalho de um grande pintor sabe lá quantos anos que foi criado, foi deixado para trás?
E todas aquelas dúvidas vão atormentar-me até quando sequer tiver alma menina. Mas, um dia desses, quando fucei novamente aquele sótão antigo, em que suas portas ainda mantinham se abertas, encontrei um quadro meio que escondido por trás das cortinas rasgadas. Limpei-o assoprando. E revelou uma fascinante imagem de um Vale, a pintura era tão realista e me perguntei se não haviam tirado uma foto e posto lá, como uma pintura falsificada. Seja lá como for o pintor devia estar com uma daquelas preguiças para expor seu trabalho.
Mas não. Havia traços de tinta mesmo. Era mesmo uma pintura. Eu olhei encantada, admirada...
Nunca me esqueci do começo daquele fato que minha bisavó (quando ainda estava viva) com o tempo que ainda tinha, arrumou um jeito de me contar. Nada do que me dizia me causava tédio. Era um livro aberto em forma de pessoa.
Ela apenas contava quando eu me sentia triste em motivos de estar. Em algumas vezes ela sempre citava uma poesia de um autor desconhecido a fim de me acalmar quando estava aos prantos de soluços.
As palavras por mais curtas que eram eu sentia levar-me junto com os encantos de suas palavras.
Oh! Não chores bela flor.
Não se murche quando a solidão se inflama em seu interior.
Não me abandone, quando se sente amarga e fria.
Esse tempo todo ainda estará perdido em lugares gélidos.
Oh! Por que não chegaste ainda?
Venha até mim e me cubra com esse seu perfume.
Venha até mim e se console sobre meus braços.
Não chores aurora de verão.
Não até que a primavera mude de estação.
Não até que ela continua a se manter por aqui.
Não chores bela flor.
Enquanto ainda estiver viva... Aqueça-se.
E deixe-me que limpe suas lágrimas.
Oh! Auroras...
Há quanto tempo...
Oh! Não chores bela flor.
Foi nesse dia que me apelidaram de Aurea. Em sintonia de Auroras. E em sentido de magnifico, brilhantes e valiosas como de o de uma Aurora.
É claro que essa foi apenas uma parte de uma estória. Ainda haverá muitas coisas a serem contadas. E conforme o tempo ficará por fim concluído.
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